sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Con(v)ivência com a seca



(Este videoclipe tem como fundo a música É a seca de março torrando o sertão de Jessier Quirino e o texto baseia-se no artigo Uma Visão da Seca a Luz da Psicanálise (LEITE, SEVERIANO, COSTA, 2009) que apresenta a visão do Nordeste como uma Região árida e carente, um dos possíveis olhares que nós como nordestinos não podemos e não devemos negar, já que faz parte da nossa realidade, da nossa identidade).




Artigo

Clovis Guimarães Filho (*)

A caatinga já perdeu mais de 45% dos seus 82 milhões de hectares originais e a festa continua, ao ritmo estimado de 267 mil hectares desmatados/ano. Não foi considerada nesse cálculo a degradação oriunda do superpastejo e de outras atividades extrativistas conduzidas de forma espoliativa. 
Para o MMA o problema do desmatamento deve-se a falta de alternativas energéticas para a região, o que dificulta e torna quase impossível a solução do problema. Um exemplo disso é a destruição criminosa que ocorre no polo gesseiro do Araripe, agravada por uma negligencia das autoridades que beira a cumplicidade.
A julgar pelos planos anunciados para reverter o processo de degradação da caatinga, as perspectivas não parecem animadoras. Veja-se, por exemplo, a fiscalização, anunciada sob a égide de uma Comissão Nacional de Combate à Desertificação, com representantes de 12 ministérios, 07 orgãos federais, 11 governos estaduais, 11 representantes da sociedade civil, 01 da Associação Nacional de órgão municipais do meio ambiente e mais 02 de entidades empresariais.
É realmente desestimulante para as nossas expectativas. Parece mais um genérico da ONU. Melhores resultados, certamente, seriam atingidos com o simples fortalecimento de um único órgão fiscalizador nas áreas mais afetadas, com mais agentes ambientais realmente na caatinga e menos funcionários na beira-mar e em Brasília.
Nesta última a desertificação se dá apenas nos finais de semana (volta dos políticos aos seus estados e origem), sendo, por muitos, até considerada benfazeja para os ares da nossa capital federal. Reservas ou quaisquer outras formas de áreas protegidas são simples complementos do processo e não funcionam, mormente as reservas brasileiras, a maioria de existência só no papel, o que nos induz a pensar que foram criadas apenas para dizer que as temos.
A busca de um novo padrão energético para o segmento industrial na região semiárida deve ser acompanhada de esforço similar na busca da valorização dos produtos naturais ou naturalizados da caatinga. Somente quando esses produtos tiverem um padrão de qualidade e um valor comercial efetivamente superior ao da lenha ou do carvão, a preservação do bioma poderá ser assegurada.
O repasse dos recursos do projetado Fundo Caatinga para as comunidades e produtores rurais de sequeiro, como planejado pelo MMA, deve ser feito com foco prioritário na fixação de um padrão diferenciado de qualidade nos produtos e serviços direta ou indiretamente associados à caatinga (frutas, madeira, carnes e queijos, peles e esterco, mel e outros produtos de abelhas sem ferrão, plantas ornamentais, artesanato, agro e ecoturismo) e na implementação de programas voltados para o seu reconhecimento regional e nacional, visando sua plena inserção no mercado.
Esta, sem dúvidas, constitui a grande, senão única, alternativa estratégica capaz de contribuir efetivamente e a curto prazo no esforço de preservação dos recursos da caatinga e de promoção do bem estar das populações que nela vivem e dela dependem. Isso, enquanto se espera a exploração do maior filão do bioma caatinga, ainda por ser melhor conhecido e explorado.
Ele é representado pela sua extraordinária biodiversidade, na qual se inserem espécies vegetais de uso medicinal, produtoras de óleos essenciais, agentes praguicidas e outras provedoras de matérias primas para indústria química, alimentar e farmacêutica.  Espécies animais também integram o acervo, especialmente insetos, inimigos naturais de pragas, provedoras de substancias de uso medicinal (soros, enzimas, hormônios), além de  bactérias, fungos e líquens com propriedades de antagonismo a agentes de pragas e doenças, bioinseticidas, biolixiviadoras, antibióticas, sem esquecer os gens indutores de tolerância a estresses hídrico, salino, a acidez do solo e a doenças. São 2.500 espécies de plantas e mais de 1.000 de animais, não incluídos nesse número os insetos que imploram para serem estudadas.

