sábado, 14 de agosto de 2010

Personagens da Caatinga: ZABÉ DA LOCA.



Por Marcelo Teixeira (*)

A conservação da caatinga também representa a preservação de nosso patrimônio imaterial, nossas tradições, nossos valores, nossa música, nossa literatura. Sem a caatinga, a cultura produzida pelo sertão perde sentido. Todos os sábados, o Blog da Caatinga estará divulgando um pouco da riquíssima cultura do nosso Bioma, são cantadores, poetas, cineastas, cordelistas e muito mais.

ZABÉ DA LOCA, a pernambucana Isabel Marques da Silva é uma venerável senhora de 85 anos. Ela nasceu em Buíque, na Região Agreste mas só agora se tornou conhecida dos brasileiros. Dona Isabel atende pelo nome de Zabé da Loca e toca pífano como ninguém. Zabé da loca ganhou esse nome por ter morado 25 anos dentro de uma gruta ( loca ), formada por duas paredes de taipa, no Sítio Tungão, a 19km de Monteiro, na Paraíba. Sempre acompanhada de seu pífano, Zabé que desperta atenção pela propriedade com que executa o instrumento, é também reconhecida como a “ Rainha do Pife” – forma como os sertanejos chamam o pífano. Em 2003, conseguiu o reconhecimento com a gravação do CD “Canto do semi-árido”, em que toca composições próprias além de uma versão de “ Asa Branca ”, de Luiz Gonzaga. Dona Zabé já não mora mais na loca.
Assistam a este vídeo do vaquejadanoar, divulgado no YouTube em 05/09/2008 e conheçam este caldeirão cultural que alimenta nossa alma de alegria e amor por este nosso povo rico de ritmos e das humildes grandeza de espírito evoluído.

(*) Editor do Blog da Caatinga

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Mudou o jornalismo,não o Semi-Árido.


