Emissão de CO2 na Caatinga será medido por Torre

Torre - Foto: Dennis Barbosa/Globo
Equipamento será instalado em Araripina, no Sertão,
até o fim do ano. É o segundo do Estado.
Quando se fala em mercado de carbono, a caatinga perde espaço para a Amazônia e a mata atlântica em venda de créditos. É que, ao contrário das florestas tropicais, não se sabe ao certo quanto o bioma sequestra de CO2 da atmosfera. Esse cenário deve mudar em breve, com a instalação, no Sertão de Pernambuco, de uma torre para medição do fluxo de gás carbônico e vapor d’água, entre outros parâmetros.
O equipamento está em fase de importação dos Estados Unidos, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia. São R$ 230 mil para a aquisição da torre e a modernização de uma semelhante, existente em Petrolina. O prazo para a instalação é de três meses. “Até o fim do ano estaremos fazendo o monitoramento”, adianta a meteorologista Francis Lacerda, coordenadora do projeto, intitulado Estudo das Mudanças Climáticas e seus Impactos em Pernambuco (Muclipe).
A instalação da torre nova permitirá ainda comparar dados de captação do CO2 do ar entre áreas de caatinga preservada (Petrolina) e degradada (Araripina). A torre de Petrolina, em operação desde agosto de 2003, é do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e é operada em cooperação com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
“Alguns equipamentos, como os sensores de CO2, não estão funcionando”, revela a agrometeorologista da unidade da Embrapa em Petrolina, Magna Selma. A torre tem 11 metros, dois a mais que a altura média das árvores e arbustos da caatinga no local. A de Araripina também ficará acima da copa das árvores.
A altura exata da torre, bem como o local onde será instalada, serão decididos em reuniões na próxima semana. No dia 25, o grupo de pesquisadores que integram o Muclipe estará em Petrolina. Na manhã seguinte, o encontro será em Araripina.
Além das trocas gasosas entre a caatinga e a atmosfera, os sensores registrarão o índice de chuvas, a quantidade de energia que a vegetação transmite ao solo, a transpiração, a evapotranspiração e o albedo (fração da radiação solar que é refletida pela Terra). “Com isso, poderemos gerar modelos de previsão do tempo mais precisos para a região semiárida”, diz Magna.
Francis Lacerda, coordenadora do Laboratório de Meteorologia de Pernambuco (Lamete-Itep), explica que o crédito de carbono é um tipo de moeda entre países ricos e pobres. Ou seja, as nações desenvolvidas complementam suas cotas de redução de gases do efeito estufa, comprando de países emergentes créditos equivalentes ao carbono retirado da atmosfera pelas suas florestas. Isso porque nos países mais ricos há menos florestas que retiram CO2 da atmosfera e mais indústrias que lançam.
(Fonte: JC 19.08.2009 - Blog Ciência & Meio Ambiente (com link para http://jc3.uol.com.br/blogs/blogcma/)

Comentários

  1. Deu no Diário Oficial do Estado:

    Sertão pernambucano receberá torres de monitoramento de CO2

    Pesquisadores e técnicos do Projeto de Mudanças Climáticas e seus Impactos em Pernambuco - Muclipe visitarão os municípios de Petrolina e Araripina, entre os dias 24 a 27 próximos, com o objetivo de definir os respectivos locais onde serão instaladas torres micrometeorológicas. Até o final do ano, os equipamentos serão colocados em área de Caatinga, a fim de estudar as especificidades do Bioma diante das alterações climáticas na Região.

    A ação integra a 2a reunião do Muclipe, que além de definir os locais para a instalação dos equipamentos, vai analisar a disponibilidade e a necessidade de infraestrutura local para a instalação, condução e manutenção das torres, além da coleta de dados, validação e o envio de informações ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe, no Estado de São Paulo e ao Laboratório de Meteorologia de Pernambuco - Lamepe, no Recife.

