Biólogos, veterinários, estudantes e professores da UNIVASF-Universidade Federal do Vale do São Francisco seguem na dianteira da obra de transposição do Rio São Francisco. A missão é identificar e afugentar os animais e preservá-los. Os que não conseguem fugir são recolhidos.
A caranguejeira e a lagartixa da caatinga bem que tentaram se esconder. Os ambientalistas têm pressa. O barulho das moto-serras e o movimento das foices vêm logo atrás. “O papel da universidade é diminuir o impacto da obra em relação à natureza”, afirmou o professor da Universidade Vale São Francisco Luiz César Machado. A obra que vem no rastro dos tratores é uma das maiores em andamento no país: a transposição do rio São Francisco está transformando a imensidão da terra seca. Máquinas pesadas abrem 800 quilômetros de dois canais gigantescos que irão levar a água do maior rio do Nordeste a quatro estados da região: Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. O projeto de R$ 4,5 bilhões está em ritmo acelerado com a chegada das empreiteiras. O número de trabalhadores irá triplicar: serão cinco mil até junho de 2009, um reforço para os militares do exército que deram a arrancada. O canal avança pela caatinga e árvores são derrubas para abrir passagem. Esse é um preço pago pela natureza. As árvores cortadas foram empilhadas. É madeira a perder de vista. Para compensar os estragos, foram elaborados planos ambientais que prevêem a recuperação de áreas degradadas. “Seguimos rigorosamente as especificações técnicas para minimizar os transtornos causados na região em conseqüência da obra”, disse o capital Walfredo Galvão. Para os ambientalistas esta é uma oportunidade única de conhecer melhor a caatinga e salvar espécies de plantas e animais que estão no caminho de uma obra que não pára. “Além de levar a água, não só para o ser humano, mas para as espécies de animais, para o gado, para ovinos e caprinos. Ele é um projeto social e econômico também. Se o projeto conseguir atingir a sociedade, é um projeto que deu certo. Se não conseguir atingir a sociedade, é um projeto que não teve o objetivo contemplado”, disse Luiz César Machado. Vejam o vídeo clicando na fonte. (Fonte: G1 20/12/08)
O Comitê da Reserva da Biosfera da Caatinga no Estado de Pernambuco - CERBCAA/PE, tem por objetivo apoiar e coordenar a implantação da Reserva da Biosfera da Caatinga, priorizando a conservação da biodiversidade, o desenvolvimento sustentável e o conhecimento científico. Divulgar questões relacionadas ao bioma caatinga, atuando em ações ligadas à educação ambiental, exercendo os princípios da Reserva da Biosfera da Caatinga. Vinculado ao Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Biólogos salvam animais ameaçados por transposição do 'Velho Chico'
Transposição do São Francisco está transformando o Nordeste.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Destaque de 2008: Centenário de João Vasconcelos Sobrinho
Professor João Vasconcelos SobrinhoPor Lúcia Gaspar
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
João Vasconcelos Sobrinho nasceu no dia 28 de abril de 1908, em Moreno, cidade da Região Metropolitana do Recife, Pernambuco.
Pioneiro na área dos estudos ambientais no Brasil, é considerado uma das maiores autoridades em ecologia da América Latina.
Criou e dirigiu, por muito tempo, o Jardim Zoobotânico de Dois Irmãos — atual Parque de Dois Irmãos — inaugurado no dia 14 de janeiro de 1939, pelo então interventor de Pernambuco Agamenon Magalhães, no bairro recifense de Dois Irmãos.
Foi um dos responsáveis pela criação da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), onde introduziu as disciplinas Ecologia Conservacionista (primeira do gênero ministrada no Brasil) e Desertologia, além de ter exercido também o cargo de reitor (1963).
