Dia Mundial de Combate à Desertificação

O efeito da desertificação na região de Gilbués,
a 797 km ao sul de Teresina (PI), é devastador. São 769.400 hectares de
processo acelerado de erosão (Fonte: SOS Rios do Brasil)

Segundo o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o Nordeste pode perder um terço de sua economia com o aumento da temperatura até o fim do século. O momento é de investir em alternativas sustentáveis de desenvolvimento, no gerenciamento dos recursos hídricos e em ações como a redução do uso de mata nativa da Caatinga para a produção de carvão.

O povo nordestino já convive com a desertificação e o problema começa a ser agravado pelo aumento da temperatura do Planeta, provocado pelas mudanças climáticas globais. O alerta é resultado da reunião que marcou ontem o Dia Mundial do Combate à Desertificação, em Fortaleza-CE. Durante o encerramento do evento, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, destacou a necessidade de governos estaduais e federal adotarem medidas urgentes, para que as quase 18 milhões de pessoas que habitam o semi-árido não sofram demasiadamente seus efeitos e disse que dos R$ 900 milhões de reais anuais do Fundo Clima, R$ 450 milhões vão para o Nordeste, para serem aplicados em programas de adaptação. Durante a cerimônia, no Palácio Iracema, foi lançada a II Conferência Internacional sobre Impactos de Variações Climáticas e Desenvolvimento Sustentável em Regiões Semiáridas. O evento vai reunir 50 países de cinco continentes e vai debater a vulnerabilidade, as mudanças climáticas, a desertificação e o desenvolvimento sustentável. Suas conclusões deverão subsidiar a Rio+20, proposta pelo Governo Lula às Nações Unidas, mas ainda sem confirmação. Minc anunciou as medidas que vêm sendo tomadas em parceria com nove estados nordestinos e Minas Gerais. Especialistas em estudos do impacto ambiental estimam que o aquecimento afete a vida de pelo menos oito milhões de nordestinos no final desse século. Eles serão os primeiros a sofrerem os efeitos de um processo que já começou. "Mesmo que tomemos medidas imediatas ainda haverá impacto, só que menor". Previsões indicam que a diminuição da oferta de terras para a agricultura e os longos períodos de estiagem vão afetar de maneira drástica o plantio do milho e da mandioca, base da alimentação do povo nordestino. As discussões em torno do problema mobilizaram boa parte dos debates do encontro de Fortaleza, que começou na segunda-feira. Técnicos da Embrapa previram problemas com a produção de alimentos em todo o País. O Plano Nacional sobre Mudança do Clima, aprovado por Lula em dezembro do ano passado, inclui medidas de mitigação dos problemas da desertificação, lembrou Minc. Até o final do ano, seis estados deverão estar com os seus planos prontos. Os Ministérios do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia convocaram o Painel Brasil de Mudanças do Clima para ter a idéia precisa do tamanho do impacto do aumento de temperatura sobre o Brasil. Com a conclusão dos trabalhos de mais de cem cientistas, que ficarão prontos até 2010, o Brasil terá um quadro mais preciso da situação do Nordeste e demais estados. Minc salientou que o Brasil terá que tomar medidas mitigatórias mesmo antes da conclusão do relatório. O Plano prevê a redução gradativa das emissões de carbono, responsável por quase 70% da contribuição brasileira para o aquecimento global, até 2017, centrado no combate ao desmatamento e mudança do modelo econômico da Amazônia.

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