terça-feira, 17 de agosto de 2010

Governo pretende criar fundo da caatinga ainda neste ano.

Ministério do Meio Ambiente avalia transferir recursos que seriam destinados
a mudanças climáticas para esse novo projeto

FORTALEZA – Até o final do ano, o Ministério do Meio Ambiente vai definir como irá funcionar o Fundo Caatinga, que financiará ações de sustentabilidade nas regiões semiáridas do Brasil. O secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, José Machado, afirmou, ontem, durante a 2ª Conferência Internacional sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Áridas e Semiáridas, a Icid 2010, que está sendo decidido se o fundo será criado por decreto presidencial ou por meio de projeto de lei.
“Até dezembro teremos uma proposta concreta. A minuta já está pronta, mas ainda não definimos qual será a fonte de financiamento. É possível que utilizemos recursos da exploração de petróleo”, afirmou José Machado.
O coordenador do Plano de Ação Nacional de Combate à Desertificação, Marcos Fabbro, explicou que a expectativa do Ministério do Meio Ambiente é que, em 2011, o fundo movimente algo em torno de R$ 150 milhões. “Mais importante do que o valor dos recursos, é definir como eles serão gastos. Temos que dar eficiência às verbas destinadas às ações no Semiárido”, defendeu Marcos Fabbro.

PROGRAMAS

Segundo o coordenador do Plano de Ação Nacional de Combate à Desertificação, dos 11 Estados brasileiros atingidos pela desertificação, apenas Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte já possuem programas estaduais de combate à desertificação. Ele acredita que, até o final do ano, os demais Estados também já terão concluídas as suas políticas para enfrentar o problema.
“Um dos maiores benefícios do Fundo da Caatinga será justamente o de impulsionar a criação dos programas estaduais e organizar a gestão dos recursos públicos. Temos que pactuar as ações para criar uma rede eficiente de investimentos. É isso que garantirá o desenvolvimento sustentável nas regiões secas do País”, afirmou Marcos Fabbro.

POTENCIAL BILIONÁRIO


Embora exista escassez de água, o clima da caatinga é bastante favorável à plantação de frutas e flores, quando irrigada, observa Robson Oliveira, coordenador do Conselho Euro-Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (Eubra). A temperatura tem uma grande estabilidade ao longo do ano, explica.
Com uma boa gestão de recursos hídricos, diz Oliveira, os nordestinos poderiam ver sua produção anual saltar de cerca de R$ 200 por hectare para até cerca de R$ 100 mil por hectare, nível de retorno de algumas regiões de produção agrícola intensiva na Europa. “Se tornássemos apenas 25% do terreno do semiárido irrigável e desenvolvêssemos produtos agregados, como vinhos e doces, poderíamos elevar o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em três vezes.”
Segundo Oliveira, que, pelo Eubra, também atua na composição do Fundo Caatinga, a ideia por trás do projeto é fomentar principalmente pequenas iniciativas de melhora das condições de plantio do agricultor, como uso de energia solar e dessalinização de água. “Com uma mínima segurança alimentar, abre-se espaço para o desenvolvimento econômico”, diz.
Ele cita exemplos de regiões do semiárido que conseguiram se desenvolver bem com acesso a irrigação, como o pólo produtor de frutas e vinhos em Petrolina (PE) e Juazeiro (CE) e o parque de floricultura no Ceará, que virou Estado exportador de flores.
(Fontes: Jornal do Commercio e IG - Economia)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Conferência mundial em Fortaleza. O mundo de olho no semiárido.


Encontro, começa hoje, em Fortaleza (CE), e vai discutir soluções sustentáveis para as regiões secas, que reúnem um terço da população do planeta. Elcio Barros, coordenador do Comitê Estadual da Caatinga/PE, participa do evento. A Caatinga já perdeu sua vegetação em quase 50% de sua área total. Foram 16.576 km² destruídos. Cerca de 2,7 mil km² por ano. Ela só tem 7% do seu território em áreas protegidas.


