Satélite vai monitorar outros cinco biomas - APNE ganha prêmio global de manejo florestal na caatinga e a reunião sobre desertificação em Petrolina.





A semana que termina trouxe 3 (três) notícias boas para o meio ambiente, especialmente para a caatinga. A primeira é que Representantes Indígenas dos Pankarás, aldeia localizada no município de Itacuruba, Sertão de Itaparica, participaram na tarde do dia 14.04, da segunda das cinco oficinas regionais de construção do Programa de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAE-PE). As oficinas são coordenadas pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado (Sectma) e aconteceu até a quinta-feira (16), em Petrolina.
Os Pankarás apresentaram sua experiência em reflorestamento na própria aldeia. A ação começou a ser desenvolvida por eles ao perceberem a existência de áreas suscetíveis à desertificação em suas terras. “Temos que cuidar de nossa mãe terra, por isso estamos aqui participando dessa oficina, para trocar experiências e aprender outros modos de preservar nossa aldeia”, explicou a representante dos Pankarás, Cícera Lemos.
Além dos indígenas, participaram das oficinas, técnicos da Sectma, membros da sociedade civil organizada, lideranças de comunidades quilombolas, representantes de Organizações Não Governamentais (ONGs), e de setores produtivos de 14 municípios do Sertão do São Francisco e Sertão de Itaparica. As próximas oficinas serão realizadas nos municípios de Triunfo (28, 29 e 30/04), Garanhuns (05, 06 e 07/05) e Taquaritinga do Norte (12 13 e 14/05). Ao todo participarão das oficinas 118 cidades da região do Agreste e Sertão do Estado. Ao término do ciclo de oficinas, a Sectma terá em mãos um diagnóstico do processo de desertificação no Estado para que possa traçar as ações a serem desenvolvidas.
A segunda boa notícia é que a partir de agora o Brasil saberá o que acontece com o que resta da vegetação nativa em todo o seu território. O monitoramento por satélite da cobertura florestal, que era restrito, em nível oficial, à Amazônia, foi estendido à Caatinga, ao Cerrado, à Mata Atlântica, ao Pampa e ao Pantanal. Uma solenidade presidida pelo ministro Carlos Minc no Centro Nacional de Apoio ao Manejo Florestal-Cenaflor, marcou o início da execução técnica do projeto, que acompanhará e divulgará anualmente os índices de desmatamento de todos os biomas. Além de orientar políticas públicas e tomadas de decisão para combate ao desmatamento e para conservação da biodiversidade, essas informações permitirão calcular o volume de gases de efeito estufa decorrentes do desmatamento e alteração do uso do solo no País e produzir o relatório periódico de emissões previsto na Convenção Sobre Clima da ONU.
A Mata Atlântica é o bioma com a vegetação nativa mais devastada. Da área total de 1.059.027,85 Km2 restavam, há seis anos, apenas 285.640 km2 (27%) com a cobertura vegetal nativa em diferentes graus de conservação. O segundo bioma mais antropizado é o Pampa, que perdeu quase a metade da cobertura original da sua área de 178.243 km2. O Cerrado havia perdido, até 2002, 39% de cobertura original e a Caatinga 36%. O bioma nordestino é, atualmente, um dos mais pressionados especialmente pelo uso da lenha e do carvão, que respondem por cerca de 40% da energia consumida na região. O Pantanal é o bioma extra-amazônico mais preservado, com 87% de sua cobertura nativa intacta. O monitoramento do desmatamento da Caatinga, deve ser divulgado em novembro. Até março de 2010 estarão prontos os mapas das alterações antrópicas no período 2002/2010 nas áreas remanescentes dos demais biomas.(Fonte: Lucia Leão - 24HorasNews - Notícias 24 Horas)

E por último, a APNE- Associação Plantas do Nordeste, participou da seleção para o Prêmio ENERGY GLOBE AWARD 2008. Este prêmio, lançado anualmente desde 1999, seleciona projetos ligados ao uso sustentável dos recursos naturais e à energia renovável considerando cinco categorias: Terra, Água, Fogo, Ar e Juventude. Para o ano de 2008, foi analisado um total de 769 projetos de 111 países por um júri internacional composto por personalidades da área ambiental-energética dos cinco continentes. O projeto, inscrito pela APNE, “Forest management for sustainable wood fuel production in rural settlements of the semi-arid northeast Brazil” (Manejo florestal para a produção sustentável de lenha em assentamentos rurais do semi-árido do nordeste do Brasil) foi nomeado como ganhador nacional para o Brasil. A cerimônia de entrega dos prêmios ocorreu em Praga – República Checa nos dias 13 e 14 de abril.
Nessa quinta-feira (16), durante a 56ª reunião do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), que aconteceu no Município de Itamaracá, litoral Norte do Estado, o Consema homenageou a Associação Plantas do Nordeste (APNE), pelo prêmio com o projeto “Manejo florestal para a produção sustentável de lenha em assentamentos rurais do semi-árido do Nordeste do Brasil”.
O evento contou com a participação do Coordenador do CERBCAA/PE, Elcio Alves de Barros que parabenizou a APNE, representada por Frans Pareyn, e convidou a todos a participarem das comemorações do Dia Nacional da Caatinga, a realizar-se no município de Caruaru(PE) no dia 28.04 (terça-feira), uma iniciativa do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga/PE, Universidade Federal de Pernambuco e a Prefeitura de Caruaru.
(Fotos: APNE-MMA )

Comentários

  1. O monitoramento da derrubada de matas em todos os biomas brasileiros além do amazônico pode resultar em aumento "de bilhões de dólares" para o Brasil por meio de crédito de carbono. A previsão é do coordenador de Ciências do Programa de Savanas Centrais do The Nature Conservancy (TNC), Leandro Baumgarten, informa, de Brasília, o repórter Pedro Peduzzi, da Agência Brasil.
    O uso de satélites para medir o desmatamento foi estendido à caatinga, ao cerrado, à mata atlântica, ao pampa e ao pantanal, de acordo com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Os créditos de carbono anunciados pelo especialista não têm a ver com o mercado de carbono previsto pelo mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL) no Protocolo de Kyoto, mas a ações voluntárias, como o Fundo Amazônico.
    "A partir das informações coletadas teremos melhores condições de coordenar as ações de combate ao desmatamento. Além disso, o mesmo mecanismo de crédito de carbono contabilizado a partir da Amazônia passará para outros biomas, trazendo mais recursos para o País por meio da Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação (Redd)", diz Baumgarten.
    Segundo o pesquisador, esse índice leva em consideração a atividade humana, calculando o carbono despejado por carros e indústrias, e o desmatamento na Amazônia. "Agora, com outros biomas passando a fazer parte do cálculo, esses valores devem chegar à ordem dos bilhões de dólares." Apenas com o Fundo Amazônico o Brasil receberá US$ 1 bilhão no prazo de cinco anos, contados a partir do ano passado, disse.
    "Fora o pantanal, que ainda tem uma boa cobertura, todos os biomas estão bem mais desmatados do que o amazônico. O cerrado e a caatinga têm apenas 60% da cobertura original, enquanto o pampa tem 50% e a mata atlântica. menos de 10%", informou.
    O monitoramento a acompanhará e divulgará anualmente os índices de desmatamento de todos os biomas. As informações permitirão calcular o volume de gases de efeito estufa decorrentes do desmatamento e alteração do uso do solo no País e produzir o relatório periódico de emissões previsto na Convenção Sobre Clima da ONU.
    (Fonte:Diário de Cuiabá)

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