Biólogo alemão faz atlas virtual sobre peixes no Estado de Pernambuco.



O trabalho desenvolvido pelo biólogo Heiko Brunken tem quase 500 espécies, com foto, nome científico, nomes populares e distribuição
No começo, eram cerca de 200 espécies. Agora, três anos depois de iniciar o levantamento dos trabalhos científicos sobre os peixes de Pernambuco, o biólogo alemão Heiko Brunken conta quase 500, entre os de água doce e salgada. O atlas virtual inclui foto, nome científico, nomes populares e a distribuição geográfica dos animais.
Brunken, da Universidade de Ciências Aplicadas de Bremen, conta que visitou o Estado pela primeira vez em 2002, pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD). “Fiquei maravilhado com a natureza e com as pessoas. Como minha área é ictiologia e tinha feito um atlas semelhante para a Áustria e Alemanha, decide repetir o projeto aqui”, conta.
Heiko conta com a colaboração de pesquisadores das Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e a Universidade de Pernambuco (UPE). Para ele, há mais informações disponíveis de espécies costeiras, enquanto falta dados dos peixes dos rios do Semi-Árido.
“O IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) aponta a região como a mais susceptível ao aquecimento global. Isso é preocupante porque pode-se perder animais que ainda nem se conhece.” Na avaliação do pesquisador, a escassez de água e o aumento da demanda pode interferir na conservação da chamada ictiofauna.
Outras ameaçadas apontadas pelo pesquisador são a agricultura, as obras de infra-estrutura e a transposição do Rio São Francisco. “O branqueamento dos recifes de coral, que abriga muitas espécies, também é outro problemas grave”, alerta.
Embora ainda não figurem na lista, o trabalho de Heiko inclui informações de espécies ameaçadas de extinção, como o mero e o cavalo-marinho. O mero, que depende do manguezal nos primeiros anos de vida, teve decretada a moratória da pesca pela portaria nº 42, datada de 19 de setembro de 2007.
A expectativa da equipe é concluir a primeira fase do atlas, cujo site é www.atlas-peixes-pe.com, até o próximo ano. “Mas o trabalho continuará, pois sempre surgem informações novas que precisam ser compiladas”, justifica.
O projeto não conta com financiamento de agências de fomento, mas recebe apoio da Sociedade de Ictiologia da Alemanha. A diversidade de peixes do País, informa Heiko, é menor que a do Brasil. “Alemanha e Áustria têm juntos 120 tipos de peixes de água doce.”
O pesquisador destaca como principal finalidade do atlas a compilação e socialização de dados. “Informações científicas, não só no Brasil, mas em todo o mundo, costumam ficar restritas ao circuito acadêmico”, justifica.
(Fonte: JC - Ciência e Meio Ambiente - Foto do Atlas de Peixes de Pernambuco)

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