Área de caatinga é preservada por iniciativa de Rachel de Queiroz.



Parte da fazenda da escritora no Ceará foi transformada em reserva natural.
No lugar é possível desfrutar das riquezas do sertão.

Globo Rural

O município de Quixadá, no Ceará, ficou famoso por ser o local escolhido pela escritora Rachel de Queiroz para a produção de seus livros. Parte da fazenda onde ela passava os dias e trabalhava foi transformada em RPPN, Reserva Particular do Patrimônio Natural. A reportagem do projeto Globo Natureza comemora os 11 anos das edições diárias do Globo Rural.

A paisagem exuberante não é o único atrativo da cidade de Quixadá, no Ceará. O lugar também exibe o orgulho de ter sido adotada pela escritora Rachel de Queiroz, que nasceu em Fortaleza e passou boa parte da vida no pedaço de sertão que tanto inspirou suas obras.

A primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras foi a criadora da literatura regional moderna. No primeiro livro, O Quinze, Raquel de Queiroz mostrou a luta dos sertanejos para sobreviver a uma das maiores secas da história. A escritora também revelou um sertão de mulheres fortes, como na obra Memorial de Maria Moura, que virou minissérie na TV Globo.

A velha estação de trem é parada obrigatória na viagem ao sertão de Rachel de Queiroz. O lugar, por onde passava o trem que levava passageiros de Fortaleza para o sul do Ceará, tem o nome de Daniel de Queiroz, pai da escritora. Seguindo a linha do trem, é possível encontrar as memórias de Rachel de Queiroz na fazenda que ela tanto amava.

"Está exatamente como a Rachel deixou. Só não é mais a geladeira porque eu troquei. Mas ela até tinha uma geladeira no mesmo lugar", explica Maria Luiza Queiroz, irmã de Rachel de Queiroz.

Maria Luiza, a irmã mais nova de Rachel, mora no Rio de Janeiro, mas, como a escritora, sempre cultivou o hábito de passar férias na fazenda com filhos e netos. Uma das áreas da fazenda que Rachel mais gostava é uma espécie de bosque formado só por árvores da caatinga. "Ela tinha muita vaidade de dizer que tem todas as árvores da caatinga tem na fazenda”, diz Maria Luiza.

Um terço dos 928 hectares da propriedade foi transformado em Reserva Particular do Patrimônio Natural. A iniciativa de criar a RPPN foi da própria escritora.

A produção da fazenda Não me Deixes é suficiente apenas para ajudar o sustento das sete famílias que vivem no lugar e para as atividades básicas da fazenda. Este ano, foram colhidos milho e feijão na roça que fica próximo à reserva. O desafio de fazer os funcionários obedecerem aos limites já foi conquistado.

O agricultor Evandro Pereira da Silva virou um guardião da caatinga. "É grande e tem muitos cantos que a pessoa pode entrar sem ninguém ver. Então, a gente tem que andar e prestar atenção”, explica.

Carlos Nogueira é engenheiro agrônomo e faz doutorado em ecologia. Entre as árvores típicas da região, ele encontrou uma grande quantidade da espécie que pesquisa: a dalbergia cearensis ou pau violeta, como é conhecida popularmente. A árvore produz madeira nobre e começou a ser explorada no período colonial.

"Os móveis de Luis XIV e Luis XV foram feitos com madeira saída da caatinga nordestina, do semiárido do Nordeste. Hoje, está representada no museu do Louvre. Existem 14 móveis do Louvre feitos com madeira saída do Ceará no reinado de Luis XIV e Luiz XV com a madeira dalbérgia cearensis", diz o agrônomo.

Durante dois anos, Carlos Nogueira monitorou tanto árvores adultas como em crescimento. O agrônomo diz que a criação de reservas é fundamental para o conhecimento da caatinga. “Você não vai encontrar essas espécies que são endêmicas daqui em outro local. Então, você vai está deixando de mostrar para a humanidade o potencial que existe nessas espécies que podem ser utilizadas para o bem da humanidade", explica.

A escritora Rachel de Queiroz queria preservar para servir seja na cozinha da fazenda, onde os aromas e sabores são mantidos como antigamente, seja fora dela, onde ainda é possível desfrutar das riquezas do sertão, que ilustrou os livros e a vida da escritora.

Comentários

  1. Amigos,
    que maravilha de postagem e de iniciativa,é de ações e exemplos como esse,que o nosso país precisa,pois só assim,o nosso meio ambiente,terá alguma chance de continuar nos dando condições para viver...

    Abraço.
    Paulo Romero.
    Meliponário Braz.

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