Santuários de caatinga.Estado, que é um dos que mais maltratam, terá novas reservas. Lista ainda será fechada.

Estado é um dos que mais maltratam a caatinga
(Foto: MMA)


Por: Jailson da Paz


Pernambuco, terceiro lugar no ranking dos estados que mais desmatam a caatinga, deve ganhar novas unidades de conservação desse bioma. A lista das futuras reservas ainda não está fechada, mas existe consenso entre pesquisadores, ambientalistas e o governo do estado quanto a alguns lugares. A princípio seriam criadas, ao menos, mais cinco reservas estaduais. A única em processo de implementação é a Fazenda Saco, em Serra Talhada, no Sertão do Pajeú.
Na lista de possíveis reservas, quatro ficariam no Sertão e uma no Agreste, no caso a Pedra do Cachorro, em São Caetano. O Comitê Estadual da Caatinga propõe a unidade Brejo da Princesa, nos municípios de Triunfo e Flores. Ela mediria 500 hectares, no mínimo. Floresta ganharia a reserva da Serra da Canoa. Serrita e Parnamirim, a reserva de Negreiros. A Serra da Chapada também deve ser incluída no projeto. Com cerca de 30 km2, se distribui entre os municípios de Mirandiba, São José do Belmonte e Serra Talhada.
A pretensão dos estudiosos é preservar a caatinga em sua diversidade. Em Triunfo, por exemplo, o bioma inclui espécies típicas da Mata Atlântica, diferenciando-se do espaço em Afrânio, onde a fauna tem grandes carnívoros. Por trás do projeto, está a preocupação com a fauna e a flora e também com as mudanças climáticas. O Laboratório de Meteorologia de Pernambuco (Lamepe) aponta o aumento da temperatura e dos períodos sem chuva. De 1963 a 2008, o índice pluviométrico do Sertão do Pajeú caiu 8,3 milímetros por ano. Nos sertões do Araripe e do São Francisco, a queda foi, respectivamente, de 10,1 milímetros e de 4,2 milímetros.

Conservação

Os critérios para se priorizar e montar um cronograma de criação e implementação das unidades já foram discutidos. Para o secretário estadual de Meio Ambiente, Sérgio Xavier, a proposta fortalece o trabalho em rede. Entre os critérios foram incluídos o estado de conservação das áreas e a raridade da fauna e da flora. Pernambuco já perdeu mais da metade de sua caatinga.
Segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente, nos últimos anos, os municípios de Serra Talhada, São José do Belmonte, Petrolina e Pedra tiveram as maiores perdas. A madeira teve como um dos principais destinos o polo gesseiro do Araripe, no Sertão pernambucano.
Os cinco lugares apontados como consenso entre estudiosos e ambientalistas coincidem com as áreas de conservação propostas pelo estado. A Secretaria de Meio de Ambiente sugere estudos nas regiões de Itaparica, Araripe, Moxotó e do São Francisco, envolvendo dez municípios. Na relação, Exu, Afrânio, Cabrobó e Ibimirim. As escolhas têm o apoio do Ministério do Meio Ambiente. “É preciso se agir rápido para se combater o ritmo acelerado de desmatamento da caatinga, um bioma exclusivamente brasileiro”, defende o coordenador do Núcleo Bioma Caatinga do ministério, João Arthur Soccal Seyffarth.

SAIBA MAIS

Caatinga em Pernambuco

81,141 km²
82,67% do território estadual
41,159 km² desmatados até 2002
2,204 km2 desmatados entre 2002 e 2008
53,44% da caatinga do estado já foram derrubados
3º lugar no ranking de desmatamento no Nordeste, perdendo para Bahia e Ceará
4 municípios pernambucana se destacam na derrubada da caatinga: Serra Talhada, São Joaquim do Belmonte, Petrolina e Pedra.

(Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Diário de Pernambuco)


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