Na região da caatinga já existiu uma grande floresta, povoada por animais gigantescos. Na Lagoa dos Porcos, máquinas e homens trabalham nas escavações para encontrar fósseis de animais pré-históricos.
O Comitê da Reserva da Biosfera da Caatinga no Estado de Pernambuco - CERBCAA/PE, tem por objetivo apoiar e coordenar a implantação da Reserva da Biosfera da Caatinga, priorizando a conservação da biodiversidade, o desenvolvimento sustentável e o conhecimento científico. Divulgar questões relacionadas ao bioma caatinga, atuando em ações ligadas à educação ambiental, exercendo os princípios da Reserva da Biosfera da Caatinga. Vinculado ao Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga.
quarta-feira, 6 de abril de 2011
domingo, 3 de abril de 2011
Reflorestar a caatinga.
Chapada do Araripe - Foto: MMA
A natureza brasileira foi concebida como um vasto depositário de diversidades ambientais. Nela, o bioma caatinga só cobre 10% do território nacional, mas constitui a mais rica biodiversidade encontrada nas regiões semiáridas do mundo. Em face da ação do homem, o Polígono das Secas, onde ela se localiza, vem sofrendo um secular processo de destruição de sua cobertura vegetal, provocando, em decorrência, o desaparecimento das matas ciliares, dos rios, córregos e riachos, com o esgotamento de seus recursos hídricos.
O desmonte desse bioma começou com o processo de ocupação do Nordeste Seco, expressão cunhada em oposição às manchas verdes da Zona da Mata, onde se iniciou a exploração econômica, na região, com a cultura da cana-de-açúcar, formando um vasto ciclo na economia colonial. O semiárido, por sua vez, usado para o criatório bovino, viu sucumbir a limitada vegetação regional para consolidar a expansão da pecuária e o consumo de madeira da rarefeita população sertaneja. As consequências se agravaram.
Na segunda metade do século XIX, quando mais se acentuavam as estiagens prolongadas pela região, o padre José Antonio Maria Ibiapina, " O Apóstolo do Nordeste", entregava-se à tarefa de socorrer os flagelados, ensinando, ao mesmo tempo, como preservar o meio ambiente: evitar o corte da cobertura vegetal, reservar as águas dos períodos chuvosos, proteger os mananciais e praticar um processo rudimentar de reflorestamento com o uso das espécies vegetais nativas.
Quem pôs em prática seus ensinamentos viu, posteriormente, os efeitos benéficos de sua pregação em favor do meio nordestino. O Padre Cícero Romão Batista, um de seus seguidores, se encarregou de prosseguir nessa tarefa, difundindo, entre os sertanejos, um decálogo pela preservação da riqueza natural.
Contudo, essa pregação foi insuficiente para inibir a cultura do corte das árvores, do uso da madeira como fonte de renda transformada em lenha e do esgotamento das fontes d´água.
A caatinga destaca-se como o mais ameaçada e desprotegido dentre os ecossistemas brasileiros, correndo o risco de desaparecer. O Ceará oferece sinais visíveis dessa ameaça de desastre ambiental, com 40% da vegetação nativa destruída.
No País, 20 municípios lideram o desmatamento de seus biomas nativos. Nessa corrida nefasta, o Ceará concorre com sete, onde o contínuo processo de derrubada de suas manchas verdes sinaliza para um futuro de redução do regime de chuvas, de secas mais intensas e da crescente desertificação. Já alcançaram esse estágio as regiões de Irauçuba, dos Inhamuns e do médio Jaguaribe.
Contudo, surge uma oportunidade de atenuar esse quadro com a execução do projeto "No Clima da Caatinga", prevendo o reflorestamento de áreas do entorno da Reserva Natural Serra das Almas, em Crateús. Considerada pelo Ministério do Meio Ambiente como de alta importância, a área, com 36 mil hectares, irá contribuir para reduzir a emissão de CO ² com a conservação de suas reservas ambientais. A preservação do verde está associada a novas tecnologias, educação ambiental, geração de renda e qualidade de vida.
(Fonte: Diário do Nordeste)
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Lançado projeto para preservar a caatinga.
