"É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve." (Victor Hugo).

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Destaque de 2008: Centenário de João Vasconcelos Sobrinho

Professor João Vasconcelos Sobrinho



Por Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco


João Vasconcelos Sobrinho nasceu no dia 28 de abril de 1908, em Moreno, cidade da Região Metropolitana do Recife, Pernambuco.
Pioneiro na área dos estudos ambientais no Brasil, é considerado uma das maiores autoridades em ecologia da América Latina.
Criou e dirigiu, por muito tempo, o Jardim Zoobotânico de Dois Irmãos — atual Parque de Dois Irmãos — inaugurado no dia 14 de janeiro de 1939, pelo então interventor de Pernambuco Agamenon Magalhães, no bairro recifense de Dois Irmãos.
Foi um dos responsáveis pela criação da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), onde introduziu as disciplinas Ecologia Conservacionista (primeira do gênero ministrada no Brasil) e Desertologia, além de ter exercido também o cargo de reitor (1963).
Professor, engenheiro agrônomo e ecólogo conservacionista, Vasconcelos Sobrinho exerceu diversos cargos, entre os quais o de titular de Botânica da UFRPE; professor catedrático da cadeira de Botânica Tecnológica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); diretor do serviço de Inspeção Florestal e Proteção à Natureza de Pernambuco; diretor do Serviço Florestal do Ministério da Agricultura - posteriormente denominado Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF); diretor do Centro Pernambucano da Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza e consultor da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
Membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), foi um dos primeiros cientistas a alertar sobre a formação de deserto em algumas regiões brasileiras, sendo convidado para participar da Conferência das Nações Unidas sobre Desertificação em Nairóbi, no Quênia. Também muito se empenhou na campanha pelo reflorestamento do pau-brasil e fundou a Estação Ecológica de Tapacurá (UFRPE).
O problema da desertificação passou a ser mais destacado a partir da década de 1970, quando Vasconcelos Sobrinho alertava que estaria surgindo no semi-árido brasileiro um grande deserto com todas as características ecológicas que conduziriam à formação dos grandes desertos hoje existentes em outras regiões do globo.
Publicou mais de vinte trabalhos, todos sobre ecologia e conservação dos recursos naturais, entre os quais podem ser destacados: Dicionário de termos técnicos de botânica (2.ed., 1945); As regiões naturais de Pernambuco, o meio e a civilização (1949), o seu livro mais conhecido; As regiões naturais do Nordeste, o meio e a civilização (1970); Ciência, religião sem dogmas (2.ed., 1973); Catecismo da ecologia (1979); Processos de desertificação ocorrentes no Nordeste do Brasil: sua gênese e sua contenção (1982); Desertificação no Nordeste do Brasil (coletânea de trabalhos publicados pelo Departamento de Planejamento de Recursos Naturais da Sudene, em 2002).
João Vasconcelos Sobrinho faleceu no dia 4 de maio de 1989, no Recife.
Em sua homenagem, a Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH), desde 1990, criou o Prêmio Vasconcelos Sobrinho, um reconhecimento ao homem que, através de seu trabalho e ideal, despertou o sentimento de amor à natureza, disseminando a prática de ações objetivas de cuidados com o meio ambiente.
Também em sua homenagem, existe, na Serra dos Cavalos, em Caruaru, Pernambuco, o Parque Ecológico Professor João Vasconcelos Sobrinho, reserva estadual de Mata Atlântica, com uma área de brejo de 359 hectares.
(Fonte: Fundaj: Recife, 6 de maio de 2008.)

8 comentários:

  1. Elcio Alves de Barros - Coordenador do CERBCAA/PE4 de janeiro de 2009 17:40

    Ao final de mais um ano, todos nós nos dispomos a avaliar o ano que termina e renovamos as eperanças de uma vida melhor no ano que se inicia.


    Em 2008, nós pernambucanos aumentamos nosso débito com o Professor Vasconcelos Sobrinho.
    Um pernambucano dos grandes, que pelo seu pioneirismo no estudo do nosso principal bioma, a Caatinga, foi muito pouco lembrado
    neste ano de seu centenário de nascimento.

