Chuva revela mundo de cores na caatinga



Caatinga chuvosa - fotos: Renata Pires

A caatinga, normalmente associada à cor cinza, pode se tornar vermelha, rosa, amarela, lilás, branca e até verde. O fenômeno ocorre durante a floração, quando os botões florais se abrem em pétalas, numa explosão de beleza. Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) analisaram 115 espécies lenhosas desse bioma e elaboraram um guia de floração, que na maioria das vezes coincide com as chuvas. É no período chuvoso, lembram os botânicos, que as plantas do semiárido saem da chamada estivação, quando perdem as folhas. Tipo de hibernação às avessas, a estivação é uma estratégia de sobrevivência das espécies da caatinga para enfrentar a seca. Com as primeiras chuvas, as folhas ressurgem. O verde também e, em seguida, as flores. As plantas estudadas são do Herbário UFP, no Centro de Ciências Biológicas da UFPE. A equipe analisou as chamadas exsicatas, que são ramos floridos desidratados, para verificar o período de floração. Tanto os meses em que as flores surgem quanto a cor delas estão registrados nas anotações feitas pelos cientistas, contidas na fichinha de cada exsicata. “Das sete categorias de cores das flores classificadas, encontramos seis na caatinga”, explica Marlene Barbosa. Ela é curadora da Herbário UFP e uma das autoras do guia, resultante de uma monografia de conclusão do curso de biologia da UFPE e recentemente publicado em forma de livro, intitulado Calendário didático de floração de espécies lenhosas da caatinga de Pernambuco, com base em coleções do Herbário UFP-Geraldo Muniz. A única que não está presente é a laranja. Criado em 1968, o herbário da UFPE tem 54.341 amostras de plantas. Desde dezembro de 2003, está cadastrado pelo Ministério do Meio Ambiente como uma das instituições públicas do País fiéis depositárias de amostras do patrimônio genético nacional. Foi o primeiro herbário de Pernambuco a ter esse reconhecimento. O levantamento, feito por Marlene, a professora Dilosa Barbosa e a bióloga Lilian Cristine Marinho de Lima, revelou, ainda, que 59% das flores são das cores mais vistosas. Ou seja, rosa, vermelha, amarela e lilás. O trabalho também descreve o tamanho das flores, se pequeno, médio, grande ou muito grande. A caatinga, segundo os estudos mais recentes, abriga 1.511 espécies vegetais. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a vegetação característica do semiárido se espalha por 827.242,46 quilômetros quadrados. Para o Ministério do Meio Ambiente, a área ocupada pelo único bioma exclusivamente brasileiro é de 762.753,67 quilômetros quadrados. Das 1.511 espécies vegetais da caatinga, pelo menos 318 são exclusivas do ecossistema. E cerca de 30% das plantas vasculares (com vasos para conduzir seiva e água) não ocorrem em nenhuma outra parte do planeta. Na caatinga, há desde florestas altas e secas, com árvores de até 20 metros de altura, até afloramentos de rochas com arbustos baixos e esparsos, como cactos e bromélias. Existe, ainda, o “mediterrâneo sertanejo” dos brejos de altitude, várzeas e serras.
(Fonte: JC - Ciência e Meio Ambiente - 10.10.2009)

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