sexta-feira, 1 de junho de 2018

Plantas nativas podem reduzir risco de desabastecimento alimentar

29/05/2018 09h53 - DouradosAgora




 
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Nesta semana, enquanto continua a crise do combustível devido a greve dos caminhoneiros e do crescente risco de desabastecimento também na alimentação, o Instituto Agronômico do Estado (IPA), através de uma rede de pesquisadores do Brasil (Ecolume), chamará atenção do Poder Público, universidades e da sociedade para a necessidade da soberania alimentar através das Plantas Alimentícias Não Convencionais (Panc)
Nesta sexta-feira (1ª), a Ecolume, liderada pelo Laboratório de Mudança do Clima do IPA, que vem desenvolvendo projetos no semiárido para a soberania alimentar através da agroecologia e pela agricultura de baixo carbono, financiados pelo CNPq, demonstrará que esta segurança está disponível através da natureza, necessitando só de uma reeducação da população. A alta gastronomia nacional já percebeu este potencial das Panc. E são conhecidas do público vegano, vegetariano e adeptos da vegetação orgânica. Mas elas ainda não são populares nas casas dos brasileiros, mesmo o país sendo o mais biodiverso em plantas com tais potenciais e encontradas facilmente na natureza. E o Bioma Caatinga é rico em Panc, como garante Valdely Kinupp, doutor biólogo e autor do livro best-seller que cunhou, faz dez anos, pela primeira vez a expressão Panc. E, à convite da Ecolume, ele estará na sexta no IPA em Recife. Fará pela manhã palestra para 400 pessoas e à tarde sua oficina prática para 50 pessoas, onde coletarão e prepararão pratos com tais plantas. As inscrições ainda estão abertas. Informações pelo face do Ecolume.
"Volto ao Nordeste, depois de dez anos quando vim para lançar o livro Panc do Brasil. Muita coisa evoluiu. As Panc já são uma realidade hoje no país. Os grandes chefes assimilarem este conceito. Elas diversificam o cardápio e sabores para os consumidores. Mas ainda falta o agricultor perceber tal potencial e o poder público estimular a produção deste tipo de cultura alimentar e gastronômica, capaz de promover independência alimentar com benefícios socioeconômicos e ambiental, como a geração de renda e emprego, além da valorização das plantas nativas", comenta Kinupp. O autor do conceito das Panc aproveita para convidar a todos para participar da sua palestra e oficina, promovidos pela Ecolume/IPA.
"Embora talvez não dominasse a agricultura, os nativos do semiárido já se utilizavam das Panc. Alimentavam-se, por exemplo, de cactáceas e de outras espécies com fins alimentícios e medicinais. Temos também diversas bromélias e pepinos silvestres subutilizados na Caatinga. Têm até plantas aquáticas das regiões de brejos do semiárido como Chapéu de Couro que com as folhas é possível fabricar cervejas", fala Kinupp, exaltando a potencialidade da biodiversidade da Caatinga.
O pesquisador inclusive faz questão de realça o trabalho que está sendo feito pela Ecolume para dar visibilidade a estas potencialidades, como o estímulo para o recaatingamento do Umbu - planta nativa da Caatinga. Segundo Kinupp, o umbu é a Panc que é a 'cara' do Bioma, que, apesar de ser culturalmente consumida enquanto o prato da umbuzada, é ainda subutilizado todo o seu potencial, podendo integrar a alimentação diária. Ele garante que além do fruto para a umbuzada e para ser consumido in natura, em geleia e poupa, o restante da planta também é comestível. A folha, segundo ele garante, pode ser usada como hortaliça e para fazer drinks. No entanto, face a subutilização e todo desmatamento da fauna do semiárido, o umbu inclusive está em processo de quase extinção.
O Ecolume, por sua vez, através do projeto de Socioeconomia Verde, financiado pelo CNPq e em atividade desde o começo do ano, elegeu o umbu como uma Panc que deve ser replantada para fins de segurança alimentar em um cenário de adversidades globais das mudanças do clima. Ainda este ano, em parceria com os bancos de Germoplasma do IPA e com a escola Serta, 2 mil mudas de umbu serão replantadas. Dentre os conceitos defendidos pela rede, é possível comer Caatinga. Porém, para o conceito desta rede de pesquisadores, o comer Caatinga é somente uma parcela fundamental do mesmo sistema onde contribui para favorecer a soberania alimentar, mas também hídrica e energética.
A Ecolume vem defendendo que através do recaatingamento - replantio de plantas da Caatinga, estas já adaptadas geneticamente à escassez de água da região e ao clima seco -, é possível contribuir na segurança alimentar e na diversidade nutricional e gastronômica. E ainda estimular a implantação de arranjos produtivos locais com tal objetivo pelo sistema agrovoltaico com o uso da farta matriz energética solar para a irrigação. A rede defende que é possível comer Caatinga, legitimando o conceito das Panc, mas conceitua também que pelo uso de placas fotovoltaicas voltada para o recaatingamento, "planta-se água" e "irriga-se com o sol". Assim, o Ecolume defende a soberania alimentar, hídrica e energética.
Com este objetivo, um sistema agrovoltaico já está em andamento na escola Serta em Ibimirim, no sertão do Moxotó. A Ecolume também avançará a ação em outras cidades, como Araripina. Também começou a investir no trabalho de campo no semiárido através da viabilidade do necessário recaatincamento de outras Panc para a valorização do meliponário - cultura de abelhas nativas da Caatinga que são responsáveis pela polinização de plantas do semiárido. Dentre elas, a polinização da Quixaba ou Quixabeira, que pode ser utilizada para a fabricação de geleias, sucos, licores e cachaças. E ainda da Jurubeba, com potencial de ser conserva, bebida e até consumida in natura cozida com arroz. Além delas, há plantas medicinais como o Pau-fava e até a Faveleira que tem o grande potencial de ser transformada em biodiesel.
O IPA tem inclusive o mais antigo herbário do Nordeste. Nele contêm o maior acervo de plantas da Caatinga. A curadora deste herbário, Rita de Cássia destaca o trabalho do Ecolume para a valorização da fauna do semiárido com objetivo principalmente da busca da soberania alimentar, hídrica e energética em tempo de mudança climática. Ela, que coordena o Comitê Estadual da Caatinga, participará da palestra de Kinupp. O evento será conduzido pela coordenadora da Ecolume, Francis Lacerda, climatologista e doutora em Recursos Hídricos. O diretor de Pesquisa do IPA, Antônio Raimundo, também confirmou a sua presença. Além do IPA e do Serta, a rede do Ecolume também é composta pelo UFPE, Instituto Nacional do Semiárido, Embrapa, Instituto Federal do Sertão e pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).