    E para que neste final de 2008, e chegada de 2009, que se prenuncia como de grandes desafios para todos envolvidos com a preservação da Caatinga, vale relembrarmos um pouco dos ensinamentos deste mestre, resumidos, como uma mensagem de fim de ano, no texto que ele mesmo nomeou de mandamentos da ecologia (adaptado livremente):
    1.Ama a Natureza como a ti mesmo;
    2.Defendas a natureza, através de teus atos e das tuas palavras em qualquer ocasião;
    3.Guardarás todas as matas, pois tua vida depende delas;
    4.Honrarás todas as formas de vida, e não apenas a humana;
    5.Não matarás;
    6.Lutarás pela pureza do ar, protegendo as crianças, os velhos e doentes;
    7.Trabalharás a terra mantendo-a sempre produtiva, deixando-a fértil para as gerações que te sucederão;
    8.Entenderás que o lucro não deve ser um meio que justifique a degradação da natureza;
    9.Protegerás as fontes e os rios;
    10. Viverás na certeza que o nosso planeta também pertence aos que estão por nascer.

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  2. Vasconcelos Sobrinho: a dimensão de um homem
    Publicado pelo JC em 17.06.2008.


    Por: RICARDO BRAGA é ambientalista, professor da UFPE e ex-secretário executivo de meio ambiente de Pernambuco

    Costuma-se dizer que, ao morrer, todos viram bons, pelo menos no curto prazo. Porém se alguém se foi há 20 anos e ainda é lembrado com carinho, reconhecimento e saudade, é porque de fato fez muito bem em vida. É o caso do professor Vasconcelos Sobrinho (como o chamávamos). Neste um século, desde o seu nascimento, muita coisa mudou, mas as questões com as quais trabalhou continuam válidas e atuais. São indicadores da aguda visão deste homem, pensador e formulador.

    Mas Vasconcelos Sobrinho não apenas formulou cenários e propostas, também foi realizador. Quando se fala em seu nome, é freqüente a associação com o Jardim Zoobotânico de Dois Irmãos, a Estação Ecológica do Tapacurá e com estudos sobre desertificação no Nordeste.

    Sua visão de mundo e da responsabilidade socioambiental diante dele vem de pelo menos 1949, quando publicou o livro As Regiões Naturais de Pernambuco, o Meio e a Civilização. Mais tarde, escreveu outro, expandido, focando todo o Nordeste, que editou com a colaboração de vários cientistas. Outros livros de sua autoria também se reportam a essa visão pessoal de mundo que, por vezes, transcendia ao seu tempo, como Ciência Religião sem Dogmas e A Arte de Morrer.

    As minhas experiências com Vasconcelos Sobrinho, já no fim da sua vida, foram sempre encantadoras. Uma delas foi quando me "intimou" a voltar do mestrado sem mesmo ter defendido a dissertação para lhe ajudar a estruturar o primeiro curso de especialização em ecologia de Pernambuco, na UFRPE. Outra se deu quando fui seu assistente em viagens pelo Sertão, para identificar o que ele já chamava de núcleos de desertificação, tendo como companhia a arquiteta Liana Mesquita, sua amiga de fé e de prática.

    Numa dessas viagens, subi um morro alto tentando seguir os seus passos rápidos, apesar dos mais de 70 anos de idade. Lá em cima, parou, sem fôlego e pálido, parecendo sentir tontura. Não teve dúvida, deitou-se no solo pedregoso e ali permaneceu por minutos, sem querer ajuda. Depois levantou as pernas na vertical, apoiando a cintura com as mãos, induzindo o sangue a descer por gravidade para o cérebro. Pouco mais, não se falava mais nisso, já pulando cerca que o bode não atravessa e desviando de gravetos espinhosos de uma caatinga sem folhas, na estiagem. Lembro-me que, desta viagem, eu trouxe uma cabrinha no colo, dentro da caminhonete da Sudene, a qual dei o nome de Serra Branca, município da Paraíba de onde ela veio para Recife.

    José Rafael de Menezes, que escreveu sobre ele, chamou-o de ecologista místico. De fato, o seu livro Catecismo da Ecologia trata de fé, enumera mandamentos da ecologia e chama os animais de irmãos. Mais: quem conviveu com Vasconcelos Sobrinho e não o ouviu falar sobre o curupira, aquele que protege os animais nativos dos caçadores, por iludi-los com suas pegadas de pés invertidos? O próprio professor me contou um dia que escreveu os Dez Ensinamentos do Padre Cícero e difundiu em calendário pelo povo da Caatinga. "Em mim podem não crer, mas em Padre Cícero eles acreditam".

