terça-feira, 19 de outubro de 2010

Pernambuco ganha centro de referência em conservação da Caatinga

(Foto: José Leomar)

Considerado um dos biomas mais devastados pela ação do homem no Brasil, a Caatinga passa a contar com um grande aliado em sua conservação. A Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UAST) da UFRPE será a sede de um novo Centro de Referência em Recuperação de Áreas Degradadas (CR-ad), voltado para a realização de pesquisas e atividades de extensão sobre a Caatinga.
Os recursos para a construção do CR-ad Bioma Caatinga (R$ 1 milhão) foram liberados pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), em meados de agosto, após aprovação de projeto elaborado por equipe de 11 pesquisadores, dos quais dez são da própria UAST.
O CR-ad Bioma Caatinga contará com um herbário, dois laboratórios, banco de germoplasma; viveiro com capacidade de produção de até 60 mil mudas (a ser construído na Estação de Pesquisa de Parnamirim da UFRPE); viveiro-escola; veículo com tração a ser usado em pesquisas; caminhão para o transporte de mudas e uma van para a condução de passageiros. A compra de equipamentos e materiais do centro já se encontra em fase de licitação.
De acordo com o professor Martinho Carvalho, coordenador do projeto, o centro de referência tem a finalidade de estimular a comunidade local a proteger e recuperar a vegetação nativa da região. Acredita-se que 45% da Caatinga tenham perdido sua cobertura vegetal. Além disso, 15% são áreas desertificadas. O principal motivo dessa devastação é o desmatamento para a produção de carvão. A intenção é de que o centro se torne difusor e catalisador de iniciativas voltadas para a recuperação do bioma da Caatinga nas esferas públicas e privadas.
O coordenador do projeto afirma que, até relativamente pouco tempo atrás, a Caatinga era considerada um bioma pobre em espécies. Contudo, pesquisas recentes mostraram enorme diversidade biológica, com número expressivo de espécies desconhecidas pela Ciência. “A construção de centros como esse é de grande importância. Precisamos conhecer mais sobre as espécies, sua reprodução, e encontrar alternativas para a conservação desse bioma”, ressalta Martinho Carvalho.
Segundo o pesquisador da UFRPE, os principais eixos de atuação do CR-ad Bioma Caatinga incluem ações de reflorestamento, com a utilização de espécies nativas; formação de multiplicadores na produção de mudas; além de pesquisa nas áreas de germinação, controle de pragas de mudas e restauração da vegetação nativa, principalmente nas áreas de abrangência das bacias dos rios Pajeú, Brígida e Moxotó.
A ação antrópica degradante e o uso inadequado de seus recursos naturais têm gerado diversos problemas para o bioma caatinga, foco do projeto. A extinção de muitas espécies nativas, a erosão do solo, o assoreamento de rios, a desertificação e o empobrecimento das comunidades do entorno são alguns deles. Além desse centro, existem outros seis em funcionamento ao longo da Bacia do Rio São Francisco.
“Nossa intenção é realizar intercâmbio de pesquisas e experiências com todos esses centros, de modo a amadurecer as discussões e o conhecimento que se tem atualmente sobre a Caatinga nordestina”, frisa Martinho Carvalho.
O Ministério do Meio Ambiente, por meio do Programa Nacional de Florestas (PNF) e da Diretoria de Conservação da Biodiversidade (DCBio), dará apoio e acompanhará o desenvolvimento do projeto.
(Fonte: UFRPE - Informações: (87) 3831.2938, ramal 215, ou: martinhocarvalho@yahoo.com.br)

domingo, 17 de outubro de 2010

Histórias de Vida e Cidadania no Semiárido



Vídeo e revista sobre políticas públicas no Semiárido serão lançados nesta segunda, a partir das 18h, no Cinema da Fundação (Derby). O especial Histórias de Vida e Cidadania no Semiárido, realizado pela ONG Diaconia, trata de ações voltadas ao acesso à água potável, à segurança alimentar, ao saneamento e à conservação do meio ambiente. As produções foram realizadas em parceria com a Tearfund e União Européia e contam com o apoio da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), na realização do lançamento.
Em foco, nove municípios que integram projeto focado na segurança alimentar, renda e inclusão social desenvolvido pela Diaconia. A ação beneficia 560 famílias, com o desenvolvimento de tecnologias adaptadas ao Semiárido com o objetivo de erradicar a pobreza. Foram construídas 300 cisternas para o armazenamento de água, consumo familiar e produção de alimentos, implantadas três unidades de beneficiamento de frutas, 30 viveiros e mais de 150 mil mudas para a plantação de árvores forrageiras, frutíferas e espécies nativas.
Dados publicados na revista apontam que o Estado do Rio Grande do Norte, localizado no Semiárido nordestino, é uma área marcada pelos altos índices de exclusão, onde a população rural sofre com a dificuldade de acesso à água e à segurança alimentar. Ainda segundo dados do Unicef, a falta de água tem forte repercussão na vida das crianças e adolescentes, sobretudo na saúde, devido às precárias condições sanitárias: 38,47% das casas onde residem crianças e adolescentes não têm rede geral, fossa séptica ou rudimentar.