segunda-feira, 28 de maio de 2018

IPA é palco da 31ª reunião do Comitê da Caatinga/ PE



                                                               24 de maio de 2018

 
 




Cerca de 50 pesquisadores participaram da 31ª reunião do Comitê Estadual da Reserva da Caatinga / Pernambuco, coordenado pela pesquisadora do IPA Rita de Cássia. O evento foi realizado no Auditório Ruy Carlos do Rego Barros Ramos, na sede do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA).
A reunião contou com palestra sobre Agricultura Sustentável no Bioma Caatinga, com pesquisador e doutor do IPA, Geraldo Eugênio de França, que falou sobre o ciclo de secas 2011 a 2017; a importância dos dados de previsões climáticas; abordou o atual cenário do nordeste brasileiro; tratou a cerca das atividades agropecuárias no bioma caatinga; e por fim destacou as opções estratégicas para o pequeno produtor do semiárido.
No segundo momento, o público teve a palestra sobre Fontes de Energia Alternativa no Semiárido de Pernambuco, com a pesquisadora e doutora do IPA, Francis Lacerda. Na apresentação, a pesquisadora comentou a respeito do projeto que faz parte, que cuida da garantia da segurança hídrica, alimentar e energética das pessoas que vivem no bioma caatinga, apesar das dificuldades climáticas. Nesse projeto e promovido o desenvolvimento socioeconômico local e a maioria da qualidade de vida das populações da região semiárida do Estado. No final da reunião foi aberto espaço para debates a cerca das palestras.   
Estavam presentes pesquisadores do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), da Universidade Federal Rural de PE (UFRPE), da Universidade Católica, da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Programa Estadual de Apoio ao Pequeno Produtor Rural (ProRural), Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis(Ibama), Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).
 