    Outro viés diferenciador para o seu tempo era a disponibilidade em tratar com a imprensa, o que levou alguns acadêmicos a discordar da sua fala aberta e, às vezes, pouco "científica". Para responder tinha um forte argumento: "Prefiro errar algumas vezes ou ser mal entendido do que me omitir de contribuir para a ampliação da consciência ambiental". Neste momento, ele estava gerando as primeiras discussões locais sobre o papel do cientista diante da sociedade.

    Foi com esse ímpeto que nos ajudou a criar a Associação Pernambucana de Defesa da Natureza (Aspan), uma das primeiras do Brasil, da qual tenho a satisfação de ter sido um dos fundadores e primeiro presidente. Foi com esse ímpeto que denunciou o desmatamento da Mata do Engenho Uchoa e da Mata de Caetés, sendo as duas depois transformadas em Unidade de Conservação.

    Fui testemunha de sua pressa e ansiedade no final da vida, vendo que tinha Mal de Parkinson e que iria parar. Parou, mas nós continuamos.

    ricardobraga.jc@gmail.com

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  3. Vasconcellos Sobrinho e o Amadurecimento da Compreensão da Desertificação no Brasil

    Além dessa concepção abrangente sobre desertificação e dos fundamentos propostos para a desertologia, tão próximos aos da ecologia, pode-se sintetizar o que há de mais atual e relevante nas posições defendidas por Vasconcelos Sobrinho, principalmente nos seus trabalhos posteriores à Conferência de Nairóbi:



    Procurar entender a desertificação nos contextos mundial, nacional e regional e avaliar a evolução da compreensão desse tema merecedor de uma Convenção das Nações Unidas é mais do que um exercício teórico ou um resgate histórico. Pode ser uma forma de analisar as motivações das ações já propostas e empreendidas, nelas encontrar as razões dos insucessos e ajudar a ajustar o foco das novas proposições, quando se elabora um Programa de Ação Nacional de Luta Contra a Desertificação e se busca ampliar as discussões e democratizar os conhecimentos.

    É impossível tratar de Desertificação no Brasil, e ainda mais em Pernambuco, sem associar esse tema ao ecólogo João de Vasconcelos Sobrinho, professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, onde também exerceu o cargo de vice-reitor, e consultor da SUDENE na década de 70 do século passado.

    A preocupação de Vasconcelos Sobrinho com os processos de degradação já estavam expressas em sua obra de 1949, As Regiões Naturais de Pernambuco, o Meio e a Civilização. Já no título vê-se a integralidade da compreensão do autor quanto aos fatores socioambientais, claramente expressa em texto no qual enuncia que, para a Ecologia da Conservação, não existe, pois diferença entre o meio e os seus resultantes, sendo clima, solo, vegetação, homem e ambiente uma só realidade ecológica. (Menezes, 1990). Vasconcelos Sobrinho voltou ao assunto da degradação das terras secas no seu livro As Regiões Naturais do Nordeste, o Meio e a Civilização, de 1970 e em obras posteriores.

    O antigo alerta sobre a formação do Deserto Brasileiro o habilitou, sem dúvida, a ser indicado pela SUDENE para participar do Seminário sobre Desertificação que antecedeu a Conferência das Nações Unidas sobre Desertificação, em Nairóbi, em 1977. Mas mesmo antes disso o professor começou a formular as bases propositivas para a criação da disciplina científica denominada de desertologia. Motivado pelas discussões internacionais, procurou adaptar suas experiências de ecólogo ao estudo da degradação ambiental na região semi-árida, propondo a desertologia não como o estudo dos desertos, mas como uma abordagem integrada dos aspectos causadores da degradação dos solos, da vegetação e dos recursos hídricos e suas consequências, mediatizados pêlos fatores ambientais, culturais e socioeconômicos.

    Para Vasconcelos Sobrinho, os núcleos de desertificação eram instrumentais da desertologia, definidos como áreas nas quais, pelas condições de solo caracteristicamente inóspito, o processo de degradação é mais rapidamente e mais plenamente alcançado (Vasconcelos Sobrinho, 1971), ou ainda, manchas aproximadamente circulares onde a fisionomia desértica se imprime mais denunciadora, que aparecem, de distância em distância, nas áreas afetadas. (Vasconcelos Sobrinho, 1982). Os núcleos de desertificação foram considerados, efeitos máximos do processo de desertificação e seus indicadores mais importantes (Vasconcelos Sobrinho, 1982) e, com tais, áreas privilegiadas para pesquisa e monitoramento, para neles se observar à ação dos variados fatores causadores da degradação. O conceito desses núcleos desertificados ou aréolas de desertificação esteve presente em obras de outros autores contemporâneos, tanto nacionais quanto internacionais.

