quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Turismo distante do Vale do Catimbau




Parque com uma área de 62 mil hectares e 23 sítios arqueológicos vem sendo
vítima de degradação e atos de vandalismo (Foto: Pernambuco de A-Z)



Segundo maior parque arqueológico do país, o Parque Nacional do Catimbau, no município de Buíque, distante 285 quilômetros do Recife, é considerado uma das sete maravilhas de Pernambuco. Mas o parque, com uma área de 62 mil hectares e 23 sítios arqueológicos, ainda não tem seu potencial turístico explorado de forma sustentável.
Ao contrário, vem sendo vítima constante de degradação por atos de vandalismo. Em janeiro deste ano, algumas das pinturas rupestres desenhadas nas cavernas por grupos que viveram há mais de seis mil anos no local foram cobertas com tinta a óleo.
O painel danificado mede dois metros de comprimento por três metros de altura. A tinta encobre a parte central, onde há desenhos de animais (tartaruga), duas mulheres grávidas juntas, uma fila indiana, sugerindo que o grupo de pessoas participava de um ritual sagrado, entre outros grafismos. Um trecho só com pinturas da tradição agreste, na parte mais alta da rocha, não chegou a ser atingido.
Dos 23 sítios arqueológicos catalogados na unidadede conservação, o Pedra da Concha é o mais visitado e também o de mais fácil acesso. Abriga as primeiras inscrições encontradas no Vale do Catimbau e é o único lugar do parque onde são observadas num mesmo painel as pinturas de tradições do Nordeste (aquelas que formam cenas e dão ideia de movimento) e do Agreste, representadas por figuras estáticas, com desenhos abstratos. Com extensos paredões de granito, o Vale do Catimbau abriga várias cavernas, "canyons" e sítios arqueológicos com inscrições rupestres. Trata-se de um importante patrimônio cultural e natural esculpido pela natureza há mais de 150 milhões de anos.
Apesar da riqueza natural e histórica, o município de Buíque ainda amarga um cenário de contrastes: de um lado, as potencialidades abertas ao turismo, de outro, uma das piores renda per capita do Agreste do estado de R$ 59,95, segundo pesquisa do IBGE em 2000.
Estudo - Natural de Buíque, a administradora de empresas Rosecleide Ferreira resolveu usar a tendência da cidade para o turismo como objeto de estudo do seu mestrado em gestão em desenvolvimento local sustentável pela Universidade de Pernambuco (UPE). Segundo ela, o ecoturismo é tido como um segmento da atividade turística que utiliza de forma sustentável o patrimônio natural e cultural. "O ecoturismo incentiva a conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista, através da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações envolvidas", revela Rosecleide.
Em sua pesquisa, que durou 20 meses, ela conta que percebeu uma grande aceitação por parte da população local para o fomento da atividade do ecoturismo. "A transformação do vale em Parque Nacional até agora não trouxe os resultados esperados", afirma. Segundo ela, para a promoção do ecoturismo no município, é necessário que ocorram participações dos govenos, setor privado e dos moradores. "É importante que a população esteja envolvida. Do contrário, não haverá desenvolvimento sustentável", ressalta.
A pesquisadora elenca alguns passos que precisariam ser feitos:analisar a percepção da população residente e poder público a respeito do ecoturismo, enquanto ferramenta para o desenvolvimento local sustentável; avaliar o grau de participação da população residente, lideranças locais e representação municipal nas várias etapas de gestão de políticas publicas voltadas para o município e proporcionar informações que auxiliem o município a planejar adequadamente a atividade turística. Desde 1997, a Embratur identificou o município com potencial turístico e ele foi incluído em uma das rotas do programa Pernambuco Conhece Pernambuco, mas os resultados ainda são tímidos.
Vandalismo - As visitas ao vale estão suspensas. As polícias Federal e Civil e o Ministério Público Federal foram acionados para apurar as responsabilidades e a motivação do crime ocorrido no início do ano, ainda sem solução. Os técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Pernambuco (Iphan) estão buscando alternativas para remover a tinta. "Já fizemos alguns testes, mas vamos ainda avaliar outras técnicas para não haver perda do pigmento", diz o superintendente do Iphan, Frederico Almeida.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009



Está mais fácil criar uma reserva federal. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) está utilizando sistema informatizado que permite o interessado em transformar uma propriedade em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) preencher o requerimento inicial on-line. Acesse aqui o sistema, em funcionamento desde novembro.