Fonte: Núcleo de Comunicação do IPA


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Sustentabilidade do bioma é foco da celebração do Dia Nacional da Caatinga


 

Sustentabilidade do bioma é foco da celebração do Dia Nacional da Caatinga



(Foto Codevasf)
 
 
Um seminário vai marcar a comemoração do Dia Nacional da Caatinga e promover a sustentabilidade do bioma na quarta-feira (2) em Recife. O evento é organizado pelo Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga de Pernambuco, com participação da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), IBAMA, APNE - Associação Plantas do Nordeste e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), entre outras instituições que integram o comitê. A programação ocorre das 13h30 às 18h30 no auditório da Pró-Reitora de Extensão da UFRPE.

O chefe do Escritório de Representação da Codevasf em Recife, Marcelo Teixeira, ressalta que o foco do evento deste ano – a sustentabilidade – vai enfatizar a proteção do bioma e das áreas já conquistadas, favorecendo maior visibilidade à atuação do comitê e às iniciativas exitosas da região. "Estamos felizes com os esforços que estão sendo feitos para criação de novas Unidades de Conservação no Bioma Caatinga. Insistimos que o perfil da conservação nesse bioma passa também pelas categorias de uso sustentável que vão permitir fazer a difusão do potencial da Caatinga para a socioeconomia regional. Ainda é importante destacar a atuação do governo estadual, que vem fortalecendo o sistema de áreas protegidas", explica.

Segundo Teixeira, a Codevasf tem papel importante na divulgação e na preservação da Caatinga, presente em boa parte da área de atuação da empresa, e no fomento à participação da juventude rural engajada no Projeto Amanhã e no incremento de Arranjos Produtivos Locais típicos da região.

Entre os destaques das ações executadas pela Companhia em Pernambuco, está a implantação de Unidades de Conservação da Caatinga. No município de Floresta, a Estação Ecológica Serra da Canoa, com 8 mil hectares, foi a segunda unidade criada no estado. Já o Parque Estadual Serra do Areal e a Estação Refúgio de Vida Silvestre Riacho Pontal, com cerca de 6 mil hectares de vegetação nativa do bioma, foram criadas na área de reserva legal do Projeto Pontal, implantado pela Codevasf em Petrolina.

A Codevasf também atua no Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga de Pernambuco, por meio do Escritório de Representação de Recife. O comitê é uma entidade pública sem fins lucrativos, de caráter consultivo, propositivo e deliberativo. São 34 instituições participantes (17 públicas e 17 da sociedade civil), entre elas a Codevasf. Esse comitê é subordinado ao Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga – onde a Codevasf participa da Secretaria Executiva.

A Caatinga é uma das seis grandes regiões ecológicas do Brasil e o único bioma inteiramente restrito ao território nacional. Ela ocupa cerca de 844.453 km² – o equivalente a 11% do território nacional e 70% da região Nordeste – nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Sergipe, além de Minas Gerais, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente.
O bioma é rico em espécies de plantas, muitas das quais não se encontram em nenhum outro local. Estima-se que existam, pelo menos, 5.344 espécies vegetais nativas. Dessas, aproximadamente 744 são exclusivas da região.
Sobre a data
O Dia Nacional da Caatinga foi instituído em 2003 por meio de decreto presidencial. A data escolhida (28 de abril) homenageia o nascimento do professor pernambucano Vasconcelos Sobrinho (1908-1989) – considerado pioneiro nos estudos ambientais no Brasil e defensor da Caatinga.
Neste ano, como a data cai no sábado, o seminário comemorativo foi marcado para 2 de maio (quarta-feira) a fim de garantir maior participação de estudantes e técnicos de órgãos públicos, da inciativa privada e da sociedade civil com interesse e interface de atuação na região.
O evento é gratuito, com inscrições no local a partir das 13h. A realização tem ainda a parceria do Laboratório Interdisciplinar de Anfíbios e Répteis da UFRPE (LIAR), Programa de Educação Tutorial – Ecologia (PET Ecologia) e Laboratório de Química Aplicada a Fitoterápicos.