    Os núcleos de Vasconcelos Sobrinho não resultaram de diagnósticos sobre a ocorrência da desertificação, mas foram proposições de metodologia para pesquisar os fenómenos envolvidos - referenciais de estudo para a proposta desertologia brasileira. Juntamente às definições de áreas-piloto, núcleos de desertificação e áreas parâmetros, há outras recomendações que integram o conjunto de princípios e métodos da nova ciência: periodicidade das observações (posto tratar-se da caracterização de um processo, e não de um fato acabado), o uso de tecnologias modernas para a época (fotos aéreas e computação), a valorização da caderneta de campo e a ênfase na interdisciplinaridade. Vasconcelos Sobrinho quis, com a desertologia, não formar especialistas, mas, ao contrário, dar aos especialistas das diversas áreas, a necessária visão integral do sistema a ser avaliado.

    Os métodos de estudo propostos eram, portanto, coerentes com a sua formação de ecólogo, direcionados para compreender o ambiente em sua totalidade. Além da proposição das bases da desertologia, fundamentadas na interdisciplinaridade e nos estudos periódicos, focados em territórios (áreas-piloto), Vasconcelos Sobrinho também propôs a criação de núcleos de desertologia, com vistas a detectar os processos de degradação dos solos, da cobertura vegetal e dos recursos hídricos, promover treinamento de pessoal e conduzir os estudos nas áreas piloto. Assim, a preocupação do professor era claramente a de um pesquisador da ecologia regional que, percebendo a oportunidade no âmbito internacional, propôs uma estratégia para a pesquisa no semi-árido nordestino.

    Deve-se notar que, apesar de não se aceitar atualmente a menção ao termo deserto (não só por temor das consequências políticas e dos desdobramentos sociais nas áreas afetadas, mas pela real inadequação conceituai), na época da conferência de Nairóbi a discussão sobre a formação de desertos prosperava nos círculos académicos mundiais, inclusive com proposições de termos técnicos para diferenciar a formação natural ou antrópica dos desertos (desertificação x desertização). A preocupação com a formação de desertos, considerados como clímax não obrigatório do processo de desertificação, posto que esse pode ser reversível, era o entendimento geral e da própria Conferência de Nairóbi, em 1977, dada a definição apresentada para a desertificação: degradação progressiva dos ecossistemas naturais de uma área, resultante de fatores naturais ou da ação do homem e geralmente de ambos, conjugadamente, podendo conduzirá formação de áreas desérticas...

    As discussões conceituais não resultaram em conclusões definitivas e devem ainda ter desdobramentos nos meios académicos, mas o texto vigente da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (BRASIL, 1998), que completa agora 10 anos, escapou sabiamente dessas polémicas: definiu desertificação como um entendimento (e seca como um fenómeno) e associou à desertificação a degradação da terra nas zonas áridas, semi-áridas e sub-úmidas secas, resultantes de vários fatores, incluindo as variações climáticas e as atividades humanas. E em todo o texto da Convenção não há uma única referência aos desertos ou a sua formação, nem a áreas desérticas e pré-desérticas.

    Mas não se pode julgar equivocada ou alarmista a posição de Vasconcelos Sobrinho em relação à chamada vocação desértica. Essa era a posição da própria Conferência de Nairóbi, e dos especialistas da época que ajudaram a embasar as observações anteriores do pesquisador pernambucano. Mas, já nessa época, o professor compreendia a desertificação como um processo generalizado extensamente presente nas regiões tropicais (Vasconcelos Sobrinho, 1982) e não exclusivo de núcleos ou áreas especialmente susceptíveis, numa compreensão generalizante, abrangente e inclusiva - como é a atual abordagem, depreendida da interpretação da Convenção elaborada em 1994 e assinada pelo Brasil em 1996. Por outro lado, a escala local e o foco em áreas específicas serviam para o estudo dos processos relacionados à degradação dos solos, da água e da biota, buscando maior familiaridade com o ambiente analisado. Pode-se dizer que Vasconcelos Sobrinho compreendia o problema regionalmente, mas se propunha a estudá-lo localmente.