Washington Novaes - O Estado de S.Paulo


A primeira manchete de jornal escrita pelo autor destas linhas na então Folha da Manhã, nos idos de 1958, dizia: Assume proporções de catástrofe na Paraíba a seca que assola todo o Nordeste. Mudou o estilo, passou-se mais de meio século, não mudou a realidade. Na próxima segunda-feira, em Fortaleza, a Organização das Nações Unidas lançará a Década da ONU sobre Desertos e de Combate à Desertificação, com o propósito de enfrentar o drama em mais de cem países e lançar um alerta sobre as "dimensões alarmantes" da questão
De fato, segundo a ONU, um terço da superfície do planeta, onde vivem 2,6 bilhões de pessoas, enfrenta o problema, em algum grau. Na região subsaariana, por exemplo, a degradação nos vários países varia de 20% a 50% do território e atinge 200 milhões de pessoas. Na Ásia e na América Latina, são 357 milhões de hectares afetados, 2,7 bilhões de toneladas de solo perdidas a cada ano. No Brasil, mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, do Nordeste a Minas Gerais e Espírito Santo, 15 milhões de pessoas já atingidas diretamente, perdas de US$ 5 bilhões por ano. Se a temperatura da Terra subir mais que 2 graus, alerta a ONU, pode pôr em risco um terço da economia.
Em artigo recente neste espaço (22/1), já foram analisados muitos ângulos da parte que cabe ao Brasil no drama, com áreas em torno de 1 milhão de quilômetros quadrados suscetíveis de desertificação (quase 100 mil km2 já em processo), 1.482 municípios, 15 milhões de pessoas. Algumas dessas áreas - Gilbués (PI), Irauçuba (CE), Cabrobó (PE) e Seridó (RN) - "já podem ser consideradas desertos", segundo o meteorologista Humberto Barbosa (Portal do Meio Ambiente, 9/8); "e, pior, estão se expandindo". A Bahia tem em áreas problemáticas 289 municípios, 86,8% do território do Estado, onde vivem 3,7 milhões de pessoas. E nem é só no Semi-Árido. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 40% das áreas suscetíveis estão no Cerrado (entre elas, o paradisíaco Jalapão) e na fronteira gaúcha, na região de Alegrete. Até a região das nascentes do Rio Araguaia está ameaçada, com mais de 20 voçorocas de quilômetros de extensão.
Segundo a Fundação Oswaldo Cruz e a Universidade Federal de Minas Gerais, 1% do Nordeste, pelo menos, está sob risco alto de desertificação, por causa de mudanças climáticas. Já o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Laboratório de Meteorologia de Pernambuco dizem que as temperaturas médias fora do litoral nordestino estão aumentando rapidamente, com estiagens mais longas, chuvas mais intensas e mais rápidas, ar mais seco. Em Vitória de Santo Antão, por exemplo, em 40 anos a média das máximas subiu 3,5 graus (para 35°), enquanto a média mundial aumentava 0,4 grau. Por isso tudo, o Ministério do Meio Ambiente e o Inpe assinaram esta semana acordo para a elaboração do Sistema de Alerta Precoce de Secas e Desertificação, que pode antecipar situações problemáticas e providências cabíveis, partindo de dados meteorológicos e imagens de satélites. O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, afirmou na ocasião que "o mundo vive uma tragédia anunciada". Na seca, 60% das chuvas na região caem em um mês; 30% em um dia.
A Caatinga já perdeu a vegetação em quase 50% de sua área total. Entre 2002 e 2008 foram 16.576 quilômetros quadrados, mais de 2,7 mil por ano. E só tem 7% do território em áreas protegidas, das quais apenas 2% com proteção integral. Por isso, muito terá de ser feito para tentar reverter o quadro. Influir no modelo energético, por exemplo, já que a lenha ainda responde por 40% da energia, somados o consumo no polo gesseiro de Araripe (1 milhão de metros cúbicos anuais de lenha, para fabricar 1,3 milhão de toneladas de produtos) e o consumo nas residências. Além do desmatamento, contribuem para a desertificação as queimadas, o "extrativismo desenfreado", o uso intensivo do solo.
Até aqui, muitas das propostas de "solução" se têm mostrado ineficazes ou até contraproducentes, embora mobilizando recursos públicos consideráveis. Nos açudes nordestinos, por exemplo, acumulam-se 37 bilhões de metros cúbicos de água, equivalentes a um terço do que o Rio São Francisco despeja no mar por ano - e com alto nível de evaporação. Mas não há uma rede de distribuição. Perímetros irrigados são outro exemplo de ineficácia. Segundo o Instituto Nacional do Semi-Árido, só 2% das terras, ali, podem receber sistemas de irrigação. Ainda assim, mais de metade da água transposta do Rio São Francisco se destina a projetos de irrigação (embora o próprio Ibama, que licenciou a obra, tenha advertido que a maior parte da água irá para terras já em processo de erosão ou desertificação).
Como já se escreveu aqui tantas vezes, o pensamento moderno e realista sugere que se mudem as estratégias, que se parta para a "convivência com o Semi-Árido", em lugar de tentar modificá-lo, tarefa impossível. Que se adotem soluções como as mais de 300 mil cisternas de placa já instaladas pela Articulação do Semi-Árido e outras instituições, que recolhem água da chuva e abastecem as famílias durante a estiagem. Como as mais de 4 mil cisternas de produção, como as barragens subterrâneas. A Embrapa sugere ênfase na pecuária leiteira, na vinicultura, na oleicultura, na fruticultura irrigada.
É preciso ter urgência. Este ano, a estiagem já levou à perda de 70% da safra em Picos (PI). Entre janeiro e maio, as chuvas no Ceará estiveram 53% abaixo da média. A "seca" verde atingiu 63 municípios cearenses.
O Ministério do Meio Ambiente espera ver criado por decreto federal o Fundo da Caatinga, a ser administrado pelo Banco do Nordeste. O Senado aprovou a inclusão da Caatinga (e do Cerrado) entre os patrimônios nacionais definidos pelo artigo 225, parágrafo 4.º, da Constituição. Ainda falta a aprovação da Câmara dos Deputados para a proposta, que tramita há mais de 20 anos. É preciso correr.

(Fonte: ESTADÃO - E-MAIL: wlrnovaes@uol.com.br )

Fazenda na Caatinga preserva rochas e cavernas da pré-história.