Professor, engenheiro agrônomo e ecólogo conservacionista, Vasconcelos Sobrinho exerceu diversos cargos, entre os quais o de titular de Botânica da UFRPE; professor catedrático da cadeira de Botânica Tecnológica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); diretor do serviço de Inspeção Florestal e Proteção à Natureza de Pernambuco; diretor do Serviço Florestal do Ministério da Agricultura - posteriormente denominado Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF); diretor do Centro Pernambucano da Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza e consultor da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
Membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), foi um dos primeiros cientistas a alertar sobre a formação de deserto em algumas regiões brasileiras, sendo convidado para participar da Conferência das Nações Unidas sobre Desertificação em Nairóbi, no Quênia. Também muito se empenhou na campanha pelo reflorestamento do pau-brasil e fundou a Estação Ecológica de Tapacurá (UFRPE).
O problema da desertificação passou a ser mais destacado a partir da década de 1970, quando Vasconcelos Sobrinho alertava que estaria surgindo no semi-árido brasileiro um grande deserto com todas as características ecológicas que conduziriam à formação dos grandes desertos hoje existentes em outras regiões do globo.
Publicou mais de vinte trabalhos, todos sobre ecologia e conservação dos recursos naturais, entre os quais podem ser destacados: Dicionário de termos técnicos de botânica (2.ed., 1945); As regiões naturais de Pernambuco, o meio e a civilização (1949), o seu livro mais conhecido; As regiões naturais do Nordeste, o meio e a civilização (1970); Ciência, religião sem dogmas (2.ed., 1973); Catecismo da ecologia (1979); Processos de desertificação ocorrentes no Nordeste do Brasil: sua gênese e sua contenção (1982); Desertificação no Nordeste do Brasil (coletânea de trabalhos publicados pelo Departamento de Planejamento de Recursos Naturais da Sudene, em 2002).
João Vasconcelos Sobrinho faleceu no dia 4 de maio de 1989, no Recife.
Em sua homenagem, a Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH), desde 1990, criou o Prêmio Vasconcelos Sobrinho, um reconhecimento ao homem que, através de seu trabalho e ideal, despertou o sentimento de amor à natureza, disseminando a prática de ações objetivas de cuidados com o meio ambiente.
Também em sua homenagem, existe, na Serra dos Cavalos, em Caruaru, Pernambuco, o Parque Ecológico Professor João Vasconcelos Sobrinho, reserva estadual de Mata Atlântica, com uma área de brejo de 359 hectares.
(Fonte: Fundaj: Recife, 6 de maio de 2008.)
Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco
João Vasconcelos Sobrinho nasceu no dia 28 de abril de 1908, em Moreno, cidade da Região Metropolitana do Recife, Pernambuco.
Pioneiro na área dos estudos ambientais no Brasil, é considerado uma das maiores autoridades em ecologia da América Latina.
Criou e dirigiu, por muito tempo, o Jardim Zoobotânico de Dois Irmãos — atual Parque de Dois Irmãos — inaugurado no dia 14 de janeiro de 1939, pelo então interventor de Pernambuco Agamenon Magalhães, no bairro recifense de Dois Irmãos.
Foi um dos responsáveis pela criação da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), onde introduziu as disciplinas Ecologia Conservacionista (primeira do gênero ministrada no Brasil) e Desertologia, além de ter exercido também o cargo de reitor (1963).
Professor, engenheiro agrônomo e ecólogo conservacionista, Vasconcelos Sobrinho exerceu diversos cargos, entre os quais o de titular de Botânica da UFRPE; professor catedrático da cadeira de Botânica Tecnológica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); diretor do serviço de Inspeção Florestal e Proteção à Natureza de Pernambuco; diretor do Serviço Florestal do Ministério da Agricultura - posteriormente denominado Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF); diretor do Centro Pernambucano da Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza e consultor da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene).
Membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), foi um dos primeiros cientistas a alertar sobre a formação de deserto em algumas regiões brasileiras, sendo convidado para participar da Conferência das Nações Unidas sobre Desertificação em Nairóbi, no Quênia. Também muito se empenhou na campanha pelo reflorestamento do pau-brasil e fundou a Estação Ecológica de Tapacurá (UFRPE).
O problema da desertificação passou a ser mais destacado a partir da década de 1970, quando Vasconcelos Sobrinho alertava que estaria surgindo no semi-árido brasileiro um grande deserto com todas as características ecológicas que conduziriam à formação dos grandes desertos hoje existentes em outras regiões do globo.
