domingo, 7 de fevereiro de 2010

RESERVA DA BIOSFERA E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO NA CAATINGA


Foto: Pedra do Cachorro - S.Caetano (PE)

Por Elcio Alves de Barros

A "Conferência sobre a Biosfera" organizada pela UNESCO em 1968, foi a primeira reunião intergovernamental a tentar reconciliar a conservação e o uso dos recursos naturais, fundando o conceito presente de desenvolvimento sustentável.
Em 1970, a UNESCO lançou, o "Programa Homem e Biosfera", com o objectivo de organizar uma rede de áreas protegidas, designadas Reservas da Biosfera, que representam os diferentes ecossistemas do nosso planeta e cujos países proponentes se responsabilizam em manter e desenvolver.
Existem mais de 400 Reservas da Biosfera em todo planeta. Cada Reserva da Biosfera é uma coleção representativa dos ecossistemas característicos da região em que se estabelece.

As reservas da biosfera possuem três funções básicas:

• conservação das paisagens, ecossistemas e espécies;

• desenvolvimento econômico e humano que seja cultural, social e ecologicamente sustentável;

• logística, que dê suporte para pesquisas, monitoramento e educação.

A estrutura das reservas da biosfera pressupõe a existência de três áreas geograficamente delimitadas:

Uma Zona Núcleo - constituída por áreas representativas do ecossistema em que está inserida e reconhecida e protegida legalmente, as Unidades de Conservação.

Uma Zona de Amortecimento – área contígua a Zona Núcleo onde são permitidas apenas atividades compatíveis com os objetivos da Unidade de Conservação que é a Zona Núcleo.

Uma Zona de Transição – onde apenas atividades que promovam o desenvolvimento sustentável são incentivadas.

A Caatinga é o único bioma exclusivo do Brasil e compreende uma área de aproximadamente 11% do território nacional (IBGE, 1993). Ocupa, principalmente, a região Nordeste do Brasil, além da porção norte do Estado de Minas Gerais. Pode ser caracterizada pela vegetação do tipo savana estépica, pela longa estação seca e pela irregularidade pluviométrica com precipitação anual média variando, aproximadamente, entre 400 e 600 mm que contribuem para que os rios da região, em sua maioria, sejam intermitentes e sazonais.
Mesmo sendo uma região semi-árida, a Caatinga é extremamente heterogênea, sendo reconhecidas 12 tipologias que despertam atenção especial pelos exemplos fascinantes e variados de adaptação aos habitats semi-áridos.
Essa posição única entre os biomas brasileiros não foi suficiente para garantir à Caatinga o destaque merecido. Ao contrário, o Bioma tem sido sempre colocado em segundo plano quando se discute políticas para o estudo e a conservação da biodiversidade do país, como pode ser observado pelo número reduzido de unidades de conservação Além disso, é também um dos biomas mais ameaçados e alterados pela ação antrópica, principalmente o desmatamento, apresentando extensas áreas degradadas e solos sob intenso processo de desertificação.
Apesar de várias espécies terem sido descritas na região, a Caatinga é ainda pouco conhecida do ponto de vista científico, a maioria das nossas universidades e institutos de pesquisas concentram suas ações e seus estudos na zona da mata e no litoral. A expectativa é que nos próximos anos esta situação mude com a interiorização das universidades federais que em Pernambuco já chegaram a Petrolina, Serra Talhada, Caruaru e Garanhuns todas cidades localizadas na Caatinga. Também, espera-se que a universidade publica estadual - UPE crie novos campi no interior.
Promover a conservação da biodiversidade da Caatinga não é uma ação simples. Grandes obstáculos precisam ser superados. O primeiro deles é a pouca importância nos planos de desenvolvimento dos governos dada à questão ambiental.
Nestes planos a qualidade de vida da população interiorana não está vinculada a questão ambiental. Os órgãos governamentais não dispõem de um sistema que fiscalize e controle o desmatamento satisfatoriamente. Tampouco desenvolvem ações de educação ambiental voltada para a população rural e os jovens em idade escolar. Os livros didáticos utilizados nas escolas de primeiro e segundo grau pedem que os estudantes façam pesquisas sobre a mata atlântica. Sobre a Caatinga nenhuma palavra. Este conjunto de fatores contribui cada vez mais com a destruição de recursos biológicos
Menos de 4% da área da Caatinga está protegida em unidades de conservação. Se considerarmos apenas as UCs de proteção integral o percentual é menor que 1%. As terras indígenas, que são também importantes para manter a biodiversidade, ocupam, também, menos de 1% da área da região. As unidades de conservação além de cobrirem apenas uma pequena extensão da região da Caatinga, não representam bem a biodiversidade endêmica e ameaçada de extinção do bioma. A combinação de falta de proteção e de perda contínua de recursos biológicos contribui para a extinção de espécies exclusivas da Caatinga.
Se não tivermos Unidade de Conservação na Caatinga, não teremos Reserva da Biosfera da Caatinga como pressupõe o modelo apresentado no inicio.
Acredito que no momento atual marcado por um processo de mudança climática produzida pelas atividades humanas não existem argumentos que racionalmente se oponham a criação de novas unidades de conservação. Apenas argumentos econômicos se opôem a esta idéia e apenas critérios econômicos estão superados não preenchem os requisitos para o desenvolvimento sustentável.
Por isto, o objetivo principal do CERBCAA/PE é lutar para aumentar a área de Caatinga protegida em nosso Estado. Sabemos que só criar Ucs não é suficiente para alcançarmos o desenvolvimento sustentável. Outros instrumentos são necessários nessa caminhada em busca do equilíbrio ecológico e da qualidade de vida da população caatingueira. É apenas o primeiro passo de uma longa caminhada que precisa ser iniciada.