Serviço
Seminário: "Dia da Caatinga – Conservação e uso sustentável"
Quando: 2 de maio (quarta-feira), das 13h30 às 18h30
Onde: Auditório da Pró-Reitora de Atividades de Extensão da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Manuel de Medeiros, s/n, Dois Irmãos, Recife/PE.
Mais detalhes: Pelo e-mail pet.ecologia.ufrpe@gmail.com


Assessoria de Comunicação e Promoção Institucional da Codevasf

UFRPE apresenta estudo sobre novas potencialidades hídricas e alimentares no Sertão

UFRPE apresenta estudo sobre novas potencialidades hídricas e alimentares no Sertão
 


Marcando a comemoração pelo Dia Nacional da Caatinga, nessa quarta-feira, 02, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) receberá a climatologista Francis Lacerda, coordenadora técnica do Laboratório de Mudanças Climáticas do Instituto de Pernambuco (IPA), para demonstrar novas potencialidades hídricas e alimentares no Sertão a partir da plantação da vegetação nativa, associada ao uso da energia solar.
A pesquisadora, que lidera uma rede de pesquisadores no Brasil (Ecolume) para estudar essas questões através de projeto financiado pelo CNPq, quer demonstrar que é possível “plantar água” no semiárido, “comer caatinga” e irrigá-la pelo sol, através do “recaatingamento”. O evento acontecerá na Pró-Reitoria de Atividade de Extensão da UFRPE, em Recife, a partir das 13h30.
A atividade é uma realização da UFRPE, tendo o Comitê Estadual da Reserva Brasileira da Caatinga de Pernambuco (CERBCAA) como um dos responsáveis. “A Caatinga, por estar localizada numa região semiárida e economicamente pobre, continua sendo subjugada, mas se conservada e havendo seu uso de forma sustentável, seu potencial socioeconômico e ambiental é incrível”, aponta Rita de Cássia, coordenadora do CERBCAA.
Um desses potenciais, segundo os pesquisadores do Ecolume, é a possibilidade de “plantar água”. O projeto já começou os estudos e o trabalho de campo no município de Ibimirim. A atividade continuará pelos próximos dois anos. Doutora em Recursos Hídricos, Francis assegura que é possível alcançar resultados hídricos significativos pelo replantio da caatinga, amenizando um dos maiores problemas do semiárido.
“A flora da Caatinga, a qual é totalmente adaptada a altas temperaturas, está em plena conexão entre a água do solo com a da atmosfera, sendo naturalmente já inteligente para regular o microclima do local e reter água em sua volta, trazendo, com isso, benefícios diversos à natureza e às populações”, explica Francis.
A rede Ecolume é formada pelo IPA, Serta, UFRPE, INPE, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto Nacional do Semiárido (INSA), Instituto Federal do Sertão, Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta) e Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Sustentabilidade.
Da redação do  Blog Alvinho Patriota