Publicou mais de vinte trabalhos, todos sobre ecologia e conservação dos recursos naturais, entre os quais podem ser destacados: Dicionário de termos técnicos de botânica (2.ed., 1945); As regiões naturais de Pernambuco, o meio e a civilização (1949), o seu livro mais conhecido; As regiões naturais do Nordeste, o meio e a civilização (1970); Ciência, religião sem dogmas (2.ed., 1973); Catecismo da ecologia (1979); Processos de desertificação ocorrentes no Nordeste do Brasil: sua gênese e sua contenção (1982); Desertificação no Nordeste do Brasil (coletânea de trabalhos publicados pelo Departamento de Planejamento de Recursos Naturais da Sudene, em 2002).
João Vasconcelos Sobrinho faleceu no dia 4 de maio de 1989, no Recife.
Em sua homenagem, a Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH), desde 1990, criou o Prêmio Vasconcelos Sobrinho, um reconhecimento ao homem que, através de seu trabalho e ideal, despertou o sentimento de amor à natureza, disseminando a prática de ações objetivas de cuidados com o meio ambiente.
Também em sua homenagem, existe, na Serra dos Cavalos, em Caruaru, Pernambuco, o Parque Ecológico Professor João Vasconcelos Sobrinho, reserva estadual de Mata Atlântica, com uma área de brejo de 359 hectares.
(Fonte: Fundaj: Recife, 6 de maio de 2008.)
domingo, 28 de dezembro de 2008
Aquecimento deixa planeta em alerta
Fazendeiro observa sua fazenda, gravemente atingida pela secaNos últimos 150 anos, a temperatura da Terra, segundo apontam pesquisas científicas, aumentou de forma nunca vista. O fenômeno preocupa o meio acadêmico, que prevê conseqüências catastróficas para o planeta, caso continue esquentando. É importante ter-se claro que variações climáticas – mesmo eventualmente bruscas – são comuns e fazem parte dos processos naturais. O preocupante, conforme o professor Jefferson Cardia Simões, do Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas (Nupac), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é a velocidade com que essas modificações no clima têm se processado nos últimos 10 anos. Ele afirma que nada similar ocorreu em 650 mil anos. Mas o que estaria provocando esse aumento tão rápido e intensivo do calor? Para o coordenador do Curso de Meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), professor Otávio Acevedo, – e também para grande parte da comunidade científica – é sem dúvida a ação do homem. A queima de combustíveis fósseis e outras atividade produtivas humanas aumentariam a concentração de gás carbônico (CO2) e metano (CH4) na atmosfera, potencializando o efeito estufa. Essa preocupação científica ganhou força mundialmente com a divulgação, em fevereiro de 2007, de um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês) afirmando que a ação humana é, provavelmente, responsável por esse aumento na temperatura. De acordo com esse estudo, a probabilidade de o homem ser responsável pelo aquecimento global é de 90%. O relatório do IPCC indica um possível aumento de até 4,5ºC na temperatura terrestre. Segundo o texto, os efeitos já podem ser sentidos, e continuarão a atuar pelos próximos séculos, mesmo que a emissão de gases estufa pelo homem seja eliminada imediatamente.