* Engenheiro Agrônomo, coordenador geral do CERBCAA/PE.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Seminário discute pacto para enfrentamento da desertificação e políticas públicas para a Caatinga.




Semiárido brasileiro ocupa quase 1 milhão de terras.  Abrangendo 1.133 mil municípios dos estados nordestinos,
além de porção do Espírito Santo e Minas Gerais, semiárido brasileiro é habitado por cerca de 22 milhões de brasileiros.

O fortalecimento da política institucional de combate à desertificação e a intensificação do diálogo entre os órgãos e a sociedade marcaram os discursos de abertura, na noite desta quarta-feira (3/2), da reunião preparatória de Campina Grande, na Paraíba, que discute a construção de um pacto para o semiárido brasileiro. As propostas que estão em debate no município campinense serão levadas para o grande encontro nacional de enfrentamento da desertificação (I Ened), em março, nas cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). Os participantes enfatizaram a necessidade de comprometimento dos setores governamentais e da sociedade civil com a agenda da desertificação.
O secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável, Egon Krachecke, chamou a atenção da plateia, representada por autoridades dos governos federal, estaduais e municipais, e representantes da sociedade civil e da igreja, para o problema, lembrando que o Ministério do Meio Ambiente trabalha fortemente para avançar na política institucional de combate à desertificação e para o desenvolvimento sustentável do semiárido, bem como para alavancar o PAN-Brasil, documento que orienta as ações nacionais de combate à desertificação. Precisamos articular e integrar a agenda das ações do governo federal com a dos estados, setores produtivos e da sociedade civil , reforçou.
O secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, Silvano Silvério, representando o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que o compromisso do encontro de Campina Grande é definir ações concretas de diálogo entre os órgãos regionais e federal para as políticas públicas voltadas ao semiárido, região que será sofrerá com as mudanças climáticas. Estudos já indicam, segundo ele, redução do nível da água dos açudes, aumento do nível do mar, perda da vegetação da caatinga. Segundo ele, as leis sancionadas pelo presidente Lula, em dezembro de 2009: Fundo Clima e Política Nacional de Mudança Climática, serão importantes para criar instrumentos legais para mitigar os efeitos do clima, como redução de gases estufa.
Ele citou os programas do MMA, como o de revitalização da bacia do São Francisco, que prevê controle de erosões, recuperação de matas ciliares; o Água Doce, que permite o acesso à agua com qualidade para população do semiárido nordestino; e o Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), que após quatro anos de seu lançamento, está em consulta pública para revisão.
A diretora do Departamento de Mudanças Climáticas do MMA, Branca Americano, falou, em sua palestra, sobre os compromissos assumidos pelo Brasil na Convenção do Clima, em Copenhagen, na Dinamarca, cujo papel foi de protagonista. Ela lembrou as duas leis sancionadas pelo presidente Lula no ano passado, que vão apoiar projetos de ações de mitigação e adaptação dos efeitos das alterações do clima. Do total de R$1 bilhão de reais dos recursos do Fundo, vindos de fontes do petróleo, a ideia é aportar cerca de R$ 400 a R$500 milhões (quase metade) para programas de adaptação no semiárido. A expectativa, segundo Branca, é de que a Política Nacional de Mudança Climática seja regulamentada ainda este ano, para que se possa garantir a definição de estratégias de ação.

