Reserva de Sergipe dá tratamento vip a aves de rapina. Parque dos Falcões abriga aves na Serra de Itabaiana, em Sergipe, há 12 anos.

Aos 7 anos, o sergipano José Percílio Costa cismou que queria um falcão de presente. Ganhou um ovo do pai de um amigo e pôs uma galinha para chocá-lo. Tito, como foi batizado o carcará, nasceu no dia do aniversário de Percílio. Hoje, 27 anos depois, é a estrela do Parque dos Falcões, centro de preservação de aves de rapina no pé da Serra de Itabaiana, a 45 quilômetros de Aracaju.

O tratador Percílio e Tito, o carcará fêmea: parente distante dos falcões

Percílio é o idealizador e principal tratador do parque, autorizado pelo Ibama. Em 1999, ele comprou o terreno de 16 hectares com a mesada que recebia da mãe e abriu o local para visitação. No início, o lugar não tinha nem luz elétrica. Hoje, é referência no manejo, reprodução e reabilitação de cerca de 300 aves de 29 espécies, entre falcões, gaviões e corujas.
O sergipano não tem ensino superior. Diz ter aprendido tudo o que sabe sobre aves observando Tito, na verdade uma fêmea, como Percílio descobriu depois.
No parque, as aves adestradas vivem soltas, as que estão sendo treinadas, parcialmente soltas. Quando chegam mutiladas, são colocadas em viveiros, para que se recuperem com segurança.
Os animais têm uma rotina regrada. Tomam banho três vezes por semana e são alimentados com codornas, pintos e ratos. As aves em adestramento têm uma hora de voo por dia para “queimar gordura”, diz Percílio, que conta com a ajuda de um biólogo e um veterinário.
“O que eu faço não é falcoaria. Não treino minhas aves para a caça. Elas só precisam caçar para sobreviver. Aqui, elas não dependem disso”, explica.

Michael

Os animais chegam ao parque por meio do Ibama, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Ambiental. Quem conhece o tratador também colabora. Em agosto de 2009, ele soube por um amigo agricultor da região da existência de um urubu albino perambulando por ali.
O tratador encontrou a ave um mês depois, quase morta, em uma poça de lama. Levou o urubu branco de bico rosado ao seu sítio e batizou-o de Michael, em homenagem a Michael Jackson. Quando o animal estava bem de saúde, a imprensa noticiou sua presença no parque. A ave rara chamou a atenção de traficantes de animais silvestres, que furtaram Michael do sítio. Três homens foram presos na Paraíba, 17 dias depois. O urubu, que seria vendido por cerca de R$ 40 mil, já estava morto. “Foi como perder um filho.”
A fêmea Tito continua por lá, perto de seu tratador. E, como Percílio, nunca se casou. “Tentei colocá-la para reproduzir, mas não deu certo. Acho que ela está se guardando para mim”, brinca.
(Fonte: Carlos Lordelo - O Estado de S. Paulo)

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