sábado, 5 de novembro de 2011

Área de caatinga é preservada por iniciativa de Rachel de Queiroz.



Parte da fazenda da escritora no Ceará foi transformada em reserva natural.
No lugar é possível desfrutar das riquezas do sertão.

Globo Rural

O município de Quixadá, no Ceará, ficou famoso por ser o local escolhido pela escritora Rachel de Queiroz para a produção de seus livros. Parte da fazenda onde ela passava os dias e trabalhava foi transformada em RPPN, Reserva Particular do Patrimônio Natural. A reportagem do projeto Globo Natureza comemora os 11 anos das edições diárias do Globo Rural.

A paisagem exuberante não é o único atrativo da cidade de Quixadá, no Ceará. O lugar também exibe o orgulho de ter sido adotada pela escritora Rachel de Queiroz, que nasceu em Fortaleza e passou boa parte da vida no pedaço de sertão que tanto inspirou suas obras.

A primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras foi a criadora da literatura regional moderna. No primeiro livro, O Quinze, Raquel de Queiroz mostrou a luta dos sertanejos para sobreviver a uma das maiores secas da história. A escritora também revelou um sertão de mulheres fortes, como na obra Memorial de Maria Moura, que virou minissérie na TV Globo.

A velha estação de trem é parada obrigatória na viagem ao sertão de Rachel de Queiroz. O lugar, por onde passava o trem que levava passageiros de Fortaleza para o sul do Ceará, tem o nome de Daniel de Queiroz, pai da escritora. Seguindo a linha do trem, é possível encontrar as memórias de Rachel de Queiroz na fazenda que ela tanto amava.

"Está exatamente como a Rachel deixou. Só não é mais a geladeira porque eu troquei. Mas ela até tinha uma geladeira no mesmo lugar", explica Maria Luiza Queiroz, irmã de Rachel de Queiroz.

Maria Luiza, a irmã mais nova de Rachel, mora no Rio de Janeiro, mas, como a escritora, sempre cultivou o hábito de passar férias na fazenda com filhos e netos. Uma das áreas da fazenda que Rachel mais gostava é uma espécie de bosque formado só por árvores da caatinga. "Ela tinha muita vaidade de dizer que tem todas as árvores da caatinga tem na fazenda”, diz Maria Luiza.

Um terço dos 928 hectares da propriedade foi transformado em Reserva Particular do Patrimônio Natural. A iniciativa de criar a RPPN foi da própria escritora.

A produção da fazenda Não me Deixes é suficiente apenas para ajudar o sustento das sete famílias que vivem no lugar e para as atividades básicas da fazenda. Este ano, foram colhidos milho e feijão na roça que fica próximo à reserva. O desafio de fazer os funcionários obedecerem aos limites já foi conquistado.

O agricultor Evandro Pereira da Silva virou um guardião da caatinga. "É grande e tem muitos cantos que a pessoa pode entrar sem ninguém ver. Então, a gente tem que andar e prestar atenção”, explica.

Carlos Nogueira é engenheiro agrônomo e faz doutorado em ecologia. Entre as árvores típicas da região, ele encontrou uma grande quantidade da espécie que pesquisa: a dalbergia cearensis ou pau violeta, como é conhecida popularmente. A árvore produz madeira nobre e começou a ser explorada no período colonial.

"Os móveis de Luis XIV e Luis XV foram feitos com madeira saída da caatinga nordestina, do semiárido do Nordeste. Hoje, está representada no museu do Louvre. Existem 14 móveis do Louvre feitos com madeira saída do Ceará no reinado de Luis XIV e Luiz XV com a madeira dalbérgia cearensis", diz o agrônomo.

Durante dois anos, Carlos Nogueira monitorou tanto árvores adultas como em crescimento. O agrônomo diz que a criação de reservas é fundamental para o conhecimento da caatinga. “Você não vai encontrar essas espécies que são endêmicas daqui em outro local. Então, você vai está deixando de mostrar para a humanidade o potencial que existe nessas espécies que podem ser utilizadas para o bem da humanidade", explica.

A escritora Rachel de Queiroz queria preservar para servir seja na cozinha da fazenda, onde os aromas e sabores são mantidos como antigamente, seja fora dela, onde ainda é possível desfrutar das riquezas do sertão, que ilustrou os livros e a vida da escritora.

sábado, 29 de outubro de 2011

Há 10 anos o Rio dos Cóchos passa por um processo de recuperação. Exemplo de união.


