O Comitê da Reserva da Biosfera da Caatinga no Estado de Pernambuco - CERBCAA/PE, tem por objetivo apoiar e coordenar a implantação da Reserva da Biosfera da Caatinga, priorizando a conservação da biodiversidade, o desenvolvimento sustentável e o conhecimento científico. Divulgar questões relacionadas ao bioma caatinga, atuando em ações ligadas à educação ambiental, exercendo os princípios da Reserva da Biosfera da Caatinga. Vinculado ao Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga.
A expedição do Aventura Selvagem é na caatinga da Paraíba. Esse bioma esquecido é moradia de bichos fortes e rústicos. Animais que lutam pela sobrevivência num lugar quente, onde a seca dura praticamente o ano todo. Apesar disso, a vegetação é rica em plantas medicinais, muitas vezes utilizadas pelo sertanejo como único recurso para a cura de problemas de saúde.
É no meio do sertão que Richard Rasmussen encontra uma lacraia, bicho perigoso pelo veneno que injeta ao ser incomodado. No município de Cabaceiras, cenário de vários filmes brasileiros, o aventureiro promove o salvamento de pequenas traíras que estavam prestes a morrer num barreiro.
Ao visitar um criador de caprinos, Richard mede forças com um bode invocadíssimo. Imagine a cena! Depois, ele conhece dois filhotes do bode, recém nascidos que não param de berrar nos braços do selvagem. Um momento imperdível do programa!
Só que outro bicho chega pra roubar a cena: um sapo de chifre. Esse sim o rei da sobrevivência: ele fica debaixo da terra durante quase um ano à espera da chuva. Dá pra ter uma ideia do quanto o aventureiro fica eufórico com esse achado?
No quadro Profissão Natureza, Richard vai ao laboratório de um taxidermista. Ele mostra como é o processo de transformação de animais que já morreram em peças que parecem ter vida novamente. É uma espécie de empalhamento, cuja técnica requer muito conhecimento para que permaneça conservada por anos como se fossem novas. Aventura Selvagem continua em Cabaceiras!
A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) sediou a XIX Reunião Ordinária do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga de Pernambuco (CERBCCA/PE). O evento foi realizado no último dia 25, no auditório da Agência, e contou com a abertura do diretor presidente da CPRH, Hélio Gurgel, que deu as boas-vindas aos participantes. Na pauta da reunião, assuntos como a leitura da Ata da XVI Reunião Ordinária, palestra sobre as ações do Instituto Chico Mendes (ICMbio) e eleição para a gestão 2010/2012.
Hélio Gurgel falou sobre as atribuições da CPRH, enfatizando os cuidados que a Agência vem empreendendo na busca pela preservação da caatinga, além de destacar a importância desse bioma no meio ambiente. "A nossa preocupação data de muito tempo. É um elemento atávico porque, de alguma forma, temos nossas raízes na caatinga. A busca pelo desenvolvimento com enfoque nessa preservação é uma questão crucial e isso nos traz a certeza de que somente políticas adequadas podem trazer resultados positivos para o bioma, não apenas em Pernambuco, como também em todo o Nordeste", pontuou.
O evento foi conduzido pelo secretário executivo do Comitê, Marcelo Teixeira, e pelo coordenador Elcio Barros, que elogiou o trabalho que vem sendo realizado pela atual gestão do órgão ambiental no Estado. "A CPRH é uma parceira para alcançarmos nosso objetivo de lutar pela preservação da caatinga", disse. Em seguida, o secretário executivo procedeu a leitura da Ata, que foi aprovada por unanimidade pelos membros do conselho.
Houve ainda a apresentação de uma palestra com enfoque nas ações do ICMbio, proferida pela coordenadora regional (CR 6) do Instituto Chico Mendes (ICMbio), Carla Marcon. Ela fez uma explanação sobre a atuação do instituto e as ações realizadas com sucesso, além de enfocar a situação das unidades de conservação federais.
Outro assunto abordado na reunião foi o Projeto de Valorização do Bioma Caatinga, que será iniciado na próxima semana. O projeto consiste no desenvolvimento de ações de Educação Ambiental em 17 municípios da Região do Pajeú, atendendo aos professores das redes municipal e estadual de ensino, além de ambientalistas. As atividades vão ocorrer em três meses e, após esse período, será instituído o primeiro subcomitê do bioma da caatinga. O objetivo é promover mais visibilidade e multiplicar o número de pessoas envolvidas nessa questão. Dessa forma, as ações do comitê para a preservação do bioma serão ainda mais fortalecidas, contando com efetiva participação da CPRH.