Políticas Públicas para a Caatinga

Na manhã desta quinta-feira (4/2), a secretária de Biodiversidade e Florestas do MMA, Maria Cecília Wey de Brito, destacou no painel sobre políticas públicas gerais, o trabalho do Núcleo Caatinga no desenvolvimento de ações para o semiárido. Segundo ela, o tratamento no MMA dado à Caatinga, não é diferente dos demais biomas, como Amazônia, Cerrado, lembrando que 2010 é o ano da Biodiversidade, presença de vida em todos os biomas, seja fauna, flora, entre outros, sendo a caatinga o mais rico em diversidade biológica. Ela informou que em abril, durante as comemorações do Dia Nacional da Caatinga, o MMA deverá lançar o primeiro monitoramento dos dados oficiais de controle e desmatamento da caatinga, assim como é feito na Amazônia e no Cerrado.
A secretária lembrou que a Caatinga é o único bioma inteiramete brasileiro, e mesmo assim ainda não é reconhecido como patrimônio natural. Ela pediu apoio dos parlamentares e mobilização dos presentes para que a matéria seja aprovada pelo Congresso.
O encontro de Campina Grande segue até amanhã, 6/2, no Garden Hotel,em Campina Grande (PB).
(Fonte: Amarnatureza - Gerusa Barbosa - Assessora de Comunicação do MMA)
Leia também: Semiárido brasileiro ocupa quase 1 milhão de terras

Enquanto isso, o Sertão está cada vez mais seco...confira o vídeo abaixo.

Arara da caatinga pernambucana ameaçada de extinção é novo morador de parque zoobotânico em Petrolina


Imagem mostra arara-canindé, espécie que passa a
habitar o zoo de Petrolina - (Foto arquivo JC)


As instalações do parque zoobotânico do 72o Batalhão de Infantaria Motorizado (72 BI Mtz) em Petrolina, Sertão do Estado, contam agora com mais um morador: trata-se de um filhote de arara-canindé, também conhecida como arara de barriga amarela, uma espécie ameaçada de extinção. Agora, são cinco aves desta espécie na unidade militar que fica no sertão pernambucano. De acordo com informações do setor de Relações Públicas do 72 BI, o nome da nova arara-canindé deverá ser escolhido através de enquete junto à população. A arara-canindé chega a medir até 90 centímetros e se caracteriza por ter uma plumagem azul nas asas e amarelo na parte do ventre. Costumam voar aos pares ou em grupos e quando chegam na época reprodutiva formam casais que ficam juntos durante toda a vida.
O parque zoobotânico do 72 BIMTz foi implantado há três anos e abriga espécies animais e vegetais nativos do bioma caatinga. São 22 cativeiros com cerca de 25 espécies de mamíferos, aves e répteis. Os animais são encaminhados à unidade militar após apreensões feitas por órgãos como Ibama, Corpo de Bombeiros, Polícias Militar e Federal.
A proposta do parque zoobotânico é preservar espécies ameaçadas de extinção, bem como fomentar uma atividade de educação sócio-ambiental junto a diversos segmentos da sociedade. A visitação pública acontece diariamente nos turnos da manhã ( 8h às 11h) e tarde ( 14h às 17h).
(Fonte: Roseane Albuquerque - Do Núcleo SJCC/Petrolina)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Onça-pintada é ameaçada na Caatinga


Há 356 animais no bioma, mas só metade em idade reprodutiva;
Mata Atlântica também tem situação crítica (Foto:br.viarural.com/.../default.htm).