Pelo caminho, são mais de 600 espécies de plantas que revelam a riqueza da vida no lugar.
Na fazenda, há pelo menos cinco trilhas. Lá, há pinturas e gravuras de mais de oito mil anos.

O principal roteiro turístico de Sergipe fica no sertão, em plena caatinga e às margens do Rio São Francisco. Uma bela opção para quem quer dar uma esticadinha até o Nordeste do Brasil.
A área de 700 hectares em pleno sertão era para ser mais uma fazenda de gado. Seu Augusto é um apaixonado pela caatinga. Quando comprou a propriedade, há 30 anos, resolveu mudar de idéia: “Observei que a caatinga tinha muito mais para me oferecer que a pastagem. Tentei preservar”, conta.
Pelo caminho, são mais de 600 espécies de plantas que revelam a riqueza da vida no lugar. Na fazenda, há pelo menos cinco trilhas. Por elas, é possível encontrar mais uma riqueza bem guardada por ali: rochas que serviram de tela para o homem da pré-história. São pinturas e gravuras de mais de oito mil anos.
Pesquisadores identificaram ali nove sítios arqueológicos. Rochas e cavernas se espalham pela fazenda, que ainda reserva, no final das trilhas, o espetáculo do Rio São Francisco. É um convite ao mergulho e à contemplação.
De um lado e do outro do rio, caatinga e paredões gigantes, alguns com mais de 70 metros, como o Morro dos Macacos e a Pedra do Gavião. O lugar recebe por ano mais de 100 mil visitantes.
(Fonte: Jornal Floripa)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

INPE vai monitorar desertificação no Semiárido.

As mudanças climáticas vão aumentar a vulnerabilidade do processo de desertificação do Semiárido nordestino, disse  no último dia 9 o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilberto Câmara. Ele não acredita que a transposição de águas do Rio São Francisco e os açudes conseguirão amenizar o problema da desertificação que tem origem no aquecimento global.

O diretor do Inpe falou durante assinatura de acordo de cooperação entre o instituto e o Ministério do Meio Ambiente, para criação de um sistema de alerta precoce de secas e desertificação no Semiárido nordestino. O sistema vai fazer previsões sobre o clima na região, apontar as probabilidades de uso da terra e prever as variações climáticas. Segundo Gilberto Câmara, o Semiárido é a região do país que merece mais atenção em relação às consequências do aquecimento global.

Sistema vai monitorar risco de desertificação no Semiárido

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vai elaborar o Sistema de Alerta Precoce de Secas e Desertificação no Semiárido brasileiro. O objetivo é desenhar cenários de vulnerabilidade resultantes do uso da terra, com ênfase na questão da desertificação, além de fazer previsões sobre mudanças climáticas.
Para viabilizar a implantação do sistema, o Inpe e o Ministério do Meio Ambiente assinaram ontem (9) em acordo de cooperação, durante a 2ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD).
No encontro, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu a adoção de políticas públicas destinadas ao Semiárido para os próximos dez anos, a fim de amenizar os efeitos negativos das mudanças climáticas. Segundo a ministra, a Caatinga já perdeu 50% da cobertura original. “É necessário, pelo menos, tentar evitar que a situação se agrave ainda mais”, disse ela, ao destacar a necessidade de investimentos dos bancos públicos na área.
Na ocasião, foram empossados no CNDC 11 membros da sociedade civil, a maioria da Região Nordeste. Izabella Teixeira afirmou que o colegiado “precisa ter a mesma importância do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), dada a magnitude da sua destinação”.
Para a ministra, o CNDC deve buscar a adoção de medidas estruturantes, sem as quais não será possível obter resultados. “É preciso que a comissão aponte caminhos, com a convergência de objetivos e de ações.” Ela destacou, por exemplo, que a demanda por alimentos no país nas próximas décadas estará condicionada ao uso sustentável dos recursos naturais. “Sem água não haverá energia nem agricultura.”
Izabella Teixeira criticou a falta de engajamento dos prefeitos nas discussões sobre sustentabilidade do meio ambiente, “crucial num momento em que o tema desperta a atenção no Brasil e no mundo inteiro”. Ela lembrou que todas as previsões para os efeitos negativos do clima feitas há 30 anos se confirmaram.
Segundo a ministra, os prefeitos, “quando fazem suas marchas a Brasília, não trazem na sua agenda assuntos de interesse do meio ambiente”.
Izabella Teixeira disse que tratar do assunto de forma estratégica é fundamental, dada a importância para a produção de alimentos, a geração de energia e a redução de desastres naturais, como as enchentes ocorridas em Alagoas e Pernambuco em consequência de chuvas, que também tiveram exemplos drásticos em outros pontos do planeta, como no Paquistão.

