sexta-feira, 5 de março de 2010

Caatinga: Reserva Pedra do Cachorro é indicada para virar posto da biosfera. Proposta é do Comitê Estadual da Caatinga.


A RPPN Pedra do Cachorro, em São Caetano, no Agreste pernambucano,
aguarda a concessão do título, o que vai resultar na ampliação da área
preservada e das pesquisas científicas. O título precisa ser concedido pelo
Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga - CNRBCAA.


Uma vistoria de avaliação realizada por técnicos da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH), recentemente, na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Pedra do Cachorro, é um dos passos para instalação do projeto de ampliação da área visando transformá-la em Unidade de Conservação. A reserva, que tem 23 hectares de extensão e está localizada a 18 quilômetros do Centro de São Caetano, no Agreste do Estado, também foi indicada no ano de 2008 para ser o primeiro Posto Avançado da Biosfera da Caatinga em Pernambuco. A proposta é do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga (CERBCAA-PE).
A expectativa é que nas comemorações do Dia Nacional da Caatinga, 28 de abril, o Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga - CNRBCAA conceda o título solicitado. Postos Avançados (PA) são centros, locais físicos ou instituições, contidos total ou parcialmente dentro do perímetro da RBCA. Os postos avançados têm por finalidade a proteção da biodiversidade, o desenvolvimento sustentável e o conhecimento científico servindo como instrumento para a implantação e difusão dos conceitos e princípios da RBCA.
A RPPN Pedra do Cachorro, de propriedade do ambientalista Guaracy Cardoso, é reconhecida desde 2001 e desenvolve ações de preservação da natureza, educação ambiental e ecoturismo. Lá, funciona uma base de apoio a visitantes e à pesquisa científica voltada para o bioma caatinga.
São encontrados na reserva cactáceos arbóreos e arbustivos, como mandacaru, xique-xique, facheiro, coroa-de-frade, juazeiro, angico, baraúna e mulungu, entre outros. Também são encontrados animais ameaçados de extinção, como o tatu-bola e o galo-de-campina. O local, inclusive, é aonde a águia chilena costuma abrigar-se para reprodução, geralmente no mês de outubro, embora possa ser vista o ano todo.

PRESERVAÇÃO


A reserva, que atua em parceria com as Universidades Federal e Rural de Pernambuco, e conta com apoio da Prefeitura de São Caetano, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco (Sectma), CPRH e Ibama, é detentora do prêmio Vasconcelos Sobrinho – instituído em 1990 pela CPRH em reconhecimento a iniciativas em prol do meio ambiente.
O projeto de ampliação do espaço de preservação ambiental, uma luta do ambientalista Guaracy Cardoso, permitirá que a proteção seja estendida a toda a área no entorno da Pedra do Cachorro, englobando aproximadamente três mil hectares. A Pedra do Cachorro está inserida no Planalto da Borborema e é um dos pontos mais altos do Estado, com 1.124 metros de altitude, na divisa dos municípios de São Caetano, Brejo da Madre de Deus e Tacaimbó.
Outra bandeira levantada por Guaracy Cardoso é quanto ao reconhecimento da área de brejo existente em São Caetano e, consequentemente, tê-la como unidade de conservação. No local, estão dois grandes açudes, dos Coelhos e Brejo do Buraco, e resquícios de Mata Atlântica e caatinga. “A nossa preocupação é a de que, aos poucos, todo esse manancial esteja sendo depredado. O reconhecimento e a devida preservação são urgentes”, setencia Cardoso.
(Fonte: JC - Ciência e Meio Ambiente)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Caatinga devastada: Pernambuco na lista dos que mais desmatam



O Coordenador do Comitê Estadual da Caatinga em Pernambuco,  Elcio Barros,
comenta o desmatamento da caatinga e as preocupações do Comitê na preservação deste bioma exclusivamente brasileiro.

