domingo, 3 de outubro de 2010

Pesquisadores mobilizados para preservar os sítios arqueológicos de Carnaúba dos Dantas (RN).


A arte de preservar tesouro de 5 mil anos
Pesquisadores de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e Piauí se unem
 para preservar pinturas e gravuras rupestres no Sertão do Seridó (Foto Dean Carvalho)

Por Cleide Alves
cleide@jc.com.br

CARNAÚBA DOS DANTAS – Um tesouro com cerca de cinco mil anos de existência, localizado no Sertão do Seridó, mobiliza pesquisadores dos Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e Piauí. O trabalho coletivo terá como resultado a preservação dos sítios arqueológicos de Carnaúba dos Dantas (RN), onde há registros de pinturas e gravuras rupestres. Ações de educação patrimonial começam a ser desenvolvidas a partir deste mês, mas já estão em andamento a limpeza dos desenhos e a colocação de passarelas para organizar as visitas nas áreas das pinturas.
Os 71 sítios identificados em Carnaúba dos Dantas representam a tradição nordeste, caracterizada por figuras que dão ideia de movimento – cenas de caça e dança, por exemplo. As pinturas, na cor vermelha, são atribuídas a grupos étnicos que habitaram a região. Proteger os painéis de arte rupestre não é uma tarefa simples. É preciso combater inimigos naturais, como vespas, abelhas, marimbondos e infiltrações d’água, e também atos de vandalismo que põem em risco a integridade dos sítios.
A instalação de passarelas de madeira, para o visitante contemplar os grafismos sem tocar nos painéis, foi a solução encontrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para controlar o vandalismo. “Dar condições de visitação pública e ao mesmo tempo garantir a preservação faz parte da política nacional do Iphan”, explica o arqueólogo Onésimo Santos, da superintendência do Rio Grande do Norte.
Ele informa que o projeto não prevê apenas as passarelas. Escadarias para facilitar o acesso aos sítios (subidas que exigem esforço físico do visitante) estão sendo construídas com pedras encontradas na região. “Vamos sinalizar com placas indicativas e criar áreas de descanso”, diz o arqueólogo. As intervenções começaram pelos Sítios Xiquexique 1 e Xiquexique 2, que ficam próximos da área urbana. “São os mais visitados e, portanto, os mais vulneráveis”, justifica.
Outros dois sítios de Carnaúba dos Dantas, Xiquexique 4 e Pedra do Alexandre, receberão tratamento semelhante, todos com recursos do Ministério da Cultura. A inauguração está programada para novembro deste ano, no Seminário de Socialização do Patrimônio Arqueológico, que o Iphan realizará em Natal. Paralelamente à confecção das passarelas, o instituto conta com a colaboração de uma especialista do Piauí, para identificar os males que acometem os painéis e fazer a limpeza.

Arqueóloga e química, Conceição Lage trabalha desde o mês passado na remoção de sujeira natural dos Sítios Xiquexique 1 e Xiquexique 2. “Foram tiradas 26 casas de marimbondo ativas, duas colmeias de abelhas, dejetos de répteis, manchas de fuligem provocadas pela ação de retirada de insetos e depósitos salinos de Xiquexique 1, sem colocar a pintura em risco”, diz ela, em entrevista por telefone. Professora de arqueologia da Universidade Federal do Piauí, Conceição Lage acrescenta que os ninhos de vespas também deixam rastros nas pinturas.
“As vespas pegam argila da região e misturam com saliva para fazer as casas, com o tempo isso vira pedra e às vezes encobre a pintura. Tinha bastante por lá”, comenta. A pesquisadora sugere manutenção constante no local para evitar novas infestações. “Não existe um produto natural para espantar os insetos.” No Sítio Xiquexique 2, Conceição Lage se deparou com infiltração de água na rocha, provocada por raízes de plantas.
De acordo com a arqueóloga, as raízes ácidas abrem pequenos furos na pedra, por onde a água se infiltra, transportando sais, sujeira e areia até a área dos desenhos. “É complicado fazer a remoção porque há situações em que a pintura está coberta pelos sais e, em outras, elas estão sobre os sais”, declara. Nesse caso, ela indica intervenções na parte alta da rocha, para frear e inibir o aparecimento de buracos. Conceição Lage se dedica à conservação de arte rupestre desde 1991.
(Fonte JC - Ciência e Meio Ambiente)

sábado, 2 de outubro de 2010

Personagens da Caatinga - LAMPIÃO, O REI DO CANGAÇO.



Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião (Serra Talhada, 7 de julho de 1898 — Poço Redondo, 28 de julho de 1938), foi um cangaceiro brasileiro. O seu nascimento, porém, só foi registrado no dia 7 de agosto de 1900.
Uma das versões a respeito de sua alcunha é que ele modificou um fuzil, possibilitando-o a atirar mais rápido, sendo que sua luz lhe dava a aparência de um lampião.
No dia 27 de julho de 1938, o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. A volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Por volta das 5:15 do dia 28, os cangaceiros levantaram para rezar o oficio e se preparavam para tomar café, foi quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais.
Não se sabe ao certo quem os traiu. Entretanto, naquele lugar mais seguro, segundo a opinião de Virgulino, o bando foi pego totalmente desprevenido. Quando os policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva, abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa.
O ataque durou uns vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos trinta e quatro cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida. Alguns cangaceiros, transtornados pela morte inesperada do seu líder, conseguiram escapar. Bastante eufóricos com a vitória, os policiais apreenderam os bens e mutilaram os mortos. Apreenderam todo o dinheiro, o ouro e as joias.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Conheça o Projeto "Valorização do Bioma Caatinga" promovido pelo Comitê Estadual da Caatinga na região do Vale do Pajeú.


(Imagens: O mundo da Caatinga natureconservancy - youtube)

O Bioma Caatinga pode ser considerado um dos mais ameaçados do Brasil. Grande parte de sua superfície já foi bastante modificada pela utilização e ocupação humana. E em nosso Estado, Pernambuco, é carente de medidas mais efetivas de conservação da diversidade, como a criação de unidades de conservação de proteção integral. Hoje em dia já é muito difícil encontrar remanescentes da vegetação nativa maiores que 10 mil hectares.
O Bioma Caatinga apresenta extensas áreas degradadas e solos sob intenso processo de desertificação.
A CAATINGA foi por muito tempo caracterizada como “pobre”, porém as pesquisas recentes têm revelado um grande potencial, uma ampla diversidade biológica, com espécies endêmicas e adaptações distintas. Apesar de ser um bioma com grande potencialidade ainda é pouco valorizado e reconhecido.
O Objetivo do Projeto “VALORIZAÇÃO DO BIOMA CAATINGA” é promover ações que visem à valorização da Caatinga através de ações de educação ambiental.
Nesta primeira etapa do projeto serão atendidos 17 municípios da nossa CAATINGA situados na região de desenvolvimento do Vale do Pajeú, visando:

• Sensibilizar a população local sobre a importância e fragilidade do bioma Caatinga;

• Capacitar professores da rede de ensino pública e particular sobre as potencialidades e sensibilidade do bioma nos municípios atendidos pelo projeto;

• Incentivar trabalhos na área de educação ambiental, destacando o Dia Nacional da Caatinga e Dia Internacional do Meio Ambiente;

• Divulgar os recursos naturais da Caatinga;

• Criar o primeiro Subcomitê do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga - CERBCAA-PE através de um processo de educativo e participativo da população

O CERBCAA/PE acredita que através de ações como as deste projeto, da atuação de organizações não governamentais e do poder público, poderemos mudar a situação atual da CAATINGA, bioma genuinamente brasileiro. O Projeto promovido pelo Comitê Estadual da Caatinga,  tem o patrocínio do FEMA - Fundo Estadual de Meio Ambiente, Governo do Estado de Pernambuco (Sectma), Execução da Âncora e Apoio do IPA - Instituto Agronômico de Pernambuco. Folder valorizacao do bioma
View more documents from marcelolct.



sábado, 25 de setembro de 2010

O SONHO DA ÁGUA PRÓPRIA.