No País, eles somam 22 milhões de brasileiros. No mundo, a conta sobe para dois bilhões de pessoas. Um terço da população do planeta vive em terras semiáridas, boa parte delas ameaçadas de desertificação. É também sobre essa região que o aquecimento global e as mudanças climáticas provocarão maiores estragos. Um dado ainda mais preocupante, considerando que os efeitos recairão justamente sobre a população mais pobre do planeta. De amanhã até sexta-feira, especialistas do mundo inteiro estarão reunidos em Fortaleza para discutir os desafios impostos a esse pedaço de terra e aos seus moradores.
A 2ª Conferência Internacional sobre Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável em Regiões Semiáridas terá representantes de mais de 90 países da África, Europa, Ásia e América Latina. A Icid 2010, como está sendo chamada a conferência, vai gerar, consolidar e sintetizar dados e estudos sobre mudanças climáticas, além de identificar ações voltadas ao desenvolvimento seguro e sustentável nas regiões semiáridas. Mais do que discutir problemas e traçar diagnósticos, a reunião servirá para propor soluções e alternativas que ajudem a minimizar os impactos das alterações climáticas, sobretudo nas áreas desertificadas.
Nesse sentido, a troca de experiências é uma das maiores apostas do encontro. A prova disso é que um dos continentes com maior número de participantes é a África, uma das regiões mais atingidas pelo fenômeno da desertificação. Dos cerca de 500 estrangeiros que participarão da conferência, 100 são representantes do continente africano. “O olhar é direcionado para a busca de soluções e a cooperação técnica. Queremos trocar as experiências que estão dando certo, exportá-las para outras regiões do planeta. As áreas semiáridas abrigam uma população muito maior do que a sua capacidade. O desafio é garantir um desenvolvimento sustentável para essa região”, explica o coordenador-executivo da conferência, Antônio Rocha Magalhães.
A 2ª Icid acontece 18 anos após a realização da primeira conferência, ocorrida em 1992, também em Fortaleza, cujos resultados foram preparatórios para a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92. Antônio Rocha ressalta que o primeiro encontro teve um grande impacto, tanto no âmbito nacional quanto no internacional.
“Os trabalhos exibidos durante a primeira Icid foram levados para a Rio-92, assim como a declaração de Fortaleza, com recomendações de políticas públicas para as regiões áridas e semiáridas. Muitos participantes do evento, oriundos da África e da Ásia, chegaram à Rio-92 como negociadores”, observa o coordenador. A primeira edição da Icid também serviu como fator decisivo para a criação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).

AGENDA

Dessa vez, o encontro internacional está de olho na Conferência de Cúpula das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, que será realizada em 2012, no Rio de Janeiro, a Rio+20. A pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco Edneida Cavalcante, que coordena uma das mesas temáticas da reunião, diz que, ao final da conferência, será produzida uma agenda propositiva com o objetivo de influir nas decisões que serão tomadas na Rio+20.
Ela avalia que nos 18 anos de intervalo entre as duas conferências houve um agravamento da degradação das áreas semiáridas. “Ainda estamos destruindo mais do que recuperando”, lamenta. Mas a pesquisadora faz uma avaliação positiva sobre o nível de organização da sociedade, que passou a contribuir mais com a formulação de políticas públicas na área. “Houve um avanço imenso em relação às experiências testadas e aprovadas nesse período. Temos hoje vários modelos de convivência com o Semiárido que podem e devem ser reproduzidos nas regiões secas de vários países”, afirma.
No Brasil, 1.482 municípios do Semiárido são afetados diretamente pelo problema, segundo dados do Programa Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca. Estudos indicam ainda que quase 20% do Semiárido brasileiro será atingido de forma grave, tendo reflexos ambientais e socioeconômicos, como deterioração do solo e comprometimento da produção de alimentos, extinção de espécies nativas e degradação dos recursos hídricos.
(Fonte: Jornal do Commercio - Por Ciara Carvalho)

Leia também a Programação completa da  ICID 2010 e Semiárido na atenção de autoridades internacionais




sábado, 14 de agosto de 2010

Personagens da Caatinga: ZABÉ DA LOCA.



Por Marcelo Teixeira (*)

A conservação da caatinga também representa a preservação de nosso patrimônio imaterial, nossas tradições, nossos valores, nossa música, nossa literatura. Sem a caatinga, a cultura produzida pelo sertão perde sentido. Todos os sábados, o Blog da Caatinga estará divulgando um pouco da riquíssima cultura do nosso Bioma, são cantadores, poetas, cineastas, cordelistas e muito mais.

