sábado, 8 de agosto de 2009

Carvoarias degradam as pessoas e o meio ambiente

Cada caminhão carregado de carvão representa 150 m3
de mata nativa desmatada. (Foto: João Zinclar.)

Presença marcante nos municípios baianos de Barra, Buritirama, Morpará e Muquém do São Francisco, na região do Médio São Francisco, as carvoarias destroem o meio ambiente, exploram trabalhadores e põem em risco as comunidades tradicionais. O principal alvo é o bioma Caatinga, que está sendo devastado, com significativa perda da biodiversidade.

Esta devastação está sendo promovida por carvoeiros de outras regiões da Bahia, ou mesmo de outros estados como Minas Gerais, que é o destino final do carvão, cujo objetivo é alimentar as usinas siderúrgicas mineiras. Da mesma forma, os trabalhadores vêm de diferentes regiões e estão sujeitos a um trabalho superexplorado e, muitas vezes, análogo ao escravo. As atividades variam desde o desmatamento, a construção dos fornos, a carbonização (transformação da lenha em carvão), o ensacamento e o carregamento dos caminhões. Nos municípios citados são conhecidas, pelo menos, cinco grandes carvoarias com centenas de fornos cada uma. Uma das maiores da região possui oficialmente 540 fornos, mas está em processo de ampliação.

Existem também pessoas da própria região que vendem a sua força de trabalho para as carvoarias, a fim de promover uma complementação de renda. O pagamento por produção é uma regra geral na região, onde são fixados valores de referência subestimados para cada serviço, fazendo com que os trabalhadores pratiquem uma jornada mais longa em busca de maiores rendimentos. Em uma carvoaria de Morpará, por exemplo, paga-se R$ 5,00/m³ de lenha, sendo que um trabalhador consegue retirar, com muito esforço, 4 m³ por dia. Aqueles que trabalham na queima da lenha recebem R$ 15,00 para encher o forno e R$ 7,50 para esvaziar (retirar o carvão). Merece destaque o fato de que o carvão é retirado com os fornos ainda quentes, para que sejam imediatamente preenchidos novamente. Além disso, não existem equipamentos de proteção individual. A combinação destes fatos faz com que o trabalho nas carvoarias seja, antes de tudo, um problema de saúde pública.

A qualidade ambiental da região também está ameaçada por esta atividade, uma vez que os moradores já conseguem perceber as mudanças no clima, decorrida cerca de uma década de ação destas carvoarias. Considerando que cada caminhão comporta cerca de 50 m³ de carvão e que para produzir 1 m³ de carvão são necessários 3 m³ de lenha, uma única carga provoca uma destruição de 150m³ de lenha extraída das matas da região.

Estudos revelam que o volume médio de lenha retirado no processo de desmatamento no caso da caatinga arbustivo-arbórea fechada está em torno de 52,6 m³/ha. Desta forma, cada caminhão carregado de carvão provoca a destruição de uma área média de 2,85 ha de matas. Se cada uma das cinco carvoarias conhecidas na região carregar um caminhão por dia, o que está acontecendo segundo relatos de trabalhadores, haverá uma subtração anual superior a 6 milhões de árvores e arbustos, que correspondem a mais de 5.200 ha de caatinga nativa destruído em apenas um ano.

Diante de tal situação, moradores de comunidades tradicionais vizinhas a estas carvoarias temem sofrer outros efeitos, além dos que já são perceptíveis. Apesar de ocupar áreas muito grandes, como a fazenda Calumbi em Buritirama, que explora mais de 18.000 ha, a população da região avalia que no atual ritmo de uso das matas, não será possível manter uma regularidade no funcionamento das carvoarias sem extrapolar as áreas utilizadas atualmente.

Por isto, as comunidades que estão ao redor destas carvoarias se preocupam em ter suas terras cobiçadas. Esta possibilidade se amplia pela grande conservação das matas destas comunidades, que apresentam outra relação com o meio ambiente, cultivando alimentos e criando animais em pasto comum natural, nos chamados Fundos de Pasto. Existe um grande receio de que, na falta de madeira em suas terras, as carvoarias comecem a entrar nas matas das comunidades para a retirada de lenha.

Enfim, diante das atuais constatações dos pesquisadores sobre os efeitos das mudanças climáticas, que revelam um quadro extremamente preocupante e sugerem uma mudança de postura de todos os países na relação com o meio ambiente, é cada vez mais urgente uma fiscalização rígida destas carvoarias. Nesta região existem denúncias que precisam ser apuradas que variam desde o funcionamento clandestino de carvoarias, que compram “notas frias” de outras que são licenciadas, até mesmo tráfico de drogas e trabalho escravo.