Arthur Seyffarth, do Ministério do Meio Ambiente,
apresentou as ações para evitar a degradação FOTO: TUNO VIEIRA
A caatinga, o mais desprotegido e ameaçado dos ecossistemas brasileiros corre o risco de desaparecer. No Ceará, por exemplo, 40% dessa vegetação está destruída. Esses dados preocupantes foram apresentados ontem, pela Associação Caatinga, durante o lançamento do projeto "No Clima da Caatinga", realizado no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). O Estado possui sete dos 20 municípios campeões de desmatamento no País. A caatinga cobre cerca de 10% do território nacional e entre as regiões semiáridas do mundo, é a mais rica em biodiversidade.
O seu contínuo desmatamento aponta para um futuro de redução do regime de chuvas, secas mais intensas e crescimento da desertificação.
Hoje, o Ceará possui três áreas em risco de desertificação: Irauçuba, Inhamuns e o médio Jaguaribe, fazendo-se necessário a adoção de políticas públicas voltadas para conter este avanço da devastação da caatinga.
Projeto
O projeto "No Clima da Caatinga", patrocinado pela Petrobras, prevê a recomposição florestal de áreas no entorno da Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), no Sertão do Crateús, incluindo quatro microbacias do Rio Poti, cujo principal objetivo é contribuir para reduzir a emissão de CO2 através da conservação da caatinga. Considerada pelo MMA como de alta importância, a RNSA tem uma área de 36.136 hectares.
Ela vai ser envolvida em suas 16 comunidades ocupantes no seu entorno com diversas ações, tais como: a adoção de novas tecnologias sustentáveis, de educação ambiental e de redução da emissão de CO2, principal responsável pelo aquecimento global.
No engajamento com o projeto, as comunidades terão a oportunidade de combinar a preservação ambiental com a geração de renda e melhoria da qualidade de vida local.
No encontro na Fiec, o coordenador do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Arthur Seyffarth, apresentou as ações que o Ministério têm executado tanto para evitar a degradação como para conservar o bioma caatinga.
(Fonte: Diário do Nordeste)
quinta-feira, 31 de março de 2011
Umbuzeiro, a árvore sagrada da Caatinga. O umbuzeiro pode chegar a seis metros de altura e ele tem uma raiz que é um reservatório de água. Os frutos são redondinhos e suculentos e sua colheita vai de janeiro a abril.
Na caatinga brasileira existe uma árvore que todo sertanejo conhece. É o umbuzeiro, batizado de a árvore sagrada do sertão.
Numa região no norte da Bahia, famosa pela guerra de Canudos, o Globo Rural visitou comunidades que transformam em doces o umbu, fruto do umbuzeiro.
Semi-árido baiano. A paisagem é típica: a caatinga, as cabras soltas no fundo de pasto e um umbuzeiro, batizado de a árvore sagrada do sertão. Quem deu esse título ao umbuzeiro foi o escritor Euclides da Cunha, autor de Os Sertões, clássico da nossa literatura que narra a guerra de Canudos.
A estrada que parece não ter fim leva a Uauá, local onde ocorreu a primeira batalha da guerra de Canudos. As cenas são do filme de Sérgio Rezende. De um lado, estão os seguidores de Antonio Conselheiro. Do outro, está o Exército. O ano é 1996.
No filme em que José Wilker interpreta Antonio Conselheiro, o confronto de Uauá mostra que os partidários do beato venceram os soldados da recém proclamada república do Brasil.
No livro Os Sertões, Euclides da Cunha escreveu: Uauá figura-se um local abandonado. É um arraial com duas ruas que desembocam numa praça irregular. Hoje, o arraial virou uma cidade de 30 mil habitantes e a praça já não é mais irregular. No lugar, muito bem cuidado, fica a igreja matriz.
Mas a tradição não abandonou Uauá. A boiada ainda cruza a cidade. E o umbuzeiro, aquela árvore imortalizada por Euclides da Cunha, continua sendo uma das principais fontes de renda do sertanejo.
O umbuzeiro é uma planta típica do Nordeste. É parente da manga e do caju. Pode chegar a seis metros de altura. Tem copa larga. Os frutos são redondinhos e bem suculentos. Mas o que chama a atenção nessa planta são as raízes modificadas, as túberas ou batatas.
O seu Marcelino é craque em achar onde estão as batatas. “Essa é a batata do imbu e tem água”, disse.
A batata do umbu, ou imbu, é um reservatório de água para a árvore. Nos longos períodos de seca, a planta perde todas as folhas, mas sobrevive graças às batatas. Por isso, é tão preciosa numa região que sofre tanto com a falta de chuva. Os índios chamavam o imbu de árvore que dá de beber.
