Bioma Caatinga: Alternativas sustentáveis para a região. Dia Nacional é comemorado no Ibama/PE

Bioma Caatinga: Alternativas sustentáveis para a região




A Semas participou ontem (27/04) do evento em homenagem Dia Nacional da Caatinga (28/04), realizado em parceria com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama/PE) e o Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga do Estado de Pernambuco (CERBCAA/PE). O encontro teve a participação de Francisco Campello, superintendente do Ibama, Alexandrina Moura, presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera do bioma, Marcelo Teixeira, coordenador do Comitê Estadual, a professora Márcia Silva, representante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Carlos Cavalcanti, secretário-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade, além 50 pessoas, entre gestores, pesquisadores e convidados.
Em Pernambuco, o bioma Caatinga ocupa 82% do território e uma das principais vulnerabilidades é o seu crescente processo de desertificação. “As mudanças climáticas intensificam os períodos de estiagem que, associados às ameaças como desmatamento e uso excessivo do pastoreio, agravam ainda mais a situação de aridez. Atualmente, 60% da região apresenta processo acentuado de desertificação”, afirmou Carlos Cavalcanti, secretário-executivo da Semas.
Como estratégia de conservação do bioma, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade criou a partir de 2011 seis unidades de conservação de proteção integral na Caatinga, somando mais de 126 mil hectares de área protegida.  “O ato de criar novas UC´s é um legado que se deixa para o futuro. As unidades que foram criadas na década de 80 e que possuem algum tipo de gestão, representam hoje  resultados efetivos para a conservação da biodiversidade. O desafio é propor novos modelos de gestão, onde as UC´s de um mesmo território possam ter uma gestão integrada, como já vem fazendo o ICMBio e cujo modelo a Semas poderá adotar da APA Aldeia-Beberibe, que reúne outras seis unidades dentro do seu território”, defendeu Carlos Cavalcanti, da Semas.
“Estudo recente das Nações Unidas aponta que existem mais alternativas não madeireiras dentro do bioma caatinga, do que em outros biomas”. O depoimento do superintendente do Ibama/PE, Francisco Campello, vem reforçar as potencialidades e oportunidades para Pernambuco e o Nordeste quando se discute adaptação às mudanças climáticas. Entre as ações destacadas pelo gestor estão a difusão e ampliação do uso de planos de manejo sustentável da caatinga, com adaptações das instruções normativas para que o homem  que possui uma profunda relação com o bioma não seja penalizado ao usar os seus recursos naturais. Foram também apresentadas com a exibição de vídeos as experiências exitosas de produtos gerados a partir da biodiversidade da Caatinga, como os realizados pela Associação de Mulheres Produtoras de Caroalina, que beneficia as folhas do caroá para a produção de agendas e brindes  e a produção de bonecas artesanais confeccionadas pela comunidade quilombola de Conceição das Creoulas, em Salgueiro, no Sertão Central do estado.
O engenheiro florestal Paulo Santos, destacou a importância da difusão do sistema de manejo florestal  para a conservação do bioma que ocupa 87% da área do semiárido. Segundo ele, pesquisa da Associação Plantas do Nordeste (APNE) realizada em 2015,  com base nos dados de 2012, apontam entre os 84.400 milhões de hectares do bioma, o número de programas de manejo aprovados no Nordeste era de apenas 468, sendo 94 deles para Pernambuco. “Isso significa que apenas 7,8% de toda a área explorada possui plano de manejo sustentável, todos voltados para a produção madeireira. Não há o aproveitamento de outros produtos que poderiam ser beneficiados gerando a renda para o agricultor. É preciso que técnicos e detentores de projetos atentem para a importância de agregar valor aos produtos da região”, informou.
As pesquisas desenvolvidas pela UFPE, através dos departamentos de bioquímica e biociência, foram tema da palestra da professora e pesquisadora Márcia Silva no evento.  O Núcleo de Bioprospecção e Conservação da Caatinga que reúne alunos e pesquisadores da graduação e da pós-graduação levantou as potencialidades farmacológicas de 107 espécies vegetais com propriedades medicinais da Caatinga, a partir dos saberes locais, obtidos a partir de entrevistas com mulheres idosas como rezadeiras, benzedeiras e parteiras das regiões de Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista e Buíque. O objetivo é a produção de antibióticos, antiinflamatórios e antioxidantes com princípios ativos do bioma.
As comunidades que participaram do projeto foram contempladas com palestras sobre os resultados das pesquisas realizadas pela Universidade Federal. Para a pesquisadora da UFPE, “a aproximação da universidade com as comunidades e os Institutos Federais do Sertão tiveram o objetivo de instigar a formação de novos pesquisadores, além de ressaltar a importância da identificação de espécies medicinais nas comunidades que podem contribuir para o desenvolvimento local”, ressaltou Márcia Silva.
Para dar continuidade às discussões sobre a conservação e os usos sustentáveis do bioma, foi decidido em consenso com os representantes das instituições presentes ao evento, que o Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga irá convocar reuniões periódicas envolvendo os órgãos estaduais e federais, além de pesquisadores, associações e ONG´s que atuam na região formulando e executando políticas para o semiárido.
 
Texto: Flávia Cavalcanti
Fotos: Flávia Cavalcanti e Alessandra Sá


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