CPRH reconhece reserva natural em área urbana de Gravatá

Foto: RPPN - IMA

Distante 85 km do Recife, uma parte da antiga Fazenda São José e Caroá, na região serrana de Gravatá, recebeu a titulação de RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural. Em termos práticos, isso significa que a área, de 101.58 ha, será especialmente protegida por ser considerada de grande importância por sua biodiversidade e aspecto paisagístico, como parte dos recursos naturais do Estado.
A titulação fez parte da programação da Semana da Água, promovida pela Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos - CPRH, e ocorre quatro meses após a vistoria de técnicos da agência à área, que atestaram a procedência do pedido do proprietário, sr. Felipe Lucas Barros e Silva, protocolado em outubro de 2007. “É um evento importante para a cidade, resultado de uma preocupação que deveria ser de todos: a conservação do ambiente”, diz o proprietário.
Localizada na microrregião do Vale do Ipojuca, a RPPN ganhou o nome de Karawa-tã e apresenta relevo ondulado com afloramentos rochosos e riachos intermitentes. Após levantamento de campo sobre indivíduos representativos da fauna e da flora da propriedade, foram catalogadas espécies como juazeiro, algaroba, aroeira, baraúna e angico, dentre outras espécies da região. Na propriedade foi registrada ainda a ocorrência de mamíferos como raposa, tatu e guará (cachorro-do-mato), além de répteis e aves próprias do bioma caatinga.
Esta é a segunda RPPN estadual de bioma caatinga titulada pela CPRH - a primeira foi a RPPN Pedra do Cachorro, no município de São Caetano, em 2002. A nova reserva, no entanto, é seis vezes maior e está localizada a 200m da BR- 232, próximo à área urbana de Gravatá. Ela faz parte do complexo eco-turístico de Karawa-tã, empreendimento que espera recursos para ser implantado: nos 106 ha ao lado da reserva. Serão construídos chalés, parque aquático, pista para off-road e até um teleférico.
A RPPN compõe o projeto paisagístico do complexo e o proprietário prevê a instalação de trilhas ecológicas para aproveitamento de cunho recreativo e educacional. Esses projetos, no entanto, devem constar do Plano de Utilização da Reserva, que é uma das obrigações do proprietário na gestão da unidade de conservação. A implementação dos projetos e os usos pretendidos são submetidos à aprovação da CPRH.
Em breve a área titulada será sinalizada com placas, nas vias de acesso e nos limites da área, advertindo terceiros quanto à proibição de desmatamentos, queimadas, caça, pesca, apanha, captura de animais e quaisquer outros atos que afetem ou possam afetar o meio ambiente. O proprietário da RPPN deverá encaminhar, anualmente, à CPRH, um relatório de situação da reserva e das atividades nela desenvolvidas, sob pena de revogação da Portaria de Reconhecimento.

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