Da lista de 10 municípios brasileiros que mais desmataram a caatinga em seis anos (entre 2002 e 2008), quatro estão no Ceará (Acopiara, Tauá, Boa Viagem e Crateús), quatro na Bahia (Bom Jesus da Lapa, Campo Formoso, Tucano e Mucugê) e dois em Pernambuco (Serra Talhada e São José do Belmonte).
O coordenador-geral do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga do Estado de Pernambuco, Elcio Alves de Barros e Silva, aponta uma siderúrgica fechada no ano passado em São José do Belmonte como uma das principais causas recentes do desmatamento na região. “A empresa, autuada várias vezes pelo Ibama, acabou fechando há oito meses”, revela.
Elcio Alves também aponta o avanço do polo gesseiro como uma ameaça ao bioma. “As consequências do uso da lenha nas calcinadoras estão se expandindo para além dos limites da região do Araripe”, constata. Isso porque a cobertura vegetal nessa área já é inferior a 2%. “O resultado é uma pressão sobre outras regiões.”
Para frear o desmatamento no Semiárido, ele sugere a criação de unidades de conservação. “Atualmente menos de 1% da caatinga está protegido em Pernambuco. E o que a ONU recomenda é, pelo menos, 10%.” O comitê, informa, está identificando áreas consideradas importantes para a conservação da biodiversidade na região.
Elcio Alves recomenda, ainda, programas de educação ambiental. Devido à situação de pobreza, a população da área rural ainda utiliza lenha para cozinhar.
Em relação à iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, o especialista lembra que antes as atenções eram voltadas para a Amazônia e a mata atlântica. “Ainda bem que Carlos Minc está mudando isso. Ações como essas chamam a atenção para a importância da caatinga e a necessidade de proteger o que resta dela.”

EMISSÕES

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a emissão média anual de dióxido de carbono (CO2), durante esse período, devido ao desmatamento da caatinga foi de 25 milhões de toneladas.

Fonte:  Blog Ciência & Meio Ambiente
(com link para http://jc3.uol.com.br/blogs/blogcma/)
Leia mais em: Mata branca está em brasa e FLORESTAS PLANTADAS PARA PRODUÇÃO NO PÓLO GESSEIRO DO ARARIPE-PE

terça-feira, 2 de março de 2010

Dados preocupantes: Caatinga teve 16,57 mil km² desmatados em seis anos


Dados do monitoramento do desmatamento no bioma realizado
entre 2002 e 2008 revelam que, neste período, o território devastado foi de 16.576 km2

O Ministério do Meio Ambiente divulgou nesta terça-feira o desmatamento da caatinga, bioma dominante na região Nordeste. Dos 826.411 quilômetros quadrados, a caatinga perdeu 45,39% de sua cobertura vegetal original, ou seja, 375.116 quilômetros quadrados. Os estados que mais desmataram foram Bahia e Ceará, destruindo respectivamente 0,55% e 0,50% do bioma entre 2002 e 2008. Neste período, 2% do bioma foram queimados, uma área de 16.576 quilômetros quadrados. Nesses seis anos, a taxa média anual de desmatamento foi de 2.763 quilômetros quadrados.
Segundo o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a principal razão é a falta de alternativas energéticas para a região. No Nordeste, a vegetação é derrubada especialmente para fazer lenha e carvão.
- Tem que ter alternativa. Sem alternativas energéticas a guerra é muito complicada e dificilmente vamos acabar com esse desmatamento – disse Minc.
” Grande parte da riqueza sequer permanece no Nordeste “
Grande parte do carvão explorado na região abastece siderúrgicas de Minas Gerais e Espírito Santo. O produto também alimenta o pólo gesseiro e o de cerâmica do Nordeste.
- Estamos transferindo o uso da caatinga para atividades que sequer são exercidas na região. Grande parte da riqueza sequer permanece no Nordeste – disse Maria Cecília Wey Brito, secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente.

Municípios da Bahia e do Ceará encabeça desmatamento

O Ministério listou os 20 municípios que mais desmataram a caatinga entre 2002 e 2008. As sete cidades que encabeçam o ranking são ou da Bahia ou do Ceará: Acopiara (CE), Tauá (CE), Bom Jesus da Lapa (BA), Campo Formoso (BA), Boa Viagem (CE), Tucano (BA) e Mucugê (BA).
A exemplo do que acontece na Amazônia, a caatinga e o cerrado também deverão ganhar planos de combate ao desmatamento com ações para inibir a investida de atividades de grande impacto e metas de redução da destruição.
Minc defende que 50% dos recursos do recém criado Fundo Nacional de Mudanças Climáticas ( cerca de R$ 500 milhões por ano) sejam destinados para ações na caatinga. A região é mais vulnerável à desertificação e demais efeitos do aquecimento global.
A caatinga é o único ecossistema exclusivo do território brasileiro – a mata atlântica, o Pantanal e a floresta amazônica se estendem por outros países.
Originalmente se estendia por 734.478 quilômetros quadrados, o equivalente a 70% do Nordeste e 11% do território nacional. Vinte e sete e meio por cento – 201.768 quilômetros quadrados – deram lugar à agricultura e à agropecuária.