No Brasil há 532 RPPNs. Pernambuco é um dos Estados com menos reservas particulares do País: 11. Circundada por mangue e restinga, a de Nossa Senhora do Outeiro (foto), em Maracaípe, é uma delas.
Para ser transformada numa RPPN, a área deve ser significativa para a proteção da diversidade biológica, possuir paisagens de grande beleza ou reunir condições que justifiquem ações de recuperação ambiental capazes de promover a conservação de ecossistemas frágeis ou ameaçados. Pessoas físicas, empresas de todos os portes, assim como entidades civis e religiosas podem requerer a criação de uma RPPN.
Entre os benefícios assegurados com a criação da RPPN estão o direito de propriedade preservado, isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) referente à área de RPPN e prioridade na análise dos projetos pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA). O município que abriga uma reserva particular, em Pernambuco, também é beneficiado, aumentando sua cota no ICMS Verde.
(Fonte: Blog Cência e Meio Ambiente - Verônica Falcão)
Leia mais em: Sistema que permite criar RPPN já está no ar

domingo, 13 de dezembro de 2009

Um guia importante para conhecer a Caatinga


José Alves, coordenador do grupo: "É importante conhecer para preservar".
Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A/Press


Ela representa 80% da vegetação pernambucana, mas poucos conhecem sua extensão e beleza. Pensando nisso, um grupo liderado pelo professor José Alves de Siqueira, diretor do Centro de Referência para Recuperação de Áreas Degradadas da Caatinga (Crad), da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina, preparou o Guia de campo de árvores da caatinga. Didático e com linguagem acessível a estudantes, professores ou mesmo àqueles que gostam de ecoturismo, o livreto traz fotos e informações curiosas sobre esse tipo de vegetação tipicamente nordestina.
José Alves explica que normalmente as pessoas imaginam a caatinga como um cenário de pobreza, com solo seco e árvores com folhagens mortas. "A caatinga se recobre de belezas naturais com a chuva. As primeiras precipitações de dezembro, por exemplo, promovem uma explosão de flores", ressalta Alves.
Uma das curiosidades do guia é a tabela fenológica, que informa o período de floração e de frutificação da vegetação, que começa a ser registrada desde o Planalto da Borborema, subindo a Serra das Russas, passando pela Paraíba, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Bahia e Sergipe. Ao todo, são 750 mil quilômetros de caatinga no Nordeste.

Risco de extinção - Segundo José Alves, uma das espécies mais comuns na caatinga é o umbuzeiro, usado pela população para o preparo de alimentos e também consumido pelos caprinos e ovinos. Apesar da grande ocorrência, a planta atualmente sofre ameaças, principalmente dos grandes criadores, que não controlam o consumo por parte dos animais. "Todos os umbuzeiros que temos hoje na região são idosos, centenários, ou seja, vão morrer um dia. É preciso mudar o manejo dos animais para conservar a espécie. Eles comem folhas, flores, tudo", destacou o professor. Outra planta muito comum na região e que também sofre ameaça é a arueira do Sertão, constituída de madeira de lei que foi muito usada para as obras das estradas de ferro que ligavam o litoral ao Sertão pernambucanos. "É importante conhecer para preservar", destaca JoséAlves.
Na opinião do pesquisador, uma das árvores mais belas da Caatinga é o Ipê Cascudo, também chamado Sete-cascas, Mulambá ou Pau-de-cascas. "Essa espécie só existe na caatinga e é raríssimo. Ele chama a atenção porque passa o ano sem folhas e na primeira chuva se enche de flores. O espetáculo só pode ser visto durante três dias", ressalta.
A pesquisa de campo e a preparação do livro aconteceram ao longo de três anos e foram feitas por estudantes de iniciação científica de engenharia agrícola da Univasf e de escolas estaduais da Bahia. O guia está à venda e pode ser adquirido através de uma ligação para o Centro de Referência para Recuperação de Áreas Degradadas da Caatinga (Crad), da Univasf. O telefone é 87 3986.3806.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Governo do Estado lançou programa de combate à desertificação em Triunfo (PE).