    Representantes do Inpe, Lamepe, Embrapa, Instituto Agronômico de Pernambuco - IPA, UFRPE e da Universidade Federal de Campina Grande - UFCG participarão da reunião. Em Araripina, a torre será instalada na Estação Experimental do IPA. O equipamento, que já está em processo de importação, ficará localizado numa área de Caatinga degradada. Os pesquisadores do Muclipe vão identificar o melhor local para a instalação da torre durante a visita ao sítio da Estação do IPA no município.

    De acordo com a coordenadora do Muclipe, Francis Lacerda, que também é coordenadora do Lamepe, os técnicos do Inpe farão a manutenção da torre em Petrolina, que atualmente já está instalada no Campo Experimental da Caatinga da Embrapa. “Serão instalados mais censores na torre, com o objetivo de melhorar as medições de CO2, evaporação, calor, entre outras especificidades”, diz.

    A torre será transferida para outro local de Petrolina. O equipamento vai ser instalado numa área onde o Bioma Caatinga esteja totalmente conservado. “Há uma possibilidade de a torre ser colocada ou na Universidade do Vale do São Francisco - Univasf, ou ainda, permanecer noutra área da Embrapa.

    Muclipe - O Estudo de Mudanças Climáticas e seus Impactos em Pernambuco foi desenvolvido pelo Lamepe e reúne uma rede com mais de 50 pesquisadores de 10 instituições nacionais. O projeto foi aprovado no início do ano, no valor de R$ 1,5 milhão, pela Financiadora de Estudos e Projetos - Finep.

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  2. Araripina e Petrolina serão cidades pioneiras a elaborar cenários futuros de mudanças climáticas no NE - 19/8/2009

    A instalação de torres micrometeorologicas nas cidades de Araripina e Petrolina, até o final do ano, possibilitará o pioneiro monitoramento do fluxo de CO2 em municípios da Região Nordeste, permitindo a realização de estudos de detecção dos impactos das mudanças climáticas, a exemplo da identificação do tempo de degradação do Bioma Caatinga. A ação também permitirá a elaboração de cenários futuros das mudanças climáticas, a qual projetará cientificamente as condições da vegetação, tempo e clima dos respectivos municípios, nos anos de 2011, 2020, 2030 e 2040.

    De acordo com a coordenadora do Laboratório de Meteorologia de Pernambuco (Lamepe), Francis Lacerda, que também coordena o Estudo de Mudanças Climáticas e seus Impactos em Pernambuco (Muclipe) – projeto responsável pela instalação das torres micrometeorologicas em Araripina e Petrolina -, a identificação local dos impactos das alterações do clima, é o pressuposto básico para a elaboração dos panoramas futuros. “Não é possível preparar cenários futuros de mudanças climáticas sem realizar os devidos monitoramentos do meio ambiente”, afirma.

    Serão produzidos vários panoramas futuros para cada período de análise: 2011, 2020, 2030 e 2040. Os respectivos cenários apresentarão uma escala que varia segundo as condições climáticas mais otimistas, média e mais pessimista. Francis ressalta que não há mais condições de retroceder o quadro de eventos climáticos extremos presente no planeta, no entanto, é preciso que a sociedade evite a degradação do meio ambiente, para assim, evitar que o pior dos cenários venha a acontecer. “A população precisa reduzir a emissão de CO² na atmosfera, e parar de desmatar a vegetação”, destaca.

    Identificar saídas para a adaptação da população local é o principal objetivo da elaboração de cenários futuros das mudanças climáticas. “A desertificação das cidades sertanejas, por conta do desmatamento da Caatinga, é um grande problema ambiental, que também tem se transformado num problema social”, diz Francis. Ela espera que a elaboração dos cenários futuros de mudanças climáticas, da qual permitirá a visualização dos possíveis panoramas ambientais do futuro, os quais reverberarão direto no aspecto econômico-social da população, possa colaborar para uma maior conscientização da sociedade em relação ao tratamento dado à natureza.

    Os resultados dos impactos das mudanças climáticas e seus respectivos cenários futuros nos municípios de Araripina e Petrolina servirão de modelo para estudos em outras cidades que apresentam o clima árido e semi-árido do Nordeste brasileiro.

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