Sustentabilidade do bioma caatinga foi discutida em seminário no Recife

Sustentabilidade do bioma caatinga foi discutida em seminário no Recife


Foto: Ascom Codevasf/divulgação

O Dia Nacional da Caatinga (28 de abril) foi marcado por um seminário nesta quarta-feira (2), no Recife, com o intuito de promover a sustentabilidade do bioma. O evento foi organizado pelo Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga de Pernambuco (CERBCAA), com participação da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), entre outras instituições que integram o comitê. A programação ocorreu das 13h30 às 18h30 no auditório da Pró-Reitoria de Extensão da UFRPE.
O chefe do Escritório de Representação da Codevasf no Recife, Marcelo Teixeira, ressalta que o foco do evento deste ano – a sustentabilidade – vai enfatizar a proteção do bioma e das áreas já conquistadas, favorecendo maior visibilidade à atuação do comitê e às iniciativas exitosas da região.
Estamos felizes com os esforços que estão sendo feitos para criação de novas Unidades de Conservação no Bioma Caatinga. Insistimos que o perfil da conservação nesse bioma passa também pelas categorias de uso sustentável que vão permitir fazer a difusão do potencial da Caatinga para a socioeconômica regional. Ainda é importante destacar a atuação do governo estadual, que vem fortalecendo o sistema de áreas protegidas”, explica.
Segundo Teixeira, a Codevasf tem papel importante na divulgação e na preservação da Caatinga, presente em boa parte da área de atuação da empresa, e no fomento à participação da juventude rural engajada no Projeto ‘Amanhã’ e no incremento de Arranjos Produtivos Locais típicos da região.
Ações
Entre os destaques das ações executadas pela Companhia em Pernambuco está a implantação de Unidades de Conservação da Caatinga. No município de Floresta, a Estação Ecológica Serra da Canoa, com 8 mil hectares, foi a segunda unidade criada no Estado. Já o Parque Estadual Serra do Areal e a Estação Refúgio de Vida Silvestre Riacho Pontal, com cerca de 6 mil hectares de vegetação nativa do bioma, foram criadas na área de reserva legal do Projeto Pontal, implantado pela Codevasf em Petrolina. As informações são da assessoria da Codevasf.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Bioma Caatinga: Alternativas sustentáveis para a região. Dia Nacional é comemorado no Ibama/PE