Após a exploração do carvão, na cidade de Januária, no Norte de Minas Gerais - tema do programa exibido neste sábado no Globo Ecologia - o Rio dos Cóchos foi secando. Da década de 80 até o início dos anos 2000, os produtores rurais da região foram percebendo este fato, que começou a atrapalhar a produção local às margens do rio. Atualmente, diversas ações são feitas para a recuperação do rio, paralelamente com a criação de alternativas de geração de renda para os trabalhadores da cidade.
Em1994, os próprios agricultores pediram assistência à Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) para fazer um diagnóstico do rio. Com o estudo na mão, a Emater fez um projeto de recuperação, mas não tinha apoio financeiro para colocá-lo em prática.
Em 2001, os produtores e a Emater fizeram parceria com a Cáritas Diocesana da cidade e com uma instituição católica alemã. O projeto, que tem duração de três anos e pode ser renovado ao final, faz um trabalho de capacitação e mobilização dos agricultores das comunidades para a recuperação do Rio dos Cóchos.
Jaci Borges de Souza, produtor rural e presidente da Assusbac (Associação dos Usuários da Sub-bacia do Rio dos Cóchos), associação que mobiliza outros projetos para dar sequência ao que é feito no rio, conta que a cada três anos eles fazem uma avaliação do que já foi feito e tentam uma nova aprovação para o próximo triênio, caso que acontece agora. “Estamos na expectativa de aprovação. O contrato venceu este mês. Em relação ao rio propriamente dito, tivemos muitos avanços nos seguintes aspectos: no início houve muita resistência para isolar a margem do rio, e embora não tenhamos conseguido isolar toda a margem, conseguimos fazê-lo parcialmente. Atualmente boa parte dos produtores, que antes discordava deste processo, concorda”, diz Jaci.
Entre as ações de conscientização estão visitas a outras regiões, onde projetos de recuperação similares foram feitos e deram resultados. Além disso, o projeto se preocupa em buscar alternativas de geração de renda para os trabalhadores que têm que aguardar o processo de recuperação do rio. Entre as atividades oferecidas, extrativismo de pequi, cagaita, panã e maracujá do cerrado. “Inicialmente eles ainda estão trabalhando com o pequi, mas há parcerias com universidades que fazem pesquisas com os outros frutos para explorá-los de forma sustentável”, explica Jaci. Outras alternativas de geração de renda como a apicultura e a criação de pequenos animais, como caprinos, também são incentivadas pelo programa apoiado pela Cáritas.
Dentre as medidas utilizadas para recuperar o rio estão a criação de tecnologias de contenção de enxurradas, chamadas barraginhas, que são bacias colocadas nos declives com intuito de acumular água para infiltrar no solo, melhorando as condições de plantio. A diminuição da utilização do fogo também tem contribuído para a melhoria das nascentes. “Antes, quando chovia, a população sofria com enchentes. Hoje ela chega de forma gradativa e limpa. É claro que ainda não está 100%. Desde a época do diagnóstico, sabíamos que teríamos ações a curto e longo prazos”, diz Jaci. A próxima etapa do projeto é construir uma nova unidade de beneficiamento de frutos de quintais, onde os produtores possam processar frutos como mangas e goiabas. “Aqui na região, 80% da safra de manga não é aproveitada por falta de estrutura para armazenar e processar o produto”, explica.
O projeto ainda tem problemas com a questão da manutenção de estradas que dão acesso à comunidade. “Quando chove, a máquina tira a terra de um local e tapa os buracos provocados pela chuva. Ainda estamos na luta para tentar adequar a manutenção de estradas”, explica.

No clima da Caatinga.


Este é um belo CLIP de apresentação do projeto "NO CLIMA DA CAATINGA"
Execução: Associação Caatinga- Patrocínio: PETROBRAS AMBIENTAL
Fotos: Acervo da Associação Caatinga - Música: CHOVER- Cordel do Fogo Encantado - Produção do CLIP: CLAREAR Imagens. Um justa homenagem ao bioma caatinga. Único no mundo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

I Conferência Regional de Desenvolvimento Sustentável do Bioma Caatinga - Preparação de Pernambuco‏

Estas são as propostas do Governo de Pernambuco para o Bioma Caatinga, que servirão de base para o debate com os segmentos envolvidos com este bioma e elaboração do documento a ser aprovado na pré-conferência estadual e apresentado na I conferência Regional de Desenvolvimento Sustentável do Bioma Caatinga - A Caatinga na Rio+20, em Fortaleza.

Aguardamos sugestões de inclusão e alterações neste documento até o final do dia 28/10/2011.

Como informamos anteriormente o CERBCAA/PE, decidiu em sua última reunião participar do comitê executivo estadual que está sendo liderado pelo BNB e o CERBCAA/PE está representado pelo William Jansen.

Antes da pré-conferência estadual realizaremos uma reunião do CERBCAA/PE para validação do documento a ser apresentado na pré-conferência estadual.

Saudações Caatingueiras,

Elcio Barros
Coordenador do CERBCAA/PE

sábado, 22 de outubro de 2011

O Veneno Está na Mesa - Assista ao filme completo.




