Conheça o Parque da Cidade de Pedras, no Piauí.


O Parque Nacional das Sete Cidades fica a 190 quilômetros de Teresina. O local tem 6,2 mil hectares e é famoso pelos monumentos geológicos.

Terra de encantos e cultura preservada. Partimos da Capital, Teresina, e viajamos 170 quilômetros até Piracuruca, onde está um dos mais famosos parques nacionais do País: Sete Cidades. uma metrópole de pedra. Uma área de transição entre o Cerrado e a Caatinga, com 6.000 hectares protegidos pelo Ibama. E por gente como o turistólogo Oziel de Araújo Monteiro, voluntário na defesa desse patrimônio e "inventor" de uma nova profissão: curiólogo, "cara curioso, que aprende tudo e vivencia na alma o lugar", como ele mesmo define.
E o curiólogo que praticamente nasceu dentro do parque é nosso guia para conhecer de perto estas Sete Cidades e suas fantásticas atrações. Segundo o "curiólogo" Oziel, no Parque "o xique-xique é um cacto chique duas vezes".
Chique mesmo é contemplar as formações de arenito, distribuídas em sete blocos, onde a mãe Natureza mostrou todo o dom artístico. São rochas de 400 milhões de anos, aproximadamente, quando o sertão nordestino era mar. Com o recuo das águas, os mineirais ficaram expostos a temperaturas elevadas e começaram a tomar formas diversas. Hoje o sertão ainda tem água. As nascentes que brotam no Parque abastecem o circuito das águas e suas piscinas naturais.

A imaginação ganha formas

E nas montanhas de pedra, a arquiteta imaginação cria um novo mundo... imaginário. Lentamente, surge uma tartaruga. E outro bicho, o elefante. Do outro lado, descansa o cachorro, um São Bernardo. Até animais gigantes e famosos têm espaço, como o lendário King Kong. O boi sem chifre e o galo sem cabeça também estão lá. O galo literalmente perdeu a cabeça: segundo o turistólogo Oziel "diz a história que os primitivos degolaram a cabeça dele porque ele cantava muito cedo".
Em Sete Cidades a imaginação não tem limites nem distâncias. Nessa pedra, por exemplo, o nome veio de longe, da França: é o Arco do Triunfo, ou simplesmente Arco, para os mais antigos. Segundo os místicos esse seria um portal para um novo mundo. E quem atravessasse poderia fazer até 3 pedidos. Com 3 exceções: nem casamento, nem riqueza, nem beleza. Eu já sou casado, não me preocupo muito com dinheiro e sei que não sou nenhum galã. Vou fazer meus pedidos aqui, mas em segredo.
Nas Sete Cidades, um mapa do Brasil, na pedra. E até quem proclamou a Independência do brasil foi homenageado: D. Pedro I parece estar comendo alface.

Misticismo na gruta

Na quarta cidade está um lugar muito frequentado por romeiros, a gruta do Catirina. Era um eremita, um curandeiro, que tinha ervas medicinais e com elas tentava curar o filho deficiente físico e mental. "A vinda do Catirina para essa gruta foi por pressão da sociedade, por causa do problema do filho. Imagine na década de 20 ou 30 o que era isso no sertão do Piauí", conta Oziel.
Depois da saída de Catirina, as pessoas passaram a frequentar a gruta, fazer rezas, acender velas e deixar oferendas aqui. A poucos metros da caverna está o túmulo onde o eremita e o filho foram enterrados.
O Parque de Sete Cidades é famoso pelas marcas do passado. No Sítio Arqueológico do Camaleão, figuras retratam como era a vida há 6.000 anos. Com a palavra o turistólogo Oziel: "O que se sabe é que houve ocupação humana na pré-história, mas alguns historiadores dizem que foram os fenícios, há 3.000 anos; outros dizem que foram os vickings; outros, que foram os extraterrestres e alguns autores brasileiros atribuem aos primitivos mesmo, tribos do kiriris ou tabajaras, que viveram nessa região na faixa de 2.000 a 3.000 anos atrás.
"Tem um clima de misticismo, de arqueologia, é um lugar fascinante", opina o turista Roberto Broder.

Bendita maldição!

Diz a lenda que Sete Cidades é resultado de uma maldição lançada a um príncipe e a uma princesa, petrificados em forma de lagartos, um de frente para o outro, a pouicos metros. Os 7 reinos viraram rochas. Diz a lenda também, segundo Oziel, que quando os lagartos "príncipe" e "princesa" se reencontrarem e se beijarem, tudo voltará ao normal. "Mas tem que ser naturalmente, ninguém pode apressar o processo senão vira pedra também", esclarece o turistólogo.
Enquanto o feitiço não se desfaz, vale contemplar a magia da cidade de pedras.
(Fonte: EPTVglobo)

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