No sertão do Nordeste a população está espalhada. Como a atividade econômica é pouca, não surgiram muitas cidades grandes, e portanto não se concentrou a população. As famílias sertanejas vivem longe umas das outras, mais que tudo da subsistência, plantando pelo menos mandioca, tentando tirar um pouquinho que seja da terra. Os ciclos da natureza não ajudam. A chuva, suficiente para viver, cai toda num terço do ano e deixa o sol esturricar a terra no resto do tempo. Aí, às vezes, não chove. E tudo que se plantou morre.
Nesse lugar, uma visão comum pelas estradinhas é a de caminhões de água. Vimos vários. Muitos vereadores têm entre suas atividades uma espécie de serviço de “disk-água”: entregam para quem pede, garantem um voto em troca. Os caminhões-pipa, geralmente, carregam a água dos açudes para as casas dispersas (já que a dispersão torna inviável um sistema de água encanada para todo mundo).
Se a chuva é suficiente, mas concentrada demais, existe uma solução óbvia: que cada um guarde o excesso de chuva da sua propriedade para quando faltar. Isso não é uma ideia absolutamente nova, claro. Há décadas constrói-se cisternas no sertão, alimentadas por uma calha com a água que cai no telhado da casa. Mas são iniciativas dispersas e muitas vezes prejudicadas por deficiências no projeto (muitas cisternas vazavam, por exemplo).
Em 2003, uma rede de mais de 600 organizações da sociedade civil criou a Articulação do Semi-Árido, ou Asa, para, de maneira descentralizada, construir cisternas pelo sertão. Foi um sucesso. Hoje quem viaja por aquelas bandas vê cisternas em toda parte: há mais de 400 mil em todo o Nordeste e no sertão de Minas. Se você perguntar para as pessoas se elas gostam da cisterna, provavelmente vai ouvir elogios desbragados. “Foi um presente de Deus”, disse o agricultor José Macário dos Santos, chefe de uma família de oito, numa resposta típica. Como ele, 97% dos agraciados com a cisterna estão satisfeitos. Menos satisfeitos ficam alguns políticos tradicionais. Uns circulam por aí com seus caminhões-pipa, oferecendo para encher as cisternas. Assim o morador não tem que se preocupar com a manutenção e a colocação das calhas (e a chuva é desperdiçada).
Mais recentemente o projeto foi aperfeiçoado. Agora a proposta é dar duas cisternas para cada família: uma para o consumo, outra para um pomar-horta. Além de segurança hídrica, a família ganha segurança alimentar e financeira. O projeto também está se tornando mais abrangente, e passa a envolver o apoio à produção local, a gestão de águas, o desenvolvimento de tecnologias sociais. Privilegia-se espécies da caatinga, que não morrem nem quando há seca. A Embrapa Semi-Árido, onde o professor Nilton de Brito trabalha (conheça-o no vídeo acima), está bastante envolvida nesse projeto. A instituição tem testado o desempenho dos diferentes tetos na coleta de água de chuva, projetado sistemas simples e baratos de irrigação por gotejamento e mantido pomares-laboratório.
(Fonte: Estadão.com.br - Isso não é normal)

Personagens da Caatinga: LUIZ GONZAGA, O REI DO BAIÃO.