Para monitorar a Caatinga, um bioma mais rarefeito do que o encontrado na Amazônia, o satélite foi "ajustado" para operar com maior precisão. A partir de amanhã (03.03), o ministro participa do 1º Encontro Nacional de Enfrentamento da Desertificação, em Petrolina (PE), onde deve se reunir com governadores e secretários do Meio Ambiente do Nordeste para discutir o problema. "São necessárias várias medidas locais de recuperação de solo, reflorestamento, proteção de microbacias e de alternativas energéticas", observou.

Para a professora Maria Aparecida José de Oliveira, especialista em botânica da Universidade Federal da Bahia, é necessário mais empenho dos governos para preservar a Caatinga - faltam fiscalização e políticas para as comunidades locais. "O melhor modelo de recuperação é aquele que envolve a população, pois é ela quem vai cuidar do bioma." Há cerca de 930 espécies vegetais na região, sendo 320 exclusivas.      (Globo Online e Estadão.com.br)
Dados do monitoramento do desmatamento do bioma caatinga (Clique e leia o documento do MMA)
Leia também: Desmatamento na Caatinga já destruiu metade da vegetação original

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Comitê discute ICMS Socioambiental para a caatinga com a Secretaria da Fazenda




Comitê da Caatinga, Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alepe e
Secretário da Fazenda discutem o ICMS Socioambiental de Pernambuco.


Por Daniel Vilarouca (*)

Membros da Comissão de Meio Ambiente da Alepe e do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga - CERBCAA/PE se reuniram, na manhã desta terça-feira (23), com o secretário Estadual da Fazenda, Djalmo Leão. Na pauta do encontro, uma melhor divisão nos percentuais do ICMS Socioambiental e a instalação de Unidades de Conservação também nas regiões de caatinga.
O debate sobre a inclusão da caatinga na lista das Àreas de Preservação Ambiental foi trazida para a Assembleia Legislativa de Pernambuco através de uma audiência pública solicitada pelo deputado Nelson Pereira de Carvalho (PCdoB). Nela foi discutida a necessidade de preservação da caatinga que é um bioma único no mundo e tem sua maior incidência na região Nordeste do Brasil.
“Até o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, já reconheceu que a caatinga, atualmente, sofre mais risco de extinçãoue a Amazônia”, comentou o coordenador do Comitê da Caatinga, Elcio Barros. Ele informou também que Pernambuco possui pouco mais de 50 Unidades de Conservação, a maioria delas localizadas no Litoral e Zona da Mata. Nenhuma nas regiões de caatinga.
Os atuais dados sobre as Unidades de Conservação são levantados pela Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH) que tem feito muito mais uma analise quantitativa que qualitativa desses espaços. “Isso nos dá apenas uma visão de quantas Unidades de Conservação nós temos, mas não o estado em que elas se encontram. Algumas delas, inclusive, podem estar em estado de degradação por não haver um acompanhamento e uma manutenção adequada”, argumentou Elcio Barros.
Segundo o secretário Djalmo Leão, que acompanhou atentamente os pontos colocados pela Comissão de Meio Ambiente e pelo Comitê da Caatinga para que o ICMS Socioambiental seja melhor aplicado e haja também uma melhor distribuição de seus percentuais, é preciso haver primeiramente um interesse dos prefeitos dos municípios pernambucanos.
“Muitos prefeitos não sabem sequer que o ICMS Socioambiental existe ou que ele é repassado a partir das ações para o desenvolvimento do meio ambiente, saúde, educação e cultura. Por isso, é difícil fazer um acompanhamento, principalmente, nas pequenas cidades onde é difícil fazer até a arrecadação de tributos”, disse Djalmo Leão.
De acordo com o secretário, o repasse do ICMS Socioambiental e os recursos destinados ao meio ambiente em Pernambuco melhoraram bastante no Governo Eduardo Campos. “O governador tem sido muito sensível a essa questão e tem cobrado uma atenção especial com o seguimento”, afirmou.
Ele se comprometeu em trabalhar junto à Comissão de Meio Ambiente e ao Comitê para levar as reivindicações ao governador Eduardo Campos. “A ideia é envolver a Amupe (Associação Municipalista de Pernambuco) neste debate para que mais prefeitos tenham conhecimento da causa e aí possamos partir para um encontro com o governador levando estas propostas”, finalizou Djamo Leão.