Bioma Caatinga: Alternativas sustentáveis para a região




A Semas participou ontem (27/04) do evento em homenagem Dia Nacional da Caatinga (28/04), realizado em parceria com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama/PE) e o Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga do Estado de Pernambuco (CERBCAA/PE). O encontro teve a participação de Francisco Campello, superintendente do Ibama, Alexandrina Moura, presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera do bioma, Marcelo Teixeira, coordenador do Comitê Estadual, a professora Márcia Silva, representante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Carlos Cavalcanti, secretário-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade, além 50 pessoas, entre gestores, pesquisadores e convidados.
Em Pernambuco, o bioma Caatinga ocupa 82% do território e uma das principais vulnerabilidades é o seu crescente processo de desertificação. “As mudanças climáticas intensificam os períodos de estiagem que, associados às ameaças como desmatamento e uso excessivo do pastoreio, agravam ainda mais a situação de aridez. Atualmente, 60% da região apresenta processo acentuado de desertificação”, afirmou Carlos Cavalcanti, secretário-executivo da Semas.
Como estratégia de conservação do bioma, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade criou a partir de 2011 seis unidades de conservação de proteção integral na Caatinga, somando mais de 126 mil hectares de área protegida.  “O ato de criar novas UC´s é um legado que se deixa para o futuro. As unidades que foram criadas na década de 80 e que possuem algum tipo de gestão, representam hoje  resultados efetivos para a conservação da biodiversidade. O desafio é propor novos modelos de gestão, onde as UC´s de um mesmo território possam ter uma gestão integrada, como já vem fazendo o ICMBio e cujo modelo a Semas poderá adotar da APA Aldeia-Beberibe, que reúne outras seis unidades dentro do seu território”, defendeu Carlos Cavalcanti, da Semas.
“Estudo recente das Nações Unidas aponta que existem mais alternativas não madeireiras dentro do bioma caatinga, do que em outros biomas”. O depoimento do superintendente do Ibama/PE, Francisco Campello, vem reforçar as potencialidades e oportunidades para Pernambuco e o Nordeste quando se discute adaptação às mudanças climáticas. Entre as ações destacadas pelo gestor estão a difusão e ampliação do uso de planos de manejo sustentável da caatinga, com adaptações das instruções normativas para que o homem  que possui uma profunda relação com o bioma não seja penalizado ao usar os seus recursos naturais. Foram também apresentadas com a exibição de vídeos as experiências exitosas de produtos gerados a partir da biodiversidade da Caatinga, como os realizados pela Associação de Mulheres Produtoras de Caroalina, que beneficia as folhas do caroá para a produção de agendas e brindes  e a produção de bonecas artesanais confeccionadas pela comunidade quilombola de Conceição das Creoulas, em Salgueiro, no Sertão Central do estado.
O engenheiro florestal Paulo Santos, destacou a importância da difusão do sistema de manejo florestal  para a conservação do bioma que ocupa 87% da área do semiárido. Segundo ele, pesquisa da Associação Plantas do Nordeste (APNE) realizada em 2015,  com base nos dados de 2012, apontam entre os 84.400 milhões de hectares do bioma, o número de programas de manejo aprovados no Nordeste era de apenas 468, sendo 94 deles para Pernambuco. “Isso significa que apenas 7,8% de toda a área explorada possui plano de manejo sustentável, todos voltados para a produção madeireira. Não há o aproveitamento de outros produtos que poderiam ser beneficiados gerando a renda para o agricultor. É preciso que técnicos e detentores de projetos atentem para a importância de agregar valor aos produtos da região”, informou.
As pesquisas desenvolvidas pela UFPE, através dos departamentos de bioquímica e biociência, foram tema da palestra da professora e pesquisadora Márcia Silva no evento.  O Núcleo de Bioprospecção e Conservação da Caatinga que reúne alunos e pesquisadores da graduação e da pós-graduação levantou as potencialidades farmacológicas de 107 espécies vegetais com propriedades medicinais da Caatinga, a partir dos saberes locais, obtidos a partir de entrevistas com mulheres idosas como rezadeiras, benzedeiras e parteiras das regiões de Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista e Buíque. O objetivo é a produção de antibióticos, antiinflamatórios e antioxidantes com princípios ativos do bioma.
As comunidades que participaram do projeto foram contempladas com palestras sobre os resultados das pesquisas realizadas pela Universidade Federal. Para a pesquisadora da UFPE, “a aproximação da universidade com as comunidades e os Institutos Federais do Sertão tiveram o objetivo de instigar a formação de novos pesquisadores, além de ressaltar a importância da identificação de espécies medicinais nas comunidades que podem contribuir para o desenvolvimento local”, ressaltou Márcia Silva.
Para dar continuidade às discussões sobre a conservação e os usos sustentáveis do bioma, foi decidido em consenso com os representantes das instituições presentes ao evento, que o Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga irá convocar reuniões periódicas envolvendo os órgãos estaduais e federais, além de pesquisadores, associações e ONG´s que atuam na região formulando e executando políticas para o semiárido.
 
Texto: Flávia Cavalcanti
Fotos: Flávia Cavalcanti e Alessandra Sá


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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Uma data para lembrar a importância do bioma Caatinga


Uma data para lembrar a importância do bioma Caatinga
 (Foto: Sidney Gouveia)
 
