Caatinga: Mudas de espécies em extinção são reproduzidas

Estudo feito pela Embrapa, em Petrolina, desenvolveu tecnologia para
germinação de quatro plantas ameaçadas de desaparecer.


O Brasil tem, segundo o Ibama, 472 tipos de plantas em risco de extinção, dos quais quatro estão na caatinga. São a aroeira-do-sertão, a baraúna, a imburana-de-cheiro e a quixabeira que, se depender da Embrapa Semiárido, deixarão de figurar na lista. É que pesquisadores da unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, localizada em Petrolina, Sertão de Pernambuco, desenvolveram uma tecnologia para a produção de mudas dessas espécies.
A partir de estudos da fisiologia das sementes das quatro árvores, a equipe identificou qual a melhor forma de estimular a germinação, se apenas umedecendo-as ou também fazendo um pequeno corte na casca. É o que se chama de quebrar a dormência. Na natureza, isso se dá pela ação da chuva ou do tempo, mas no laboratório é preciso recorrer a métodos artificiais.
Enquanto a aroeira e a umburana precisam apenas ser embebidas num papel com água para germinar, a baraúna e a quixabeira necessitam de um corte na casca do lado oposto ao do embrião. “Também verificamos a temperatura mais adequada e o melhor substrato, que pode ser areia, solo ou ainda uma mistura dos dois com a adição de esterco”, explica Bárbara França Dantas, que coordena o trabalho.
Os pesquisadores monitoram até a quantidade de luz que a muda recebe. Ao avaliar o crescimento da planta, eles verificam em que combinação de fatores ela se desenvolve melhor.
A agrônoma, com pós-graduação em fisiologia de sementes, explica que decidiu pesquisar a aroeira-do-sertão, a baraúna, a imburana-de-cheiro e a quixabeira para contribuir com a conservação dessas espécies. “Embora estejam ameaçadas, há pouca gente trabalhando com elas”, justifica. Segundo Bárbara, as quatro são exploradas para fins medicinais. “Da aroeira se usa a casca e a madeira, das outras três, as sementes. A baraúna também tem uso madeireiro”, esclarece.
Das quatro, a que mais Bárbara teve dificuldades de encontrar foi a quixabeira. “As outras a gente ainda acha fácil na caatinga, mas ela aparece apenas numa região chamada Salitre, aqui em Petrolina”, conta. A pesquisadora calcula que já produziu pelo menos 100 mudas das espécies. “Foram usadas nos experimentos. Mas o mais importante é que agora pudemos dizer como são produzidas essas mudas.” A equipe de Bárbara realizou dois cursos, este ano, sobre produção de mudas das quatro espécies.


(Fonte: JC - Por Verônica Falcão)

Comentários

  1. ajuda mas não muito.

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  2. Gosto das plantas da caatinga e já tentei fazer germinar sementes de Baraúna e não obtive sucesso. Fiz o corte para quebrar a dormência e mesmo assim a semente não germinou. Não sei bem a idade das sementes, e esse fator pode ter afetado a capacidade de germinação. Tentei também colocando as sementes em água quente e também não obtive sucesso. Gostaria de saber se existe mais de um tipo de Baraúna, e também se existe mais de um tipo de Quixabeira. Na minha região (Mossoró-RN), encontrei uma planta que os residentes locais chamam de Quixabeira Branca, que tem folhas diferentes da Quixabeira que sempre conheci. Não tem espinhos e seus frutos são semelhantes aos da Quixabeira. Gosto de reproduzir plantas da Caatinga que são consideradas raras, para inserir mudas na natureza. Qualquer informação pode ser enviada para meu e-mail: galdino1414@gmail.com

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    1. Amigo Galdino: O que sei talvez lhe possa ajudar:Sementes de baraúa(S. brasiliensis) com período de armazenamento igual a 0 foram as que apresentam melhores médias de germinação para todos os índices, seguida pelas sementes armazenadas há 12 meses. As sementes expostas a temperatura de 25°C apresentaram, maior porcentagem de germinação, maior velocidade de germinação e menor tempo médio de germinação. A temperatura e o tempo de armazenamento são fatores que influência diretamente o desenvolvimento inicial de sementes de baraúna.Realizar a escarificação mecânica nas sementes e depois colocá-las para germinar em substrato organo-arenoso. A emergência das plântulas ocorre entre 15 e 22 dias após a semeadura e a taxa de germinação é de 50%.
      Obs: Escarificação mecânica: é a abrasão das sementes sobre uma superfície áspera (lixa, piso áspero etc). É utilizado para facilitar a absorção de água pela semente.
      Atenciosamente,
      Elísio
      Obs: E se o amigo tiver como me enviar sementes da baraúna pelo correio, ficarei muio agradecido.

      Elísio Filho
      Rua Félix de Azevedo 238, Vila Nova, Cabo Frio, Rio de Janeiro
      Cep: 28907380

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  3. Gosto das plantas da caatinga e já tentei fazer germinar sementes de Baraúna e não obtive sucesso. Fiz o corte para quebrar a dormência e mesmo assim a semente não germinou. Não sei bem a idade das sementes, e esse fator pode ter afetado a capacidade de germinação. Tentei também colocando as sementes em água quente e também não obtive sucesso. Gostaria de saber se existe mais de um tipo de Baraúna, e também se existe mais de um tipo de Quixabeira. Na minha região (Mossoró-RN), encontrei uma planta que os residentes locais chamam de Quixabeira Branca, que tem folhas diferentes da Quixabeira que sempre conheci. Não tem espinhos e seus frutos são semelhantes aos da Quixabeira. Gosto de reproduzir plantas da Caatinga que são consideradas raras, para inserir mudas na natureza. Qualquer informação pode ser enviada para meu e-mail: galdino1414@gmail.com

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