(Reportagem de Lourenço Canuto, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 10/08/2010)
Leia também: Impactos das Mudanças Climáticas no Sertão




terça-feira, 10 de agosto de 2010

CONSERVAÇÃO DA CAATINGA: Edital incentiva criação de Reservas Particulares.


Até o dia 16 de agosto, a Associação Caatinga recebe
projetos para criação de RPPNs no Ceará


A Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, é um dos que mais sofrem degradação no País. Originalmente, a Caatinga cobria aproximadamente 11% do território brasileiro. Nos dias atuais, o seu nível de degradação é bastante preocupante. Estudos recentes, divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), apontam que pelo menos 45% de toda a Caatinga já foi destruída.
Mais alarmante ainda é que o Ceará tem participação significativa neste cenário. Foi pensando em frear esta degradação e garantir a proteção das áreas restantes, que a Aliança Caatinga, formada por instituições que têm o mesmo propósito, lançou, no dia 9 de julho, o 2º Edital do Programa de Incentivo à Conservação em Terras Privadas na Caatinga.
Para a coordenadora do Projeto Caatinga Preservada, da Associação Caatinga, Natasha Chaves Cavalcante, "esses editais são importantes por prestarem apoio a proprietários rurais que desejam criar em suas áreas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). Como é um ato voluntário, eles são estímulos para os proprietários reservarem um espaço de suas áreas para os cuidados com o bioma da Caatinga".
Segundo o MMA, dos 20 municípios campeões de desmatamento da Caatinga nos últimos oito anos, sete estão no Ceará. Além do nível de alteração e desmatamento, se for considerado que somente cerca de 1% do bioma é protegido legalmente por unidades de conservação de proteção integral, a Caatinga assume a posição de bioma brasileiro menos protegido do País e, consequentemente, o mais ameaçado. Além disso, os poucos remanescentes das florestas da Caatinga estão localizadas em terras privadas.

Estratégia

Neste contexto, a proposta de criação e manutenção de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) é extremamente importante como estratégia para a conservação do bioma, a manutenção dos recursos hídricos e, também, a redução de emissões de gases do efeito estufa. Por outro lado, alguns números alegram os militantes ambientais e a sociedade: a conservação da paisagem em terras privadas na Caatinga, por meio RPPN, já corresponde a 10% das áreas especialmente protegidas nesse bioma.
Somente no Ceará já são 16 reservas privadas. A estimativa é que o edital possibilite a criação de mais dez novas RPPNs. "Nós também esperamos apoiar nove planos de manejo em RPPN já estabelecidas no Ceará, para aquelas já existentes. Isso tudo no bioma Caatinga", afirma Natasha.
No Ceará, o bioma Caatinga está praticamente em todos os municípios, exceto àqueles localizados na região litorânea e nas serras, que têm Mata Atlântica.
O 2º edital de apoio a projetos, lançado recentemente pela Aliança da Caatinga, faz parte do Projeto Caatinga Preservada: Segurança Hídrica e Emissão Evitada de Carbono no Semiárido, patrocinado pela MPX e coordenado pela Associação Caatinga. O edital apoiará diretamente proprietários rurais no Estado do Ceará que desejam criar RPPN, bem como proprietários que já possuem RPPN em suas áreas e que desejam fortalecer a proteção das áreas por meio da elaboração do plano de manejo e ações de manutenção da integridade da RPPN.
Trata-se de esforço que parte de ato voluntário do proprietário rural em promover a conservação em sua propriedade e, assim, contribuir para preservação de florestas e ambientes naturais do bioma Caatinga, como forma de garantir a manutenção dos sistemas hídricos que contribuem para abastecimento e a segurança alimentar das comunidades do sertão nordestino. Os projetos para apoio a criação e gestão de RPPN no Ceará deverão ser enviados diretamente para a Associação Caatinga até o dia 16 de agosto. O edital, anexos e documentos necessários estão disponíveis no site da instituição.