Leia mais em: O efeito estufa e Mudança climática: Outro ano de fenômenos extremos
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Apenas 5% de áreas de conservação do país têm gestão adequada
Foto: Parque Nacional do UbajaraDas 299 unidades de conservação (UCs) espalhadas pelo país, apenas 16 têm gestão considerada satisfatória pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pela administração dessas áreas, que somam quase 80 milhões de hectares de território.“Somente 5% das unidades estão no patamar da gestão consolidada, desejada”, reconheceu nesta quinta-feira (18/12) o presidente do Instituto, Rômulo Mello. Das unidades com “gestão consolidada”, apenas uma está situada na Amazônia: a Floresta Nacional de Tapajós (PA).Mais de 74% das UCs federais têm “processo insuficiente de gestão” ou “gestão mínima”, segundo dados do próprio instituto. Na prática, isso se reflete em casos como o do Parque Nacional Mapinguari, no Amazonas, em que apenas uma pessoa é responsável pela gestão dos mais de 1,6 milhão de hectares de floresta.Cálculos do ICMBio revelam a necessidade de R$ 3 milhões, em média, para consolidação de cada unidade de conservação. “Isso sem contar os custos da regularização fundiária”, comentou Mello ao detalhar o plano de reestruturação do Instituto, apresentado hoje pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.A estimativa inicial é que sejam necessários mais de R$ 700 milhões para consolidar todas as unidades. A meta é consolidar 60 UCs em seis anos e chegar a “condições dignas de gestão” em mais 110 até 2012.A ação mais imediata do plano será a instalação de 11 coordenações regionais do ICMBio, para aproximar as unidades da sede e reduzir a burocracia na administração das áreas. As instalações e pessoal para essas unidades “já estão sendo encaminhados”, informou Mello.As unidades regionais do ICMBio serão instaladas em Porto Velho (RO), Manaus (AM), Itautuba (PA), Belém (PA), Parnaíba (PI), Cabedelo (PB), Porto Seguro (BA), Rio de Janeiro (RJ), Florianópolis (SC), Chapada dos Guimarães (MT) e Lagoa Santa (MG).Minc aproveitou a apresentação das medidas e anunciou para o início de 2009 a criação da unidade de conservação número 300: a Área de Proteção Ambiental da Serra da Meruoca (CE). O ministro também prometeu tirar do papel a Reserva Extrativista de Cassurubá (BA), que há anos é motivo de imbróglio entre grandes empresários de carcinicultura (criação de camarões) e pescadores artesanais da região do Arquipélago de Abrolhos.
(Fonte: Agência Brasil)
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Consema debate questões ambientais em Petrolina
Foto: Ricardo TorresO Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) chegou ao Vale do São Francisco. Nos dias 16 e 17 de dezembro, os conselheiros reuniram-se no Hotel do Grande Rio, em Petrolina (Avenida das Nações, s/n, Centro, Petrolina). No encontro, constou em pauta o debate acerca dos problemas ambientais nos sertões do São Francisco e Araripe. Entre as questões, destaque para a descarga de efluentes no Rio São Francisco e a derrubada de árvores para uso da lenha na calcinação da gipsita, utilizada na produção do gesso. O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, Aristides Monteiro, fez a abertura da reunião na terça-feira (16), às 8h. Esta é a terceira reunião ordinária do Consema fora da Região Metropolitana do Recife. Outras duas foram realizadas em Caruaru, em outubro, e Salgueiro, em novembro. A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, atende a proposta do Governador Eduardo Campos de interiorizar o desenvolvimento das ações. Assuntos como O Programa de Combate a Desertificação, Programa Florestal da Região do Araripe e apreciação do projeto de lei que institui o Sistema de Unidade de Conservação da Natureza, foram discutido durante o evento, este último foi aprovado pelo colegiado. O Consema voltará se reunir em Petrolina em novembro de 2009.
No mês de novembro foram apresentados os oito projetos de combate à desertificação que receberão financiamento do Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema) , durante a LIV Reunião do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema), realizada em Salgueiro (PE). Os projetos receberão R$ 600 mil e favorecerão os municípios de Sagueiro, Terra Nova, Itacuruba, Cabrobó, Orobó, Bodocó, Belém do São Francisco, Ouricuri, Santa Cruz, Parnamirim, Araripina, Afrânio, Petrolina, Floresta, Granito, Ipubi, Moreilândia, Santa Filomena, Santa Maria do Cambucá e Trindade. (Foto: Evane Manço)
Segundo o secretário executivo de Meio Ambiente da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (Sectma), Aloysio Costa Júnior, R$ 600 mil ainda é pouco para o combate à problemática. “Mas se compararmos com os R$ 180 mil que o Governo Federal está destinando para projetos em diversos estados brasileiros, veremos que realmente em Pernambuco temos a intenção de enfrentar o problema”, disse. Os 20 municípios pernambucanos para os quais o edital de R$ 600 mil foi direcionado têm em seus territórios áreas suscetíveis à desertificação. Foram contemplados projetos que variam de R$ 40 mil a R$ 87 mil ligados ao monitoramento e controle ambiental; preservação e conservação dos recursos naturais renováveis; recuperação de áreas degradadas ou em processo de degradação; educação ambiental e divulgação; elaboração e implantação da Agenda 21; e pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias para o desenvolvimento sustentável.
