Biólogos salvam animais ameaçados por transposição do 'Velho Chico'

Ambientalistas tentam recuperar espécies típicas da caatinga.
Transposição do São Francisco está transformando o Nordeste.


Biólogos, veterinários, estudantes e professores da UNIVASF-Universidade Federal do Vale do São Francisco seguem na dianteira da obra de transposição do Rio São Francisco. A missão é identificar e afugentar os animais e preservá-los. Os que não conseguem fugir são recolhidos.
A caranguejeira e a lagartixa da caatinga bem que tentaram se esconder. Os ambientalistas têm pressa. O barulho das moto-serras e o movimento das foices vêm logo atrás. “O papel da universidade é diminuir o impacto da obra em relação à natureza”, afirmou o professor da Universidade Vale São Francisco Luiz César Machado. A obra que vem no rastro dos tratores é uma das maiores em andamento no país: a transposição do rio São Francisco está transformando a imensidão da terra seca. Máquinas pesadas abrem 800 quilômetros de dois canais gigantescos que irão levar a água do maior rio do Nordeste a quatro estados da região: Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. O projeto de R$ 4,5 bilhões está em ritmo acelerado com a chegada das empreiteiras. O número de trabalhadores irá triplicar: serão cinco mil até junho de 2009, um reforço para os militares do exército que deram a arrancada. O canal avança pela caatinga e árvores são derrubas para abrir passagem. Esse é um preço pago pela natureza. As árvores cortadas foram empilhadas. É madeira a perder de vista. Para compensar os estragos, foram elaborados planos ambientais que prevêem a recuperação de áreas degradadas. “Seguimos rigorosamente as especificações técnicas para minimizar os transtornos causados na região em conseqüência da obra”, disse o capital Walfredo Galvão. Para os ambientalistas esta é uma oportunidade única de conhecer melhor a caatinga e salvar espécies de plantas e animais que estão no caminho de uma obra que não pára. “Além de levar a água, não só para o ser humano, mas para as espécies de animais, para o gado, para ovinos e caprinos. Ele é um projeto social e econômico também. Se o projeto conseguir atingir a sociedade, é um projeto que deu certo. Se não conseguir atingir a sociedade, é um projeto que não teve o objetivo contemplado”, disse Luiz César Machado. Vejam o vídeo clicando na fonte. (Fonte: G1 20/12/08)

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