sábado, 16 de outubro de 2010

Personagens da Caatinga: CARRANQUEIROS DO SÃO FRANCISCO.



As carrancas são manifestações genuínas da arte popular brasileira que desenvolveu-se na região do rio São Francisco, por artistas populares denominados carranqueiros.
Pensando em criar uma identidade própria para as embarcações que navegavam pelo rio São Francisco, artistas esculpiam enfeites de proa. Esses elementos de decoração sempre representavam uma escultura de cabeça e pescoço de alguma figura, que misturava traços humanos com traços animais e apresentava uma expressão de figura mitológica indeterminada e de grande impacto, dando origem à arte das carrancas.
Hoje, essa arte popularizou-se.
Podemos encontrar as carrancas não apenas nas proas das embarcações do São Francisco, como simples enfeite, mas tornou-se um disputado elemento de decoração e parte do acervo de museus nacionais e estrangeiros, sendo suas peças de grande valor de comercialização para turistas.
O artista que mais se destacou nessa arte foi Francisco Biquiba Dy Lafuente, o Francisco Guarany, pois foi o único artista carranqueiro que viveu exclusivamente da produção de carrancas.
(Fontes das imagens: http://www.fundaj.gov.br/)

(Neste vídeo, o Videomaker e Documentarista, André Fuly forma uma equipe e se embrenha no meio da caatinga no médio São Francisco entre as cidades de Juazeiro da Baiha e Petrolina em Pernambuco, para contar a arte e a história das "Carrancas" figuras de proa que povoam os barcos e as vidadas dos ribeirinhos e beradeiro do Velho Chico. - Fonte: Youtube).

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A realidade pouco conhecida da Caatinga

(Foto: CNRBCAA)

Sertão, terra rachada, sol a pino, povo sobrevivente. A imagem mais relacionada à Caatinga esconde uma realidade pouco conhecida. O único bioma exclusivamente brasileiro é também a região semiárida mais rica em biodiversidade do planeta. Os dados mais atuais indicam 932 espécies de plantas, 148 de mamíferos e 510 de aves, algumas exclusivas do bioma.
Ocupando 11% do território brasileiro, a Caatinga também apresenta grande potencial de uso sustentável de seus recursos naturais como madeiras, forrageiras, medicinais, fibras, resinas, borrachas, ceras, tonantes, oleaginosas, alimentícias, aromáticas, além de sítios arqueológicos e paisagens consideradas ideais para o ecoturismo.
Contudo, o semiárido brasileiro ainda é lembrado principalmente pela pobreza, com seus 1.482 municípios entre os mais pobres do país; pelo clima seco, com 95% da área do bioma em regiões suscetíveis à desertificação; pela ocupação humana desordenada, que começou nos tempos do Brasil colônia e que, hoje, abriga 27 milhões de pessoas, o semiárido mais habitado do mundo; e pela grande área – quase metade do bioma – alterada por desmatamentos e queimadas.
O ciclo do desmatamento na Caatinga começa nas pequenas propriedades – descapitalizadas e dependentes do carvão – e move as indústrias de gesso e cerâmica no Nordeste, bem como a de ferro gusa nas siderúrgicas do Centro-Sul. Os dados do desmatamento na Caatinga, segundo o inédito Projeto de Monitoramento do Desmatamento dos Biomas Brasileiros por Satélite, mostram que o bioma ainda possui 53% de vegetação remanescente (dados do período entre 2002 e 2008). Uma confirmação de que ainda é possível conservar e fazer o uso sustentável dos recursos naturais do semiárido brasileiro.
Uso sustentável da biodiversidade
Um dos instrumentos mais efetivos para a conservação da biodiversidade é a criação de unidades de conservação (UC), que na Caatinga não atingiu a meta de 10% do bioma estipulada pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e confirmada pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio). Na Caatinga, são 144 UC que representam 7% da área total do bioma, mas apenas 1% das unidades é de proteção integral, que são as mais restritivas à intervenção humana. Os dados são do Mapa de Unidades de Conservação e Terras Indígenas da Caatinga, produzido em parceria entre Ministério do Meio Ambiente e The Nature Conservancy e publicado em 2008.
Por outro lado, o uso sustentável dos recursos naturais – outro dos princípios da CDB junto à conservação e à repartição justa e equitativa dos benefícios – apresenta grandes perspectivas no semiárido brasileiro. A Caatinga dispõe de modelos já testados e com bons resultados para o manejo agrosilvopastoril, a integração do uso sustentável de produtos madeireiros e não-madeireiros e o manejo da vegetação para pecuária e agricultura. A valorização dos produtos da sociobiodiversidade e a criação de mecanismos de financiamento de atividades sustentáveis, aliados à tecnologia sustentável e aos conhecimentos tradicionais, são outras possibilidades para modificar o perfil de uso da Caatinga.
Com grande potencial de energia de biomassa, o manejo florestal sustentável, com a recomposição da cobertura florestal, é também uma alternativa do ponto de vista econômico e ecológico para melhorar a qualidade de vida da população do semiárido. Com uso sustentável, árvores podem ser usadas tanto para fins madeireiros quanto para uso diversos, como alimentação e remédio. Alguns instrumentos disponíveis são o Macrozoneamento Ecológico-Econômico (MacroZEE) do Nordeste, o Programa Caatinga Sustentável e o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento da Caatinga.
(Fonte: Texto de Ana Flora Caminha / Edição: Gerusa Barbosa / MMA)
EcoDebate, 11/10/2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A Pedra do Cachorro é vistoriada para se transformar em Posto Avançado na Caatinga