“Quando a gente andava no mato, no tempo do meu pai, caçando e estava com sede, ele dizia assim: está com sede? Eu respondia que estava. Então, vamos ver se não acha água. Aí, só fazia bater com machado e no lugar que roncava, tirava um cavador e logo arrancava uma ou duas. Aí, ele rapava bem rapadinho. Espremia na mão mesmo. Ali fazia água que tanto a gente bebia como comia com farinha”, contou seu Marcelino.
A água da batata do umbu lembra água de coco quando o coco não está muito doce. É gostosa.
Umbu from dds videos on Vimeo.
segunda-feira, 28 de março de 2011
APNE realiza Workshop “Manejo Sustentado da Caatinga – pesquisa e políticas públicas".
A Associação Plantas do Nordeste – APNE e o Jardim Real Botânico do Kew, em colaboração com o Instituto Agronômico de Pernambuco – IPA, realizaram no período de 15 a 16 de março de 2011, no hotel São Cristóvão em Serra Talhada-PE, o Workshop “Manejo Sustentado da Caatinga – pesquisa e políticas públicas”.
O evento apresentou as ações e resultados obtidos no âmbito do projeto de pesquisa implementado na região visando o uso e manejo sustentável da caatinga com pequenos produtores. Durante o evento, foi programada uma visita de campo à área experimental na Estação Experimental do IPA em Serra Talhada. Leia acima o Relatório deste WORKSHOP.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Conheça a beleza selvagem da Serra da Capivara no Piauí.
Este é um dos pontos turísticos mais incríveis do Piauí, o Parque Nacional da Serra da Capivara, conhecido por sua riquíssima. O destino da reportagem do SBT foi o coração da caatinga, onde fica localizado o Parque Nacional da Serra da Capivara, que possui uma área de 1.300 km de extensão que abrange as cidades do Brejo do Piauí, Coronel José Dias, São Raimundo Nonato e João Costa.
A maior reserva arqueológica das Américas impressiona pela fauna onde podem ser encontrados sapos, cobras, tatus-bola, raposas e aranhas caranguejeiras.Mas é a onça pintada a verdadeira rainha do parque. Apesar das difíceis condições ecológicas em que vivem na caatinga, já foram identificadas 13 onças pintadas. Encontrá-la é praticamente impossível já que ela se abriga em uma cadeia de rochas e penhasco. A reportagem também visitou o Parque Nacional da Serra das Confusões que fica há 100 km da Serra da Capivara. O Parque se estende nos municípios de Caracol,Guaribas, Santa Luz, Cristino Castro e Bom Jesus. Os paredões rochosos do local chegam à 100m de altura o que possibilita aos aventureiros a prática do rapel.
(Fonte: You Tube - SBT Repórter).
terça-feira, 22 de março de 2011
Agricultores nordestinos têm papel importante na manutenção e degradação da caatinga.
A caatinga ainda mantém 53% de cobertura vegetal, mas 80% de seus ecossistemas já sofreram algum tipo de alteração. Estes dados são reflexos do jeito de se fazer agricultura na região.
A maior parte dos pequenos produtores do sertão trabalha como seu Luiz da Silva, dono de um sítio de cinco hectares em Sobral, norte do Ceará. A cada dois anos, no período da seca, ele desmata um pedaço da propriedade, serviço chamado de brocar. Depois de aberta, a área é queimada: “Se a gente não queimar, temos muito mais trabalho para limpar”, afirma Luiz da Silva, agricultor
Quando vem a chuva seu Luiz planta a roça. Ele não usa adubo, a produção depende da fertilidade natural da terra. Por isso, depois de dois anos, ele abandona a área e abre outro pedaço da propriedade. “A gente planta e no primeiro e no segundo ano dá bem, mas a partir dos três anos a terra enfraquece e não dá mais planta que deu nos primeiros dois anos”, conta o agricultor.
Nas áreas aonde a caatinga vai rebrotando, seu Luiz mantém uma pequena criação de cabras e ovelhas. A madeira retirada do brocado é usada nas construções e pra abastecer o fogão à lenha. “O fogão a lenha é mais rápido e mais barato”, comenta Antônia da Silva, agricultora.
Esse sistema de cultivo vem degradando a caatinga ano após ano. O agrônomo João Ambrósio de Araújo Filho, pesquisador aposentado da Embrapa, trabalha com caatinga há mais de 40 anos. Para ele, o fogo é o maior vilão do processo de degradação.