(*) Ex-pesquisador da Embrapa, consultor em agronegócio da caprino-ovinocultura.  
(Fonte: Blog Ciência e Meio Ambiente)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Pernambuco ganha centro de referência em conservação da Caatinga

(Foto: José Leomar)

Considerado um dos biomas mais devastados pela ação do homem no Brasil, a Caatinga passa a contar com um grande aliado em sua conservação. A Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UAST) da UFRPE será a sede de um novo Centro de Referência em Recuperação de Áreas Degradadas (CR-ad), voltado para a realização de pesquisas e atividades de extensão sobre a Caatinga.
Os recursos para a construção do CR-ad Bioma Caatinga (R$ 1 milhão) foram liberados pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), em meados de agosto, após aprovação de projeto elaborado por equipe de 11 pesquisadores, dos quais dez são da própria UAST.
O CR-ad Bioma Caatinga contará com um herbário, dois laboratórios, banco de germoplasma; viveiro com capacidade de produção de até 60 mil mudas (a ser construído na Estação de Pesquisa de Parnamirim da UFRPE); viveiro-escola; veículo com tração a ser usado em pesquisas; caminhão para o transporte de mudas e uma van para a condução de passageiros. A compra de equipamentos e materiais do centro já se encontra em fase de licitação.
De acordo com o professor Martinho Carvalho, coordenador do projeto, o centro de referência tem a finalidade de estimular a comunidade local a proteger e recuperar a vegetação nativa da região. Acredita-se que 45% da Caatinga tenham perdido sua cobertura vegetal. Além disso, 15% são áreas desertificadas. O principal motivo dessa devastação é o desmatamento para a produção de carvão. A intenção é de que o centro se torne difusor e catalisador de iniciativas voltadas para a recuperação do bioma da Caatinga nas esferas públicas e privadas.
O coordenador do projeto afirma que, até relativamente pouco tempo atrás, a Caatinga era considerada um bioma pobre em espécies. Contudo, pesquisas recentes mostraram enorme diversidade biológica, com número expressivo de espécies desconhecidas pela Ciência. “A construção de centros como esse é de grande importância. Precisamos conhecer mais sobre as espécies, sua reprodução, e encontrar alternativas para a conservação desse bioma”, ressalta Martinho Carvalho.
Segundo o pesquisador da UFRPE, os principais eixos de atuação do CR-ad Bioma Caatinga incluem ações de reflorestamento, com a utilização de espécies nativas; formação de multiplicadores na produção de mudas; além de pesquisa nas áreas de germinação, controle de pragas de mudas e restauração da vegetação nativa, principalmente nas áreas de abrangência das bacias dos rios Pajeú, Brígida e Moxotó.
A ação antrópica degradante e o uso inadequado de seus recursos naturais têm gerado diversos problemas para o bioma caatinga, foco do projeto. A extinção de muitas espécies nativas, a erosão do solo, o assoreamento de rios, a desertificação e o empobrecimento das comunidades do entorno são alguns deles. Além desse centro, existem outros seis em funcionamento ao longo da Bacia do Rio São Francisco.
“Nossa intenção é realizar intercâmbio de pesquisas e experiências com todos esses centros, de modo a amadurecer as discussões e o conhecimento que se tem atualmente sobre a Caatinga nordestina”, frisa Martinho Carvalho.
O Ministério do Meio Ambiente, por meio do Programa Nacional de Florestas (PNF) e da Diretoria de Conservação da Biodiversidade (DCBio), dará apoio e acompanhará o desenvolvimento do projeto.
(Fonte: UFRPE - Informações: (87) 3831.2938, ramal 215, ou: martinhocarvalho@yahoo.com.br)

