Nesta reportagem é mostrada a grande diversidade no bioma caatinga e os estudos sendo realizados com as plantas e animais. O semi-árido brasileiro é uma das regiões semi-áridas mais populosas do mundo. Estima-se que 28 milhões de brasileiros habitam o bioma Caatinga, das quais 38% vivem em áreas rurais. Abriga a população mais pobre do Nordeste e uma das mais pobres do Brasil. Cerca de 51% da população nordestina ou 22,9 milhões de pessoas são pobres, comportando 42% da população pobre do Brasil. Na maioria dos municípios a renda média per capita não excede meio salário mínimo. Em apenas 4,6% dos municípios da região o IDH é igual ou superior a 0,5 e a taxa de analfabetismo para maiores de 15 anos é bastante elevada, sendo entre 40 e 60 % em quase todos os municípios. A pressão sobre os recursos naturais é muito grande principalmente devido à pobreza e a falta de alternativas da população da região. A vegetação é a principal fonte de renda de uma parcela substancial da população nordestina do Brasil, pois esta, direta ou indiretamente, precisa explorar os seus recursos naturais para sobreviver. A caça, a captura de animais silvestres e as queimadas vem reduzindo de forma acelerada o hábitat e processo de degradação e desertificação do semi-árido representam as maiores ameaças para a conservação de sua biodiversidade. Apesar de ser um bioma frágil e sob forte pressão, é o menos protegido dos biomas brasileiros. Menos de 1% de sua área está protegida em Unidades de Conservação (UCs) de uso indireto e é o bioma com o menor numero de Unidades de Conservação de proteção integral. É também o menos estudado e conhecido dos biomas brasileiros e um dos mais antropisados, ultrapassado apenas pela Mata Atlântica e Cerrado.
O Comitê da Reserva da Biosfera da Caatinga no Estado de Pernambuco - CERBCAA/PE, tem por objetivo apoiar e coordenar a implantação da Reserva da Biosfera da Caatinga, priorizando a conservação da biodiversidade, o desenvolvimento sustentável e o conhecimento científico. Divulgar questões relacionadas ao bioma caatinga, atuando em ações ligadas à educação ambiental, exercendo os princípios da Reserva da Biosfera da Caatinga. Vinculado ao Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga.
sábado, 7 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Bioma Caatinga: Fazendas de uva recebem selo por preservar a natureza
Certificação vale por dois anos e valoriza o produto.
Proprietários ainda investem no bem-estar dos funcionários.
Nove fazendas de uva do Vale do São Francisco, na divisa de Pernambuco com a Bahia, receberam um selo de certificação internacional por adotarem práticas socioambientais responsáveis. Além de cuidar da preservação da natureza, os proprietários também investem no bem-estar dos funcionários.
Uma placa indica que, na área de 19 hectares, o bioma caatinga está protegido. Pode não parecer comum, mas a fazenda que fica no Vale do São Francisco tem uma área de 30 hectares onde são cultivadas uvas sem sementes para exportação. Além da área de reserva, a coleta do lixo é seletiva e placas indicam o perigo das embalagens de defensivos.
Por causa desses cuidados, pela primeira vez no Brasil, nove propriedades de uva da região foram certificadas pela rede de agricultura sustentável, que indica o cultivo de produtos agrícolas a partir de práticas socioambientais responsáveis.
“A gente fica credenciado a ter acesso a um mercado específico, reconhecido no exterior, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, que reconhece esse certificado como uma fruta feita de uma maneira responsável tanto ambiental como social, o que nos garante, teoricamente, um preço um pouco diferenciado”, falou o agricultor Edis Ken Matsumoto.
Para conseguir a certificação, não foram adotadas apenas práticas de preservação ambiental. As nove fazendas que formam a cooperativa tiveram de investir em ações voltadas para o bem-estar social dos funcionários. “Se a gente quiser fazer exame de vista ou precisar ir ao dentista, eles têm um convênio”, contou o trabalhador rural Joaquim Severino.
Com o selo, os agricultores esperam conseguir vender a caixa da uva por um preço 5% acima do valor de mercado. A certificação vale por dois anos.
(Fonte: G1.globo.com )
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Reflexão sobre mudanças no Código Florestal no âmbito da Caatinga
Por Francisco Barreto Campelo
É importante que os envolvidos na luta pela conservação da Caatinga, não fiquem distantes desse debate. Podemos ser surpreendidos por conceitos e imposições que favoreçam o desaparecimento de nossas Caatingas.
