terça-feira, 4 de agosto de 2009

APA das Onças: um belo roteiro do turismo ecológico da Paraíba

Onça pintada

Relevo e vegetação de regiões de caatinga guardam belezas naturais e uma fauna diversificada que pode ser encontrada no Cariri Paraibano. Esse é o cenário que moradores e visitantes acostumaram a ver na Área de Proteção Ambiental das Onças (APA das Onças), no município de São João do Tigre. O local é gerenciado pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) e, nesta quarta-feira (5), será o principal ponto de pauta de uma reunião que vai ocorrer na Câmara Municipal daquela cidade.
Foram convidados ambientalistas, políticos que atuam na região e a população em geral, com o propósito de traçar um plano emergencial para a preservação da APA.O lugar ocupa uma área de 400 mil hectares e constitui uma unidade de conservação do Governo do Estado, sob a tutela da Sudema. Lá, as pessoas podem encontrar uma variedade de espécies de vegetações típicas da caatinga, que decoram vales, planícies, topos de morro e uma cachoeira. Em harmonia com a natureza vivem onças, papagaios, macacos, lobos guarás, veado campeiro, tamanduás, raposas e uma infinidade de pássaros.
O assessor técnico da Sudema, Rogério Ferreira, entende que um plano de ação para divulgar e promover o turismo na região vai garantir a preservação das espécies e das plantas nativas. “Também queremos divulgar o trabalho das rendeiras, que ainda na infância aprendem o oficio de confeccionar as mais variadas peças. Para ver o trabalho da tradicional renda renascença basta caminhar pelas ruas da cidade”, informou.
Localizada na região da Serra da Borborema, a cidade de São João do Tigre fica a 243 quilômetros de João Pessoa e a 577 metros de altitude em relação ao nível do mar. A população foi estimada em 4.707 habitantes, conforme o Censo 2008 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda inexplorada como roteiro turístico ecológico, a APA das Onças guarda importantes sítios arqueológicos e paleontológicos. Cerca de 30 deles já foram encontrados e catalogados por pesquisadores. São inscrições rupestres, peças líticas e cemitérios indígenas.
Um dos cemitérios encontrados data de 700 anos atrás e foi catalogado pelo professor Juvandi Santos, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Atualmente, o acervo histórico serve como roteiro turístico da região e fonte de renda para os moradores. Por exemplo, o visitante encontra gente que trocou a espingarda de caça por uma máquina digital e agora trabalha como guia.

domingo, 2 de agosto de 2009

DESTRUIDORES DA HISTÓRIA - O Parque Nacional do Catimbau em perigo.


Vândalos agem sem controle nos sítios arqueológicos.
O Parque Nacional do Catimbau em Pernambuco também está em perigo.


O Brasil é dono de um dos mais extensos e diversificados conjuntos de arte rupestre do mundo. Dele, conhece-se apenas uma pequena parte. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) registra a existência de 2 000 sítios arqueológicos com pinturas e inscrições pré-históricas, mas estima-se que esse número possa ser dez vezes maior. Esses registros gravados em rochas datam de até 40 000 anos atrás e constituem um patrimônio precioso e frágil por natureza, exposto que é à ação do tempo e das mudanças climáticas. No Brasil, a essa agressão inevitável soma-se uma praga vergonhosa. Aqui, o grande inimigo da conservação é o vandalismo. Pinturas milenares têm sido depredadas por pichações, fogueiras, gado – e até por cartazes de propaganda eleitoral. Em janeiro deste ano, no Parque Nacional do Catimbau, em Pernambuco, inscrições rupestres feitas há 6 000 anos foram destruídas depois de uma disputa entre guias que trabalhavam informalmente na região. Um deles sentiu-se lesado pelos colegas e jogou um balde de tinta vermelha sobre os desenhos. Até hoje ninguém foi indiciado.
Nos precários levantamentos do Iphan, a depredação atinge 3% do patrimônio. Levantamentos feitos por instituições estaduais dão uma ideia mais precisa do problema. A Universidade Estadual da Paraíba está fazendo o Mapa da Destruição no estado, cujo tesouro mais precioso é a Pedra do Ingá, um bloco de 24 metros de largura e 3 de altura coberto de grafismos misteriosos. Até agora, pesquisadores visitaram 44 sítios e encontraram marcas de vandalismo em 38 deles. Outra equipe, da Universidade Federal da Bahia, localizou dezoito casos de depredação em 120 sítios pesquisados no estado. País afora esse panorama desolador se repete, sem que se tome providência alguma para barrar a destruição.
O patrimônio rupestre conhecido até agora no Brasil não tem a mesma beleza dos desenhos de locais célebres como as grutas de Lascaux, na França, e de Altamira, na Espanha. Mas os cerca de 20 000 sítios formam uma das maiores concentrações do mundo de pinturas ainda não estudadas. Eles estão espalhados por todo o país e guardam desenhos de diferentes períodos. Alguns são inscrições geométricas, outros sugerem animais, rituais, cenas de luta. São uma ferramenta importante para os estudos sobre o processo de ocupação do continente americano, além de seu valor como registro artístico. Sua destruição é preocupante porque recai sobre material que ainda não foi sequer cadastrado e examinado. Desde 1961, o Iphan é responsável pela fiscalização desses sítios. Mas, até 2006, em seu quadro havia apenas seis arqueólogos. Atualmente há quarenta, um efetivo ainda ínfimo. "São milhares de sítios, muitas vezes em locais de difícil acesso, e pinturas isoladas, que ficam a centenas de quilômetros umas das outras. É impossível vigiar tudo", diz o diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização do Iphan, Dalmo Vieira Filho.
(Fonte: Revista Veja - Marcelo Bortoloti - Edição 05/08/2009)