Ariano Vilar Suassuna (João Pessoa, Paraíba, 16 de junho de 1927) é um dramaturgo, romancista e poeta brasileiro. É filho do ex-governandor João Suassuna (1924-1928). Ariano Suassuna é um dos mais importantes dramaturgos brasileiros, autor do célebre Auto da Compadecida, e um defensor militante da cultura brasileira.
Ariano Villar Suassuna nasceu no dia 16/06/1927 no Palácio da Redenção, na Paraíba(PB). Oitavo filho dos nove irmãos, seu pai, João Urbano Pessoa de Vasconcellos Suassuna, era governador da Paraíba. Sua mãe chamava-se Rita de Cássia Dantas Villar. Três anos depois, então deputado federal, o pai do autor é assassinado no centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ). A fim de evitar inimigos, a família muda-se constantemente. Em 1933, mudam-se para Taperoá, no sertão dos Cariris Velhos da Paraíba. Encantado pelas paisagens e pela tradição do sertão nordestino, o jovem Ariano Suassuna começou a escrever por protesto contra a morte do pai
De 1934 a 1937, inicia seus estudos e entra para o internato do Colégio Americano Batista, no Recife. Após concluir o curso Clássico, começa o curso de Direito.
Em 1947, escreveu sua primeira peça teatral, "Uma mulher vestida de sol", e ganhou o prêmio Nicolau Carlos Magno. Continua escrevendo para teatro, sempre elogiado, até que, em 1955, escreve um de seus inúmeros sucessos, "Auto da Compadecida", texto baseado em três narrativas do Romanceiro nordestino.
Casa-se, em 1957, com Zélia de Andrade Lima, que lhe deu 6 filhos. Tem 13 netos.
(Participação de Ariano Suassuna no Jornal da Globo, em 12/06/2007).
O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga (CERBCAA-PE) realizou na última quarta-feira(25.08), no auditório da CPRH - Agência Estadual de Meio Ambiente, em Recife (PE), sua XIX Reunião Ordinária. Participaram da reunião 25 (vinte e cinco) representantes da Codevasf, IPA, ICMbio, Sectma, CPRH, Ibama, Promata, UPE -Universidade de Pernambuco, e as Ogns GDMA (São Caetano), e APNE.
Os trabalhos foram abertos pelo Coordenador do CERBCAA/PE, Elcio Barros, que passou a palavra ao anfitrião do evento, Hélio Gurgel Cavalcanti, Diretor-Presidente da CPRH, que deu as boas vindas aos presentes e falou da importância de receber o Comitê Estadual da Caatinga naquela Agência.
Como tema central da pauta da reunião, a Coordenadora Regional (CR6) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Mary Carla Marcon Neves, fez uma palestra sobre as "Ações do ICMbio", Para dar um foco mais específico à conservação na gestão ambiental federal, foi criado o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o mais novo órgão ambiental do governo brasileiro, criado pela lei 11.516, de 28 de agosto de 2007. Com a atribuição de realizar a gestão de 304 Unidades de Conservação (atualmente), propor a criação de novas áreas protegidas e apoiar aproximadamente 500 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), a instituição ainda é responsável por definir e aplicar estratégias para recuperar o estado de conservação das espécies ameaçadas por meio dos Centros Especializados de Pesquisa e Conservação.
O ICMBio é uma autarquia vinculada ao Ministério do Meio Ambiente e integra o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). A missão da Coordenadoria Regional é disseminar informações, motivar, integrar e apoiar as Unidades de Conservação vinculadas, visando à melhoria da sua gestão. Carla Marcon falou também das Atividades em nível Regional visando as atribuições da Coordenadoria Regional com as seguintes ações: Promover a articulação e integração das Unidades descentralizadas no âmbito de sua área de abrangência; Apoiar o planejamento, a execução e o monitoramento de programas, projetos e ações técnicas de competência do Instituto no âmbito de sua jurisdição, (Visita às UC; elaboração do Diagnóstico das Ucs; Programa de controle de processos; subsídio legal,técnico e documental); Atuar como interlocutor entre as Unidades descentralizadas e a Sede do Instituto, quanto a divulgação de informações, diretrizes e resultados esperados e alcançados; Instância de representatividade política regional (Assento em todos os CMAE; Comitês da MA, Caatinga, B. Hidrográfica; Visitas IBAMA, MPF, OEMAs, ICMS e CC);
Articular as UDs para otimizar a execução orçamentária, (incentivo e estímulo, reunião sobre Compensação p/ nivelamento de demandas e especificações para envio p/ execução); Instância julgadora de autos de infração, (Colegiado); Emitir autorização para licenciamento ambiental, conforme normas estabelecidas, (equipes por formação) e Atuar na melhoria da qualidade da gestão das Unidades descentralizadas do Instituto, obedecendo as diretrizes definidas no seu planejamento estratégico, (apoio de AA da CR nas atividades das UC; Sedes/Base apoio).