Instituído em 2003, em homenagem ao pernambucano João de Vasconcelos Sobrinho, engenheiro agrônomo e ecólogo falecido em 1989, pioneiro nas pesquisas ambientais no Brasil, com destaque para as regiões naturais do Nordeste e o processo de desertificação do semiárido, o Dia Nacional da Caatinga (28/4) é também um momento de reflexão e debates voltados para a conservação do bioma.   Um      evento realizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama/PE), em parceria com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade e o Comitê da Reserva da Biosfera  da Caatinga, acontece amanhã (27/04), às 14h30, do auditório do órgão federal, em Casa Forte, e abordará as ações de conservação e de apoio ao desenvolvimento sustentável no estado.
Pernambuco desenvolve o Plano de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Caatinga, que prevê ações voltadas para a criação de unidades de conservação, elaboração de mapa de vocações e potencialidades, além do incentivo à economia verde. Para o secretrário-executivo da Semas, Carlos Cavalcanti, “entre 2011 e 2016 saltamos de zero para 126 mil hectares em unidades de conservação de proteção integral no bioma. Precisamos agora fortalecer  a gestão, incorporando  uma visão integrada, com a participação de diversos atores locais”, ressaltou o representante da Secretaria.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a Caatinga ocupa 11% do território nacional e abriga uma população de 27 milhões de pessoas. Está presente nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Sergipe e Minas Gerais.
Apesar da vegetação espinhosa e retorcida, a região “detém uma importante biodiversidade, com registro de 178 espécies de mamíferos, 591 de aves, 177 de répteis, 79 espécies de anfíbios, 241 de peixes e 221 de abelhas”, segundo o MMA.
As espécies vegetais identificadas no herbário Dárdano de Andrade Lima, do Instituto Agronômico de Pernambuco (Ipa), também confirmam a importância da região: 65% do total de espécies catalogadas, cerca de 58 mil são da Caatinga, com destaque para  as mais representativas, entre elas o umbuzeiro, catingueira, xiquexique, coroa-de-frade, angico e jurema. O Instituto abriga também no seu acervo uma importante coleção: São 12 mil plantas do bioma colecionadas entre 1950 e 1980 pelo agrônomo Dárdano de Andrade Lima, que faleceu em 1980.
A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade adota desde 2011 como estratégia de conservação do bioma, a criação de novas unidades de conservação, especialmente nas categorias de proteção integral, onde só é permitido o uso indireto dos recursos naturais e são permitidas apenas atividades voltadas para a pesquisa científica e o turismo ecológico. (Vê tabela das UC´s Estaduais no Bioma Caatinga).
O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga de Pernambuco estará representado no evento por Marcelo Teixeira, coordenador estadual do Comitê. Ele destaca as ações desenvolvidas pela instituição em defesa do bioma: “O Comitê tem o importante papel de adensar esforços de várias instituições na direção da preservação do rico bioma que é a Caatinga, entre eles o fomento à criação de Unidades de Conservação; o apoio às comemorações do Dia Nacional da Caatinga desde 2005; o projeto de valorização da Caatinga realizado em 17 municípios do Pajeú; discussão sobre a reformulação do ICMS socioambiental do Estado de Pernambuco; além da promoção de palestras sobre boas práticas e lições aprendidas na Caatinga, com valorização dos saberes do povo catingueiro e da sua rica cultura”, reforçou o  coordenador.
Unidades de Conservação de Pernambuco – Bioma Caatinga
Área da unidade de conservação (ha)
Parque Estadual Mata da Pimenteira – Serra Talhada
887,24
Estação Ecológica Serra da Canoa - Floresta
7.598,71
Parque Estadual Serra do Areal – Petrolina
 
1.596,55
Refúgio da Vida Silvestre Riacho Pontal - Petrolina
4.819,63
Monumento Natural Pedra do Cachorro - Brejo da Madre de Deus, São Caetano e Tacaimbó
1.378,67
Refúgio de Vida silvestre Tatu-bola - Lagoa Grande, Santa Maria da Boa vista e Petrolina
110.110,25
RPPN Karawa-tá – Gravatá
101,58
 
RPPN Santo Antônio  -  Gravatá
119,75
RPPN Pedra do Cachorro – São Caetano
18,00
 
RPPN Serro Azul - Agrestina
 
 
73,58
Total:
126.703,96
 
                       Fonte: Agência CPRH, 2016.
 
EVENTO EM COMEMORACÃO AO DIA NACIONAL DA CAATINGA (28/04)
Data: 27/04/2017Local: Auditório da Superintendência do Ibama em Pernambuco (Av. 17 de Agosto, nº 1057 – Casa Forte)
Horário: 14h30
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Fonte: Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade - Gerência de Comunicação: Fone: (81) 3181.7912 / 7914 | E-mail: imprensasemaspe@gmail.com  
Flávia Cavalcanti flaviabezerracavalcanti@gmail.com   Patrícia Correia patriciacorreiasemas@gmail.com  

A Universidade Federal Rural de Pernambuco e o Comitê Estadual celebram o Dia Nacional da Caatinga

Marcelo, Suassuna, Rita, Ednilza e Márcio (CERBCAA/PE) João Suassuna (Fundaj) Márcia Vanusa (UFPE) Francis Lacerda (IPA) e Jo...