Caatinga livre de agressões

A reserva ocupa uma área de 11.525 hectares
(Foto: Honório Barbosa)


A Estação Ecológica de Aiuaba é uma das poucas
áreas de caatinga preservadas na região.


A caatinga nordestina foi um dos ecossistemas mais afetados ao longo do século passado para ampliação das áreas de pastagens e de plantio. O sertão cearense é um exemplo dessa destruição. Onde havia matas, hoje há campos limpos.Uma das poucas áreas de caatinga preservadas na região Nordeste, um ecossistema único, está neste município. Implantada em 1980, pelo então Ministério do Interior, e criada em 2001, a Estação Ecológica de Aiuaba, na região dos Inhamuns, ocupa uma área de 11.525 hectares. Reúne várias espécies da fauna e da flora do sertão cearense. Há exemplares de aroeira, imburana, angico, umbuzeiro, pau-d’arco, peroba, catingueira, juazeiro e várias espécies de cactos. Em meio à mata, aves silvestres sobrevivem e embelezam o lugar com cantos e cores variadas.O isolamento, o subdesenvolvimento do município e a dificuldade de acesso contribuíram para a preservação natural da caatinga. “Foi uma área que se manteve praticamente intacta até o Governo Federal criar essa unidade ecológica”, explica Manoel Cipriano de Alencar, chefe da Estação, que desde novembro de 2007 é administrada pelo Instituto Chico Mendes. “O nosso objetivo é a preservação integral da mata nativa e da fauna”, esclarece. A Estação Ecológica de Aiuaba mantém um programa de distribuição de mudas de árvores nativas. De acordo com a direção da unidade, são entregues, em média, cinco mil mudas por ano produzidas em canteiro próprio. “É preciso mudar a consciência dos agricultores para a necessidade de preservação do meio ambiente”, disse Alencar. “Não basta apenas plantar a árvore é preciso ser um defensor da ecologia”. O município de Aiuaba, na região dos Inhamuns, está localizado entre serras e apresenta um relevo acidentado. É uma das áreas mais secas do Ceará. O solo em sua maioria é pedregoso. A caatinga arbórea e arbustiva, tipo xique-xique, mandacaru é característica do lugar. Animais de pequeno porte como ovinos e caprinos têm boa adaptação. O verde das plantas xerófilas típicas da caatinga e a seca convivem no sertão de Aiuaba. Na estação, há casas para os funcionários e alojamento para pesquisadores, além de laboratório para pesquisa da fauna e da flora, biblioteca e salas de apoio. “O objetivo é a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas”, observa Alencar. Estudantes e professores de universidades fazem com freqüência estudos na área para elaboração de monografias, dissertações de mestrado e teses de doutorado. Uma das preocupações dos administradores é evitar queimadas no entorno da Estação e a entrada de caçadores. “Temos uma área muito extensa e o período de setembro a janeiro é o mais crítico, quando ocorre uma maior quantidade de focos de queimada no campo para o preparo das áreas de plantio”, frisa. A unidade dispõe de brigada com sete agentes permanentes e 14 temporários.Época de secaNesta época do ano, após seis meses sem chuva, o sertão dos Inhamuns permanece seco e a vegetação apresenta tons amarelado e cinza. A caatinga consegue sobreviver por centenas de dias sem água. A própria natureza se encarrega das adaptações necessárias. As plantas perdem as folhas durante a seca para reduzir a necessidade de água. Já os cactos armazenam líquido no caule. Quando a chuva chega ao sertão, ocorre uma transformação completa. É como se a vida renascesse. O verde recobre toda a vegetação, os lagos e riachos enchem com facilidade e a esperança renasce para o sertanejo. Das árvores, surgem flores e frutos em abundância. No período invernoso, a Estação é visitada por diversos animais em busca de alimentos.
(Fonte: HONÓRIO BARBOSA - Repórter - Diário do Nordeste 12.01.09)

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