Penso que temos uma oportunidade para valorizar no Código Florestal o Manejo Florestal Sustentável. Esse instrumento, que possibilita a gestão das florestas, complementando o processo de conservação e mantendo os serviços ambientais, é mais falado do que utilizado. Precisamos impulsionar a pratica do manejo florestal para reverter o processo de degradação no bioma Caatinga e lutar para que as atividades produtivas sigam padrões de sustentabilidade. Os estudos do PROBIO demonstra que temos áreas suficientes no bioma que podem atender a todas as condicionantes ambientais e as demandas por produtos florestais. O que precisamos é ordenar os usos com critérios de sustentabilidade.
O manejo florestal sustentável é necessário não somente para a obtenção de lenha ou outros produtos madeireiros, ele é fundamental também para a pecuária extensiva e para os produtos não madeireiros. A Caatinga tem um potencial florestal que gera renda com inclusão social, precisamos valorar esses ativos ambientais.
Estudos da rede de Manejo da Caatinga já demonstram que a Caatinga submetida ao manejo por meio da talhadia simples, se regenera e mantém a biodiversidade e os serviços ambientais, comparáveis a áreas totalmente protegidas. Assim, devemos aproveitar esse momento para não permitir que afastem os produtores rurais dos negócios ambientais/floresta is. Precisamos superar os preconceitos e dar credito aos estudos realizados na Caatinga.
O comportamento que vemos para o manejo florestal ainda é pequeno e preconceituoso diante da intensidade de uso que se faz dos recursos florestais. Não damos conta de que no Nordeste o manejo florestal é praticado nas áreas de uso alternativo do solo, onde é permitida ao produtor rural a eliminação da floresta para implantação de pasto ou agricultura e nesse momento de intensa alteração da paisagem não questionamos: a biodiversidade, a viabilidade econômica, a sustentabilidade ambiental e econômica, a compactação do solo, entre outras. A Caatinga tem um potencial forrageiro que possibilita termos nossa pecuária, sem a necessidade de desmatar para formar pastos.
Assim, sem percebermos e sempre querendo o bem para o meio ambiente, empurramos os produtores para o desmatamento. Devemos aproveitar esse momento para impormos de fato critérios para o uso sustentável da Caatinga:
Porque suprimir a Caatinga para formar pasto se a mesma tem um potencial forrageiro. Onde está a viabilidade econômica e ambiental desse pasto que se diz superior a Caatinga?
Estudos demonstram que com até 30% de sombreamento não existe alteração na produção forrageira dos pastos, porque permitir o suprimento total da vegetação para essa finalidade?
A capacidade de carga animal na Caatinga já é conhecida, mas mesmo assim, temos sempre novos projetos sendo apoiado, o que faz com que em várias áreas a capacidade esteja superada. Onde esta a sustentabilidade, quem pode frear esse desmatamento silencioso?
Como podemos assegurar o desenvolvimento regional se a economia da região utiliza a lenha sem nenhum planejamento ambiental? A Matriz energética precisa ser atendida em base sustentável, é inadmissível que nos dias atuais ainda tenhamos a segunda fonte energética dessa matriz sendo atendida por atividades de supressão da vegetação e sem uma atenção maior por parte do planejamento energético. Precisam criar mecanismos para um programa que valorize a lenha, nosso bicombustível solido.
O Manejo Florestal é uma atividade produtiva em base sustentável que colabora com o processo de conservação. Com o manejo florestal uma propriedade rural pode ser produtiva, com a utilização de 5 ou 7% de sua área e mantendo praticamente 95% com cobertura florestal.
Precisamos fortalecer o Manejo Florestal Sustentável, esse importante instrumento de gestão ambiental que assegura a produção florestal sem comprometer os serviços ambientais, promovendo a conservação da biodiversidade com inclusão social.
Assim, gostaríamos de sugerir um debate a ser realizado conjuntamente com a Universidade Rural de Pernambuco, o Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga e a Associação Nordestina dos Eng. Florestais – ANEF, para apresentarmos sugestões que qualifiquem o Código Florestal, incorporando os avanços da Ciência Florestal em seu contexto.