Veja aqui a lista dos Projetos aprovados: Resumo dos Projetos
(Fonte: Sectma)
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Comitê realiza II Seminário para debater criação de reservas ambientais
Pedra do Cachorro indicada para Posto Avançado da RBCom o objetivo de orientar as pessoas interessadas em criar uma Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN e incentivar a proteção do bioma Caatinga em Pernambuco, foi realizado ontem (10.12) o "II Seminário para Criação de RPPN", na cidade de São Caetano (PE), no Agreste do Estado. O encontro foi uma iniciativa do Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga- CERBCAA/PE, do Instituto Agronômico de Pernambuco - IPA, órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária, e parceria com a Prefeitura Municipal de São Caetano.
Segundo o extensionista do IPA e Coordenador do CERBCAA/PE, Élcio Barros, para criar uma RPPN, além da documentação legal da propriedade e da elaboração de um mapa que delimite a região que pode vir a ser uma reserva particular, é necessário, ainda, entre outras exigências, um estudo técnico. Uma das RPPN de Pernambuco é a Pedra do Cachorro (foto acima), criada em 2001, em São Caetano. A reserva será indicada como primeiro posto avançado do Comitê Estadual da Biosfera da Caatinga em Pernambuco ainda este ano. O título será no ano que vem, durante as comemorações do Dia Nacional da Caatinga.
As RPPN são áreas de conservação ambiental, localizadas em terras privadas e reconhecidas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação como categorias de conservação. Atualmente, o Brasil possui 746 RPPN que, juntas, totalizam 583 mil hectares de área protegida, distribuídos em todos os biomas brasileiros, como na Mata Atlântica, por exemplo. Ao contrário dos parques nacionais, como o do Catimbau, onde o proprietário é desapropriado da terra, nas RPPN, é ele mesmo, e não a União, quem administra a área protegida.
Para Élcio Barros, "essas reservas são criadas pela vontade do proprietário da terra, que assume o compromisso de proteger a natureza". Além da proteção dos recursos hídricos e de possibilitarem o manejo dos recursos naturais e a realização de pesquisas científicas, nessas áreas podem ser promovidas atividades turísticas, recreativas e educativas, sempre focadas na manutenção do equilíbrio ecológico.
Segundo o extensionista do IPA e Coordenador do CERBCAA/PE, Élcio Barros, para criar uma RPPN, além da documentação legal da propriedade e da elaboração de um mapa que delimite a região que pode vir a ser uma reserva particular, é necessário, ainda, entre outras exigências, um estudo técnico. Uma das RPPN de Pernambuco é a Pedra do Cachorro (foto acima), criada em 2001, em São Caetano. A reserva será indicada como primeiro posto avançado do Comitê Estadual da Biosfera da Caatinga em Pernambuco ainda este ano. O título será no ano que vem, durante as comemorações do Dia Nacional da Caatinga.
As RPPN são áreas de conservação ambiental, localizadas em terras privadas e reconhecidas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação como categorias de conservação. Atualmente, o Brasil possui 746 RPPN que, juntas, totalizam 583 mil hectares de área protegida, distribuídos em todos os biomas brasileiros, como na Mata Atlântica, por exemplo. Ao contrário dos parques nacionais, como o do Catimbau, onde o proprietário é desapropriado da terra, nas RPPN, é ele mesmo, e não a União, quem administra a área protegida.