Luiz Gonzaga (Gonzagão) Cantor e compositor, Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu na Fazenda Caiçara, no município de Exu, sertão pernambucano, filho de Ana Batista de Jesus e do sanfoneiro Januário José Santos, com quem aprendeu a tocar sanfona. Deixou sua cidade natal em 1930, em busca de emprego, e acabou entrando para o Exército, morando em vários lugares no Nordeste.
A carreira musical só começou em 1939, no Rio de Janeiro, tocando em um conjunto que se apresentava nos cafés da zona de prostituição. Participou de programas de calouros, como os de Almirante e Ary Barroso e, em 1941, gravou o seu primeiro disco - apenas como solista; a primeira música cantada, Dança Mariquinha, seria gravada em 1945. A partir de então passou a percorrer o Brasil, fazendo shows, iniciando sua longa carreira de sucesso. Influenciou vários compositores da chamada moderna música nordestina, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Raimundo Fagner, Elba Ramalho e outros.
Foi Luiz Gonzaga quem levou para o disco os ritmos e as batidas do xote e do baião - já conhecidos entre os cantadores de viola do Nordeste: ele pegou a batida e criou o jogo melódico, daí ser considerado o criador do baião. Gravou 56 discos e compôs mais de 500 canções.
Morreu após uma internação de mais de 40 dias, vítima de osteosporose. Seu velório e enterro foram acompanhados por mais de 50 mil pessoas em Juazeiro do Norte. (Fonte: JB Online). SOM BRASIL - Especial Gonzagao.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Precisamos de árvores. É simples!


Na margem de um rio em Gravatá (PE,) uma muda espera
o tempo transformá-la em mata ciliar

Mudanças climáticas são um assunto muito complexo, muito complicado mesmo. Mas, se a gente tentar simplificar, a coisa básica é a seguinte: plante árvores que melhora.
Não que seja uma solução mágica que acaba com todos os problemas. Longe disso. Mas o plantio de árvores, se feito com espécies adequadas, nativas, e nos lugares certos, pode ajudar a aliviar muitos dos efeitos das mudanças climáticas.
O Nordeste do Brasil é um ótimo exemplo disso. As mudanças climáticas cercaram a região. Do interior, vem o aumento de temperatura e, consequentemente, de evaporação, tirando o “semi” do semi-árido. Do oceano, vem a água do mar, comendo a costa, demolindo casas, arrastando árvores. Entre os dois, correm os rios, cada vez mais assoreados, cada vez mais ocupados, cada vez transbordando com mais frequência.
Pois bem. Plante árvores que melhora.
Melhora em parte porque árvores nada mais são do que a solidificação do carbono que está sobrando na atmosfera e tapando a Terra como uma panela de pressão. Árvores, quando crescem, tiram carbono do ar. Árvores são feitas de carbono.
Mas esse efeito é lentíssimo. O carbono tirado da atmosfera hoje só vai resultar em refresco daqui a meio século. Nesse meio tempo, muita seca, muita enchente, muita tragédia e muito prejuízo vai acontecer no Nordeste por causa das mudanças climáticas.
Acontece que plantar árvores do jeito certo tem outros efeitos positivos que, esses sim, são imediatos, ou quase.