quarta-feira, 29 de julho de 2009

Por dentro da caatinga: o camaleão


Camaleão - Foto: Rosilândia Melo feita no açude Cajazeiras em Pio IX-PI.
Quem nunca ouviu alguém contar histórias do tipo: ‘peguei num Camaleão pensando que era um pedaço de pau’ ou ‘se alguém o captura pela cauda ele larga a mesma e vai embora’. Pois é, neste momento você deve lembrar de muitas outras, principalmente, do tempo de criança. Seu habitat natural se localiza do México ao Brasil Central - Floresta Amazônica, matas de galeria, cerrado e caatinga. É um réptil muito presente em nossa região. Conhecido por mudar a sua cor para se adaptar a um ambiente ou a uma situação, esta estratégia o ajuda a se proteger de potenciais predadores e passar despercebido por eles. Além desta característica, possui a capacidade de movimentar os dois olhos independentemente e também de enrolar a cauda para se agarrar. Por isso, sobe com facilidade em árvores e corre rápido no chão. É um bom mergulhador e também nada bem, podendo ficar submerso por longo tempo. Caso se sinta acuado, foge ou defende-se com dentadas e chicoteando com a cauda. De hábitos diurnos, costuma, ao amanhecer, colocar-se ao sol para caçar todo o tipo de insetos, como gafanhotos e outros artrópodes. Alimenta-se de grandes quantidades de folhas verdes, e de frutos. Ingere também insetos. É um lagarto imponente, com uma bela crista que vai da nuca até a cauda e aparece também no papo. Os machos, normalmente, são mais coloridos e com ornamentações mais proeminentes na cabeça.

terça-feira, 28 de julho de 2009

População de arara-azul-de-lear cresce 18% em apenas um ano

Arara-Azul-de-Lear -(Por Délcio Rocha - Monica Pinto - Fonte: Ecoluna)
Censo realizado pelos pesquisadores do Instituto Chico Mendes (ICMBio) mostra crescimento de 18% no número de araras-azuis-de-lear em apenas um ano. De acordo com os especialistas do Centro Nacional de Pesquisa para a Conservação das Aves Silvestres (Cemave), o número de exemplares saltou de 900 aves em 2008 para 1.060 neste ano. A arara-azul é uma das aves mais ameaçadas no mundo.
A contagem foi realizada na região do Raso da Catarina, na caatinga baiana, entre os municípios de Jeremoabo e Canudos. Foram feitas três contagens técnicas, o que significa dizer que as aves foram contadas seis vezes, uma de manhã e outra à tarde em cada um dos três dias. "Tiramos a média e o número final é de 1.060", explica o biólogo Kleber de Oliveira, um dos responsáveis pelo censo. A incursão em campo foi a primeira deste ano. Outra deve ocorrer em novembro, para confirmar os dados colhidos até agora.
A arara-azul-de-lear é citada no Livro Vermelho da Fauna Ameaçada de Extinção, editado pelo Ministério do Meio Ambiente, e na lista da União Internacional para a Conservação da Natureza. Segundo os pesquisadores, com os novos números, ela pode passar, ainda neste ano, do status de 'criticamente ameaçada' para o de 'ameaçada'. Isso significa que a situação melhorou, mas o animal ainda corre risco de desaparecer.
(Fonte: DiárioNet - P.Carvalho)

domingo, 26 de julho de 2009

Caatinga: Mudas de espécies em extinção são reproduzidas

Estudo feito pela Embrapa, em Petrolina, desenvolveu tecnologia para
germinação de quatro plantas ameaçadas de desaparecer.