Voluntariado

"Como é um ato voluntário, os editais estimulam os proprietários a cuidarem do bioma da Caatinga"

Natasha Chaves Cavalcante

Coord. do Projeto Caatinga Preservada


MAIS INFORMAÇÕES

Associação Caatinga

Rua Cláudio Manuel Dias Leite, 50

Cocó - Fortaleza/ (85) 3241.0759

www.acaatinga.org.br

Emanuelle Lobo

Especial para o Regional - (Fonte: Diário do Nordeste)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Conferência Internacional: Conservação da Caatinga é tema de debate na ICID 2010.


Estação Ecológica Federal Raso da Catarina - Foto: MMA
Freiar o desmatamento e ampliar atividades sustentáveis são alternativas para conter a desertificação na região semiárida.


No Brasil, 95% das áreas suscetíveis à desertificação estão na Caatinga. Bioma exclusivamente brasileiro, a Caatinga já teve quase metade de sua cobertura vegetal desmatada. Por isso, combater o desmatamento e ampliar atividades sustentáveis são focos de ações para conter a desertificação na região.
A criação de áreas protegidas na Caatinga é uma das prioridades do Ministério do Meio Ambiente. Experiências mundiais de criação de unidades de conservação (UC) para o combate à desertificação serão debatidas durante a II Conferência Internacional sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Áridas e Semiáridas (ICID 2010), de 16 a 20 de agosto, em Fortaleza (CE). O evento vai reunir representantes de mais de 100 países.
No dia 17, às 14h, o diretor de Áreas Protegidas do MMA, Fábio França, vai falar sobre o trabalho do governo brasileiro na criação de UCs na Caatinga. A Secretaria de Biodiversidade e Florestas do MMA, em parceria com o Instituto Chico Mendes e com a ONG TNC, definiu uma agenda de criação de unidades de conservação, que prevê 20 novas áreas.
Já foi criada uma UC e duas estão em processo de criação. O Monumento Nacional do Talhado do São Francisco (AL, BA, SE) foi criado em junho do ano passado. Ainda será criado o Parque Nacional do Boqueirão da Onça (BA) e ampliado o Parque Nacional das Confusões (PI).
Essas ações ampliam em 2% a área protegida da Caatinga. Segundo o Mapa de Unidades de Conservação e Terras Indígenas da Caatinga, produzido pelo MMA e a ONG TNC, lançado em 2008, a Caatinga tem 7% da sua área em unidades de conservação federais e estaduais e terras indígenas, sendo 1% área de proteção integral.
Ferramentas de adaptação às mudanças climáticas também serão apresentadas na mesa-redonda, assim como trabalhos desenvolvidos na Ásia e África e o panorama da desertificação nas Américas.
Uso sustentável - Responsável pelo Núcleo Bioma Caatinga, João Arthur Seyffarth vai coordenar painel sobre conservação e uso sustentável de espécies nativas, no dia 18, às 8h30. O manejo e conservação da Caatinga, conhecido por GEF Caatinga, desenvolve alternativas para o uso sustentável do bioma, tanto para atividades de manejo florestal madeireiro quanto para produção de alimentos.
Esses debates vão subsidiar a última mesa-redonda sobre o tema. No dia 20, às 14h, a secretária de Biodiversidade e Florestas do MMA, Maria Cecília Wey de Brito, participa da mesa-redonda sobre políticas públicas para a gestão da biodiversidade nas terras secas - ferramentas para o enfrentamento da desertificação e a adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.
A ICID envolve países da África, Ásia e América Latina, e cerca de dois mil participantes, com a meta de incluir de forma efetiva as questões relacionadas aos efeitos do aquecimento global em regiões áridas e semiáridas nas agendas de debates nacionais e internacionais.
por Ascom/MMA

sábado, 7 de agosto de 2010

Desmatamento: Ave rara é ameaçada de extinção.