Por Afra Balazina

A região da Chapada Diamantina, Bahia, pode ficar sem onças-pintadas em um prazo de nove anos e meio. Já para a área de Bom Jesus da Lapa, no mesmo Estado, o prognóstico é ainda pior: a extinção da espécie pode ocorrer em aproximadamente três anos. Para evitar um destino trágico, é preciso proteger mais áreas e tentar conectar, por meio de corredores ecológicos (ligação entre áreas de uso menos intensivo para garantir a sobrevivência da espécie), os grupos que hoje estão isolados.
Os dados são do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), órgão ligado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente. O Cenap avalia que a onça-pintada (Panthera onca) está criticamente ameaçada na Caatinga.
A estimativa, segundo o analista ambiental do Cenap Rogerio Cunha de Paula, é que existam no bioma 356 animais, divididos em cinco áreas. Desse total, apenas cerca da metade está em idade reprodutiva (descontam-se os animais mais jovens e os muito velhos). Dessa forma, o número restante, 178, deixa a espécie em situação crítica - um dos critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, sigla em inglês) para a classificação é haver menos de 250 animais.
Outra analista ambiental do Cenap, Beatriz Beisiegel afirma que a situação na Mata Atlântica também é extremamente grave. De acordo com ela, uma estimativa preliminar, baseada em informações de diversos pesquisadores, indica a existência de "170 indivíduos maduros" no bioma.
Ela conta que é muito difícil encontrar vestígios do animal e mais raro ainda vê-lo.
Os estudos confirmam que a população de onças-pintadas vem caindo a cada ano. Entre as ameaças tanto na Caatinga quanto na Mata Atlântica estão a alteração e a perda de hábitat, provocadas pelo desmatamento, e a falta de alimento (as chamadas presas). Na Caatinga, diz de Paula, parte da população se alimenta de tatus e porcos-do-mato e acaba ocorrendo uma competição pelas presas. Também faltam matas contínuas para garantir a sobrevivência da onça-pintada. Outro conflito é que, ao matar rebanhos, elas podem incomodar fazendeiros e serem perseguidas.
Na lista vermelha da IUCN, a onça-pintada aparece como "quase ameaçada". Pelo Ibama, ela é considerada "vulnerável". Isso porque sua situação é melhor em outros biomas e regiões. Dentro do Brasil, o quadro está mais tranquilo no Pantanal e na Amazônia. É por isso que Leandro Silveira, presidente do Instituto Onça-Pintada, defende ações regionalizadas. "Cada bioma tem um problema diferente."
A onça, explica, é uma espécie guarda-chuva. Ao fazer um esforço para sua preservação, várias outras espécies que estão no mesmo ecossistema se beneficiam. Ele acredita que o melhor é investir na Amazônia, que tem grandes áreas intocadas, para garantir a sobrevivência do animal.
De acordo com ele, o custo de tentar reestruturar a população na Mata Atlântica é proibitivo. "É caro e há o risco de não funcionar. O melhor é investir em ações onde é mais viável manter os animais", afirma. Já a Caatinga, segundo ele, precisa de investimento imediato. "Ou se faz algo agora ou é melhor esquecer", diz.
le cita a Serra Vermelha, no Piauí, área onde uma empresa pretende produzir carvão a partir da floresta. Uma onça já foi fotografada na área. "É o último grande pedaço de Caatinga intacto e deve mantido."

METAS E AÇÕES

No fim do ano passado, o Cenap organizou um workshop em Atibaia, interior de São Paulo, sobre a conservação da onça-pintada, em parceria com o Instituto Pró-Carnívoros e a ONG americana Panthera.
Durante o encontro foram definidas metas e modo de atuação para o Plano de Ação Nacional da Onça-Pintada. Também foi produzido um mapa das áreas prioritárias para a conservação. O material deverá ser editado até o meio deste ano.
"Uma solução para proteger a onça-pintada é trabalhar na criação de novas unidades de conservação (como parques) e de corredores de conexão entre as já existentes para permitir a comunicação entre as populações isoladas", afirma de Paula.
O Cenap luta pela criação do Parque Nacional Boqueirão da Onça, na Bahia. A área é a segunda em maior número de animais na Caatinga. E os corredores entre os parques da região são importantes para facilitar o fluxo genético entre populações, aumentando assim a chance de sobrevivência da espécie no longo prazo.
Já o presidente do Instituto Onça-Pintada tem uma ideia alternativa: pagar uma compensação para fazendeiros que perdem gado para as onças. Assim, eles deixariam de matá-las. Silveira estima que pelo menos 200 onças sejam mortas ao ano por conta desse conflito. Já foi feito um projeto-piloto de compensação por dois anos, entre 2004 e 2006, e o resultado foi positivo. "Temos de ser realistas. É uma questão prática."
(Fonte: Estadão)