domingo, 17 de outubro de 2010

Histórias de Vida e Cidadania no Semiárido



Vídeo e revista sobre políticas públicas no Semiárido serão lançados nesta segunda, a partir das 18h, no Cinema da Fundação (Derby). O especial Histórias de Vida e Cidadania no Semiárido, realizado pela ONG Diaconia, trata de ações voltadas ao acesso à água potável, à segurança alimentar, ao saneamento e à conservação do meio ambiente. As produções foram realizadas em parceria com a Tearfund e União Européia e contam com o apoio da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), na realização do lançamento.
Em foco, nove municípios que integram projeto focado na segurança alimentar, renda e inclusão social desenvolvido pela Diaconia. A ação beneficia 560 famílias, com o desenvolvimento de tecnologias adaptadas ao Semiárido com o objetivo de erradicar a pobreza. Foram construídas 300 cisternas para o armazenamento de água, consumo familiar e produção de alimentos, implantadas três unidades de beneficiamento de frutas, 30 viveiros e mais de 150 mil mudas para a plantação de árvores forrageiras, frutíferas e espécies nativas.
Dados publicados na revista apontam que o Estado do Rio Grande do Norte, localizado no Semiárido nordestino, é uma área marcada pelos altos índices de exclusão, onde a população rural sofre com a dificuldade de acesso à água e à segurança alimentar. Ainda segundo dados do Unicef, a falta de água tem forte repercussão na vida das crianças e adolescentes, sobretudo na saúde, devido às precárias condições sanitárias: 38,47% das casas onde residem crianças e adolescentes não têm rede geral, fossa séptica ou rudimentar.

sábado, 16 de outubro de 2010

Personagens da Caatinga: CARRANQUEIROS DO SÃO FRANCISCO.



As carrancas são manifestações genuínas da arte popular brasileira que desenvolveu-se na região do rio São Francisco, por artistas populares denominados carranqueiros.
Pensando em criar uma identidade própria para as embarcações que navegavam pelo rio São Francisco, artistas esculpiam enfeites de proa. Esses elementos de decoração sempre representavam uma escultura de cabeça e pescoço de alguma figura, que misturava traços humanos com traços animais e apresentava uma expressão de figura mitológica indeterminada e de grande impacto, dando origem à arte das carrancas.
Hoje, essa arte popularizou-se.
Podemos encontrar as carrancas não apenas nas proas das embarcações do São Francisco, como simples enfeite, mas tornou-se um disputado elemento de decoração e parte do acervo de museus nacionais e estrangeiros, sendo suas peças de grande valor de comercialização para turistas.
O artista que mais se destacou nessa arte foi Francisco Biquiba Dy Lafuente, o Francisco Guarany, pois foi o único artista carranqueiro que viveu exclusivamente da produção de carrancas.
(Fontes das imagens: http://www.fundaj.gov.br/)

(Neste vídeo, o Videomaker e Documentarista, André Fuly forma uma equipe e se embrenha no meio da caatinga no médio São Francisco entre as cidades de Juazeiro da Baiha e Petrolina em Pernambuco, para contar a arte e a história das "Carrancas" figuras de proa que povoam os barcos e as vidadas dos ribeirinhos e beradeiro do Velho Chico. - Fonte: Youtube).

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A realidade pouco conhecida da Caatinga

(Foto: CNRBCAA)