    Mas não só a análise do problema interessava ao ecólogo e, também se antecipando às recomendações da Convenção, apresentava um elenco de ações de contenção da desertificação, com identificação e recuperação de áreas críticas, estabelecimento de política de água (com ênfase nas cisternas) e de recriação da caatinga.

    Além dessa concepção abrangente sobre desertificação e dos fundamentos propostos para a desertologia, tão próximos aos da ecologia, pode-se sintetizar o que há de mais atual e relevante nas posições defendidas por Vasconcelos Sobrinho, principalmente nos seus trabalhos posteriores à Conferência de Nairóbi:

    - Não pretendeu definir o processo de desertificação mas abranger, com esse termo, os variados processos de degradação ocorrentes nas terras secas (...É difícil dar uma definição precisa de desertificação em razão das distintas causas que a condicionam. Contudo, é certo que a desertificação é devida à fragilidade das terras secas em geral que, em decorrência da pressão excessiva exercida pelas populações humanas ou às vezes pela fauna autóctone, perdem sua produtividade e a capacidade de recuperar-se.)

    - Apresentou a primeira proposição brasileira de indicadores de desertificação e avaliou lucidamente as suas limitações. Lembrou da necessidade de se incorporar as tendências nos indicadores e apontou a importância de indicadores não necessariamente estatísticos, mas que facilitassem a tomada de decisões imediatas, ao mesmo tempo que defendeu indicadores locais, para permitir a comparação controlada entre diferentes condições do ambiente.

    - Apontou a ocorrência de fracassos de iniciativas de combate à desertificação, atribuindo-os ao diagnóstico tardio e à falta de integração na abordagem dos problemas.

    - Reconheceu a necessidade de se identificar e reformular os componentes desertificantes de projetos de desenvolvimento concebidos para o semi-árido nordestino.

    Infelizmente, para muitos, graças a pouca informação ou à leitura irrefletida, Vasconcelos Sobrinho foi o homem que alarmisticamente prenunciou o deserto nordestino. No entanto, o professor mostrava absoluta sintonia com as discussões internacionais e muitas de suas contribuições foram subvalorizadas ou mal interpretadas, sendo hoje aos poucos resgatadas em discussões mais amplas sobre o processo de desertificação.


    Isabelle Meunier - Professora do Departamento de Ciência Florestal da Universidade Federal Rural de Pernambuco(imeunier@ufrpe.br) VOLTAR

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  4. Talden Farias - Advogado, consultor jurídico e professor de Direito Ambiental.5 de janeiro de 2009 11:16

    Direito e Política Ambiental

    Domingo, 20 de Janeiro de 2008
    Professor Vasconcelos Sobrinho
    O ecologista e professor universitário João de Vasconcelos Sobrinho é um dos maiores nomes brasileiros na luta pela defesa do meio ambiente. Ele nasceu em Moreno no dia 28 de abril de 1908 e morreu no Recife em 1989, no Estado de Pernambuco.

    Ele foi um dos fundadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco, do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, do Jardim Botânico do Recife, da Estação Ecológica de Tapacurá e da Associação Pernambucana de Defesa do Meio Ambiente. Exerceu cargos importantes, como diretor do Serviço Florestal do Ministério da Agricultura, consultor da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste e vice-reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

    O professor Vasconcelos Sobrinho introduziu o estudo da Ecologia como ciência na universidade brasileira, ao criar a disciplina “Ecologia conservacionista”. Ele ministrou centenas de palestras e publicou cerca de trinta livros e uma infinidade de artigos sobre ecologia e conservação dos recursos naturais.

    Da sua obra se destacam os livros “As regiões naturais de Pernambuco, o meio e a civilização”, “As regiões naturais do Nordeste, o meio e a civilização”, “Metodologia para identificação dos processos de desertificação: manual de indicadores” e “Processos de desertificação ocorrentes no Nordeste do Brasil: sua gênese e sua contenção”. Entretanto, Manuel Correia de Andrade destaca “Catecismo da ecologia” na condição de obra precursora dos estudos sobre o meio ambiente no Brasil, ao tratar de assuntos como a mata atlântica e a degradação do Rio São Francisco. Para o historiador e geógrafo, o trabalho de Vasconcelos Sobrinho é tão importante para o meio ambiente quanto o de Josué de Castro em relação à fome.