(*) Assessor de comunicação dep. est. Nelson Pereira de Carvalho


Entenda a importância do ICMS Ecológico para a preservação do meio
ambiente nos municípios brasileiros.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Biomas em perigo. Desmatamento pode acabar com 95% da Amazônia até 2075 e provocar o desaparecimento da caatinga.


Pós-queimada: ritmo recorde de devastação - Foto: Janduari Simões

Um relatório chamado "Assessment of the Risk of Amazon Dieback" e conduzido pelo Banco Mundial avaliou o risco de parte da floresta amazônica entrar em colapso devido à conjunção de três fatores: desmatamento, mudanças climáticas e queimadas. Segundo ele, em 2025, cerca de 75% da floresta seriam perdidos. Em 2075, só restariam 5% de florestas no leste da Amazônia.
O estudo, que contou com a colaboração dos pesquisadores brasileiros do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) Carlos Nobre e Gilvan Sampaio, trabalha com o conceito de "Amazon Dieback", termo que ainda não tem tradução exata para o português e que representaria uma redução da biomassa da floresta. "Podemos dizer que é o risco de colapso de parte da floresta. O nível, o ponto a que chega a floresta que, mesmo que você faça reflorestamento, ela não retorna", explica Sampaio.
De acordo com a análise, o risco de colapso de parte da floresta é maior no leste da Amazônia, região que compreende o Pará e Maranhão. "Em nossos estudos, avaliamos que, principalmente no leste da Amazônia, com a mudança do clima mais a mudança no uso da terra, você não conseguirá mais sustentar ali uma floresta de pé, como é o caso da floresta amazônica. Você teria uma floresta com, digamos, menos biomassa acumulada, que poderia ser semelhante à uma savana", diz Sampaio.
O efeito combinado do clima e desmatamento, nessa região, pode resultar em uma forte diminuição da área de floresta no bioma.
No sul da Amazônia, região que compreende o Mato Grosso e sul do Pará, o relatório indica crescimento da área de savana, principalmente devido à atuação das queimadas. O noroeste da Amazônia é a área que sofre menor impacto, já que compreende a parte mais preservada da floresta.
Além disso, a soma dos impactos de mudanças climáticas, desmatamento e queimadas da Amazônia resultaria em consequências negativas em outras regiões do País. O estudo identifica uma mudança no regime de chuvas que atingiria o Nordeste brasileiro, intensificando o desaparecimento da caatinga na região e aumentando as áreas de semideserto.
Segundo Sampaio, a pesquisa não traça propostas para evitar o "dieback" da Amazônia. "Não fizemos recomendações. Na verdade, as recomendações são aquelas que já conhecemos: diminuir as emissões de gases de efeito estufa e controlar o desmatamento".

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Visita da CPRH a Caatinga


Foto: RPPN Pedra do Cachorro

Técnicos da CPRH - Agência Estadual de Meio Ambiente,  iniciaram hoje (22.02) uma série de visitas as áreas indicadas pelo Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga - CERBCAA/PE para instalação de Unidades de Conservação.
As áreas indicadas são:
  • Pedra do Cachorro, em São Caetano.
  • Serra Talhada, no município do mesmo nome
  • Serra da Canoa, em Floresta.
O objetivo da viagem é ter um contato inicial para colher informações básicas e posteriormente os estudos serão aprofundados através de levantamentos de campo e observância dos critérios legais.

Quando a equipe da CPRH se dirigia a Pedra do Cachorro, já na zona rural de São Caetano (PE), flagraram e apreenderam dois caminhões transportando lenha originada de desmatamento ilegal da caatinga naquele município.
Por isto, a viagem atrasou. As técnicas da CPRH tiveram que retornar a sede do município para entregar os infratores à delegacia local, devendo a visita a Pedra do Cachorro ser realizada apenas amanhã (23.02) e a chegada em Serra Talhada (PE) está prevista para a noite de terça-feira.

A Universidade Federal Rural de Pernambuco e o Comitê Estadual celebram o Dia Nacional da Caatinga

Marcelo, Suassuna, Rita, Ednilza e Márcio (CERBCAA/PE) João Suassuna (Fundaj) Márcia Vanusa (UFPE) Francis Lacerda (IPA) e Jo...