Professora Pompéa Coelho realiza vistoria na Pedra do Cachorro

O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga - CERBCAA-PE, encaminhou no dia 26 de fevereiro de 2009, proposta de criação do primeiro Posto Avançado da reserva da Biosfera da Caatinga em Pernambuco à direção do Conselho Nacional da RBCAA. A entidade indicada foi a Reserva Particular do Patrimônio Natural Pedra do Cachorro (foto acima), no município de São Caetano, de propriedade do Senhor Raimundo Guaracy Cardoso. A RPPN Pedra do Cachorro recebeu este titulo em 2001 e desenvolve ações de preservação da natureza, educação ambiental e eco-turismo. A expectativa do Comitê é de que o CNRBCAA conceda o titulo de Posto Avançado, após a visita técnica da Professora Maria de Pompéia Coêlho a Pedra do Cachorro no último dia 07 de outubro (quinta-feira). Postos Avançados (PA) são centros, locais físicos ou instituições, contidos total ou parcialmente dentro do perímetro da RBCA, onde acontecem regularmente pelo menos duas das suas funções:· A proteção da biodiversidade,· O desenvolvimento sustentável, e· O conhecimento científico,servindo como instrumento para a implantação e difusão dos conceitos e princípios da RBCA. Os Postos Avançados da Reserva da Biosfera da Caatinga têm como característica:· Ser um centro ou Instituição, um local ou uma área, contida total ou parcialmente dentro do perímetro da RBCA.· Ser Instituição pública ou privada que desenvolva suas atividades há no mínimo dois anos.· Desenvolver regularmente, pelo menos duas das três funções básicas das Reservas da Biosfera: proteção da biodiversidade, desenvolvimento sustentável, e conhecimento científico.· Ser um instrumento de implantação da Reserva da Biosfera, no qual sejam experimentados e praticados os princípios das RB’s.· Possuir sede física onde serão disponibilizadas informações e documentação sobre a Reserva da Biosfera da Caatinga.

Leia mais em: Reserva Particular do Patrimônio Natural

sábado, 9 de outubro de 2010

Personagens da Caatinga: PADRE CÍCERO.