Vegetação espinhosa preserva onça-pintada no Nordeste. Felino vive na região da Caatinga protegido por espinhos e galhos secos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Comitê da Caatinga se reúne com a Direção da CPRH


Dando continuidade as ações estabelecidas pelo Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga - CERBCAA/PE para o corrente ano, no último dia 28.01 (quinta-feira) estivemos reunidos com a diretoria da CPRH- Agência Estadual de Meio Ambiente, através de seu Diretor-Presidente Hélio Gurgel, a Diretora de Recursos Florestais e Biodiversidade, Maria Lúcia Costa Lima e  o Diretor de Controle de Fontes Poluidoras,  Waldecy Ferreira Farias Filho. O CERBCAA/PE foi representado por Elcio Barros (Coordenador Geral), Guaraci Cardoso (Vice-coordenador) e Marcelo Teixeira (Secretário Executivo).
A reunião tratou da criação de unidades de conservação na caatinga Pernambucana.
Inicialmente foi entregue à CPRH uma relação de propriedades, e seus respectivos proprietários, totalizando uma área de 5.247,50 ha, na Serra da Canoa, município de Floresta (PE), para criação de uma unidade de conservação na bacia do Rio São Francisco como compensação ambiental de projetos da CODEVASF.
O CERBCAA/PE foi contactado pela CPRH no inicio deste ano e através das ongs EMA e SOS Caatinga, participantes do nosso Comitê, logo identificamos esta área. A CPRH está analisando outras áreas e incluiu esta também para levantamento por parte de sua equipe técnica.
Continuando a reunião, tratamos da criação das UCs de Serra Talhada e São Caetano, ficando acertado que até a realização da primeira reunião do CERBCAA/PE este ano, provavelmente na última quarta-feira de fevereiro, técnicos da CPRH visitarão as áreas indicadas em companhia de membros do Comitê e então, conjuntamente, definiremos os próximos passos para viabilização destas UCs propostas pelo CERBCAA/PE.
Ao final da reunião, solicitamos ao Dr. Hélio Gurgel, que é também o Secretário Executivo, a  participação do CERBCAA/PE como membro do CONSEMA - Conselho Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco.
Dr. Hélio Gurgel, ficou de analisar o regimento do Conselho para definir se é possivel e colocou-se mais uma vez à disposição do nosso Comitê e, como temos reinvindicado, levantou a possibilidade de utilização de recursos da câmara de compensação ambiental para criação de UCs na Caatinga.
(Fotos: Guaraci Cardoso)

Cerrado e Caatinga poderão ser reconhecidos como patrimônio nacional.


Os biomas do Cerrado e da Caatinga poderão ser reconhecidos como patrimônio nacional. Foi incluída na ordem do dia a proposta de emenda à Constituição (PEC 51/03) que lista esses dois biomas junto à Floresta Amazônica, a Mata Atlântica e o Pantanal Mato-Grossense, na relação de biomas protegidos e cuja exploração se dará dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente e a melhoria de qualidade de vida da população.
O autor da PEC, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), salientou na justificação da matéria que pretendeu corrigir uma falha da Constituição, "que carece de justificativa científica e, certamente, resulta da restrita divulgação da importância dessas formações vegetais".
- A importância do Cerrado decorre não só do fato de ocupar cerca de um quarto do território nacional mas, principalmente, de englobar ampla variedade de ecossistemas e elevada diversidade biológica, que se manifesta tanto na flora quanto na fauna. A baixa prioridade concedida à conservação desse ecossistema é evidenciada pelo insignificante percentual de áreas protegidas na forma de unidades de conservação - alertou.
Em relação à Caatinga, Demóstenes disse que, além de ocupar cerca de 850 mil quilômetros quadrados no semi-árido nordestino, esse bioma é o mais severamente devastado pela ação do homem. O senador ainda observou que a Caatinga não se constitui uma formação homogênea, ao contrário, abriga uma grande diversidade biológica e, apesar disso, não existem unidades de conservação na área.
(Fonte: Ricardo Icassatti / Agência Senado)
Leia mais em: Líder do PV: Governo pode ‘rifar’ meio ambiente para aprovar pré-sal

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Descoberta arqueológica em Pernambuco tem conexão com pegadas de dinossauros da PB


Foto: Allan Patrick/Creative Commons/Reprodução

Um sítio arqueológico com fragmentos cerâmicos e gravuras rupestres foi encontrado em um canteiro de obras da transposição das águas do rio São Francisco, em Custódia (que fica a 350 km de Recife).

