O sertão está cada vez mais seco




O aquecimento global ameaça transformar parte do país em um deserto. Moradores das áreas semi-áridas do Nordeste afirmam que têm sentido mais calor do que o normal nos últimos anos.
(Fonte: Vozes do Clima - Fantástico - 05.04.2009)

Comentários

  1. Marcelo Teixeira7 de abril de 2009 20:27

    O mapa dos perigos para o Nordeste
    ter, 07/04/09por Aldem Bourscheit |categoria Notícias| tags árido, Fiocruz, seca, semi-áridoO estudo Mudanças Climáticas: Migrações e Saúde no Nordeste Brasileiro foi elaborado por uma série de pesquisadores ligados ao Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais e à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para a Embaixada Britânica no Brasil. Vale ser lembrado, pois apontou que as alterações do clima afetarão diretamente a vida das populações e a economia, especialmente no Nordeste. Lá, a desertificação pode estender seus braços, transformando locais secos em áreas inabitáveis e expandindo o semi-árido para regiões hoje produtivas.

    Um dos primeiro efeitos colaterais seria o aumento da migração para outras regiões. A “fuga da seca” ganharia força com a perda de terras agricultáveis, contrariando um processo registrado nas últimas décadas: migrantes têm retornado para suas regiões de origem, majoritariamente de nordestinos e de mineiros, hoje residentes em São Paulo. Para frear esse movimento evasivo, são necessárias políticas que mantenham a população na região e garantam sua subsistência.

    Entidades civis, privadas e públicas, como a Embrapa Semi-Árido, vêm desenvolvendo uma série de técnicas para melhorar o dia-a-dia de quem convive com a escassez. Barragens subterrâneas, cisternas, agroecologia, fogões solares, bancos de sementes e outras tantas tecnologias já são usadas em pontos do Nordeste. Algumas delas serão abordadas em novo post no blog Vozes do Clima. Também são necessários investimentos diretos dos governos federal, estaduais e municipais.

    Além de prejudicar a vida de pessoas já sofridas, um clima mais árido e quente também pode esvaziar o bolso de quem vive da economia tradicional. O mesmo estudo citado acima projeta que o Produto Interno Bruto (PIB) nordestino cairá mais de 11% até 2050. Duro golpe para uma região cujo PIB vem crescendo acima da média nacional nos últimos anos.

    Isso ocorreria basicamente pelo sumiço de terras agricultáveis, torradas pelo calor. O problema será mais grave, nesta ordem, no Ceará, Piauí, Paraíba e Pernambuco. Com boas terras de menos, seriam mais afetados os setores de serviços e a indústria, principalmente a voltada para o processamento de alimentos. Sergipe deve ser o estado menos prejudicado pelo clima futuro.

    Mudanças Climáticas: Migrações e Saúde no Nordeste foi o primeiro estudo feito associando variáveis demográfica, econômica e climática para projetar como será uma região no futuro. As alterações do clima devem afetar principalmente aquelas populações mais vulneráveis, que estão localizadas em regiões pobres e sobretudo no Nordeste do país, incluindo os migrantes.

    Confira mais informações sobre o estudo Mudanças Climáticas: Migrações e Saúde no Nordeste Brasileiro - 2000/2050 em http://especiais.fantastico.globo.com/vozesdoclima/2009/04/07/o-mapa-dos-perigos-para-o-nordeste/

    Aldem Bourscheit

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  2. Marcelo Teixeira7 de abril de 2009 22:36

    Greenpeace é contra proteção de floresta no mercado de carbono

    Incluir medidas de proteção de florestas como os mecanismos de Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação (REDD) nos mercados de carbono pode diminuir o preço dos créditos de carbono em mais de 75%, comprometendo os esforços de combate ao aquecimento global. A conclusão é do estudo "REDD and the effort to limit global warming to 2°C: Implications for including REDD credits in the international carbon market", lançado pelo Greenpeace Internacional e divulgado hoje pelo site amazonia.org.

    Segundo o Greenpeace, o problema é que o preço da proteção das florestas é relativamente baixo e existe o risco de que incentivos para a proteção de florestas possam ser usados para diluir o valor dos créditos de carbono. Isso facilitaria a vida dos grandes poluidores, que precisariam comprar os créditos no mercado.

    Com o preço dos créditos mais baixo, a quantidade de investimentos em energias limpas e renováveis teria uma redução significativa.