ZABÉ DA LOCA, a pernambucana Isabel Marques da Silva é uma venerável senhora de 85 anos. Ela nasceu em Buíque, na Região Agreste mas só agora se tornou conhecida dos brasileiros. Dona Isabel atende pelo nome de Zabé da Loca e toca pífano como ninguém. Zabé da loca ganhou esse nome por ter morado 25 anos dentro de uma gruta ( loca ), formada por duas paredes de taipa, no Sítio Tungão, a 19km de Monteiro, na Paraíba. Sempre acompanhada de seu pífano, Zabé que desperta atenção pela propriedade com que executa o instrumento, é também reconhecida como a “ Rainha do Pife” – forma como os sertanejos chamam o pífano. Em 2003, conseguiu o reconhecimento com a gravação do CD “Canto do semi-árido”, em que toca composições próprias além de uma versão de “ Asa Branca ”, de Luiz Gonzaga. Dona Zabé já não mora mais na loca.
Assistam a este vídeo do vaquejadanoar, divulgado no YouTube em 05/09/2008 e conheçam este caldeirão cultural que alimenta nossa alma de alegria e amor por este nosso povo rico de ritmos e das humildes grandeza de espírito evoluído.

(*) Editor do Blog da Caatinga

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Mudou o jornalismo,não o Semi-Árido.