As Unidades de responsabilidade da CR6 são: 1)Floresta Nacional de Negreiros/PE – (Decreto de 11 de outubro /2007) - Localizada no Município de Serrita e Ibimirim/PE Possui 3.000 ha; 2)Reserva Biológica de Serra Negra – (Decreto 87.591 de 20 de setembro de 1982) Localizada no Município de Ibirimim/PE - Possui 1.100 há; 3)Parque Nacional do Catimbau/PE – (Decreto de 13 de dezembro de 2002) - Localizada nos Municípios de Ibimirim, Tupanatinga e Buíque/PE; Possui 62.300 ha;
5) Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais/PE-AL – (Decreto de 23 de outubro de 1998) - Abrange os Municípios de São José da Coroa Grande, Barreiros, Tamandaré e Rio Formoso/PE - Possui 413.563 ha; 6)Reserva Extrativista Acaú-Goiana/PE-PB – (Decreto de 26 de setembro de 2007) - Abrange o Município de Goiana/PE - Possui 6.678,30 ha; 7)Parque Nacional de Fernando de Noronha/PE – (Decreto 94.780 de 14 de agosto de 1987) - Abrange o território de Fernando de Noronha/PE - Dispõe de 1.745.000,00 para implementação da Unidade, ainda não disponíveis;
O Coordenador do CERBCAA/PE falou da importância do Estado de Pernambuco implantar a primeira Unidade de Conservação na Caatinga, e que o relatório preliminar da CPRH já destacou as áreas da Serra Talhada, Floresta e Pedra do Cachorro. Falou também do Projeto de "Valorização do Bioma Caatinga" que será coordenado pelo Comitê Estadual em 17 cidades da região do Pajeú e onde será implantado o primeiro sub-comitê regional. Ao final da reunião, a atual coordenação foi eleita por unanimidade pelos membros presentes para o período 2010/2012: Elcio Alves de Barros e Silva/IPA (Coordenador Geral), Raimundo Guaraci Cardoso/GDMA (Vice-Coordenador) e Marcelo Luiz C.Teixeira/Codevasf (Secretário Executivo).
Agradecemos o apoio recebido da CPRH para a realização desta reunião, especialmente ao seu diretor presidente, Hélio Gurgel Cavalcanti e a Diretora de Recursos Florestais e Biodiversidade, Maria Vileide Lins.
Operação do Ibama, no Ceará, fiscaliza desmatamento e queimadas ilegais
Está em andamento, em todo o Nordeste, a Operação São José do Ibama, que prioritariamente atua no bioma Caatinga e tem como objetivo coibir desmatamentos e queimadas ilegais, fiscalizar planos de manejo e consumidores finais de lenha.
Até o momento, só no Ceará, já foram fiscalizados alvos nos municípios de Quixeramobim, Quixadá, Senador Pompeu e Mombaça. Ao todo os fiscais lavraram 11 autos de infração e aplicaram multas que já somam mais de R$ 205 mil.
Um dos problemas mais recorrentes encontrado pela equipe do Ibama é o comércio de Documento de Origem Florestal (DOF). Ele é uma espécie de guia, que informa o local de extração da madeira e todo seu percurso até o destino final, mas é frequentemente adulterado.
A Operação São José se concentra nos grandes consumidores de madeira (como as cerâmicas), no Pólo Gesseiro do Araripe, na secagem de grãos do agronegócio e nas carvoarias. Todos devem apresentar o DOF. Em geral toda a madeira nativa da Caatinga tem sido transformada em lenha, a maior matriz energética naquela região do País.