O macho da espécie Soldadinho-do-Araripe é branco e tem penacho vermelho na cabeça.
A ponta da cauda e as rêmiges (usadas para vôo) são brancas e pretas. Foto Diário do Nordeste.
Soldadinho-do-Araripe depende de quatro árvores para sobreviver

Pesquisa recente reforça a necessidade de conservação do sopé da Chapada do Araripe, entre Pernambuco, Piauí e Ceará, onde vive uma espécie de ave rara e ameaçada de extinção. Quatro árvores do local são usadas pelo animal. Ao mesmo tempo que constrói seus ninhos nos galhos, o soldadinho-do-araripe se alimenta dos frutos da rosa-da-mata, umbiretanha, candeeiro-d’água e falsa-jangada.
O topo e o entorno da chapada estão incluídos em unidades de conservação, mas não a base das encostas. Enquanto o primeiro se encontra nos domínios da Floresta Nacional do Araripe, o segundo fica numa Área de Proteção Ambiental (APA).
“Além de ser o habitat do soldadinho-do-araripe, o local abriga as nascentes da região do Cariri, daí a importância não só para preservar a espécie, mas também para garantir a sobrevivência humana”, diz o coordenador de projeto de pesquisa e conservação da espécie, o biólogo Weber Girão, vinculado à ONG Aquasis, com sede em Fortaleza.
Tanto a Flona quanto a APA são de uso sustentável, ou seja, têm a exploração dos seus recursos permitida. “Queremos uma unidade de conservação de proteção integral. A categoria pode ser um refúgio de vida silvestre ou um parque nacional. As pessoas envolvidas no processo serão consultadas e definirão o que consideram melhor”, adianta Weber.
O estudo, realizado pela bióloga Karina Vieiralves Linhares para o doutorado em biologia vegetal da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), revelou ainda quais as árvores que o soldadinho-do-araripe visita para comer os frutos e as que ele usa para fazer ninho.
“São 22 que fornecem alimento e 11 que servem de suporte para os ninhos”, explica a pesquisadora. Um dos destaques é o pau-caixão. “Mesmo na estiagem, quando as outras árvores dispõem de menos frutos, ele garante a alimentação para o soldadinho”, esclarece Karina.

BIOLOGIA

A população estimada do soldadinho, de acordo com o último censo de 2006, é de apenas 800 indivíduos. Nas listas nacionais e internacionais de espécies ameaçadas, o animal é endêmico da Chapada do Araripe, onde foi descoberto por uma equipe da UFPE, em 1998, que deu ao pássaro o nome científico de Antilophia bokermanni.
O macho tem um topete vermelho, enquanto a fêmea é esverdeada. Quando adulto, o soldadinho-do-araripe mede 15 centímetros e cerca de 20 gramas. O filhote tem apenas um terço do tamanho do adulto, ou seja, aproximadamente cinco centímetros.
Segundo os pesquisadores, as fêmeas geralmente põem dois ovos. O período de incubação dura, aproximadamente, 22 dias. O período de reprodução, entre a corte e a eclosão dos filhotes, se estende de novembro a março.
A área onde vive o animal é como um oásis no Sertão. Mesmo estando no Semiárido, essa parte da chapada suporta uma floresta úmida semelhante à Mata Atlântica.
(Fonte: JC - Acesse o Blog Ciência & Meio Ambiente)

SALVE O SOLDADINHO DO ARARIPE - Campanha Mundial!


Veja também o Vídeo: Grandes árvores do sertão servem de remédio caseiro para os moradores

A Universidade Federal Rural de Pernambuco e o Comitê Estadual celebram o Dia Nacional da Caatinga

Marcelo, Suassuna, Rita, Ednilza e Márcio (CERBCAA/PE) João Suassuna (Fundaj) Márcia Vanusa (UFPE) Francis Lacerda (IPA) e Jo...