    _ Incluir créditos de REDD no mercado de carbono iria reduzir os investimentos em tecnologia limpa nos países em desenvolvimento, como China, Índia e Brasil, já que existiria menor demanda por créditos gerados pelas políticas de redução de emissão em setores energéticos e industriais _ diz o estudo.

    Segundo o documento, uma das melhores formas de evitar uma mudança climática catastrófica é estabelecer um mercado de carbono forte e estável, que gere os investimentos necessários em tecnologias limpas e energias renováveis. Caso o mecanismo REDD derrube os preços dos créditos de carbono, pode comprometer o mecanismo e atrasar o combate ao aquecimento global.
    (Fonte: Blog Verde)

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  3. fvanda:
    8 abril, 2009 as 11:00 Nós nordestinos, somos esquecidos pelos os governantes. mesmo assim muito deles também são norestinos. Eles não sentem na pele o que sentimos. Eles vivem da nossa miséria no comforto. O nosso país está em tempo de acordar e reverter esta situação.
    Os nossos sertões tem muito a oferecer basta querer.

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  4. Maravilha de reportagem, o que fica claro é que se continuar como está, realmente irá se tornar um deserto, mas com iniciativa,da população e de ong´s sérias sem esperar sempre por um “governo” ( entre aspas mesmo pois nada governa, apenas recolhe impostos) temos condições sim de inverter este quadro.

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  5. Sou Cearense e vejo o que o nordestino sofre, mas so fica mesmo em algumas reportagens, em alguns noticiarios e nada é providenciado, os governos, quer dizer os politicos aparece na casa de cada um, as vzs em locais que o acesso é dificilimo somente pra pedir o voto, ninguem tenta fazer nada, e cada vz a situação esta se agravando mais, a questao da transposição do rio São Francisco vai melhorar um pouco pra muito, e a gente ainda viu que tem muitos contra, inclusive um SENHOR QUE SE DIZ PADRE, que chegou a fazer greve de fome, um absurdo, uma falta de respeito, duvido que fosse ele que tivesse que ir buscar agua com quilometros pra cozinhar, pra beber e pra todos os fins, por isso que não melhora justo pelas pessoas que agem ao contrario e quem poderia fazer, nao faz nada!!!Agora queria parabenizar pela materia, pois mesmo que nao façam nada e que esqueçam depois, mais alguns quando assistem vao refletir um pouco e ver que algo de urgencia precisa ser feito para salvar a humanidade!!!!

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  6. Sou de Ouricuri e fiquei muito feliz em ver o trabalho realizado pela ONG Caatinga, sendo mostrado em rede nacional. O trabalho que esta ONG vem realizando pelo semi-árido é realmente um trabalho que está de parabéns, pois, ensina maneiras de sobreviver com a seca, porquê a seca sempre existiu e sempre existirá, o que precisamos é aprender a conviver com ela.

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  7. Parabéns pela reportagem!
    É de grande valia para que os homens que destroem o nosso sertão repensem nas suas atitudes. As fábricas de gesso que trazem progresso e dinheiro, mas principalmente a devastação da caatinga.
    Parabéns a ONG CAATINGA, que vem colaborando com os agricultores desta região e buscando alternativas para a convivencia com o semi-árido e principalmente consguindo mostrar ao mundo a degradação do nosso sertão de modo a abrir-lhes os olhos para esta realidade que estamos vivendo e sentindo na pela as consequências.

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  8. Com 18 anos de experiência na defesa civil de Salvador (BA), a arquiteta e especialista em engenharia de segurança Ivone Maria Valente assumiu há pouco mais de um mês a diretoria do Departamento de Minimização de Desastres da Secretaria Nacional de Defesa Civil, ligado ao Ministério da Integração Nacional. Sua área desenvolve e implementa ações para a prevenção de desastres e preparação para emergências, em todo o país.
    Desde o início de 2007, 1.713 desastres naturais foram registrados no Brasil – 357 só este ano. As maiores ocorrências são de cheias e inundações, secas e deslizamentos.
    Nesta entrevista ao blog Vozes do Clima, a diretora revela sua preocupação com as alterações do clima e seus efeitos no território brasileiro, e avisa: “Não há um plano nacional para enfrentamento desses desastres”.
    Vozes do Clima – Desastres naturais tendem a ganhar força com o aquecimento do planeta. Como a Defesa Civil vê essa possibilidade?