Washington Novaes - O Estado de S.Paulo


A primeira manchete de jornal escrita pelo autor destas linhas na então Folha da Manhã, nos idos de 1958, dizia: Assume proporções de catástrofe na Paraíba a seca que assola todo o Nordeste. Mudou o estilo, passou-se mais de meio século, não mudou a realidade. Na próxima segunda-feira, em Fortaleza, a Organização das Nações Unidas lançará a Década da ONU sobre Desertos e de Combate à Desertificação, com o propósito de enfrentar o drama em mais de cem países e lançar um alerta sobre as "dimensões alarmantes" da questão
De fato, segundo a ONU, um terço da superfície do planeta, onde vivem 2,6 bilhões de pessoas, enfrenta o problema, em algum grau. Na região subsaariana, por exemplo, a degradação nos vários países varia de 20% a 50% do território e atinge 200 milhões de pessoas. Na Ásia e na América Latina, são 357 milhões de hectares afetados, 2,7 bilhões de toneladas de solo perdidas a cada ano. No Brasil, mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, do Nordeste a Minas Gerais e Espírito Santo, 15 milhões de pessoas já atingidas diretamente, perdas de US$ 5 bilhões por ano. Se a temperatura da Terra subir mais que 2 graus, alerta a ONU, pode pôr em risco um terço da economia.
Em artigo recente neste espaço (22/1), já foram analisados muitos ângulos da parte que cabe ao Brasil no drama, com áreas em torno de 1 milhão de quilômetros quadrados suscetíveis de desertificação (quase 100 mil km2 já em processo), 1.482 municípios, 15 milhões de pessoas. Algumas dessas áreas - Gilbués (PI), Irauçuba (CE), Cabrobó (PE) e Seridó (RN) - "já podem ser consideradas desertos", segundo o meteorologista Humberto Barbosa (Portal do Meio Ambiente, 9/8); "e, pior, estão se expandindo". A Bahia tem em áreas problemáticas 289 municípios, 86,8% do território do Estado, onde vivem 3,7 milhões de pessoas. E nem é só no Semi-Árido. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 40% das áreas suscetíveis estão no Cerrado (entre elas, o paradisíaco Jalapão) e na fronteira gaúcha, na região de Alegrete. Até a região das nascentes do Rio Araguaia está ameaçada, com mais de 20 voçorocas de quilômetros de extensão.
Segundo a Fundação Oswaldo Cruz e a Universidade Federal de Minas Gerais, 1% do Nordeste, pelo menos, está sob risco alto de desertificação, por causa de mudanças climáticas. Já o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Laboratório de Meteorologia de Pernambuco dizem que as temperaturas médias fora do litoral nordestino estão aumentando rapidamente, com estiagens mais longas, chuvas mais intensas e mais rápidas, ar mais seco. Em Vitória de Santo Antão, por exemplo, em 40 anos a média das máximas subiu 3,5 graus (para 35°), enquanto a média mundial aumentava 0,4 grau. Por isso tudo, o Ministério do Meio Ambiente e o Inpe assinaram esta semana acordo para a elaboração do Sistema de Alerta Precoce de Secas e Desertificação, que pode antecipar situações problemáticas e providências cabíveis, partindo de dados meteorológicos e imagens de satélites. O diretor do Inpe, Gilberto Câmara, afirmou na ocasião que "o mundo vive uma tragédia anunciada". Na seca, 60% das chuvas na região caem em um mês; 30% em um dia.
A Caatinga já perdeu a vegetação em quase 50% de sua área total. Entre 2002 e 2008 foram 16.576 quilômetros quadrados, mais de 2,7 mil por ano. E só tem 7% do território em áreas protegidas, das quais apenas 2% com proteção integral. Por isso, muito terá de ser feito para tentar reverter o quadro. Influir no modelo energético, por exemplo, já que a lenha ainda responde por 40% da energia, somados o consumo no polo gesseiro de Araripe (1 milhão de metros cúbicos anuais de lenha, para fabricar 1,3 milhão de toneladas de produtos) e o consumo nas residências. Além do desmatamento, contribuem para a desertificação as queimadas, o "extrativismo desenfreado", o uso intensivo do solo.
Até aqui, muitas das propostas de "solução" se têm mostrado ineficazes ou até contraproducentes, embora mobilizando recursos públicos consideráveis. Nos açudes nordestinos, por exemplo, acumulam-se 37 bilhões de metros cúbicos de água, equivalentes a um terço do que o Rio São Francisco despeja no mar por ano - e com alto nível de evaporação. Mas não há uma rede de distribuição. Perímetros irrigados são outro exemplo de ineficácia. Segundo o Instituto Nacional do Semi-Árido, só 2% das terras, ali, podem receber sistemas de irrigação. Ainda assim, mais de metade da água transposta do Rio São Francisco se destina a projetos de irrigação (embora o próprio Ibama, que licenciou a obra, tenha advertido que a maior parte da água irá para terras já em processo de erosão ou desertificação).
Como já se escreveu aqui tantas vezes, o pensamento moderno e realista sugere que se mudem as estratégias, que se parta para a "convivência com o Semi-Árido", em lugar de tentar modificá-lo, tarefa impossível. Que se adotem soluções como as mais de 300 mil cisternas de placa já instaladas pela Articulação do Semi-Árido e outras instituições, que recolhem água da chuva e abastecem as famílias durante a estiagem. Como as mais de 4 mil cisternas de produção, como as barragens subterrâneas. A Embrapa sugere ênfase na pecuária leiteira, na vinicultura, na oleicultura, na fruticultura irrigada.
É preciso ter urgência. Este ano, a estiagem já levou à perda de 70% da safra em Picos (PI). Entre janeiro e maio, as chuvas no Ceará estiveram 53% abaixo da média. A "seca" verde atingiu 63 municípios cearenses.
O Ministério do Meio Ambiente espera ver criado por decreto federal o Fundo da Caatinga, a ser administrado pelo Banco do Nordeste. O Senado aprovou a inclusão da Caatinga (e do Cerrado) entre os patrimônios nacionais definidos pelo artigo 225, parágrafo 4.º, da Constituição. Ainda falta a aprovação da Câmara dos Deputados para a proposta, que tramita há mais de 20 anos. É preciso correr.

(Fonte: ESTADÃO - E-MAIL: wlrnovaes@uol.com.br )

Fazenda na Caatinga preserva rochas e cavernas da pré-história.


Pelo caminho, são mais de 600 espécies de plantas que revelam a riqueza da vida no lugar.
Na fazenda, há pelo menos cinco trilhas. Lá, há pinturas e gravuras de mais de oito mil anos.