Sertão, terra rachada, sol a pino, povo sobrevivente. A imagem mais relacionada à Caatinga esconde uma realidade pouco conhecida. O único bioma exclusivamente brasileiro é também a região semiárida mais rica em biodiversidade do planeta. Os dados mais atuais indicam 932 espécies de plantas, 148 de mamíferos e 510 de aves, algumas exclusivas do bioma.
Ocupando 11% do território brasileiro, a Caatinga também apresenta grande potencial de uso sustentável de seus recursos naturais como madeiras, forrageiras, medicinais, fibras, resinas, borrachas, ceras, tonantes, oleaginosas, alimentícias, aromáticas, além de sítios arqueológicos e paisagens consideradas ideais para o ecoturismo.
Contudo, o semiárido brasileiro ainda é lembrado principalmente pela pobreza, com seus 1.482 municípios entre os mais pobres do país; pelo clima seco, com 95% da área do bioma em regiões suscetíveis à desertificação; pela ocupação humana desordenada, que começou nos tempos do Brasil colônia e que, hoje, abriga 27 milhões de pessoas, o semiárido mais habitado do mundo; e pela grande área – quase metade do bioma – alterada por desmatamentos e queimadas.
O ciclo do desmatamento na Caatinga começa nas pequenas propriedades – descapitalizadas e dependentes do carvão – e move as indústrias de gesso e cerâmica no Nordeste, bem como a de ferro gusa nas siderúrgicas do Centro-Sul. Os dados do desmatamento na Caatinga, segundo o inédito Projeto de Monitoramento do Desmatamento dos Biomas Brasileiros por Satélite, mostram que o bioma ainda possui 53% de vegetação remanescente (dados do período entre 2002 e 2008). Uma confirmação de que ainda é possível conservar e fazer o uso sustentável dos recursos naturais do semiárido brasileiro.
Uso sustentável da biodiversidade
Um dos instrumentos mais efetivos para a conservação da biodiversidade é a criação de unidades de conservação (UC), que na Caatinga não atingiu a meta de 10% do bioma estipulada pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e confirmada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio). Na Caatinga, são 144 UC que representam 7% da área total do bioma, mas apenas 1% das unidades é de proteção integral, que são as mais restritivas à intervenção humana. Os dados são do Mapa de Unidades de Conservação e Terras Indígenas da Caatinga, produzido em parceria entre Ministério do Meio Ambiente e The Nature Conservancy e publicado em 2008.
Por outro lado, o uso sustentável dos recursos naturais – outro dos princípios da CDB junto à conservação e à repartição justa e equitativa dos benefícios – apresenta grandes perspectivas no semiárido brasileiro. A Caatinga dispõe de modelos já testados e com bons resultados para o manejo agrosilvopastoril, a integração do uso sustentável de produtos madeireiros e não-madeireiros e o manejo da vegetação para pecuária e agricultura. A valorização dos produtos da sociobiodiversidade e a criação de mecanismos de financiamento de atividades sustentáveis, aliados à tecnologia sustentável e aos conhecimentos tradicionais, são outras possibilidades para modificar o perfil de uso da Caatinga.
Com grande potencial de energia de biomassa, o manejo florestal sustentável, com a recomposição da cobertura florestal, é também uma alternativa do ponto de vista econômico e ecológico para melhorar a qualidade de vida da população do semiárido. Com uso sustentável, árvores podem ser usadas tanto para fins madeireiros quanto para uso diversos, como alimentação e remédio. Alguns instrumentos disponíveis são o Macrozoneamento Ecológico-Econômico (MacroZEE) do Nordeste, o Programa Caatinga Sustentável e o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento da Caatinga.
(Fonte: Texto de Ana Flora Caminha / Edição: Gerusa Barbosa / MMA)
EcoDebate, 11/10/2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A Pedra do Cachorro é vistoriada para se transformar em Posto Avançado na Caatinga