Árvores no semi-árido conservam a parca água da chuva e protegem o solo. "O principal indicador que detona o processo de desertificação é a retirada da cobertura vegetal, principalmente das árvores", diz o engenheiro Iedo Sá, da Embrapa Semi-Árido, em Petrolina. "A árvore forma o manto que cobre essa região. Quando você a retira, tudo que há de ruim acontece", afirma ele. O solo fica exposto aos elementos. O sol mata microorganismos e frita nutrientes. A água escorre, levando com ela a camada superficial da terra. "É o que chamamos de erosão laminar, que é a perda dos centímetros superiores da superfície do solo", diz Iedo. "Trata-se de um tipo discreto de erosão, quase invisível. Mas é o mais nocivo que existe." Para piorar, o sol inclemente faz essa água evaporar, deixando para trás sais minerais. Isso salga a terra, matando a fertilidade. Assim a desertificação se espalha. Iedo, que é especialista em desertificação, afirma que o único remédio é trazer a caatinga de volta. "A caatinga leva pelo menos 10 anos para crescer de volta – o dobro se o processo de desertificação estiver mais avançado", diz. Além disso, árvores dão frutas e sombra, que, num ambiente mais tórrido, podem salvar vidas de animais e humanos.
Árvores nas beiras dos rios seguram o solo no lugar, reduzindo o assoreamento e, consequentemente, as enchentes e o avanço do mar. "Árvores funcionam como um 'buffer' para a água que escapa dos rios", diz o Hidrólogo Abelardo Montenegro, da Universidade Rural de Pernambuco, usando a palavra em inglês para algo que diminui ou absorve o choque de um impacto (por exemplo, um pára-choque). Os troncos, as folhas e a terra oferecem obstáculos irregulares para a água das enchentes, freiando seu avanço. Além disso, fazer crescer florestas nas margens, onde hoje há bairros densamente povoados, daria espaço para a água se espalhar e preveniria que as enchentes resultassem em destruição e mortes.
Árvores de mangue têm um efeito parecido no litoral: impedem o assoreamento e dão espaço para o mar avançar, evitando que ele coma a costa. "Mais do que tudo, elas absorvem o impacto das ondas, em vez de deixar que elas se choquem com a costa mais ao norte", diz Moacir Araújo, professor de oceanografia da UFPE. "O problema é que os manguezais da costa nordestina foram devastados para dar lugar a empreendimentos imobiliários ou econômicos, como o porto de Suape", diz. "Se queremos uma solução mais permanente para o problema do avanço do mar, teremos que repensar a ocupação humana na costa, talvez até reconstituindo alguns manguezais.
Há pelo Nordeste alguns programas importantes de reflorestamento. No sertão, o PNUD, agência da ONU para o desenvolvimento, tem financiado grandes projetos. Na região do Araripe, a mais degradada do sertão por causa da necessidade de lenha da indústria gesseira, a Embrapa e o Sebrae estão bastante envolvidos na criação de "florestas energéticas". "São áreas de manejo que fornecem lenha para os fornos de gesso sem implicar em desmatamento", diz Iedo.
Mais complicado é rever a ocupação do espaço: por exemplo, mudar de lugar bairros que estão muito perto de rios e da costa para dar lugar a matas. "Ninguém quer sair de suas casas, a não ser que não tenha alternativa", diz Adriano Dias, pesquisador de adaptação às mudanças climáticas na Fundação Joaquim Nabuco. Vimos algumas iniciativas tímidas em cidades mais ricas, como a pernambucana Gravatá. Lá a prefeitura criou um parque turístico para preservar um trecho de caatinga e está promovendo a plantação de mudas em áreas públicas à beira dos rios – estudantes universitários plantam as mudas e, em troca, ganham transporte gratuito para as aulas. "Fazemos isso onde podemos, mas remover bairros para plantar árvores não está em cogitação", diz Aarão Lins, secretário do meio ambiente da cidade.
Claro que um grande programa de reflorestamento seria o ideal. Mas, na impossibilidade do ideal, uma árvore a mais, plantada do jeito certo numa dessas áreas estratégicas (o semi-árido, as margens dos rios, a costa), já é bem mais que nada.
(Fonte: Estadão.com.br - Isso não é normal)