A ocupação humana, as queimadas e algumas atividades econômicas produziram
efeitos irreversíveis no habitat da onça pintada.
Depois do mico-leão dourado, do panda, da baleia, chegou a vez da onça pintada. Maior felino das Américas e rainha das florestas brasileiras, a onça-pintada se tornou símbolo de campanhas pela preservação da biodiversidade. Ela consta como "vulnerável" na lista de animais ameaçados de extinção do Ministério do Meio Ambiente. Mas na Caatinga e na Mata Atlântica está à beira da extinção. No Pantanal, a onça é vítima de caçadores e da expansão das pastagens. Só na Amazônia a população é razoável, mas pouco estudada. Aliás, a onça-pintada, um animal naturalmente esquivo e misterioso, ainda tem muitos de seus hábitos desconhecidos. Sem medidas emergenciais, a espécie poderia desaparecer de todo o país - à exceção da Amazônia - nos próximos 100 anos.
O estado crítico da onça-pintada mobilizou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que lançará, ainda este ano, um livro com mais de 200 ações de socorro à espécie, entre medidas de curto e longo prazo. As propostas foram esboçadas desde o fim do ano passado, quando o animal foi tema de um workshop em Atibaia, em São Paulo. A cidade sedia o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), órgão do ICMBio responsável pelo estudo de grandes felinos brasileiros.
Salvar a onça-pintada custará R$ 12 milhões, entre o investimento em pesquisas, criação de novas unidades de conservação e educação ambiental. Outra medida cobrada pelo Cenap é o reconhecimento, em até três anos, do animal como símbolo da conservação da biodiversidade brasileira.
Até agora, porém, a espécie está em risco. Estima-se que restem menos de 13 mil onças-pintadas no país - a conta não inclui o Pantanal. Os pesquisadores são cautelosos ao analisar esta contagem, considerando as dificuldades em estudar um animal que percorre áreas tão grandes e embrenha-se na mata virgem da Amazônia. De certo se sabe mesmo que a onça, de predadora temida, tornou-se caça, perseguida por fazendeiros.
- As pesquisas mais recentes mostram que, no Pantanal e na Amazônia, a situação da espécie não é favorável como se imaginava - alerta Rogério Cunha de Paula, chefe-substituto do Cenap. - Sem esses biomas, portanto, a onça-pintada ocuparia um estágio ainda pior do que vulnerável. Se não agirmos, vamos seguir o caminho de Uruguai e Argentina, onde este animal já desapareceu.
Predador não é páreo para cidades e pastagens
Um dos maiores problemas da onça pintada é a falta de um lugar para chamar de seu. Mais da metade (54%) das áreas de habitat desses felinos não existe mais. O desmatamento pode fazer com que a espécie desapareça, em até cinco anos, de algumas regiões. Segundo os pesquisadores, uma maneira de garantir a sobrevivência das pequenas populações do animal, cada vez mais isoladas pela expansão de centros urbanos e outras atividades econômicas, seria interligar as unidades de conservação. O Cenap dedica-se há três anos à construção do Corredor da Onça, uma estrutura que cumpriria este papel na Caatinga.
- É um projeto que precisa ser negociado cuidadosamente, porque a proteção da onça-pintada não pode restringir o desenvolvimento da população humana que vive entre as unidades de conservação - pondera Rogério Cunha de Paula, do Cenap. - Precisamos do apoio de outros ministérios. Com o projeto, teremos garantida a conservação do felino em uma área de 133 mil de km², que abrange quatro parques nacionais, além de outro ainda em desenvolvimento.
O escudo para a onça seria mais do que bem-vindo. Das 17 unidades de conservação existentes na Caatinga, apenas três têm manejo apropriado para proteger espécies ameaçadas. Nas outras, portanto, o animal está em risco. A consequência imediata é a fragmentação das populações, o que a expõe ainda mais à caça. Na região de Bom Jesus da Lapa (BA), por exemplo, sobraram apenas três felinos.
(onça pintada, o maior felino das Américas, é um dos animais sobreviventes encontrados na Serra da Capivara, sul do Piauí. Uma surpresa para os pesquisadores. No Nordeste, elas são tão raras que parecem lendas.
