Há 10 anos o Rio dos Cóchos passa por um processo de recuperação. Exemplo de união.


Após a exploração do carvão, na cidade de Januária, no Norte de Minas Gerais - tema do programa exibido neste sábado no Globo Ecologia - o Rio dos Cóchos foi secando. Da década de 80 até o início dos anos 2000, os produtores rurais da região foram percebendo este fato, que começou a atrapalhar a produção local às margens do rio. Atualmente, diversas ações são feitas para a recuperação do rio, paralelamente com a criação de alternativas de geração de renda para os trabalhadores da cidade.
Em1994, os próprios agricultores pediram assistência à Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) para fazer um diagnóstico do rio. Com o estudo na mão, a Emater fez um projeto de recuperação, mas não tinha apoio financeiro para colocá-lo em prática.
Em 2001, os produtores e a Emater fizeram parceria com a Cáritas Diocesana da cidade e com uma instituição católica alemã. O projeto, que tem duração de três anos e pode ser renovado ao final, faz um trabalho de capacitação e mobilização dos agricultores das comunidades para a recuperação do Rio dos Cóchos.
Jaci Borges de Souza, produtor rural e presidente da Assusbac (Associação dos Usuários da Sub-bacia do Rio dos Cóchos), associação que mobiliza outros projetos para dar sequência ao que é feito no rio, conta que a cada três anos eles fazem uma avaliação do que já foi feito e tentam uma nova aprovação para o próximo triênio, caso que acontece agora. “Estamos na expectativa de aprovação. O contrato venceu este mês. Em relação ao rio propriamente dito, tivemos muitos avanços nos seguintes aspectos: no início houve muita resistência para isolar a margem do rio, e embora não tenhamos conseguido isolar toda a margem, conseguimos fazê-lo parcialmente. Atualmente boa parte dos produtores, que antes discordava deste processo, concorda”, diz Jaci.
Entre as ações de conscientização estão visitas a outras regiões, onde projetos de recuperação similares foram feitos e deram resultados. Além disso, o projeto se preocupa em buscar alternativas de geração de renda para os trabalhadores que têm que aguardar o processo de recuperação do rio. Entre as atividades oferecidas, extrativismo de pequi, cagaita, panã e maracujá do cerrado. “Inicialmente eles ainda estão trabalhando com o pequi, mas há parcerias com universidades que fazem pesquisas com os outros frutos para explorá-los de forma sustentável”, explica Jaci. Outras alternativas de geração de renda como a apicultura e a criação de pequenos animais, como caprinos, também são incentivadas pelo programa apoiado pela Cáritas.
Dentre as medidas utilizadas para recuperar o rio estão a criação de tecnologias de contenção de enxurradas, chamadas barraginhas, que são bacias colocadas nos declives com intuito de acumular água para infiltrar no solo, melhorando as condições de plantio. A diminuição da utilização do fogo também tem contribuído para a melhoria das nascentes. “Antes, quando chovia, a população sofria com enchentes. Hoje ela chega de forma gradativa e limpa. É claro que ainda não está 100%. Desde a época do diagnóstico, sabíamos que teríamos ações a curto e longo prazos”, diz Jaci. A próxima etapa do projeto é construir uma nova unidade de beneficiamento de frutos de quintais, onde os produtores possam processar frutos como mangas e goiabas. “Aqui na região, 80% da safra de manga não é aproveitada por falta de estrutura para armazenar e processar o produto”, explica.
O projeto ainda tem problemas com a questão da manutenção de estradas que dão acesso à comunidade. “Quando chove, a máquina tira a terra de um local e tapa os buracos provocados pela chuva. Ainda estamos na luta para tentar adequar a manutenção de estradas”, explica.

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