    Ainda ao final da década de quarenta ele começou a tratar da questão da desertificação e em decorrência disso ganhou prestígio nacional e internacional como engenheiro agrônomo e ecólogo, tendo sido inclusive o primeiro cientista brasileiro a denunciar o problema. Por isso o governo brasileiro o escolheu como principal representante na Conferência das Nações Unidas sobre Desertificação, que ocorreu no ano de 1977 em Nairóbi, e nos seminários que antecederam a mesma.

    O professor Vasconcelos Sobrinho antecipou a conceituação ampla de meio ambiente, ao entendê-lo como a junção de fatores não apenas de ordem biológica, física e química, mas também cultural, econômica e social. Ele foi um dos pioneiros no Brasil a combater o entendimento do meio ambiente como algo alheio ao ser humano, um paradigma que ainda hoje encontra dificuldades para ser enfrentado.

    Para a formulação da disciplina científica denominada “Desertologia”, por exemplo, o professor Vasconcelos Sobrinho propôs não o estudo dos desertos e sim uma abordagem integrada dos elementos acarretadores da degradação dos solos, da flora e dos recursos hídricos e suas conseqüências, levando em consideração fatores ambientais, culturais e socioeconômicos. Nesse sentido, ele também antecipou a noção de interdisciplinaridade, outro conceito muito importante em matéria de meio ambiente, ao apregoar que a desertificação deveria ser estudada pelos vários tipos de engenheiros bem como pelos biólogos, ecólogos, economistas, paisagistas, sociólogos etc.

    Também em relação ao estudo da caatinga o professor Vasconcelos Sobrinho se destacou como pioneiro, posto que antes dele esse bioma era considerado sinônimo de miséria e escassez de recursos ambientais. Ele conseguiu provar que, além de ser muito rico, o patrimônio biológico da caatinga único no planeta, a ponto de incluir inúmeras espécies que só podem ser encontradas no nordeste brasileiro.

    É o caso da barriguda, amburana, aroeira, umbu, baraúna, maniçoba, macambira, mandacaru e juazeiro, em se tratando da flora, do sapo-cururu, asa-branca, cotia, preá, veado-catingueiro, tatu-peba, sagüi-do-nordeste e cachorro-do-mato. Em virtude disso, a data de aniversário do professor Vasconcelos Sobrinho foi instituída como o dia nacional da caatinga por meio de decreto presidencial.

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  5. ALIPIO CARVALHO FILHO5 de janeiro de 2009 21:39

    Amigo e Orientador Élcio,

    Obrigado pela Mensagem Natalina, colorida com os Mandamentos da Ecologia, criados e vividos por Vasconcelos Sobrinho.

    Em meu nome e representando os que fazemos a EMA, esperamos que, num futuro bem próximo, possamos provar nosso AMOR à NATUREZA, honrando todas as FORMAS DE VIDA existentes em nosso bioma, TRABALHANDO e mantendo PRODUTIVA a terra de nosso SEMIÁRIDO, nela produzindo sustento sem dizimar suas MATAS, sem MATAR suas árvores, PROTEGENDO seus RIACHOS, suas FONTES e a PUREZA DO AR, legando às CRIANÇAS, aos VELHOS, aos DOENTES e aos que ESTÃO POR NASCER uma CAATINGA NOVA, menos BRANCA e mais VERDE.

    Um abraço.

    ALIPIO CARVALHO FILHO - o Pankararu.

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  6. Como sertanejo não escondo o contentamento de ver esse Blog, com esse nome e esse propósito.
    Esse Bioma legitimamente brasileiro o merece. A propósito, dedicar o dia 28 de Abril à Caatinga é reconhecer seu valor e abrir consciências...

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  7. Como Pernambucano, orgulha-me saber que Joaão V. Sobrinho, esse grande brasileiro foi um dos ciêntistas pioneiros a colaborar pela conservação e preservação do meio ambiente no Brasil. Sencível aos problemas socioambiental, e comprometido a entender o nosso bioma (caatinga) unico no mundo e tão importante para o nosso Nordeste brasileiro. ( Edivaldo Rocha, Gestor Ambiental). edivaldo.lins@ig.com.br

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  8. Gostaria muito de ler o livro do professor Vasconcelos sobrinhos, queria saber se vcs nao o tem em pdf?
    aguardo resposta

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O Mapa dos biomas brasileiros

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Clip de 3 minutos com fotos de natureza no Brasil por Daniel De Granville Photo in Natura

Tom da Caatinga

Tom da Caatinga - Rio São Francisco Parte I

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