Esqueceram o bioma caatinga



Frei Sinésio Araújo *

Participei da segunda reunião dos ambientalistas no dia 7 de fevereiro, na Associação “Entra Apulso”, no bairro da Boa Viagem, estavam presentes aproximadamente 50 pessoas oriundas do movimento ambiental organizado e como diz o ditado: cada sardinha busca a sua lata. Fui um observador atento da criação da Secretaria do Meio Ambiente por parte do governo do Estado bem como o processo de adesão do dito Partido e as suas propostas “programáticas” para a área ambiental. É bem verdade que a grande maioria dos ambientalistas desejava uma instituição específica que cuidasse da gestão. Não devemos ser ingênuos e acreditar que a dita Secretária vai resolver todo o passivo ambiental do Estado, pois as soluções precisamente passam pela transversalidade com as outras pastas do Governo e principalmente com a colaboração e participação dos municípios e dos abnegados ambientalistas que são conscientes dos seus limites e possibilidades no embate presente e futuro, pois são considerados cidadãos do mundo na defesa da vida.
Feita essa preliminar gostaria de chamar atenção para as centenas Unidades de Conservação de proteção integral e de uso sustentável existentes no bioma da caatinga e da mata atlântica, desse modo, somam um número elevado de metros quadrados protegidos pelo ordenamento jurídico ambiental. Acontece que estes espaços protegidos precisam urgentemente uma melhor atenção e uma das soluções seria a criação de um órgão gestor para viabilizar o Sistema Estadual de Unidade de Conservação. Em si tratando das Unidades de Conservação quero parabenizar a bacharelanda em biologia, Luclécia Cristina, que apresentou seu TCC pela UFPE, no dia 26 de janeiro, sobre o processo de criação da reserva extrativista da cidade do Sirinhaém. O processo do ICMbio encontra-se concluído a espera do decreto de criação.
Nas propostas programáticas do partido que a “assumiu” a gestão não identifiquei referência ao bioma da Caatinga que teve como um dos pioneiros que defendia a conservação o Ecólogo Vasconcelos Sobrinho. Foi ele a identificar o início do processo de desertificação no solo Caatingueiro.Isto, posto, seria interessante e oportuno homenagear este pioneiro Ecólogo Pernambucano realizando o Gerenciamento Ecológico Econômico da Caatinga reunindo de forma participativa todos os atores interessados na conservação, pois desse modo, seria um gesto concreto de respeito a este bioma genuinamente brasileiro e de modo especial nordestino. Está na hora dos ambientalistas Caatingueiros bradarem a voz em defesa do seu e nosso bioma tão decantado em prosa e verso pelo saudoso poeta sertanejo Luiz Gonzaga e Patativa do Assaré.
Uma das estratégias de militância ambiental pode ser realizada por intermédio das propostas para a criação das Unidades de Conservação e para atingir este fim se faz necessário identificar as áreas endêmicas do Estado sujeitas a conservação no qual podemos contar com a valiosa colaboração da academia e dos ambientalistas teimosos e ousados que lutam pela preservação da vida.

* Secretário de Justiça, Paz e Ecologia dos frades franciscanos do Nordeste.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O risco da caatinga virar um deserto"A vegetação típica do Nordeste está literalmente sumindo do mapa

Rio São Francisco - A extinção da caatinga (ESTUDO)