A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectma), lançou, na manhã do dia 10, na cidade de Triunfo, Sertão do Estado, o Programa de Ação Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca de Pernambuco (PAE-PE). A iniciativa vai viabilizar condições de convivência com o problema para as populações do semiárido, promovendo o desenvolvimento socioambiental sustentável e a manutenção dos ecossistemas característicos da região. (Foto: MMA)

O Programa é resultado de um processo de articulação, mobilização e consulta da sociedade civil organizada e do segmento empresarial da região, com a participação das esferas federal, estadual e municipal. Desenvolvido ao longo de um ano pela Sectma durante a realização de cinco oficinas no Sertão e Agreste do Estado, o PAE-PE mobilizou representantes de 127 municípios.
O secretário executivo de Meio Ambiente da Sectma, Hélvio Polito, explicou que Pernambuco se tornou uma referência entre os estados do Nordeste por estar mais avançado nos estudos e na construção de um programa estadual de combate e convivência com o semiárido. “Esse programa é a oportunidade de participação direta no planejamento da questão da desertificação e da mitigação dos efeitos desse fenômeno”, ressaltou.
“O PAE-PE não é apenas um documento feito para o homem do Sertão, mas com a participação desse homem do campo, com sua sabedoria, seu conhecimento numa questão tão importante para o Estado”, completou o secretário executivo.
Localizado numa faixa de extrema vulnerabilidade ao processo de desertificação, Pernambuco possui cerca de 90% de seu território em área de semiárido e subúmido seco, que devido a práticas agrícolas não sustentáveis e gestão deficiente de recursos hídricos, vêm desenvolvendo porções de desertificação nessas regiões do Estado.
Segundo a coordenadora técnica do PAE-PE, Edneida Cavalcanti, a desertificação vem sendo apontada como uma das formas mais alarmantes de degradação ambiental, no território pernambucano. “Já é possível detectar algumas áreas de pressão, a exemplo da região do Araripe, por conta da matriz energética que ainda demanda uso e produção de carvão”, reforçou.
Ao todo, onze estados brasileiros possuem áreas suscetíveis à seca: os noves estados do Nordeste, Espírito Santo e Minas Gerais. Segundo o coordenador nacional do Programa de Combate à Desertificação do Ministério de Meio Ambiente (MMA), José Roberto Lima, Pernambuco é o 1º Estado a finalizar um programa de ação de combate à desertificação. “Temos ainda mais dez estados em fase de elaboração. O Ceará e o Rio Grande do Norte devem finalizar seus programas ainda no primeiro semestre de 2010”.
José Roberto explicou que o Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai trabalhar para dar suporte aos programas estaduais, “seja com recursos financeiros, seja na promoção do diálogo através de capacitações e mobilizações sociais para implantar as ações do PAE-PE”.
Parcerias - Desde o lançamento do edital no final de 2008 (no valor de R$ 650 mil), visando apoiar projetos no combate à desertificação, o Governo de Pernambuco, através da Sectma, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), e o Grupo de Cooperação Técnica Alemã (GTZ), destinou um total de R$ 1,5 milhão para a construção do PAE-PE. Também colaboraram na execução desse projeto o Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA), a Associação Municipalista de Pernambuco (AMUPE), a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e a Articulação do Semiárido de Pernambuco (ASA-PE).

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Vem aí o Projeto Biomas: conciliação de preservação e crescimento na produção