Fonte: Informe da Comissão Pastoral da Terra – Regional Bahia, publicado pelo EcoDebate

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Burle Marx inovou nas praças e paisagens do Recife. A vegetação é típica de caatinga.

Praça Euclides da Cunha tem vegetação sertaneja no
bairro da Madalena, em pleno Recife. Foto: Carly Falcão/JC Online


Nesta terça-feira (4) foi comemorado o centenário de nascimento de um dos mais importantes arquitetos do Brasil, o paisagista Roberto Burle Marx. Nascido em São Paulo, a 4 de agosto de 1909, o filho de mãe pernambucana ficou conhecido mundialmente por incorporar em seus trabalhos o conceito da preservação ambiental.No Recife, Burle Marx fez questão de deixar seu legado em vários locais, assinando 24 jardins públicos e 32 privados. Pintor, designer, arquiteto, paisagista, artista plástico e tapeceiro, o também botânico autodidata era apaixonado pela flora brasileira. Em suas obras, procurava usar sempre plantas raras e exóticas. Na Praça Euclides da Cunha, localizada na Madalena, por exemplo, há um pequeno sertão dentro da cidade grande. A vegetação é típica da caatinga (mandacaru, palma, cactos e outros).
Construídas há anos, as praças enchem os olhos de quem passa por perto. Alguns são só elogios, mas, para outros, a situação poderia ser melhor. A Praça de Casa Forte, apesar de haver ganhado, por voto popular, o prêmio Adote o Verde em 2007 e 2008, promovido pela Prefeitura do Recife, é alvo de críticas dos moradores do entorno - eles reclamam da falta de uma fiscalização constante no local. Segundo eles, parte da área se transforma em um lava a jato a céu aberto de carros, roubando água e energia elétrica da praça diariamente.
(Fonte: Carly Falcão do JC Online)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

APA das Onças: um belo roteiro do turismo ecológico da Paraíba

Onça pintada

Relevo e vegetação de regiões de caatinga guardam belezas naturais e uma fauna diversificada que pode ser encontrada no Cariri Paraibano. Esse é o cenário que moradores e visitantes acostumaram a ver na Área de Proteção Ambiental das Onças (APA das Onças), no município de São João do Tigre. O local é gerenciado pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) e, nesta quarta-feira (5), será o principal ponto de pauta de uma reunião que vai ocorrer na Câmara Municipal daquela cidade.
Foram convidados ambientalistas, políticos que atuam na região e a população em geral, com o propósito de traçar um plano emergencial para a preservação da APA.O lugar ocupa uma área de 400 mil hectares e constitui uma unidade de conservação do Governo do Estado, sob a tutela da Sudema. Lá, as pessoas podem encontrar uma variedade de espécies de vegetações típicas da caatinga, que decoram vales, planícies, topos de morro e uma cachoeira. Em harmonia com a natureza vivem onças, papagaios, macacos, lobos guarás, veado campeiro, tamanduás, raposas e uma infinidade de pássaros.
O assessor técnico da Sudema, Rogério Ferreira, entende que um plano de ação para divulgar e promover o turismo na região vai garantir a preservação das espécies e das plantas nativas. “Também queremos divulgar o trabalho das rendeiras, que ainda na infância aprendem o oficio de confeccionar as mais variadas peças. Para ver o trabalho da tradicional renda renascença basta caminhar pelas ruas da cidade”, informou.
Localizada na região da Serra da Borborema, a cidade de São João do Tigre fica a 243 quilômetros de João Pessoa e a 577 metros de altitude em relação ao nível do mar. A população foi estimada em 4.707 habitantes, conforme o Censo 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda inexplorada como roteiro turístico ecológico, a APA das Onças guarda importantes sítios arqueológicos e paleontológicos. Cerca de 30 deles já foram encontrados e catalogados por pesquisadores. São inscrições rupestres, peças líticas e cemitérios indígenas.
Um dos cemitérios encontrados data de 700 anos atrás e foi catalogado pelo professor Juvandi Santos, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Atualmente, o acervo histórico serve como roteiro turístico da região e fonte de renda para os moradores. Por exemplo, o visitante encontra gente que trocou a espingarda de caça por uma máquina digital e agora trabalha como guia.

domingo, 2 de agosto de 2009

DESTRUIDORES DA HISTÓRIA - O Parque Nacional do Catimbau em perigo.


Vândalos agem sem controle nos sítios arqueológicos.
O Parque Nacional do Catimbau em Pernambuco também está em perigo.


