Caatinga

UFRPE e ambientalistas cobram Unidades de Conservação da Caatinga

Processo de criação das unidades de conservação estaduais no semiárido pernambucano foi interrompido
Publicado em 17/09/2016, às 08h08
Serra das Abelhas, em Exu, no Sertão, tem potencial para ser transformada em unidade protegida, segundo pesquisadores / Foto: Divulgação
Serra das Abelhas, em Exu, no Sertão, tem potencial para ser transformada em unidade protegida, segundo pesquisadores
Foto: Divulgação
Da Editoria Cidades

Professores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e a Associação Pernambucana de Defesa da Natureza (Aspan) cobram do governo do Estado a implantação das Unidades de Conservação prometidas para o semiárido. “O processo de criação de áreas protegidas na caatinga começou, mas não foi finalizado”, destaca a bióloga da URPE Ednilza Maranhão.
Ela informa que abaixo-assinado com mais de 3,6 mil nomes será protocolado na Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) e Agência Pernambucana de Meio Ambiente (CPRH). “Nem todas as áreas indicadas foram transformadas em unidade de conservação e isso aumenta o risco de perda da vegetação”, declara.

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Nascente de água em área indicada para ser unidade de conservação da caatinga, no município de Exu
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Ednilza cita como exemplo a Serra da Matinha, no município sertanejo de Carnaíba, onde há mais de 20 nascentes de água. “Fizemos levantamentos e constatamos uma diversidade enorme de plantas e bichos. É uma área de grande relevância e precisa ser protegida”, diz a professora.

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Também merecem atenção especial as Serras das Tabocas e das Abelhas, em Exu, no Sertão, acrescenta a bióloga. A primeira, observa, é um misto de dois biomas – cerrado e caatinga –, funciona como abrigo e alimento para animais, além de ter nascentes de água e guardar vestígios de sítios arqueológicos. “A Serra das Abelhas vem sendo usada para soltura de papagaio e macaco-prego apreendidos pelo Estado.”
No texto do abaixo-assinado a professora lembra que a caatinga corresponde a mais de 80% do território pernambucano, com 81.723,97 quilômetros quadrados. “Perdemos mais de 50% da áreas nativas do bioma, por desmatamento sem controle. A caatinga está virando deserto, as terras ficam improdutivas e isso afasta o morador da região”, ressalta.

LICITAÇÃO

O diretor de Recursos Florestais e Biodiversidade da CPRH, Walber Santana, garante que o compromisso do Estado com a criação das unidades de conservação na caatinga está mantido. Segundo ele, a empresa contratada por chamada pública para fazer os estudos que embasariam a implantação das áreas protegidas no semiárido teve problemas com a prestação de contas e o trabalho foi suspenso.
“Vamos relançar a licitação, até meados de outubro próximo, para finalizar o processo”, declara Walber Santana. Os recursos, acima de R$ 1 milhão, são oriundos do fundo de compensação ambiental, pago por empreendimentos geradores de impacto. A nova empresa contratada terá 12 meses para fazer o levantamento de dez áreas apontadas como prioritárias.
O estudo da fauna, flora, aspectos sociais e geomorfologia dos terrenos vai indicar as áreas que podem ser classificadas como unidade de conservação. “Pretendemos criar pelo menos quatro”, diz. No momento, há nove unidades de conservação estaduais na caatinga pernambucana, de uso sustentável e de proteção integral. Juntas, somam mais de 126 mil hectares protegidos, afirma Walber Santana.

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