Os vestígios, que podem ter 9.000 anos, foram achados em uma região de caatinga conhecida por Lage das Onças, no lote 10 da obra, a 40 km da cidade.
A descoberta surpreendeu especialistas também por sua conexão com outra região brasileira, a Paraíba, onde há pegadas de dinossauros. A área em Pernambuco abriga ainda ruínas de um engenho e até cartuchos de fuzil que podem ter ligação com o cangaço.
As gravuras, talhadas em pedra, não se assemelham à forma humana ou animal. Segundo os arqueólogos, os desenhos são de "grafismos puros", que nada representam da vida real.
Os fragmentos cerâmicos foram encontrados a aproximadamente cem metros de distância das gravuras, no exato local onde passará o canal do eixo leste da transposição.
A descoberta paralisou os trabalhos de terraplenagem numa área de aproximadamente 20 mil metros quadrados. Os tratores se afastaram e todo o trabalho precisou ser suspenso para que os arqueólogos pudessem resgatar as peças e iniciar o trabalho de avaliação do valor histórico do sítio e dos vestígios encontrados.
Segundo o Ministério da Integração Nacional, após o recolhimento dos fragmentos, a passagem das máquinas pelo local será retomada. Esse trabalho será monitorado pelos pesquisadores, para evitar que eventuais vestígios não recolhidos sejam destruídos é um trabalho de monitoramento que pode levar vários meses.
O sítio de gravuras rupestres não será afetado pela obra, dizem os arqueólogos. As pedras algumas com desenhos em forma de pequenos quadrados e com graduações cromáticas estão localizadas fora do eixo, no curso de um riacho não perene, sobre o paredão de uma pequena queda dágua que se forma em tempos de chuva.
Recomendada no Rima (Relatório de Impacto Ambiental) e patrocinada pelo ministério, a prospecção arqueológica abrange os dois eixos da transposição, os canais leste e norte.
Na primeira fase da pesquisa, que está acontecendo paralelamente à obra, um grupo de arqueólogos ligados à Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco) já notificou cerca de 80 possíveis achados históricos e pré-históricos.
Além dos fragmentos cerâmicos e das gravuras rupestres, eles encontraram objetos e estruturas que remontariam ao período de atividade dos cangaceiros, como as ruínas de um antigo engenho e cartuchos de fuzil datados de 1912 a 1915.
As descobertas foram mapeadas, fotografadas, catalogadas e, quando possível, recolhidas, num processo conhecido como "salvamento".
Em fevereiro, uma nova equipe de especialistas, do Instituto Nacional de Arqueologia, Paleontologia e Ambiente do Semiárido do Nordeste, assumirá o trabalho de prospecção de toda a área do sítio arqueológico. Os vestígios já encontrados serão estudados.
"É uma oportunidade única de pesquisarmos a mais importante rota do Brasil em paleontologia", disse a coordenadora do instituto, a arqueóloga francesa Anne-Marie Pessis.
Segundo ela, a região tem conexão apresenta as mesma condição de clima e solo com o chamado vale dos dinossauros, localizado em Sousa, município paraibano conhecido por suas inúmeras trilhas de pegadas fossilizadas de animais pré-históricos.
(Fonte: Folha Online) Leia mais em: Um achado arqueológico nas obras do São Francisco


O lugar é pouco conhecido dos brasileiros. O vale no meio do sertão tem uma das maiores incidências de pegadas de dinossauros. A região tem registros de rastros de mais de 80 espécies diferentes.

O Mapa dos biomas brasileiros

O Mapa dos biomas brasileiros
Confira o mapa dos principais biomas da natureza brasileira

Tom da Caatinga - Rio São Francisco Parte I

Tom da Caatinga - Rio São Francisco Parte II

Tom Caatinga - Rio São Francisco Parte III