O principal roteiro turístico de Sergipe fica no sertão, em plena caatinga e às margens do Rio São Francisco. Uma bela opção para quem quer dar uma esticadinha até o Nordeste do Brasil.
A área de 700 hectares em pleno sertão era para ser mais uma fazenda de gado. Seu Augusto é um apaixonado pela caatinga. Quando comprou a propriedade, há 30 anos, resolveu mudar de idéia: “Observei que a caatinga tinha muito mais para me oferecer que a pastagem. Tentei preservar”, conta.
Pelo caminho, são mais de 600 espécies de plantas que revelam a riqueza da vida no lugar. Na fazenda, há pelo menos cinco trilhas. Por elas, é possível encontrar mais uma riqueza bem guardada por ali: rochas que serviram de tela para o homem da pré-história. São pinturas e gravuras de mais de oito mil anos.
Pesquisadores identificaram ali nove sítios arqueológicos. Rochas e cavernas se espalham pela fazenda, que ainda reserva, no final das trilhas, o espetáculo do Rio São Francisco. É um convite ao mergulho e à contemplação.
De um lado e do outro do rio, caatinga e paredões gigantes, alguns com mais de 70 metros, como o Morro dos Macacos e a Pedra do Gavião. O lugar recebe por ano mais de 100 mil visitantes.
(Fonte: Jornal Floripa)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

INPE vai monitorar desertificação no Semiárido.

As mudanças climáticas vão aumentar a vulnerabilidade do processo de desertificação do Semiárido nordestino, disse  no último dia 9 o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilberto Câmara. Ele não acredita que a transposição de águas do Rio São Francisco e os açudes conseguirão amenizar o problema da desertificação que tem origem no aquecimento global.

O diretor do Inpe falou durante assinatura de acordo de cooperação entre o instituto e o Ministério do Meio Ambiente, para criação de um sistema de alerta precoce de secas e desertificação no Semiárido nordestino. O sistema vai fazer previsões sobre o clima na região, apontar as probabilidades de uso da terra e prever as variações climáticas. Segundo Gilberto Câmara, o Semiárido é a região do país que merece mais atenção em relação às consequências do aquecimento global.

Sistema vai monitorar risco de desertificação no Semiárido

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vai elaborar o Sistema de Alerta Precoce de Secas e Desertificação no Semiárido brasileiro. O objetivo é desenhar cenários de vulnerabilidade resultantes do uso da terra, com ênfase na questão da desertificação, além de fazer previsões sobre mudanças climáticas.
Para viabilizar a implantação do sistema, o Inpe e o Ministério do Meio Ambiente assinaram ontem (9) em acordo de cooperação, durante a 2ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD).
No encontro, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu a adoção de políticas públicas destinadas ao Semiárido para os próximos dez anos, a fim de amenizar os efeitos negativos das mudanças climáticas. Segundo a ministra, a Caatinga já perdeu 50% da cobertura original. “É necessário, pelo menos, tentar evitar que a situação se agrave ainda mais”, disse ela, ao destacar a necessidade de investimentos dos bancos públicos na área.
Na ocasião, foram empossados no CNDC 11 membros da sociedade civil, a maioria da Região Nordeste. Izabella Teixeira afirmou que o colegiado “precisa ter a mesma importância do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), dada a magnitude da sua destinação”.
Para a ministra, o CNDC deve buscar a adoção de medidas estruturantes, sem as quais não será possível obter resultados. “É preciso que a comissão aponte caminhos, com a convergência de objetivos e de ações.” Ela destacou, por exemplo, que a demanda por alimentos no país nas próximas décadas estará condicionada ao uso sustentável dos recursos naturais. “Sem água não haverá energia nem agricultura.”
Izabella Teixeira criticou a falta de engajamento dos prefeitos nas discussões sobre sustentabilidade do meio ambiente, “crucial num momento em que o tema desperta a atenção no Brasil e no mundo inteiro”. Ela lembrou que todas as previsões para os efeitos negativos do clima feitas há 30 anos se confirmaram.
Segundo a ministra, os prefeitos, “quando fazem suas marchas a Brasília, não trazem na sua agenda assuntos de interesse do meio ambiente”.
Izabella Teixeira disse que tratar do assunto de forma estratégica é fundamental, dada a importância para a produção de alimentos, a geração de energia e a redução de desastres naturais, como as enchentes ocorridas em Alagoas e Pernambuco em consequência de chuvas, que também tiveram exemplos drásticos em outros pontos do planeta, como no Paquistão.

(Reportagem de Lourenço Canuto, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 10/08/2010)
Leia também: Impactos das Mudanças Climáticas no Sertão




terça-feira, 10 de agosto de 2010

CONSERVAÇÃO DA CAATINGA: Edital incentiva criação de Reservas Particulares.


