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Mostrando postagens de Novembro 15, 2010

Xique-xique é o fiel da balança em meio à terra rachada

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A vida é assim. A desgraça de uns muitas vezes se transforma na fortuna de outros. No sol de quase dezembro, e após seis meses de estiagem, vaqueiros, sertanejos, criadores de gado, fazendeiros e outros ilustres personagens dessa história secular disputam o gado com os urubus. Não só o gado: também bodes e cabras. A plantação já foi perdida. O tempo não foi generoso e a caatinga reassumiu sua faceta mais estereotipada: terra rachada, carcaças de animais espalhadas pelos caminhos. Por essa época do ano, entre o sertanejo e os urubus, surge uma outra figura histórica para a caatinga. É o xique-xique, o fiel dessa balança. Cena comum à época de estiagens no sertão nordestino, a queima de xique-xique é o recurso ao qual agricultores, como Paulo Assunção, em Santana do Matos, dispõem para escapar do magro rebanho. O xique-xique é antes de tudo um forte. Espinhoso, resistente e acostumado à aridez, o sodoro, como é mais comumente chamado por essas bandas, é uma das poucas plantas a conseguir…