O Brasil é dono de um dos mais extensos e diversificados conjuntos de arte rupestre do mundo. Dele, conhece-se apenas uma pequena parte. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registra a existência de 2 000 sítios arqueológicos com pinturas e inscrições pré-históricas, mas estima-se que esse número possa ser dez vezes maior. Esses registros gravados em rochas datam de até 40 000 anos atrás e constituem um patrimônio precioso e frágil por natureza, exposto que é à ação do tempo e das mudanças climáticas. No Brasil, a essa agressão inevitável soma-se uma praga vergonhosa. Aqui, o grande inimigo da conservação é o vandalismo. Pinturas milenares têm sido depredadas por pichações, fogueiras, gado – e até por cartazes de propaganda eleitoral. Em janeiro deste ano, no Parque Nacional do Catimbau, em Pernambuco, inscrições rupestres feitas há 6 000 anos foram destruídas depois de uma disputa entre guias que trabalhavam informalmente na região. Um deles sentiu-se lesado pelos colegas e jogou um balde de tinta vermelha sobre os desenhos. Até hoje ninguém foi indiciado.
Nos precários levantamentos do Iphan, a depredação atinge 3% do patrimônio. Levantamentos feitos por instituições estaduais dão uma ideia mais precisa do problema. A Universidade Estadual da Paraíba está fazendo o Mapa da Destruição no estado, cujo tesouro mais precioso é a Pedra do Ingá, um bloco de 24 metros de largura e 3 de altura coberto de grafismos misteriosos. Até agora, pesquisadores visitaram 44 sítios e encontraram marcas de vandalismo em 38 deles. Outra equipe, da Universidade Federal da Bahia, localizou dezoito casos de depredação em 120 sítios pesquisados no estado. País afora esse panorama desolador se repete, sem que se tome providência alguma para barrar a destruição.
O patrimônio rupestre conhecido até agora no Brasil não tem a mesma beleza dos desenhos de locais célebres como as grutas de Lascaux, na França, e de Altamira, na Espanha. Mas os cerca de 20 000 sítios formam uma das maiores concentrações do mundo de pinturas ainda não estudadas. Eles estão espalhados por todo o país e guardam desenhos de diferentes períodos. Alguns são inscrições geométricas, outros sugerem animais, rituais, cenas de luta. São uma ferramenta importante para os estudos sobre o processo de ocupação do continente americano, além de seu valor como registro artístico. Sua destruição é preocupante porque recai sobre material que ainda não foi sequer cadastrado e examinado. Desde 1961, o Iphan é responsável pela fiscalização desses sítios. Mas, até 2006, em seu quadro havia apenas seis arqueólogos. Atualmente há quarenta, um efetivo ainda ínfimo. "São milhares de sítios, muitas vezes em locais de difícil acesso, e pinturas isoladas, que ficam a centenas de quilômetros umas das outras. É impossível vigiar tudo", diz o diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, Dalmo Vieira Filho.
(Fonte: Revista Veja - Marcelo Bortoloti - Edição 05/08/2009)






quarta-feira, 29 de julho de 2009

Por dentro da caatinga: o camaleão


Camaleão - Foto: Rosilândia Melo feita no açude Cajazeiras em Pio IX-PI.
Quem nunca ouviu alguém contar histórias do tipo: ‘peguei num Camaleão pensando que era um pedaço de pau’ ou ‘se alguém o captura pela cauda ele larga a mesma e vai embora’. Pois é, neste momento você deve lembrar de muitas outras, principalmente, do tempo de criança. Seu habitat natural se localiza do México ao Brasil Central - Floresta Amazônica, matas de galeria, cerrado e caatinga. É um réptil muito presente em nossa região. Conhecido por mudar a sua cor para se adaptar a um ambiente ou a uma situação, esta estratégia o ajuda a se proteger de potenciais predadores e passar despercebido por eles. Além desta característica, possui a capacidade de movimentar os dois olhos independentemente e também de enrolar a cauda para se agarrar. Por isso, sobe com facilidade em árvores e corre rápido no chão. É um bom mergulhador e também nada bem, podendo ficar submerso por longo tempo. Caso se sinta acuado, foge ou defende-se com dentadas e chicoteando com a cauda. De hábitos diurnos, costuma, ao amanhecer, colocar-se ao sol para caçar todo o tipo de insetos, como gafanhotos e outros artrópodes. Alimenta-se de grandes quantidades de folhas verdes, e de frutos. Ingere também insetos. É um lagarto imponente, com uma bela crista que vai da nuca até a cauda e aparece também no papo. Os machos, normalmente, são mais coloridos e com ornamentações mais proeminentes na cabeça.