Até o dia 16 de agosto, a Associação Caatinga recebe
projetos para criação de RPPNs no Ceará


A Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, é um dos que mais sofrem degradação no País. Originalmente, a Caatinga cobria aproximadamente 11% do território brasileiro. Nos dias atuais, o seu nível de degradação é bastante preocupante. Estudos recentes, divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), apontam que pelo menos 45% de toda a Caatinga já foi destruída.
Mais alarmante ainda é que o Ceará tem participação significativa neste cenário. Foi pensando em frear esta degradação e garantir a proteção das áreas restantes, que a Aliança Caatinga, formada por instituições que têm o mesmo propósito, lançou, no dia 9 de julho, o 2º Edital do Programa de Incentivo à Conservação em Terras Privadas na Caatinga.
Para a coordenadora do Projeto Caatinga Preservada, da Associação Caatinga, Natasha Chaves Cavalcante, "esses editais são importantes por prestarem apoio a proprietários rurais que desejam criar em suas áreas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs). Como é um ato voluntário, eles são estímulos para os proprietários reservarem um espaço de suas áreas para os cuidados com o bioma da Caatinga".
Segundo o MMA, dos 20 municípios campeões de desmatamento da Caatinga nos últimos oito anos, sete estão no Ceará. Além do nível de alteração e desmatamento, se for considerado que somente cerca de 1% do bioma é protegido legalmente por unidades de conservação de proteção integral, a Caatinga assume a posição de bioma brasileiro menos protegido do País e, consequentemente, o mais ameaçado. Além disso, os poucos remanescentes das florestas da Caatinga estão localizadas em terras privadas.

Estratégia

Neste contexto, a proposta de criação e manutenção de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN) é extremamente importante como estratégia para a conservação do bioma, a manutenção dos recursos hídricos e, também, a redução de emissões de gases do efeito estufa. Por outro lado, alguns números alegram os militantes ambientais e a sociedade: a conservação da paisagem em terras privadas na Caatinga, por meio RPPN, já corresponde a 10% das áreas especialmente protegidas nesse bioma.
Somente no Ceará já são 16 reservas privadas. A estimativa é que o edital possibilite a criação de mais dez novas RPPNs. "Nós também esperamos apoiar nove planos de manejo em RPPN já estabelecidas no Ceará, para aquelas já existentes. Isso tudo no bioma Caatinga", afirma Natasha.
No Ceará, o bioma Caatinga está praticamente em todos os municípios, exceto àqueles localizados na região litorânea e nas serras, que têm Mata Atlântica.
O 2º edital de apoio a projetos, lançado recentemente pela Aliança da Caatinga, faz parte do Projeto Caatinga Preservada: Segurança Hídrica e Emissão Evitada de Carbono no Semiárido, patrocinado pela MPX e coordenado pela Associação Caatinga. O edital apoiará diretamente proprietários rurais no Estado do Ceará que desejam criar RPPN, bem como proprietários que já possuem RPPN em suas áreas e que desejam fortalecer a proteção das áreas por meio da elaboração do plano de manejo e ações de manutenção da integridade da RPPN.
Trata-se de esforço que parte de ato voluntário do proprietário rural em promover a conservação em sua propriedade e, assim, contribuir para preservação de florestas e ambientes naturais do bioma Caatinga, como forma de garantir a manutenção dos sistemas hídricos que contribuem para abastecimento e a segurança alimentar das comunidades do sertão nordestino. Os projetos para apoio a criação e gestão de RPPN no Ceará deverão ser enviados diretamente para a Associação Caatinga até o dia 16 de agosto. O edital, anexos e documentos necessários estão disponíveis no site da instituição.



Voluntariado

"Como é um ato voluntário, os editais estimulam os proprietários a cuidarem do bioma da Caatinga"

Natasha Chaves Cavalcante

Coord. do Projeto Caatinga Preservada


MAIS INFORMAÇÕES

Associação Caatinga

Rua Cláudio Manuel Dias Leite, 50

Cocó - Fortaleza/ (85) 3241.0759

www.acaatinga.org.br

Emanuelle Lobo

Especial para o Regional - (Fonte: Diário do Nordeste)

A Universidade Federal Rural de Pernambuco e o Comitê Estadual celebram o Dia Nacional da Caatinga

Marcelo, Suassuna, Rita, Ednilza e Márcio (CERBCAA/PE) João Suassuna (Fundaj) Márcia Vanusa (UFPE) Francis Lacerda (IPA) e Jo...