Sinopse

O Brasil é o país do mundo que mais consome agrotóxicos: 5,2 litros/ano por habitante. Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas que consumimos estão proibidos em quase todo mundo pelo risco que representam à saúde pública.
O perigo é tanto para os trabalhadores, que manipulam os venenos, quanto para os cidadãos, que consumem os produtos agrícolas. Só quem lucra são as transnacionais que fabricam os agrotóxicos. A idéia do filme é mostrar à população como estamos nos alimentando mal e perigosamente, por conta de um modelo agrário perverso, baseado no agronegócio.
Silvio Tendler é um especialista em documentar a história brasileira. Já o fez a partir de João Goulart, Juscelino Kubitschek, Carlos Mariguela, Milton Santos, Glauber Rocha e outros nomes importantes. Em seu último documentário, Silvio não define nenhum personagem em particular, mas dá o alerta para uma grave questão que atualmente afeta a vida e a saúde dos brasileiros: o envenenamento a partir dos alimentos.
Em O VENENO ESTÁ NA MESA, lançado no Rio de Janeiro, o documentarista mostra que o Brasil está envenenando diariamente sua população a partir do uso abusivo de agrotóxicos nos alimentos. Em um ranking para se envergonhar, o brasileiro é o que mais consome agrotóxico em todo o mundo, sendo 5,2 litros a cada ano por habitante. As consequências, como mostra o documentário, são desastrosas.
(Fonte: Jornal BRASIL DE FATO - Aline Scarso, da Redação)

domingo, 16 de outubro de 2011

Na caatinga do Ceará vamos conhecer a Reserva Natural Serra das Almas.


A Reserva Natural Serra das Almas é uma reserva particular de patrimônio natural brasileira.
Localizada a 54km do centro do município de Crateús, a reserva têm três extensas trilhas: Arapucas (6km), Lajeiros (1,5 km) e Macacos (2 km). Todas levam à caatinga, mata que guarda mais de 350 espécies de plantas, 57 de répteis e anfíbios, 173 de aves e 38 de mamíferos.
Aberta à visitação, a reserva é administrada pela ONG Associação Caatinga, cujo maior patrocinador é a empresa americana SC Johnson, fabricante de ceras.
Uma das plantas mais comuns é a gameleira, que impressiona os visitantes por abraçar e segurar uma imensa rocha. Na metade da caminhada, uma parada para se refrescar em uma gruta. Tem, ainda, a Casa de Farinha – com mais de 100 anos, é muito usada para piqueniques.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Como criar uma Unidade de Conservação.

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Conservação só no papel
SÃO PAULO - O Brasil tem atualmente 310 Unidades de Conservação (UC), que ocupam hoje 75 milhões de hectares, o equivalente a 8,5% do território nacional. Só nos últimos três anos, 6,168 milhões de hectares foram declarados como UC, dos quais 5,8 milhões estão na área da Amazônia Legal. Rômulo Mello, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, admite que o controle dessas áreas, criadas para preservar a biodiversidade, é difícil e requer tempo de implementação.

— O tempo de assinar um decreto e o tempo de implementar uma Unidade de Conservação são muito diferentes — diz Mello, acrescentando que o ICMBio foi criado apenas em 2007 justamente com o objetivo de implantar efetivamente os diferentes modelos de conservação.

Há dois tipos de unidades. As protegidas não podem ser exploradas e devem ser usadas para ecoturismo, pesquisa e educação ambiental. Nas demais, é possível explorar a natureza, mas de forma controlada, em pequena quantidade. ê esse controle que ainda é incipiente no país, conforme demonstram os números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

— Precisamos de fiscalização mais intensa, implementar planos de manejo e promover a regularização fundiária — afirma Mello.

Nos últimos três anos, o Instituto Chico Mendes elaborou 60 planos de manejo, e outros cem estão sendo construídos, afirma ele.

De acordo com Mello, justamente por serem criadas por decreto, quando o instituto chega ao local das Unidades de Conservação constata que já há ali uma ocupação, seja por grileiros, grandes fazendeiros ou simplesmente comunidades que moram no local há anos.

A saída, acrescenta, é promover a regularização fundiária dessas áreas, o que nem sempre ocorre. Um dos exemplos de área de conflito é a Reserva Biológica do Gurupi, no Maranhão, onde uma força-tarefa de 170 pessoas, incluindo Ibama e Força Nacional, está agindo para impedir o trabalho de madeireiras ilegais.

— A reserva se sobrepõe à área indígena, e ainda há de posseiros a grandes fazendeiros. Em áreas como essa, o nível de implementação é muito difícil — diz Mello.

Ele admite problemas também na Reserva Extrativista Chico Mendes. Segundo Mello, parte da reserva foi ocupada por criadores de gado. Por isso, foi criado um grupo de trabalho, envolvendo os seringueiros, para discutir a nova ocupação.

— Não vai ser num estalar de dedos que vamos sair de um passivo ambiental elevado. Mas garanto que, para preservar, mesmo com todos os problemas, é melhor criar uma Unidade de Conservação do que não criar. Sem elas, a situação seria muito pior — afirma.
(Fonte: Da Agência Globo).

A Universidade Federal Rural de Pernambuco e o Comitê Estadual celebram o Dia Nacional da Caatinga

Marcelo, Suassuna, Rita, Ednilza e Márcio (CERBCAA/PE) João Suassuna (Fundaj) Márcia Vanusa (UFPE) Francis Lacerda (IPA) e Jo...