Padre Cícero (Eclesiástico e líder político brasileiro) - 24-3-1844, Crato (CE) - 20-7-1934, Juazeiro do Norte (CE). Cícero Romão Batista foi o mais polêmico dos padres do clero brasileiro. Banido oficialmente pela Igreja Romana, depois de adquirir fama de milagreiro, foi aceito e canonizado pela Igreja Popular e virou santo nos sertões nordestinos, tendo uma imensa legião de fiéis espalhados pelo Brasil. Ordenou-se sacerdote em 1870. Dois anos depois, radicava-se no pequeno povoado de Juazeiro do Norte, no Ceará, onde fundou uma igreja e passou a desenvolver intenso trabalho pastoral com pregação, conselhos e visitas domiciliares. Em 1889, durante uma comunhão, uma hóstia consagrada por ele sangrou na boca da beata Maria de Araújo. O fato, relacionado ao derramamento do sangue de Jesus Cristo, foi considerado pelo povo um milagre. As toalhas com as quais limpou a boca da beata ficaram manchadas de sangue e passaram a ser veneradas. Em pouco tempo, Juazeiro passou a ser alvo de peregrinação, aumentando dia a dia sua população. (Fonte: TV Diário e Diário do Nordeste).
Leia  abaixo os ensinamentos do Padre Cícero, que é o Padroeiro das Florestas:

Preceitos ecológicos do Padre Cícero:

"1 - Não derrube o mato, nem mesmo um só pé de pau;
2 - Não toque fogo no roçado nem na Caatinga;
3 - Não cace mais e deixe os bichos viverem;
4 - Não crie o boi nem o bode soltos, faça cercados e deixe o pasto descansar para se refazer;
5 - Não plante em serra acima, nem faça roçado em ladeira muito em pé, deixe o mato protegendo a terra para que a água não a arraste e não se perca a sua riqueza;
6 - Faça uma cisterna no oitão de sua casa para guardar a água da chuva;
7 - Represe os riachos de 100 em 100 metros, ainda que seja com pedra solta;
8 - Plante cada dia pelo menos um pé de algaroba, de caju, de sabiá ou outra árvore qualquer, até que o sertão todo seja uma mata só;
9 - Aprenda a tirar proveito das plantas da Caatinga, como a maniçoba, a favela e a jurema, elas podem ajudar você a conviver com a seca;
10 - Se o sertanejo obedecer a estes preceitos, a seca vai aos poucos se acabando, o gado melhorando e o povo terá sempre o que comer;
11 - Mas, se não obedecer, dentro de pouco tempo o sertão todo vai virar um deserto só".

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A Caatinga pede socorro.



Hoje reconhecidamente um dos biomas mais ricos do Brasil, a caatinga do semiárido nordestino é também o menos protegido: só 2% de sua área se encontram em unidades de preservação.
Das 5.344 espécies de plantas registradas na região, cerca de 320 são endêmicas - ou seja, restritas somente àquele bioma.
O lembrete foi feito na 62ª reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), realizada em julho último em Natal, no Rio Grande do Norte.
Os biólogos Maria Regina Vasconcellos, da Universidade Federal da Paraíba; Ana Maria Harley, da Universidade Federal do Espírito Santo; e Miguel Rodrigues, da Universidade de São Paulo, apresentaram dados de pesquisas para explicar a biodiversidade - especialmente botânica - das caatingas brasileiras e mostrar por que elas devem ser preservadas.
Pelo fato de a caatinga ter condições climáticas muito particulares - como chuvas irregulares -, as espécies botânicas adaptadas ao semiárido também são muito características. Suas árvores são em grande parte caducifólias, ou seja, suas folhas caem durante o período seco para evitar a perda de água.
A família mais presente na caatinga é a de plantas leguminosas. "São 320 espécies divididas em 86 gêneros", aponta Harley.
Considerada até o final dos anos 1980 um bioma de pouca biodiversidade, a caatinga tem hoje 45% de sua área alterados pelo homem, segundo Vasconcellos. "Esse reconhecimento tardio de sua riqueza natural, aliado a um índice ainda baixo de preservação, gera perda de diversidade biológica e também fenômenos como a desertificação", alerta a bióloga.

Desmatamento - Atividades que mais impactam o bioma da caatinga são o desmatamento (para lenha), queimadas e a criação de caprinos, que colaboram para o desaparecimento de espécies herbáceas, elemento de maior diversidade biológica da região. Grande parte dessas plantas aparece apenas durante os dois ou três meses de chuva, o que revela sua fragilidade naquele bioma.
Para conter essa rápida devastação, Vasconcellos sugere um trabalho nas escolas focado na valorização da caatinga. " Também temos tentado fazer valer a proteção ambiental nas RPPN (Reservas Particulares do Patrimônio Natural), uma vez que a maior parte da área da caatinga está localizada em fazendas e sítios", comenta.

A Universidade Federal Rural de Pernambuco e o Comitê Estadual celebram o Dia Nacional da Caatinga

Marcelo, Suassuna, Rita, Ednilza e Márcio (CERBCAA/PE) João Suassuna (Fundaj) Márcia Vanusa (UFPE) Francis Lacerda (IPA) e Jo...