São Raimundo Nonato tem maior conjunto de arte pré-histórica em rocha do mundo.


Apesar de todo cuidado que eles têm com sua pré-história, ainda existem problemas no presente da cidade que precisariam de uma maior atenção.
O JN no Ar foi para a cidade piauiense de São Raimundo Nonato. Vamos direto aos números do estado.
Piauí: mais de três milhões de habitantes. A economia do estado, a menor da região nordeste, é puxada pelo setor de serviços. No campo, a seca é uma constante ameaça.
A renda média mensal é de R$ 713, abaixo da média nacional de R$ 1.025. O acesso à rede de esgoto é o mais baixo do país.
A taxa de mortalidade infantil é a menor da região nordeste, a de homicídios também. Um em cada quatro habitantes não sabe ler nem escrever. Pouco mais de dois milhões de eleitores votam no Piauí.
São Raimundo Nonato aparece no meio da paisagem seca da caatinga. Para nossa sorte, a pista do futuro Aeroporto da Serra da Capivara ficou pronta há pouco mais de um ano. É a única parte concluída do projeto aprovado em 1997.
Obra inacabada parece ser a marca do lugar. A estrada que liga a região à capital, Teresina, também alterna asfalto com trechos de terra. O comércio e os bancos transformam a cidade em um centro importante para a região.
Hoje, moradores reclamavam do cheiro do sistema de esgoto instalado em São Raimundo Nonato. “Já tive que me mudar quando a minha filha nasceu, por causa do mau cheiro”, revela uma senhora.
Mas tem um trabalho na região que vai consumir muito mais tempo. Gerações de arqueólogos ainda vão estudar o Parque Nacional da Serra da Capivara, a 40 quilômetros da cidade.
Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, o parque tem a maior concentração de arte pré-histórica em rocha do mundo, mais de 900 sítios arqueológicos, 1,3 mil em toda a região.
Os desenhos de até 30 mil anos atrás foram feitos pelas mãos de alguns dos primeiros seres humanos a caminhar pelo continente americano.
“Preservar a história integrando a comunidade foi uma das primeiras decisões que tomou a Fundação Homem Americano, quando percebeu que, com uma população ignorante e pobre em volta, não ia conseguir preservar nada”, declara Rosa Trakalo, da Fundação Homem Americano.
No bem cuidado centro de visitantes, um vídeo mostra imagens da pioneira da pesquisa. A arqueóloga paulista Niede Guidon trabalha no local há quatro décadas. A dedicação da doutora Guidon trouxe para Nonato um curso de Arqueologia, que já formou três turmas.
Lucas Braga, órfão de pai pedreiro, está no segundo ano de faculdade e trabalha há seis na Fundação do Homem Americano, criada por Niede. “Eu fui aluno do Pró-Arte FUMDHAM, que é um projeto social da FUMDHAM. Pretendo fazer mestrado fora e pretendo voltar para cá para eu estudar aqui”, afirma o estudante.
Sônia Rosário morou 12 anos em São Paulo e queria voltar. Só conseguiu depois da vaga de recepcionista no museu criado pela fundação. “Eu gosto de morar aqui que é mais tranqüilo. São Paulo já é muito perigoso”, comenta.
O museu, rico em achados da região, usa os recursos mais modernos e mostra apenas uma parte do imenso acervo de peças a serem estudadas que estão nos laboratórios. “Tem muito trabalho para muitas gerações de arqueólogos e vários tipos de sítios”, aponta a arqueóloga Gisele Felice.
Ninguém vai escrever a pré-história do continente americano sem estudar a fundo o tesouro dessa cidade piauiense. Ao contrário das outras obras inacabadas da cidade, esta é uma boa notícia em Raimundo Nonato. (Fonte: Blog do JN no Ar)

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