Professora Pompéa Coelho realiza vistoria na Pedra do Cachorro

O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga - CERBCAA-PE, encaminhou no dia 26 de fevereiro de 2009, proposta de criação do primeiro Posto Avançado da reserva da Biosfera da Caatinga em Pernambuco à direção do Conselho Nacional da RBCAA. A entidade indicada foi a Reserva Particular do Patrimônio Natural Pedra do Cachorro (foto acima), no município de São Caetano, de propriedade do Senhor Raimundo Guaracy Cardoso. A RPPN Pedra do Cachorro recebeu este titulo em 2001 e desenvolve ações de preservação da natureza, educação ambiental e eco-turismo. A expectativa do Comitê é de que o CNRBCAA conceda o titulo de Posto Avançado, após a visita técnica da Professora Maria de Pompéia Coêlho a Pedra do Cachorro no último dia 07 de outubro (quinta-feira). Postos Avançados (PA) são centros, locais físicos ou instituições, contidos total ou parcialmente dentro do perímetro da RBCA, onde acontecem regularmente pelo menos duas das suas funções:· A proteção da biodiversidade,· O desenvolvimento sustentável, e· O conhecimento científico,servindo como instrumento para a implantação e difusão dos conceitos e princípios da RBCA. Os Postos Avançados da Reserva da Biosfera da Caatinga têm como característica:· Ser um centro ou Instituição, um local ou uma área, contida total ou parcialmente dentro do perímetro da RBCA.· Ser Instituição pública ou privada que desenvolva suas atividades há no mínimo dois anos.· Desenvolver regularmente, pelo menos duas das três funções básicas das Reservas da Biosfera: proteção da biodiversidade, desenvolvimento sustentável, e conhecimento científico.· Ser um instrumento de implantação da Reserva da Biosfera, no qual sejam experimentados e praticados os princípios das RB’s.· Possuir sede física onde serão disponibilizadas informações e documentação sobre a Reserva da Biosfera da Caatinga.

Leia mais em: Reserva Particular do Patrimônio Natural

sábado, 9 de outubro de 2010

Personagens da Caatinga: PADRE CÍCERO.



Padre Cícero (Eclesiástico e líder político brasileiro) - 24-3-1844, Crato (CE) - 20-7-1934, Juazeiro do Norte (CE). Cícero Romão Batista foi o mais polêmico dos padres do clero brasileiro. Banido oficialmente pela Igreja Romana, depois de adquirir fama de milagreiro, foi aceito e canonizado pela Igreja Popular e virou santo nos sertões nordestinos, tendo uma imensa legião de fiéis espalhados pelo Brasil. Ordenou-se sacerdote em 1870. Dois anos depois, radicava-se no pequeno povoado de Juazeiro do Norte, no Ceará, onde fundou uma igreja e passou a desenvolver intenso trabalho pastoral com pregação, conselhos e visitas domiciliares. Em 1889, durante uma comunhão, uma hóstia consagrada por ele sangrou na boca da beata Maria de Araújo. O fato, relacionado ao derramamento do sangue de Jesus Cristo, foi considerado pelo povo um milagre. As toalhas com as quais limpou a boca da beata ficaram manchadas de sangue e passaram a ser veneradas. Em pouco tempo, Juazeiro passou a ser alvo de peregrinação, aumentando dia a dia sua população. (Fonte: TV Diário e Diário do Nordeste).
Leia  abaixo os ensinamentos do Padre Cícero, que é o Padroeiro das Florestas:

Preceitos ecológicos do Padre Cícero:

"1 - Não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau;
2 - Não toque fogo no roçado nem na Caatinga;
3 - Não cace mais e deixe os bichos viverem;
4 - Não crie o boi nem o bode soltos, faça cercados e deixe o pasto descansar para se refazer;
5 - Não plante em serra acima, nem faça roçado em ladeira muito em pé, deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e não se perca a sua riqueza;
6 - Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar a água da chuva;
7 - Represe os riachos de 100 em 100 metros, ainda que seja com pedra solta;
8 - Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer, até que o sertão todo seja uma mata só;
9 - Aprenda a tirar proveito das plantas da Caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema, elas podem ajudar você a conviver com a seca;
10 - Se o sertanejo obedecer a estes preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá sempre o que comer;
11 - Mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão todo vai virar um deserto só".

A Universidade Federal Rural de Pernambuco e o Comitê Estadual celebram o Dia Nacional da Caatinga

Marcelo, Suassuna, Rita, Ednilza e Márcio (CERBCAA/PE) João Suassuna (Fundaj) Márcia Vanusa (UFPE) Francis Lacerda (IPA) e Jo...