Para Élcio Barros, "essas reservas são criadas pela vontade do proprietário da terra, que assume o compromisso de proteger a natureza". Além da proteção dos recursos hídricos e de possibilitarem o manejo dos recursos naturais e a realização de pesquisas científicas, nessas áreas podem ser promovidas atividades turísticas, recreativas e educativas, sempre focadas na manutenção do equilíbrio ecológico.
O evento reuniu no cinema da cidade, estudantes, pesquisadores, técnicos e a sociedade em geral, e contou com palestras do Representante do Instituto Chico Mendes-ICMbio, Luiz Guilherme Façanha e da bióloga da CPRH, Joice Vasconcelos, além do Prefeito de São Caetano, Jadiel Braga e do Secretário de Agricultura do Município. O proprietário da RPPN Pedra do Cachorro, Raimundo Guaraci, localizada no município de São Caetano, falou da importância de transformar a área em Reserva Particular.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
A Seca no Sertão de Pernambuco - Guerra pela água
Fotos: Egberto NogueiraO número de pernambucanos afetados pela estiagem este ano já passa de 450 mil. Para aliviar o sofrimento desse contingente, o Estado tem gasto, por mês, cerca de R$ 200 mil apenas com a contratação de carros-pipas. Dos 63 municípios que decretaram estado de emergência, apenas nove não estão sendo abastecidos com carros-pipas.
A face mais dura da seca que, este ano, castiga o Sertão de Pernambuco é a guerra pela água. O líquido salobro que a estudante Joana Ilari da Silva, 15 anos, retira todos os dias do chafariz, a alguns metros de casa, é a única opção para matar a sede da família. A água é imprópria para o consumo, mas o gosto ruim nem incomoda mais. “É uma água pesada. A gente bebe na marra, mas já se acostumou”, diz a avó da garota, Maria de Lourdes, 57. É isso, ou arrastar o jumento da casa por seis quilômetros no meio da caatinga para conseguir uma água um pouco melhor. Na comunidade de Oiticica, em Carnaubeira da Penha, a família já perdeu a esperança do carro-pipa. O socorro não chega lá, nem em outras 20 localidades do município, a 498 quilômetros do Recife. Durante quatro dias, o Jornal do Commercio percorreu cinco das 63 cidades que decretaram estado de emergência por causa da estiagem. Em todas, a população sofre a mesma sina. A falta d’água virou um drama diário.
Em Ipubi, no Sertão do Araripe, Maria Verônica da Silva, 28, precisa fazer uma escolha difícil, mas necessária. Ele deixa de tomar banho, para guardar água para a limpeza dos dois filhos. “Eles são muito calorentos. Precisam tomar banho todo dia”, justifica, como se fosse preciso explicar o cuidado com a higiene das crianças. Na última quinta-feira, quando o JC esteve em sua casa, toda a água armazenada não enchia uma moringa de 10 litros. Ela não tem cisterna nem dinheiro para comprar água. “Quando arrumo R$ 2, ainda dá para encher o tonel. Mas meu marido não trabalha e água é muito cara no Sertão”, diz. Verônica mendiga um pouco do líquido a um vizinho e outro. “Passar sede é tão ruim quanto sentir fome. Já devia estar acostumada, porque esse sofrimento tem todo ano.”
O agricultor João Pereira da Silva, 70 anos, também está calejado pela seca. Mas ainda peleja para manter de pé as duas vacas e um bezerro que tem no seu sítio. Bicho e homem teimosos. “Criar gado sem condições é pedir para sofrer”, diz João Grilo, como é conhecido na zona rural de Ipubi. Uma das vacas está tão magra que anda com dificuldade. “Se fosse vender hoje, não tinha quem quisesse”, resigna-se. Para não perder o pouco que tem, o agricultor se vira como pode. Como o pasto acabou e não existe dinheiro para ração, ele “engana” o gado com palha de milho seca. “É só o que eles comem. E uma vez por dia. Por isso, estão se acabando.”
Ipubi foi o primeiro município do Sertão a decretar estado de emergência. O prefeito da cidade, Francisco Siqueira, diz que, sem o carro-pipa, a zona rural morreria de sede. “A Adutora do Oeste só abastece a área urbana. O resto só com o caminhão.” Os 15 carros que, diariamente, percorrem as comunidades do município custam ao governo federal cerca de R$ 80 mil, além de outros R$ 15 mil à prefeitura.