terça-feira, 28 de julho de 2009

População de arara-azul-de-lear cresce 18% em apenas um ano

Arara-Azul-de-Lear -(Por Délcio Rocha - Monica Pinto - Fonte: Ecoluna)
Censo realizado pelos pesquisadores do Instituto Chico Mendes (ICMBio) mostra crescimento de 18% no número de araras-azuis-de-lear em apenas um ano. De acordo com os especialistas do Centro Nacional de Pesquisa para a Conservação das Aves Silvestres (Cemave), o número de exemplares saltou de 900 aves em 2008 para 1.060 neste ano. A arara-azul é uma das aves mais ameaçadas no mundo.
A contagem foi realizada na região do Raso da Catarina, na caatinga baiana, entre os municípios de Jeremoabo e Canudos. Foram feitas três contagens técnicas, o que significa dizer que as aves foram contadas seis vezes, uma de manhã e outra à tarde em cada um dos três dias. "Tiramos a média e o número final é de 1.060", explica o biólogo Kleber de Oliveira, um dos responsáveis pelo censo. A incursão em campo foi a primeira deste ano. Outra deve ocorrer em novembro, para confirmar os dados colhidos até agora.
A arara-azul-de-lear é citada no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção, editado pelo Ministério do Meio Ambiente, e na lista da União Internacional para a Conservação da Natureza. Segundo os pesquisadores, com os novos números, ela pode passar, ainda neste ano, do status de 'criticamente ameaçada' para o de 'ameaçada'. Isso significa que a situação melhorou, mas o animal ainda corre risco de desaparecer.
(Fonte: DiárioNet - P.Carvalho)

domingo, 26 de julho de 2009

Caatinga: Mudas de espécies em extinção são reproduzidas

Estudo feito pela Embrapa, em Petrolina, desenvolveu tecnologia para
germinação de quatro plantas ameaçadas de desaparecer.


O Brasil tem, segundo o Ibama, 472 tipos de plantas em risco de extinção, dos quais quatro estão na caatinga. São a aroeira-do-sertão, a baraúna, a imburana-de-cheiro e a quixabeira que, se depender da Embrapa Semiárido, deixarão de figurar na lista. É que pesquisadores da unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, localizada em Petrolina, Sertão de Pernambuco, desenvolveram uma tecnologia para a produção de mudas dessas espécies.
A partir de estudos da fisiologia das sementes das quatro árvores, a equipe identificou qual a melhor forma de estimular a germinação, se apenas umedecendo-as ou também fazendo um pequeno corte na casca. É o que se chama de quebrar a dormência. Na natureza, isso se dá pela ação da chuva ou do tempo, mas no laboratório é preciso recorrer a métodos artificiais.
Enquanto a aroeira e a umburana precisam apenas ser embebidas num papel com água para germinar, a baraúna e a quixabeira necessitam de um corte na casca do lado oposto ao do embrião. “Também verificamos a temperatura mais adequada e o melhor substrato, que pode ser areia, solo ou ainda uma mistura dos dois com a adição de esterco”, explica Bárbara França Dantas, que coordena o trabalho.
Os pesquisadores monitoram até a quantidade de luz que a muda recebe. Ao avaliar o crescimento da planta, eles verificam em que combinação de fatores ela se desenvolve melhor.
A agrônoma, com pós-graduação em fisiologia de sementes, explica que decidiu pesquisar a aroeira-do-sertão, a baraúna, a imburana-de-cheiro e a quixabeira para contribuir com a conservação dessas espécies. “Embora estejam ameaçadas, há pouca gente trabalhando com elas”, justifica. Segundo Bárbara, as quatro são exploradas para fins medicinais. “Da aroeira se usa a casca e a madeira, das outras três, as sementes. A baraúna também tem uso madeireiro”, esclarece.
Das quatro, a que mais Bárbara teve dificuldades de encontrar foi a quixabeira. “As outras a gente ainda acha fácil na caatinga, mas ela aparece apenas numa região chamada Salitre, aqui em Petrolina”, conta. A pesquisadora calcula que já produziu pelo menos 100 mudas das espécies. “Foram usadas nos experimentos. Mas o mais importante é que agora pudemos dizer como são produzidas essas mudas.” A equipe de Bárbara realizou dois cursos, este ano, sobre produção de mudas das quatro espécies.


(Fonte: JC - Por Verônica Falcão)

A Universidade Federal Rural de Pernambuco e o Comitê Estadual celebram o Dia Nacional da Caatinga

Marcelo, Suassuna, Rita, Ednilza e Márcio (CERBCAA/PE) João Suassuna (Fundaj) Márcia Vanusa (UFPE) Francis Lacerda (IPA) e Jo...