Leia também: Valor Econômico - Pacote de Lula tenta pôr fim à disputa do Código Florestal
Minc detalha proposta do MMA sobre Código Florestal e Reserva Legal
Governo facilita regularização ambiental do agricultor
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Resultados da Mostra de Cinema Bela Caatinga – Etapas 1 e 2
Por Cléa Lúcia (cineasta)
As apresentações em 9 municípios, aconteceram com muita diversidade. A proposta inicial de 6 apresentações por cada município, após pré-produção foi modificada para 5. Os resultados esperados, para os municípios menores é de um público de 100 pessoas em média por apresentação, somando 500 nas 5 apresentações. O esperado para as cidades maiores neste bloco: Salgueiro e Serra Talhada seria de 200 pessoas por turno o que somaria 1000 pessoas, público total. Seria interessante citar, que os pequenos públicos, muitas vezes, proporcionou um melhor desempenho dos objetivos: possibilidade de conversar sobre os temas explanados.
Resultados nos 9 municípios, onde já aconteceram a mostra:
Buique (cidade – 410 pessoas;Distrito Guanambi – 930 pessoas) = 1340
Inajá = 840
Ibimirim = 600
Custódia = 550
Belmonte = 530
Serra Talhada = 500
Mirandiba = 450
Salgueiro = 350
Pedra = 310
TOTAL = 5470
O Distrito de Guanambí (Município de Buíque) surpreendeu pelo público das 3 apresentações. A atividade do Diretor da escola Anselmo e seu professorado interessado, fez com que praticamente toda a escola tivesse participação no projeto. Um fato estranho, que apesar de aberto ao público, raras foram as pessoas da comunidade que estiveram presentes..O apoio do Sesc foi fundamental – viabilizou os espaços e exibição.
Os filmes mais assistidos nesta mostra foram: “Arvore Sagrada”, “Tem Boi no Trilho”, “Patativa”, “Espelho D’água”, “ Chicão Xucuru”, “Viva São João”, A Musa do Cangaço”,“Aruanda”, “Arraial”. As escolhas foram feitas de acordo com a presença de aldeias indígenas, quilombos, sebastianismo, cangaço. O Umbu como faz parte da vida de todos,
O Rio São Francisco e a poesia, estes temas foram muito solicitados.
A globalização já domina os adolescentes e jovens, até da zona rural. As informações midiáticas da TV, rádio, carro de som, conseguem prender os jovens a um padrão , que as demais propostas de conhecimento e arte, não servem.
O novo grupo de municípios tem seu cronograma marcado para inicio de novembro.
Confiram a Programação completa da Mostra de Cinema no final da página deste Blog.
domingo, 25 de outubro de 2009
Tilápias e tucunarés ameaçam fauna nativa
Entre as 47 espécies de animais invasores em Pernambuco, esses peixes são considerados os mais nocivos pela alta capacidade de adaptação às mudanças ambientais e por serem predadores vorazes
Pernambuco tem 47 espécies de animais considerados invasores, aqueles originários de outras regiões do País ou do mundo e que se constituem numa ameaça à fauna nativa. Duas delas, no entanto, têm chamado a atenção de pesquisadores e ambientalistas: a tilápia, que veio da África, e o tucunaré, proveniente da Amazônia. Para o biólogo Tarciso Leão, um dos coordenadores do levantamento, são as que oferecem maior risco, pela alta capacidade de adaptação às mudanças ambientais e por serem predadoras vorazes.
A taxa de extinção de espécies de peixes nativos provocada pelo tucunaré é de 50%. Segundo Tarciso, do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan), o tucunaré é um dos mais introduzidos em regiões onde não é nativo, dentro do Brasil. Uma das primeiras introduções registradas ocorreu no município de Maranguape, Ceará, em 1939.
No Nordeste, o tucunaré foi a quarta espécie de peixe mais produzida e distribuída pelo Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) em 2002. É a segunda, depois da tilápia-do-nilo, mais capturada, representando 11% da pesca nos açudes públicos.
O peixe tende a ocupar o topo da cadeia alimentar dos lagos não só de Pernambuco, mas de todo o semiárido. Outra característica que preocupa os pesquisadores é o canibalismo. “À medida que as presas se tornam escassas, o tucunaré passa a se alimentar de indivíduos da mesma espécie”, esclarece.
O cuidado parental, que é o vínculo entre pais e crias, é também motivo de alerta. “Isso contribui para aumentar sua taxa de sobrevivência no ambiente”, justifica Tarciso, um dos coordenadores do dossiê que, em março deste ano, apontou a existência dos 47 bichos e 23 plantas invasores.