A memória do coordenador da Defesa Civil da cidade, Fred Pereira de Souza, não falha: a última vez que caiu uma gota de chuva em Serra Talhada, a 410 quilômetros do Recife, foi no dia 17 de julho deste ano. De lá para cá, a situação tem se agravado e mais de 8 mil famílias estão sofrendo o flagelo da seca. São 147 localidades da zona rural com barragens e açudes secos e rachados. “A resposta que a gente pode dar é o carro-pipa”, reconhece o coordenador. O agricultor Luiz Izidoro Alves, 52 anos, vai buscar alento em outro lugar. Ele olha para o céu. E faz a previsão. “Se as primeiras chuvas começarem na costa do rio, é bom sinal. Agora se vier de frente, a esperança é pouca”, diz, garantindo que suas contas nunca deram errado. E provando que o sertanejo continua vivendo de fé e à espera da fartura trazida pelas águas.
(Fonte: JC Edição 10.12.08 - Ciara Carvalho)Em Ipubi, no Sertão do Araripe, Maria Verônica da Silva, 28, precisa fazer uma escolha difícil, mas necessária. Ele deixa de tomar banho, para guardar água para a limpeza dos dois filhos. “Eles são muito calorentos. Precisam tomar banho todo dia”, justifica, como se fosse preciso explicar o cuidado com a higiene das crianças. Na última quinta-feira, quando o JC esteve em sua casa, toda a água armazenada não enchia uma moringa de 10 litros. Ela não tem cisterna nem dinheiro para comprar água. “Quando arrumo R$ 2, ainda dá para encher o tonel. Mas meu marido não trabalha e água é muito cara no Sertão”, diz. Verônica mendiga um pouco do líquido a um vizinho e outro. “Passar sede é tão ruim quanto sentir fome. Já devia estar acostumada, porque esse sofrimento tem todo ano.”
O agricultor João Pereira da Silva, 70 anos, também está calejado pela seca. Mas ainda peleja para manter de pé as duas vacas e um bezerro que tem no seu sítio. Bicho e homem teimosos. “Criar gado sem condições é pedir para sofrer”, diz João Grilo, como é conhecido na zona rural de Ipubi. Uma das vacas está tão magra que anda com dificuldade. “Se fosse vender hoje, não tinha quem quisesse”, resigna-se. Para não perder o pouco que tem, o agricultor se vira como pode. Como o pasto acabou e não existe dinheiro para ração, ele “engana” o gado com palha de milho seca. “É só o que eles comem. E uma vez por dia. Por isso, estão se acabando.”
Ipubi foi o primeiro município do Sertão a decretar estado de emergência. O prefeito da cidade, Francisco Siqueira, diz que, sem o carro-pipa, a zona rural morreria de sede. “A Adutora do Oeste só abastece a área urbana. O resto só com o caminhão.” Os 15 carros que, diariamente, percorrem as comunidades do município custam ao governo federal cerca de R$ 80 mil, além de outros R$ 15 mil à prefeitura.
A memória do coordenador da Defesa Civil da cidade, Fred Pereira de Souza, não falha: a última vez que caiu uma gota de chuva em Serra Talhada, a 410 quilômetros do Recife, foi no dia 17 de julho deste ano. De lá para cá, a situação tem se agravado e mais de 8 mil famílias estão sofrendo o flagelo da seca. São 147 localidades da zona rural com barragens e açudes secos e rachados. “A resposta que a gente pode dar é o carro-pipa”, reconhece o coordenador. O agricultor Luiz Izidoro Alves, 52 anos, vai buscar alento em outro lugar. Ele olha para o céu. E faz a previsão. “Se as primeiras chuvas começarem na costa do rio, é bom sinal. Agora se vier de frente, a esperança é pouca”, diz, garantindo que suas contas nunca deram errado. E provando que o sertanejo continua vivendo de fé e à espera da fartura trazida pelas águas.
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