Com o objetivo de conciliar a necessidade de o Brasil ter mecanismos de proteção ao meio ambiente com a possibilidade do País ampliar a oferta de alimentos, foi lançado, nesta quinta-feira (10/12) em Brasília, o Projeto Biomas.
Trata-se de uma ação em parceria entre a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para promover a proteção e o uso sustentável de paisagens dos biomas brasileiros, sem comprometer a produção agropecuária.
A presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, assinaram um termo de cooperação técnica, em cerimônia na sede da CNA, que viabiliza a execução do projeto. “Precisamos produzir mais alimentos, pois cerca de um bilhão de pessoas passam fome ao redor do mundo, até mesmo no Brasil Mas também não podemos abrir mão de nossas florestas, da nossa biodiversidade. O Projeto Biomas vai compatibilizar essas duas vocações do nosso País”, disse Kátia Abreu.
A parceria entre CNA, Mapa e Embrapa garante investimentos de R$ 20 milhões para o projeto, durante nove anos. Serão realizados estudos científicos para recuperar áreas de cobertura nativa em propriedades rurais, mas com mecanismos que garantam simultaneamente a geração de renda para o produtor rural. O objetivo não é apenas promover a pesquisa, mas construir soluções práticas que permitam ao homem do campo recuperar áreas frágeis das propriedades rurais. “A sustentabilidade será um requisito fundamental para que o agronegócio brasileiro conquiste novos mercados. É uma exigência do consumidor”, destacou a senadora.
Haverá estudos específicos para cada um dos seis biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. O trabalho envolverá diretamente mais de 200 pesquisadores. Segundo a presidente da CNA, as soluções apontadas também deverão levar em consideração as exigências das legislações estaduais e federais, o que é uma característica inédita da nova proposta.
Um dos objetivos do projeto é criar uma rede nacional de manejos de Áreas de Preservação Permanente (APPs), Áreas de Uso Alternativo (AUAs) e de Reserva Legal, além da adoção de parâmetros para definir a largura de APPs, principalmente as fluviais, levando em conta características locais de solo, clima, flora e fauna. Na etapa inicial, serão formadas parcerias para as áreas de experimentação do projeto, pulverizando as pesquisas por todo o País com diversas instituições.
“Vamos mobilizar cientistas de várias entidades de pesquisa do País”, destacou Kátia Abreu. O diagnóstico regionalizado permitirá identificar as potencialidades e fragilidades das paisagens rurais em cada bioma do Brasil para, em seguida, levar o Projeto Biomas para a terceira etapa, quando será implantada uma rede de experimentação nacional, em áreas que irão operar como projetos-piloto.

(Fonte e informações adicionais: Assessoria de Comunicação da CNA - (61) 2109-1419 / http://www.canaldoprodutor.com.br/)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Aquecimento Global: Década de 2000 é a mais quente em 160 anos, afirmam cientistas.



Cientistas das Nações Unidas afirmaram que esta primeira década do século XXI é provavelmente a mais quente desde 1850, quando as temperaturas mundiais começaram a ser registradas.

Município de Floresta/PE sediou a XVII Reunião Ordinária do Comitê e o I Seminário Ecoambiental do Pajeú.




Com a presença estimada de 180 pessoas, entre autoridades, técnicos, estudantes e a sociedade em geral, o Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga - CERBCAA/PE e a ONG EMA, realizaram a XVII Reunião Ordinária e o I Seminário Ecoambiental do Pajeú nos últimos dias 03 e 04 de dezembro de 2009 na cidade de Floresta (PE). O evento realizado no  auditório da Câmara de Vereadores situado na Praça Cel. Fausto Ferraz em Floresta-PE contou com o patrocínio da Prefeitura Municipal e da Câmara de Vereadores de Floresta e apoio do Clube de Diretores Lojistas – CDL, Compare LOGÍSTICA, Supermercado Preço Justo e MAXIMUS Supermercado. De acordo com a programação, houve palestras do Juiz de Direito Alipio Carvalho sobre a Ong EMA, da Doutora em Botânica Rita de Cássia sobre as "Árvores da Caatinga" e do Coordenador Geral do Comitê, Elcio Barros sobre o "Bioma Caatinga e o Desenvolvimento Sustentável". O evento foi prestigiado pelo Sr. João Gomes, Prefeito de Jatobá/PE e alunos da Escola de Referência em Ensino Médio Cap. Nestor Valgueiro de Carvalho que criaram um Grupo em Defesa do Meio Ambiente. (Assista o vídeo de estudo do meio da Reserva Biológica Serra Negra em Floresta-PE). Participaram das reuniões os seguintes membros do CERBCAA/PE: Profª Lourinalda Silva (UAST/Serra Talhada), Rita de Cássia (IPA), Guaraci Cardoso (GDMA e Vice-Coordenador), Alipio Carvalho (EMA) e Elcio Barros (IPA e Coordenador Geral do CERBCAA/PE).




A Universidade Federal Rural de Pernambuco e o Comitê Estadual celebram o Dia Nacional da Caatinga

Marcelo, Suassuna, Rita, Ednilza e Márcio (CERBCAA/PE) João Suassuna (Fundaj) Márcia Vanusa (UFPE) Francis Lacerda (IPA) e Jo...