    Ivone Valente – As mudanças do clima trarão eventos climáticos mais intensos. Agora, os desastres, as conseqüências desses efeitos, serão maiores ou menores em função da nossa capacidade de responder a eles e de nossas características e vulnerabilidades. No Brasil, provavelmente os desastres serão maiores porque nossas vulnerabilidades estão muito associadas a nossa cultura, que não é de prevenção. Há muito mais ações a serem feitas antes de um desastre ocorrer, como realocação temporária de moradores para não sofrerem efeitos de uma inundação ou vendaval.



    Vozes do Clima – Quais são os desastres naturais mais registrados pela Defesa Civil?

    Ivone Valente – Estiagens e secas, em função de características de solo e de culturas não-adaptadas aos climas áridos de determinadas regiões, além de enchentes, inundações e deslizamentos, também por conta do crescimento populacional, mesmo que tenha diminuído. Nos grandes centros urbanos, onde inundações trazem grandes prejuízos, a ocupação continua totalmente desordenada e acelerada. Pessoas seguem migrando do campo para as cidades.



    Vozes do Clima - O que torna áreas urbanas ou rurais mais suscetíveis a desastres?

    Ivone Valente - Mas na ocorrência desses problemas, temos que somar alguns fatores. Normalmente a ocupação de locais indevidos, como encostas e margens de rios. Na tragédia das enchentes que afetaram Santa Catarina no ano passado, houve muitos problemas na área rural, também por ocupação indevida das encostas. A ocorrência de desastres está atrelada à forma de se conviver com o ambiente, rural ou urbano. Hoje, com o avanço tecnológico, podemos monitorar a ocorrência de eventos climáticos, estimar sua intensidade e agir para minimizar seus efeitos. Também são necessárias mais campanhas de informação e de educação.



    Vozes do Clima – Respeitar a legislação ambiental e de ocupação do solo ajuda a minimizar impactos?

    Ivone Valente – Com certeza. Assim reduziríamos bastante os prejuízos com desastres.

    Vozes do Clima – E quanto às enchentes recentes na Amazônia, onde estão os maiores rios do país?

    Ivone Valente – É uma situação muito preocupante que, como os cientistas estão anunciando, será ainda mais intensa. O que a Defesa Civil pode fazer é começar a trabalhar com as prefeituras para que cada caso seja analisado e sejam levantadas alternativas locais e regionais de enfrentamento do problema. A situação parece atípica, mas deveríamos estar preparados. Agora temos de lidar com as conseqüências.



    Vozes do Clima – Os registros da Defesa Civil apontam 1.713 desastres naturais desde janeiro de 2007. Por que estados como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais lideram as estatísticas?

    Ivone Valente – A prevalência desses estados se deve muito a características de solo, de relevo e própria posição geográfica que atrai eventos de chuvas e secas.



    Vozes do Clima – Como está o Brasil em relação a outros países quanto à prevenção de desastres?

    Ivone Valente – Uma diferença fundamental está na preparação da população. Nos casos do Japão e dos Estados Unidos, por exemplo, há trabalho com escolas e uma série de mecanismos de prevenção e de informação pública. A possível ocorrência de desastres também é monitorada pelo poder público, proporcionando a remoção de famílias e outras ações. No Brasil, há diferenças significativas. Cada estado trabalha de uma forma. Não há um plano nacional para enfrentamento desses desastres. Há programas de capacitação, alertas sobre desastres e apoio a pequenos municípios que queiram se estruturar e afins, mas não uma ação nacional.



    Vozes do Clima – A Defesa Civil participa da elaboração do plano nacional de mudanças do clima?

    Ivone Valente – Sim, participamos das comissões que construíram e atualizam o plano nacional. Também estamos organizando encontros nas cinco regiões para debater os impactos das mudanças climáticas nas ações da defesa civil. O primeiro evento deve acontecer em junho. E, no fim do ano, vamos consolidar essas informações em um evento, provavelmente em novembro. Esperamos que isso traga mudanças nos procedimentos da defesa civil em todo o país.



    Vozes do Clima – Que recado você daria para os gestores públicos e para a população?

    Ivone Valente – Aos gestores, responsáveis pelo controle da ocupação do solo, que realmente fiquem atentos e cumpram com suas obrigações. Há soluções de curto e médio prazo para que esses efeitos sejam menores. Para a população (em áreas de risco), que não durmam tranqüilos, que procurem avaliar os riscos. Observem as condições de suas casas, do terreno e procurem prefeituras em busca de orientações. Caso comece a chover e elevar nível dos rios, por exemplo, aja. Não podemos ser pegos desprevenidos.

    Mais informações no Centro Nacional de Gerenciamento de Desastres http://www.cenad.gov.br/

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