Já a tilápia-do-nilo, mostram os estudos, em pouco tempo pode aumentar o tamanho da população e se tornar dominante. “Ela altera a estrutura da comunidade, reduzindo a abundância de microcrustáceos planctônicos e aumentando a presença de microalgas. Além disso, reduz a transparência da água”, afirma o estudioso.
Num reservatório na caatinga do Rio Grande do Norte, a tilápia-do-nilo não só reduziu a população de espécies nativas como de outra introduzida, a pescada-branca. “Era o principal peixe no reservatório antes da introdução da tilápia-do-nilo”, conta.
A solução apontada por Tarciso é a suspensão imediata do uso dessas duas espécies em programas de peixamento, o que reduziria as chances de invadirem novas áreas.
(Fonte: Jornal do Commercio - Verônica Falcão. Fotos: Créditos imagens.band.com.br e biologias.com)
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Projeto leva água ao sertão
Em Pernambuco, um engenheiro construiu barragens no leito dos riachos que formam cisternas naturais depois do período de chuvas. A ideia devolve o verde para uma região castigada pela seca.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Chuva revela mundo de cores na caatinga
Caatinga chuvosa - fotos: Renata Pires
A caatinga, normalmente associada à cor cinza, pode se tornar vermelha, rosa, amarela, lilás, branca e até verde. O fenômeno ocorre durante a floração, quando os botões florais se abrem em pétalas, numa explosão de beleza. Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) analisaram 115 espécies lenhosas desse bioma e elaboraram um guia de floração, que na maioria das vezes coincide com as chuvas. É no período chuvoso, lembram os botânicos, que as plantas do semiárido saem da chamada estivação, quando perdem as folhas. Tipo de hibernação às avessas, a estivação é uma estratégia de sobrevivência das espécies da caatinga para enfrentar a seca. Com as primeiras chuvas, as folhas ressurgem. O verde também e, em seguida, as flores. As plantas estudadas são do Herbário UFP, no Centro de Ciências Biológicas da UFPE. A equipe analisou as chamadas exsicatas, que são ramos floridos desidratados, para verificar o período de floração. Tanto os meses em que as flores surgem quanto a cor delas estão registrados nas anotações feitas pelos cientistas, contidas na fichinha de cada exsicata. “Das sete categorias de cores das flores classificadas, encontramos seis na caatinga”, explica Marlene Barbosa. Ela é curadora da Herbário UFP e uma das autoras do guia, resultante de uma monografia de conclusão do curso de biologia da UFPE e recentemente publicado em forma de livro, intitulado Calendário didático de floração de espécies lenhosas da caatinga de Pernambuco, com base em coleções do Herbário UFP-Geraldo Muniz. A única que não está presente é a laranja. Criado em 1968, o herbário da UFPE tem 54.341 amostras de plantas. Desde dezembro de 2003, está cadastrado pelo Ministério do Meio Ambiente como uma das instituições públicas do País fiéis depositárias de amostras do patrimônio genético nacional. Foi o primeiro herbário de Pernambuco a ter esse reconhecimento. O levantamento, feito por Marlene, a professora Dilosa Barbosa e a bióloga Lilian Cristine Marinho de Lima, revelou, ainda, que 59% das flores são das cores mais vistosas. Ou seja, rosa, vermelha, amarela e lilás. O trabalho também descreve o tamanho das flores, se pequeno, médio, grande ou muito grande. A caatinga, segundo os estudos mais recentes, abriga 1.511 espécies vegetais. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a vegetação característica do semiárido se espalha por 827.242,46 quilômetros quadrados. Para o Ministério do Meio Ambiente, a área ocupada pelo único bioma exclusivamente brasileiro é de 762.753,67 quilômetros quadrados. Das 1.511 espécies vegetais da caatinga, pelo menos 318 são exclusivas do ecossistema. E cerca de 30% das plantas vasculares (com vasos para conduzir seiva e água) não ocorrem em nenhuma outra parte do planeta. Na caatinga, há desde florestas altas e secas, com árvores de até 20 metros de altura, até afloramentos de rochas com arbustos baixos e esparsos, como cactos e bromélias. Existe, ainda, o “mediterrâneo sertanejo” dos brejos de altitude, várzeas e serras.
(Fonte: JC - Ciência e Meio Ambiente - 10.10.2009)
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