Saída para a caatinga é o umbuzeiro

Umbuzeiro a árvore sagrada

Reflorestamento compreende o Sertão de Pernambuco e da Bahia,
que já receberam quatro mil plantas enxertadas. Frutos serão colhidos em até 20 anos

Uma caderneta de poupança. É assim que o agrônomo Francisco Pinheiro, da Embrapa Semi-Árido, define o reflorestamento da caatinga com umbuzeiros, iniciado em outubro no Sertão de Pernambuco e da Bahia. “Os frutos os agricultores só vão colher daqui a 15, 20 anos, mas serão bem grandes”, explica o pesquisador.
Das cinco mil mudas produzidas na unidade de pesquisa para o projeto, quatro mil já foram plantadas. São pés de umbu enxertados. A técnica, uma espécie de clonagem, permite a transferência para a planta base de características de um exemplar resultante de melhoramento genético convencional.
No caso do umbu utilizado para a produção das mudas enxertadas pela Embrapa Semi-Árido, com sede em Petrolina, o maior peso é a principal característica desejada. Enquanto um fruto de um umbuzeiro nativo pesa 18 gramas, o de um enxertado alcança 75 gramas. Ou seja, quatro vezes mais.
O trabalho começou em dois municípios pernambucanos – Ouricuri e Petrolina – e três baianos – Juazeiro, Uauá e Curaçá. “Agora, estamos ampliando para Afrânio e Dormentes, em Pernambuco, e Canudos e Caraíbas, na Bahia”, anuncia o coordenador do projeto, o engenheiro agrônomo Francisco Pinheiro.
O pesquisador destaca que o plantio é um tipo de enriquecimento da caatinga. “Não desmatamos nada. Apenas abrimos uma trilha e adensamos com mudas de umbuzeiro”, esclarece. A densidade, na vegetação nativa, é de três a nove plantas por hectare. Com a intervenção da Embrapa Semi-Árido, sobe para 50.
O espaçamento utilizado, isto é, a distância entre as mudas, é de 10 metros. O plantio, recomenda Pinheiro, deve ser feito no início do período chuvoso, com índice pluviométrico de, no mínimo, 30 milímetros. Para garantir uma maior capacidade de armazenamento de água no solo, é cavada uma espécie de bacia ao redor das covas. A área é coberta com bagaço de cana de açúcar, reduzindo a evaporação.
O projeto beneficia os agricultores familiares. Segundo Pinheiro, o umbuzeiro foi escolhido por ser um fruto muito consumido na região. “É uma questão de segurança alimentar. Ou seja, os produtores que têm acesso à fruta terão parte das suas necessidades nutricionais atendida”, afirma. Além disso, o projeto destaca o cultivo como uma fonte de renda alternativa.
Para garantir que os animais não destruam as mudas, o projeto prevê a doação de 500 metros de arame para o cercamento da área plantada. Do contrário, explica o pesquisador, o rebanho caprino destruiria os umbuzeiros antes que eles crescessem.
Nos testes de campo, a Embrapa Semi-Árido conseguiu um índice de 97% de sobrevivência das plantas, em área cercada. A análise foi feita um ano e meio após o plantio. Na experiência, a equipe de pesquisadores verificou também que não havia necessidade de desmatamento para realizar o plantio.
Conhecido pelos cientistas como Spondias tuberosa, o umbuzeiro desenvolveu estratégias de adaptação ao clima semiárido. Nas horas mais quentes do dia, por exemplo, fecha os estômatos, que são os poros das folhas.
Durante a estação seca, que se prolonga de junho a novembro na região, perde as folhas. É a chamada estivação. Outra característica, também comum às demais plantas da caatinga, é o armazenamento de água e nutrientes nas raízes, permitindo a sobrevivência na estiagem.
(Fonte: Jornal do Commercio - Verônica Falcão)

Comentários

  1. Como posso conseguir um muda de umbu gigante.
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