O Brasil tem, segundo o Ibama, 472 tipos de plantas em risco de extinção, dos quais quatro estão na caatinga. São a aroeira-do-sertão, a baraúna, a imburana-de-cheiro e a quixabeira que, se depender da Embrapa Semiárido, deixarão de figurar na lista. É que pesquisadores da unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, localizada em Petrolina, Sertão de Pernambuco, desenvolveram uma tecnologia para a produção de mudas dessas espécies.
A partir de estudos da fisiologia das sementes das quatro árvores, a equipe identificou qual a melhor forma de estimular a germinação, se apenas umedecendo-as ou também fazendo um pequeno corte na casca. É o que se chama de quebrar a dormência. Na natureza, isso se dá pela ação da chuva ou do tempo, mas no laboratório é preciso recorrer a métodos artificiais.
Enquanto a aroeira e a umburana precisam apenas ser embebidas num papel com água para germinar, a baraúna e a quixabeira necessitam de um corte na casca do lado oposto ao do embrião. “Também verificamos a temperatura mais adequada e o melhor substrato, que pode ser areia, solo ou ainda uma mistura dos dois com a adição de esterco”, explica Bárbara França Dantas, que coordena o trabalho.
Os pesquisadores monitoram até a quantidade de luz que a muda recebe. Ao avaliar o crescimento da planta, eles verificam em que combinação de fatores ela se desenvolve melhor.
A agrônoma, com pós-graduação em fisiologia de sementes, explica que decidiu pesquisar a aroeira-do-sertão, a baraúna, a imburana-de-cheiro e a quixabeira para contribuir com a conservação dessas espécies. “Embora estejam ameaçadas, há pouca gente trabalhando com elas”, justifica. Segundo Bárbara, as quatro são exploradas para fins medicinais. “Da aroeira se usa a casca e a madeira, das outras três, as sementes. A baraúna também tem uso madeireiro”, esclarece.
Das quatro, a que mais Bárbara teve dificuldades de encontrar foi a quixabeira. “As outras a gente ainda acha fácil na caatinga, mas ela aparece apenas numa região chamada Salitre, aqui em Petrolina”, conta. A pesquisadora calcula que já produziu pelo menos 100 mudas das espécies. “Foram usadas nos experimentos. Mas o mais importante é que agora pudemos dizer como são produzidas essas mudas.” A equipe de Bárbara realizou dois cursos, este ano, sobre produção de mudas das quatro espécies.


(Fonte: JC - Por Verônica Falcão)

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Caatinga: o maior e mais importante ecossistema existente na Região Nordeste do Brasil

Caatinga: Foto Hugo Macedo


O bioma Caatinga é o maior e mais importante ecossistema existente na Região Nordeste do Brasil, ocupando praticamente 60% de sua área. A caatinga ocupa os estados da Bahia, Ceará, Alagoas, Sergipe, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Maranhão e o norte de Minas Gerais. Cerca de 20 milhões de pessoas vivem na região da Caatinga, em quase 800 mil km² de área. A irregularidade climática é um dos fatores que mais interferem na vida do nativo da caatinga, o chamado sertanejo.A palavra Caatinga é originária do tupi-guarani e significa mata branca (CAA-TINGA: MATA CLARA ou CAA-TINGA: MATA ABERTA).A caatinga é um bioma rico em recursos genéticos dada à sua alta biodiversidade, apresenta grande variedade de paisagens, certa riqueza biológica e endemismo. Em quase toda a área da caatinga está presente o clima quente e semi-árido. Algumas espécies procuram defender-se da seca armazenando água em seus tecidos. São predominantes o pereiro, a faveleira, a baraúna, a aroeira, o angico, a quixabeira, a oiticica, o juazeiro, o mandacaru, o facheiro, o xiquexique, o quipá, a coroa-de-frade e a macambira.Quando chega o mês de agosto, parece que a natureza morreu. Não se vêem nuvens no céu, a umidade do ar é mínima, a água chega a evaporar 7mm por dia e a temperatura do solo pode atingir 60º C. As folhas da maioria das árvores já caíram e assim, o gado e os animais nativos, como a ema, o preá, o mocó e o camaleão, começam a emagrecer. As únicas cores vivas estão nas flores douradas do cajueiro, nos cactos e juazeiros. A maioria dos rios pára de correr e as lagoas começam a secar.
A folhagem das plantas volta a brotar e fica verde nos curtos períodos de chuvas. O inverno é uma estação com chuva irregular. A paisagem muda muito rapidamente. As árvores cobrem-se de folhas e o solo fica forrado de pequenas plantas. A fauna volta a engordar. Os ecossistemas do bioma Caatinga encontram-se bastante alterados, com a substituição de espécies vegetais nativas por cultivos e pastagens. O desmatamento e as queimadas são ainda práticas comuns no preparo da terra para a agropecuária que, além de destruir a cobertura vegetal, prejudica a manutenção de populações da fauna silvestre, a qualidade da água, e o equilíbrio do clima e do solo.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Cai pela metade participação do carvão da Bacia do Rio São Francisco na matriz energética do país