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O Sertão resiste ao deserto. Manter a caatinga de pé é a chave para o futuro do Nordeste.


Na época da seca, o verde desaparece. A árvore "adormece"
à espera de tempos melhores

O clima do sertão do Nordeste é ao mesmo tempo imensamente constante e absolutamente imprevisível. O sol é o constante. Por lá, o calor de 30 e muitos graus se repete em praticamente todos os dias do ano. A chuva é a imprevisível. No sertão não chove quase nunca, quando chove chove muito, e às vezes passa anos sem chover.
Sempre foi assim. Dom Pedro II visitou a região em 1877 para prestar solidariedade ao povo, quando uma seca matou mais do que a Guerra do Paraguai. Portanto, culpar as mudanças climáticas pela seca que, neste exato momento, assola o sertão, seria absurdo.
Mas o cenário preocupa, por dois motivos:
– A temperatura efetivamente está subindo – tanto as mínimas quanto as médias quanto as máximas. Todos os modelos indicam que continuará subindo. Mais calor significa mais evaporação, e o sertão já vive um deficit hídrico.
– O regime das chuvas, que sempre foi imprevisível, continua imprevisível. Aparentemente, a quantidade de água que cai não está mudando muito, mas ela está ficando cada vez mais concentrada no tempo. Às vezes chove num dia quase a água do ano inteiro. Tradicionalmente chove quatro meses e estia oito: é possível que a proporção esteja mudando para 2/10.
A combinação desses dois fatores aponta para um desastre natural: a desertificação. Soa estranho chamar desertificação de “desastre”, porque essa palavra geralmente é usada para eventos súbitos, rápidos, e a desertificacão se arrasta por anos. Mas seu caráter “desastroso” é inegável. Desertificação significa a morte das lavouras e dos animais, a falência do setor agrícola, a migração em massa da população rural, o alastramento de doenças infecciosas, o aumento da mortalidade infantil e mais um monte de coisas. Deserto é como câncer. Ele cresce. A presença dele por perto diminui os nutrientes do ambiente – e aí as plantas vão morrendo e ele vai avançando.
Mas a ligação entre o clima e a desertificação não é determinística. Existem seres capazes de deter o câncer. As plantas da caatinga estão adaptadas à incerteza do ambiente (sol sempre, chuva sabe-se lá quando). Elas sobrevivem quase hibernando quando o sol torra e ficam imediatamente verdes à primeira gota. Com elas, o deserto não avança, porque as raízes protegem o solo e retêm a água.
Manter a caatinga de pé é chave para o futuro do Nordeste, e não será fácil. A caatinga é hoje o bioma mais ameaçado do Brasil : 70% da sua cobertura original já foi modificada. A maior parte do desmatamento é para produzir lenha para as indústrias siderúrgica e do gesso. Há várias alternativas para essas indústrias: entre elas madeira de caatinga de reflorestamento. Menos simples é encontrar alternativas para o agricultor pobre que ainda vê no desmatamento para produzir lenha sua única opção. A possibilidade de cada família ter uma cisterna que guarde a água da chuva para alimentar um pomar-horta por gotejamento abriria várias possibilidades.
Outra questão central é garantir recursos hídricos para a população. O Nordeste ainda tem algumas das taxas mais baixas do país de acesso aos sistemas de água e esgoto, o que complica a convivência com um clima incerto. Nesse contexto, o polêmico projeto de transposição do rio São Francisco poderia ser um acerto: o rio garantiria um fluxo de água ininterrupto sertão acima. Mas o problema do sertão nunca foi a falta d’água: chove o suficiente, apenas de maneira irregular. Todos os hidrólogos e meteorologistas que consultamos afirmam que, se o objetivo é fornecer água para o abastecimento das cidades e das pessoas, mais importante do que cruzar sertão com o São Francisco seria melhorar o sistema de captação das águas da chuva, conectando os vários açudes para que um possa ajudar a manter o outro cheio.
A transposição interessa em especial porque ela poderia levar grandes volumes a estados como o Ceará. Isso viabilizaria indústrias que consomem muita água, como a siderúrgia e a criação de camarões. O Ceará precisa mesmo de atividades econômicas, até porque sua agricultura pode ser a mais duramente afetada pelas mudanças climáticas. Mas será que o melhor plano é mesmo erguer no sempre incerto semi-árido, em seu momento mais incerto, uma indústria que usa água intensamente?
Em agosto de 2010, realizou-se em Fortaleza uma conferência internacional para discutir os impactos das mudanças climáticas em regiões semi-áridas do mundo. O documento final do encontro, a chamada Carta de Fortaleza, traz o caminho das pedras para quem quer lutar contra o avanço do deserto. O documento destaca a necessidade de agir de maneira integrada, envolvendo as comunidades locais nas soluções.
(Fonte: Estadão.com.br - Isso não é normal)

A Universidade Federal Rural de Pernambuco e o Comitê Estadual celebram o Dia Nacional da Caatinga

Marcelo, Suassuna, Rita, Ednilza e Márcio (CERBCAA/PE) João Suassuna (Fundaj) Márcia Vanusa (UFPE) Francis Lacerda (IPA) e Jo...