“A área queimada fica totalmente desprovida de qualquer proteção e quando as chuvas se iniciam há uma aceleração da erosão. O fogo também elimina os bancos de sementes das espécies da área e os microorganismos, ou seja, o solo fica totalmente esterilizado”, explica João Ambrósio de Araújo Filho, agrônomo.
Ambrósio dedicou a vida pra encontrar uma forma de produzir no semi-árido sem agredir tanto o meio ambiente, e adaptou às condições da região um sistema chamado agrosilvopastoril, que foi implementado na fazenda da Embrapa Caprinos e Ovinos, de Sobral.
O sistema tem como base o modelo tradicional da propriedade sertaneja, que combina agricultura, pecuária e usa a madeira como energia. “Partir para o uso de tecnologias ambientalmente amigáveis, como eliminar o desmatamento, a queimada. Outro ponto fundamental foi a fixação da agricultura no terreno”, ressalta João Ambrósio de Araújo Filho, agrônomo.
O módulo experimental da Embrapa tem oito hectares e funciona da seguinte maneira: 20% da área são destinados à agricultura, 60% ficam para a pecuária e 20% são destinados à Reserva Legal. “A idéia do sistema agroflorestal é manter as árvores dentro da área, a fim de possibilitar a circulação de nutrientes no sistema, porque as árvores têm raízes profundas e as culturas têm raízes superficiais. Com as chuvas, os nutrientes se aprofundam no solo e escapam da zona de raiz destas culturas, então é necessário as árvores com raízes profundas para trazer estes nutrientes de volta para folhagem, que ao cair se degrada e libera de volta à superfície do solo”, explica o agrônomo.
O plantio das lavouras é feito em faixas intercaladas por linhas de árvores nativas e plantas leguminosas, que retiram nitrogênio do ar e transferem para o solo. Neste sistema não entra um grama de fertilizante químico industrializado. Toda a adubação vem do esterco dos animais e das plantas.
“São usados espécies como a Leucena, uma leguminosa e também a Gliricídea. Como leguminosas nativas elas também são preservadas nestas faixas e utilizadas como adubo verde. São cortadas e ficam sobre o solo pra disponibilizar nitrogênio pra cultura que será plantada. Com este sistema, nossa produtividade média é de 1.800 quilos de grão de milho por hectare, comparado com a média do estado do Ceará, que é em torno de 500, 550 quilos, nós temos um saldo de produtividade bem considerado”, avalia Francisco Éden, zootecnista – Embrapa.
A pesquisa mostrou que 200 árvores por hectare, ou 20% de sombreamento, não comprometem o desenvolvimento e a produção da lavoura. No módulo da pecuária, a idéia é melhorar a qualidade do pasto nativo, que é a caatinga. Para a criação de cabras se faz o chamado rebaixamento das árvores: uma poda drástica, a mais ou menos 30 centímetros do chão.
Quando vem a rebrota, se escolhe o broto mais vigoroso para deixá-lo crescer, os outros são retirados. Nos anos seguintes, a árvore continua rebrotando, e são esses novos ramos que vão alimentar os animais.
“O rebaixamento visa colocar ao alcance do animal as rebrotações e as folhagens. Na área de caatinga rebaixada é possível colocar duas cabras e meia por hectare e na caatinga normal são 2,5 hectares por cabeça. É o inverso”, explica Ambrósio.
Outra técnica é o raleamento da caatinga, indicada para a criação de ovelhas e vacas, que preferem o pasto rasteiro. “A idéia é retirar árvores para que a luminosidade do sol possa atingir o solo, e promover a germinação do banco de sementes das herbáceas”, diz o agrônomo.
No raleamento devem ser mantidas pelo menos 400 árvores por hectare, além de fornecer matéria orgânica para solo com a queda das folhas, elas garantem sombra para os animais. A área que foi raleada pode ser melhorada com uma técnica chamada de enriquecimento , que é o plantio de gramíneas no meio das plantas nativas. “Ao trabalhar com bovino adulto, nós podemos manter na área, três hectares pra cada vaca de 350 quilos. Se você enriquecer, pode trabalhar com um hectare pra cada vaca do mesmo peso”, afirma.
O sistema agrosilvopastoril está se espalhando pelo semi-árido. Só no estado do Ceará já são mais de quatro mil hectares conduzidos com esta técnica. Para mais informações sobre o sistema agrosilvopastoril, escreva para a Embrapa:
(Fonte: Globo Rural - 20.03.11)
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