Rio São Francisco

Por: Thais Leitão - Repórter da Agência Brasil


A participação do carvão vegetal produzido nos municípios que compõem a Bacia do Rio São Francisco na matriz energética brasileira caiu pela metade entre os anos de 2000 e 2007, passando de 26,17% para 13,79%. Apesar disso, em termos de volume, a redução foi pequena, tendo passado de 374 mil para 349 mil toneladas por ano no período.A atividade, realizada sem os cuidados de manejo ambiental, é um dos principais fatores de degradação do São Francisco. A avaliação é da geógrafa Adma Hamam, coordenadora do estudo Vetores Estruturantes da Dimensão Socioeconômica da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, divulgado hoje (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento traça uma radiografia da região enfocando aspectos como configuração demográfica, usos dos recursos hídricos, além da governança socioambiental. O objetivo é subsidiar políticas de revitalização da área, desenvolvidas pelo Ministério do Meio Ambiente.“Grande parte da matriz energética do São Francisco é proveniente do carvão vegetal. Isso causa danos sérios, porque, com a retirada da vegetação do Cerrado e do Semiárido, que ajuda a proteger o solo, quando ocorrem chuvas tudo é arrastado diretamente para o rio, gerando assoreamento do São Francisco, prejudicando a qualidade da água e promovendo diminuição da vazão”, destacou a pesquisadora.O levantamento indica que os seguintes municípios lideravam, em 2007, o ranking da produção de carvão vegetal na bacia: Buritizeiro, João Pinheiro, Pompeu, Felixlândia e Corinto, todos no estado de Minas Gerais.Segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no Semiárido, Iedo Bezerra, essa produção é absorvida principalmente pelas indústrias siderúrgicas mineiras.Ele destacou ainda que em outra região da bacia, no chamado SubMédio São Francisco, que engloba parte dos estados de Pernambuco, do Piauí e do Ceará, o maior problema em termos ambientais é a retirada de vegetação da Caatinga para produzir lenha que abastece principalmente a indústria de gesso. Essa região concentra 95% da produção gesseira de todo o Brasil.De acordo com um levantamento realizado pela Embrapa em 15 municípios pernambucanos, que abrangem uma área de 2 milhões de hectares, quase metade já está desmatada em função dessa atividade.“Esse é um problema muito grave na nossa região. Por isso, trabalhamos para conscientizar a classe empresarial de que é possível manter a indústria a pleno vapor adotando práticas sustentáveis”, afirmou.Entre essas medidas, Bezerra destacou a divisão das propriedades rurais em zonas de produção alternada para evitar o esgotamento do solo; a recuperação de áreas degradadas; o plantio de florestas utilizando espécies de crescimento rápido com o objetivo específico de extração; e ainda a observância dos limites de preservação previstos pela reserva legal em cada região.O engenheiro florestal da Embrapa citou ainda o uso da lenha para abastecer pizzarias e restaurantes em todo o país e a utilização domiciliar para produção de energia, embora este último, segundo ele, tenha menor impacto ambiental por ser, em geral, fruto de atividade de coleta.“Essa modalidade é menos predatória porque, embora a lenha ainda seja largamente utilizada especialmente pelas populações mais pobres dos municípios da bacia, em geral elas [as famílias] retiram troncos já caídos e mortos”, enfatizou.

A Universidade Federal Rural de Pernambuco e o Comitê Estadual celebram o Dia Nacional da Caatinga

Marcelo, Suassuna, Rita, Ednilza e Márcio (CERBCAA/PE) João Suassuna (Fundaj) Márcia Vanusa (UFPE) Francis Lacerda (IPA) e Jo...