"Eu só acreditei depois que vi", conta o agricultor Arnoldo Ribeiro. Viu e acabou escapando por um triz. O encontro com a onça-pintada deixou marcas. Primeiro, ele viu o filhote dentro de um buraco no paredão. "Era um filhote de onça! Meu cunhado, que estava fora, disse que havia o rastro de um cachorro. Eu disse que não era de um cachorro porque ainda está o mau cheiro da urina dela. O filhote tinha mais ou menos três dias de nascido", lembra.
Equipe enfrenta a Caatinga em busca da onça pintada Enquanto Arnoldo admirava o filhote, mal sabia que também estava sendo observado pela mãe superprotetora. Ele levou um susto. "Eu escorreguei tentando correr e caí. Quando eu percebi, ela vinha com a boca aberta para pegar meu pescoço. Foi Deus que ajudou, porque eu caí e ela bateu nas minhas costas, me escorei com meu braço, o rosto no chão, caí só com o peso dela. Depois que ela me atacou, voltou para dentro da fenda. Ela só estava defendendo o filhote, que parecia um cabrito recém-nascido", lembra o agricultor.
"Nós sabemos que eles estão aqui. O desafio é chegar até o animal", diz o biólogo do Instituto Onça Pintada, Leandro Silveira). - Fonte: Globo Repórter.
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O problema da devastação agrava-se porque as ações
humanas são pulverizadas na região. Irauçuba, localizado ao norte do Estado do Ceará, é um dos municípios citados pelo estudo do Ministério do Meio Ambiente como mais afetado pela desertificação no País. (Foto: Cid Barbosa).
Estudo do Ministério do Meio Ambiente (MMA) mostra que, anualmente, o Semiárido Brasileiro sofre uma devastação de 0,4% de sua área total. Levando-se em conta que 11% do território nacional é formado pela região semiárida, o percentual ganha proporções devastadoras, pelo fato de ser pulverizado, como salientou a analista da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Vanderlise Gingo Petrelli.
Em sua apresentação sobre "Tecnologias para o Desenvolvimento do Semiárido: o caso da Embrapa", na Segunda Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas (Icid+18), Vanderlise disse que um dos principais prejuízos para o desenvolvimento é a perda constante de carbono.
"Temos que saber quais são os reflexos que causamos no bioma Caatinga. Temos os fatores característicos, com baixos teores naturais, baixa capacidade de retenção de água e o aumento dos efeitos da entropia nesses ecossistemas", explicou. "É importante estabelecer um sistema de manejo, mantendo o aumento do estoque de carbono. Mas só iremos conseguir isso a partir do momento em que aumentarmos a variabilidade da flora. Temos que propor novos sistemas", afirmou.
Para Vanderlise, também é importante, é debate o desmatamento em outras regiões do País, não ficando limitado somente a um determinado espaço, porque as relações do ecossistema estão interligadas: "Deve-se pensar também numa redução do desmatamento na Amazônia, o que corresponde a 80%; e no Cerrado, com 40%". Disse, ainda, que é importante colocar em prática as metas estabelecidas pela NAMA 2020.
O analista e pesquisador da Embrapa, Iêdo Bezerra Sá, pensa da mesma forma. Ele acredita que a mudança só é possível se o combate à desertificação da Caatinga for realizado de forma intensa e responsável. "É importante que haja uma recuperação da mata ciliar e também uma efetivação da política das Áreas de Preservação Permanente (APPs), como as alternativas energéticas para o Semiárido e um trabalho de preservação das áreas degradadas", destacou.
Um estudo realizado por ele, com apoio da Embrapa Semiárido, empresa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), revelou que na região semiárida já são mais de 20 milhões de hectares o tamanho da área atingida por processos de degradação em níveis que variam entre baixo, acentuado, moderado e severo. A maior parte dessa área, cerca de 62%, encontra-se na situação mais intensa de deterioração ambiental.
As áreas afetadas mais seriamente estão localizadas nos núcleos de Cabrobó (PE), Gilbués (PI), Irauçuba (CE) e Seridó (RN). Os objetivos gerais que se pretende alcançar com o estudo são a implantação e a minimização dos efeitos da seca em função da transferência de tecnologias de convivência com o Semiárido, além da construção de indicadores de sustentabilidade ambiental.
Atualmente, as áreas degradadas no mundo se estendem por cerca de 61,3 milhões de quilômetros quadrados - algo em torno de um terço da superfície da Terra. Conforme dados da Organização das Nações Unidas (ONU), este fenômeno coloca fora de produção cerca de 60.000 km de terras férteis a cada ano.