Membros do CERBCAA/PE se reúnem com especialistas e técnicos do Estado. A reunião visa discutir a implantação de Unidades de Conservação na caatinga.


Biólogo luta por visão diferente do semiárido, com integração dos sertanejos e criação de reservas

O Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga - CERBCAA/PE estará se reunindo amanhã (13.05) na Sede do IPA - Instituto Agronômico de Pernambuco, juntamente com Rodrigo Castro da Associação Caatinga/Ceará, que está realizando um trabalho para o MMA - Ministério do Meio Ambiente e que vem somar ao esforço do CERBCAA/PE. É uma nova perspectiva e oportunidade para prosserguirmos no nosso trabalho. Conforme é do conhecimento de todos, a Direção do Comitê da Caatinga, sob a liderança do seu Coordenador Estadual, Elcio Alves de Barros, indicou anteriormente ao Governo do Estado de Pernambuco, três áreas para criação de Unidades de Conservação - UCs.
Por isto, convidamos técnicos do Governo do Estado (SECTMA e CPRH) membros do CERBCAA/PE, CNRBCAA, e representantes de Prefeituras a participarem deste encontro.
O Governo de Pernambuco tem cerca de 50 UC's, nenhuma na caatinga, portanto estamos somando esforços para atingirmos este objetivo.

Quem é Rodrigo Castro

Fundou a Associação Caatinga, a Asa Branca e a Aliança da Caatinga, que trabalham para trazer um novo olhar para o semiárido brasileiro, preservando a flora e a fauna e fomentando o desenvolvimento sustentável do entorno das reservas.
Rodrigo ganhou o mundo por 12 anos. Escolheu a biologia inspirado por dois professores e, com uma bolsa, partiu para Zurique (Suíça), sua terra natal.
Ao graduar-se, fixou-se no Brasil pelo curto tempo em que trabalhou no projeto Tamar, em Sergipe.
Lá, vivenciou pela primeira vez a conservação integrada à população local.
Era o oxigênio de que precisava para optar por aprofundar-se em desenvolvimento humano, tema de seu mestrado, realizado na Irlanda, e raiz do convite para coordenar um projeto social em Moçambique, onde viveu por quatro anos.
Indeciso entre permanecer na África ou retornar ao Brasil, atendeu ao chamado de um amigo e fez as malas rumo ao Ceará, sem saber que descobriria, ali, a sua grande paixão.
"Quando subi na chapada [do Apodi], me apaixonei pela energia e pela força daquele lugar. Com aquele visual, decidi recomeçar pela caatinga."
Recomeço que já dura dez anos, em que Rodrigo vem irrigando uma necessária transformação nesse esquecido bioma genuinamente brasileiro.
Como líder da Associação Caatinga, da Asa Branca e da Aliança da Caatinga, trabalha para construir conceitos diferenciados de preservação em nove Estados nordestinos e no norte de Minas Gerais.
Juntas, beneficiaram mais de 50 mil sertanejos por meio de educação ambiental, geração de trabalho, pesquisas científicas e incentivo ao ecoturismo.
Na luta para "inverter a referência de quem sempre vê o mar à sua frente", Rodrigo hoje peleja pela criação de RPPNs (Reserva Particular do Patrimônio Nacional).
"É preciso deixar de dar as costas para a caatinga, num movimento de 180º para enxergar o mundo que existe atrás do litoral."
O maior desafio dessa quebra de paradigmas é apagar o estigma de "êxodo, miséria, caveira de gado e açude rachado".
É mostrar a beleza, a criatividade, a força do homem que vive ali.
"Um novo olhar para a caatinga é o desafio permanente", ressalta Rodrigo, que se inspira na carnaúba, a "tamareira da caatinga", de que tudo se aproveita, ao descrever o bioma em que semeou sua missão de vida.
"Carnaúba significa árvore da vida. Ela tem o valor de ser útil, sustentável, perene, cheia de vida. E é bonita", metaforiza.

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