Vem aí o Programa de manejo florestal comunitário e familiar


Coordenado pelos ministérios do Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário, o programa vai permitir que ribeirinhos, indígenas, quilombolas, assentados e agricultores familiares recebam capacitação, apoio técnico e recursos financeiros para trabalhar a floresta de forma sustentável a partir dos planos de manejo comunitário. Para se ter uma ideia do alcance da medida, dos 210 milhões de hectares de florestas públicas geridas pelo Serviço Florestal aproximadamente 60% são de uso de comunidades locais, que podem ser atendidas pelo Programa. A eles, somam-se agricultores familiares, 512 mil indígenas que vivem em 105 milhões de hectares de terras, 3.524 comunidades quilombolas já mapeadas pela Fundação Cultural Palmares e 545 mil famílias assentadas na Amazônia Legal. É por meio dos planos de manejo que os habitantes organizam a retirada de madeira e produtos chamados de não madeireiros - óleo, borracha, cascas e frutos - sem esgotar a floresta. O lançamento do programa pelo governo federal atende a uma demanda das próprias comunidades, que em 2007 se mobilizaram em um congresso internacional no Acre para pedir uma política para o setor. As comunidades enfrentam obstáculos que vão desde a baixa articulação social e falta de crédito para comprar equipamentos à dificuldades na aprovação de planos de manejo obrigatórios para esse tipo de exploração econômica. A ideia do programa é agir nesses gargalos. O engenheiro florestal da Associação Plantas do Nordeste, Frans Pareyn, que trabalha com assentados na caatinga, diz que o manejo florestal comunitário pode complementar os ganhos dos habitantes do bioma durante a época de seca. Nesses períodos, o cultivo agrícola não é tão produtivo quanto nos meses de chuva. Segundo ele, uma família pode tirar, em médi a, de dois a três salários mínimos por ano com o manejo. As ações, prazos e atividades do programa vão ser definidos periodicamente em planos anuais de manejo florestal comunitário e familiar. O Serviço Florestal já trabalha na articulação institucional do primeiro deles. A expectativa é que o programa também possa favorecer o fortalecimento da identidade das populações tradicionais, a valorização cultural, atender a toda a cadeia de produção e dar apoio ao escoamento da produção.
(Fonte: Edgar Patrício- O Povo)

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